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Mais de três em cada dez cabo-verdianos sofre de hipertensão

No momento em que se assinala o Dia Mundial da Hipertensão, 17 de Maio, sob o lema “Conhece os Teus Números”, os dados não são nada animadores para Cabo Verde. 35% da sua população sofre de hipertensão, mas acredita-se que o número possa ser maior. A nível africano, o arquipélago regista mais casos de hipertensão, para além de esta patologia ser a principal causa de morte.

 

“A hipertensão é um problema preocupante em Cabo Verde. Todos os dias são identificados casos novos da hipertensão arterial porque nós temos factores de risco que contribuem para isso. Em termos de números, temos um inquérito que foi feito em 2007 que nos dá uma prevalência de 35% da população com essa doença. Acreditamos que seja mais”, diz Maria da Luz Lima, Directora Nacional de Saúde Pública.

Para fazer valer o grande potencial preventivo existente em Cabo Verde, Maria da Luz Lima é de opinião que se deve apostar na sensibilização das pessoas. Já está em marcha a criação de uma base de dados com os doentes hipertensos, com um mapeamento da “tensão alta” feito nas comunidades.

“Só conhecendo os números é que saberemos dar respostas mais adequadas”, defende Maria da Luz Lima.

“Os cuidados primários de saúde já têm a indicação para irem à comunidade fazerem visitas domiciliárias e o mapeamento da doença na comunidade, porque só assim saberão os dados reais que poderão ser trabalhados”, reforça.

Para um tratamento eficaz desta patologia não bastam apenas os cuidados prestados pelos serviços de saúde. Segundo Maria da Luz Lima, o doente tem um papel muito importante no seu tratamento. “Deve ser responsabilizado pela sua doença, porque um hipertenso tem que saber que todos os dias tem que tomar a sua medicação, fazer actividade física, pelo menos trinta minutos de caminhada, ter hábitos alimentares saudáveis, evitar gorduras, bebidas alcoólicas, excesso de sal, fazer a medição regularmente”, recomenda Maria da Luz Lima.

A hipertensão é a primeira causa de mote em Cabo Verde. A nível africano, Cabo Verde é o país onde se registam mais casos de hipertensão. Entretanto, não deixa de ser o país africano com esperança de vida mais elevada, o que acaba por ser, paradoxalmente, um dos factores que contribui para que ocupe um dos lugares cimeiros no ranking dos países mais hipertensos.  

A ocidentalização dos hábitos, na óptica de Maria da Luz Lima, é uma das causas que colocam Cabo Verde nesta posição. “Os hábitos dos cabo-verdianos neste momento estão muito ocidentalizados com a alimentação de fast food, sedentarismo, falta de exercício físico e consumo elevado do sal”, explica.

Para uma radiografia cabal da hipertensão em Cabo Verde, está programado para 2018 o segundo inquérito dos factores de risco para as doenças crónicas não transmissíveis, incluindo a hipertensão arterial. No entanto, o que vai acontecer mais cedo, já amanhã, no Hospital Agostinho Neto, é a apresentação do protocolo de seguimento e controlo do doente hipertenso.

quarta, 17 maio 2017 12:20

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