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Cabo-verdianos na Holanda «aliviados» com derrota da extrema-direita

Os cabo-verdianos, residentes na Holanda, dizem-se “aliviados” com o resultado das eleições da passada quarta-feira, naquele país europeu. O partido da extrema-direita, liderado pelo candidato racista e anti-europeu Geert Wilders, causou “pânico” aos imigrantes, mas saiu derrotado.

 

Perante os resultados que reconduziram o actual primeiro-ministro e líder do Partido Popular para a Liberdade e a Democracia, Mark Rutte, a um terceiro mandato no cargo, os cabo-verdianos residentes na Holanda, entrevistados da última edição do Panorama 3.0, da Rádio Morabeza, manifestam-se mais tranquilos.

Américo Brito, há mais de 40 anos no país, respirou de alívio, depois da contagem dos votos. 

“Todo o medo que tínhamos era do partido de Wilders, que não quer saber muito de estrangeiros aqui dentro, principalmente os islâmicos", diz.

Sónya Dias, cabo-verdiana nascida na Holanda, diz-se mais descansada, mas ainda assim preocupada com o aumento do apoio à extrema-direita. Isto, tendo em conta que o candidato extremista ficou na segunda posição, com 20 deputados, mais 5 do que até aqui.

“Em primeiro lugar, fiquei aliviada porque não foi o partido de Wilders que ganhou as eleições. Por outro lado, fiquei triste porque a Holanda voltou um pouco mais para a direita. A Holanda está a mudar e a ser menos tolerante para pessoas como nós, que somos crioulos”, lamenta.

A cabo-verdiana Lena Évora também nasceu na Holanda. Considera que o país mostrou a sua posição.

“Isso demonstra que há pessoas que acham que todos devem ser bem-vindos, desde que ajudemos a construir a sociedade", avalia.

 


Presença de extrema-direita deveria fazer tocar sinais de alerta - Especialista

A jornalista portuguesa, Helena Ferro de Gouveia, que acompanha a vida política holandesa há mais de uma década, considera que, perante os resultados eleitorais, se está a assistir uma polarização da cena política holandesa, com a extrema-direita a manter a sua força.

Em entrevista à Rádio Morabeza, a jornalista justifica a sua posição.

“Este fenómeno não é novo. A extrema-direita é uma presença constante na vida política holandesa, não desapareceu. Isso, se calhar, deveria fazer tocar alguns sinais de alerta nos partidos ditos democratas”, defende.

A jornalista destaca como primeiro dado positivo da eleição o facto de o partido extremista de Geert Wilders não ter conseguido ficar à frente. Considerando que Geert Wilders expressa algumas preocupações que existem no seio da sociedade holandesa, a analista lembra que, “de facto, há alguns problemas com alguns membros da comunidade muçulmana”.

“Obviamente que a grande maioria está integrada ou é pacífica, cumpre os seus deveres de cidadania. Mas, de facto, há uma minoria que é expressiva nas estatísticas de crime, nas agressões, numa forma de estar que é contrária aos valores europeus", explica.

 

segunda, 20 março 2017 14:33

1 comentário

  • Anete Vital 20-03-2017 Reportar

    Não compreendo o medo dos meus irmãos na Holanda. A extrema direira se manifestou por causa da invasão àrabe que quer implantar costumes que não se dão com os autoctones.
    Sentir-se aliviado é por falta de conhecimento.

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