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Greve dos enfermeiros: direcção do HAN fala em impasse e garante serviços mínimos

A direcção do Hospital Agostinho Neto convocou hoje a imprensa para esclarecer a sua posição em relação à anunciada greve dos enfermeiros do Centro de Hemodiálise, na cidade da Praia. “Fizemos tudo para que se evitasse a greve”, garante Júlio Andrade, director da unidade hospitalar.

 

Segundo o médico, a situação chegou a um impasse, já que “esbarramos com situações ilegais, impossíveis de resolver”.

Em causa está a alteração nos horários do regime de escala que obriga os enfermeiros do Centro de Hemodialise a trabalharem nas urgências para que justifiquem as horas pagas em regime de velas, urgências e chamadas.

Assegurando que nenhum direito do grupo de enfermeiros tem sido violado, a direcção do HAN avança que não teve qualquer intervenção directa na alteração das condições de trabalho no referido centro uma vez que, como sempre, foi dada autonomia aos directores de serviço, aos enfermeiros chefes e aos técnicos para que estes elaborassem a escala de serviço de acordo com as necessidades do centro e dentro da legalidade.

A direcção do Hospital sublinha que os serviços mínimos serão garantidos e com qualidade, e que nenhum doente ficará sem tratamento por conta da greve, apelando à tranquilidade dos doentes e da população em geral, ao mesmo tempo que responsabiliza os grevistas.

“Estão a radicalizar posições e a ultrapassar fronteiras que não devem ser ultrapassadas. Não se deve usar o sofrimento dos doentes como arma de arremesso contra o Conselho Administração. É algo que viola os princípios éticos e a base do funcionamento do Ministério da Saúde e não podemos aceitar”, critica o director do HAN que reitera a disponibilidade do Hospital para dialogar, inclusive, com a Associação de Doentes Renais, esta que entretanto veio a público manifestar a sua preocupação em relação aos doentes que frequentam o Centro de Hemodialise do HAN perante o cenário de greve.

Lamentando a postura dos enfermeiros de convocar a greve "sem nos contactar e sem dialogar com o Conselho de Administração", Júlio Andrade assegura que esta tudo fez junto da Direcção Geral do Trabalho para evitar chegar à situação de perturbação de funcionamento "e o relatório desta instituição irá demonstrar que tivemos toda abertura possível dentro do quadro da legalidade". 

A direcção e administração do HAN manifestaram também o seu desconforto pelo facto do representante do sindicato dos enfermeiros (SINDEP) ser ele próprio integrante do grupo de 12 enfermeiros do Centro de Hemodialise que no passado dia 01 de Fevereiro anunciou que entraria em greve a partir do dia 15. “Há sobreposição de papéis e conflito de interesses que não deveriam existir”, afirmam os responsáveis do Hospital.

Segundo explica Júlio Andrade, desde Setembro, a nova direcção do Hospital Agostinho Neto terá detectado irregularidades relativas às escalas dos enfermeiros, nomeadamente situações de funcionários a receberem pelas velas quando não estavam de serviço.

“Quando analisamos, detectamos situações flagrantes e começamos a cortar. Por exemplo, havia casos de enfermeiros que apareciam na escala para trabalharem à noite ou no domingo mas que na verdade estavam em casa. E foi isso que cortámos”, esclarece, avançando ainda que esta prática era “uma forma de aumentarem o complemento salarial”.

É que, conforme demonstrado aos jornalistas, o salário total dos enfermeiros do HAN resulta de um valor base acrescido do montante ganho com as velas, os serviços na urgência e as chamadas. Atendendo às situações alegadamente detectadas de enfermeiros escalados – e portanto pagos - mas que na verdade não compareciam ao serviço, a direcção do Hospital terá dado instruções às direcções de serviços para que fizessem “escalas reais, de acordo com as necessidades do serviço”.

Por seu lado, os enfermeiros afectados consideram que a nova escala, que os obriga a trabalharem nas urgências aos domingos, para justificarem o montante auferido nas velas, viola o seu direito ao descanso.

O Centro de Hemodialise do Hospital Agostinho Neto, inaugurado em 2014, trata actualmente 99 doentes renais.

A última greve de enfermeiros em Cabo Verde teve lugar em 2007, a nível nacional, em que durante dois dias estes profissionais da saúde interromperam o serviço também por questões remuneratórias.

segunda, 13 fevereiro 2017 15:40

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