Expresso das Ilhas

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«Cabo Verde não pode pôr em causa o português»

Antiga professora, há muito ligada às questões da língua, Dulce Lush Ferreira Lima olha para a discussão em torno da mudança de metodologia de ensino da língua portuguesa como um reflexo da falta de uma política linguística “clara e precisa” em Cabo Verde. 


Língua primeira, língua segunda, materna, não materna. Muitos conceitos. Qual é a situação do português em Cabo Verde?
São conceitos definidos pela sociolinguística. Para sermos mais específicos, Cabo Verde tem dois  sistemas  linguísticos: a língua cabo-verdiana e a língua portuguesa, sendo que a língua cabo-verdiana é a língua materna ou primeira.
O conceito de língua materna é definido como a língua que a criança aprende a falar e através da qual apreende o mundo. Alguns autores preferem a ideia de língua primeira ao invés de língua materna,  mas qualquer das designações pode ter contra-indicações, porque ‘língua primeira’ e ‘língua segunda’ pode pressupor uma hierarquia, o que não tem obrigatoriamente que existir. As duas podem ser importantes, como é o caso de Cabo Verde. O país tem duas línguas, a língua materna é a língua cabo-verdiana e a língua portuguesa é a língua segunda. Outra questão muito diferente é a língua estrangeira. O inglês é claramente uma língua estrangeira em Cabo Verde. A língua cabo-verdiana, para nós, para a comunidade cabo-verdiana, seja no país ou na diáspora, pode ser língua materna, mas há também casos individuais em que a língua cabo-verdiana pode ser a língua segunda. Por exemplo, uma criança nascida  em Portugal, de pai cabo-verdiano e de mãe portuguesa, pode ter o português como língua primeira ou língua materna e o cabo-verdiano como língua segunda. São  conceitos, não são dogmas nem são leis e  no caso de Cabo Verde a situação sociolinguística está definida há muito tempo. Outra confusão que, eventualmente, possa  existir é que temos uma língua materna, a língua cabo-verdiana,que é uma língua nacional, constitucional, mas ainda não é a língua oficial. E temos a língua segunda, que é a língua oficial, desde sempre. Essa distinção pode criar confusão talvez por factores que nem sequer  têm a ver com a questão linguística em si.

Em relação à ideia do Ministério da Educação, de passar a ensinar o português como língua não materna?
Deveria ser algo evidente, porque o português, não sendo língua materna, há que se adequar a metodologia de ensino. Não vamos fingir que é língua materna, que não é. Mas nunca houve definição de uma política linguística clara e precisa.Nem sequer uma política de ensino de línguas. A população tem a ideia de que, volta e meia, há uma novidade e mudam-se as línguas, criam-se projectos de introdução do ensino da língua cabo-verdiana - um projecto muito mal explicado, muito mal concebido. As mudanças são feitas sem dar tempo de se saber quais são os resultados. Há três anos começou-se uma experiência, agora muda-se a metodologia. Penso que a confusão  vem também  dessa profusão e dessa sobrecarga a que o sistema educativo acaba por estar sujeito.

Porque é que é tão difícil  discutirem-se questões  de língua, em Cabo Verde?
Não é só em Cabo Verde que as questões da língua são muito emotivas.Talvez seja uma das questões mais emotivas  para qualquer comunidade humana, porque temos sempre um apego às línguas. Há uma ideia de posse e de pertença, falamos a nossa língua. É com a língua que apreendemos o mundo, é o ponto central da nossa cultura. Cada falante de uma língua sente-se como especialista ou dono da língua e essas questões criam  áreas de  grande emotividade. Em Cabo Verde, temos a imensa sorte e a imensa riqueza de ter duas línguas. Mas como a questão da língua, nos nossos mais de quarenta anos enquanto país independente, tem sido tratada de forma muito confusa e pouco transparente pelo poder político, as coisas não são claras e é o que pode, também, explicar o carácter babélico do debate.

É possível Cabo Verde salvaguardar a língua cabo-verdiana, sem pôr em causa o português?
Mais do que possível, é a única possibilidade. Cabo Verde não pode não salvaguardar a língua cabo-verdiana, mas também não pode pôr em causa o português. São os dois sistemas linguísticos do país. Há países que puseram em causa uma determinada língua, que era a língua oficial,mas em relação a Cabo Verde,no meu ponto de vista, isso não deve acontecer. Não vamos pôr em causa a língua cabo-verdiana que é  a nossa língua e ainda por cima uma língua endógena, assim  como não vamos pôr em causa o português. Seria como se amputássemos um braço.

E como é que se garante essa salvaguarda?
Talvez essa seja a verdadeira questão. Há especialistas da língua que têm dado respostas, linguistas que têm feito trabalhos e apontado caminhos. O Estado é que parece não ter tido uma acção clara e determinada nesta questão. Muito embora tenha havido um grande esforço, nomeadamente na constitucionalização da língua cabo-verdiana, abrindo a porta à oficialização que certamente acontecerá um dia. Para já, é o reconhecimento de todo o património  linguístico,  com as suas duas línguas: a língua cabo-verdiana e a portuguesa, mas falta definir uma política linguística nacional e nenhum especialista poderá resolver o que compete a poder político.

Que papel tem o sistema de ensino nesse processo?
O ensino tem um duplo papel, é o principal centro de aplicação das decisões relativas à política linguística, é onde as coisas se passam. No  caso de Cabo Verde, com a realidade linguística complexa que temos,é, essencialmente, na escola que a língua portuguesa é transmitida. O ensino tem essa obrigação de formar as crianças em português, que é  a língua de ensino e é também uma língua  de Cabo Verde, é uma língua nacional. Por outro lado, há que se inverter a pirâmide e começar a ensinar os professores e formá-los enquanto professores de português  de um país que não tem o português como língua primeira.

 

“Português sai valorizado como segunda língua”

Em comunicado, o governo defendeu, ontem, que não há conotações depreciativas pelo facto de a língua portuguesa passar a ser ensinada como língua segunda. “Antes pelo contrário, valoriza a língua através de métodos de aprendizagem cientificamente comprovados como sendo mais eficazes”, aponta o executivo.
Tendo em conta que em Cabo Verde, e tal como aponta um estudo publicado pela Universidade de Lisboa em 2011, “os falantes não dominam a língua portuguesa com a mesma competência e fluência com que dominam o crioulo”, o governo explica que a passagem do ensino do português para um processo diferenciado de ensino vai, pois, permitir uma valorização da língua portuguesa. Afirmam ainda que esta decisão se baseia numa orientação que “tem sido sustentada por conceitos consagrados internacionalmente na produção cientifica dedicada à aprendizagem de línguas não maternas, que beneficiam do estatuto privilegiado de língua oficial e são línguas de escolarização em todos os níveis de ensino. Este é o caso de Cabo Verde”.
Este passo, aponta o governo no comunicado enviado à comunicação social, só não foi dado mais cedo pela inexistência de acções de formação de docentes em paralelo com a “produção de materiais didáctico-pedagógicos adequados”. “Medidas que foram sendo sistematicamente proteladas, pelo que se continuou a ensinar o português como se fosse língua materna, com consequências negativas nos resultados dos nossos estudantes”, acrescenta ainda o governo.

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 786 de 21 de Dezembro de 2016.

sábado, 24 dezembro 2016 06:00

6 Comentários

  • Samuel Alenquer 26-12-2016 Reportar

    Este artigo nao traz rigorosamente nada de novo ao debate.E vindo de quem vem, de alguem que se assume por expert na materia e um bluff.Como soi dizer para nao se ficar calada, da-se opiniao. Ja agora que demostrou ter uma opiniao critica sobre a forma como se pretende introduzir a lingua criola no ensino, qual e a sua opiniao a proposito? O que deve ser feito ? Tire umas horitas e escreva um outro artigo pois fiquei sem saber a sua opiniao e contribuicao.Ideias concretas precisa-se.

  • Marsianu nha Ida padri Nikulau Ferera 26-12-2016 Reportar

    Pa Andrea Fortes i se kumentariu di 24-12-2016: ----§---- Desdi Outubru di 2014 ki un kumentarista (ki asves ta alega ma se nomi e Andrea Fortes) sa ta ripiti es mesmu mentira na jornais online di es prasa: ma Korason tra papiamentu di skola 5 anu dipos di po-l. ----§---- Desdi enton, kada bes ki el inseri es mentira, N pidi-l pa el da fonti relevanti ki KABUVERDIANUS REZIDENTI LI KABU VERDI pode konferi, mas ti inda el ka da fonti relevanti i konferivel. ----§---- Sistematikamenti, el ta finji ma el ka ntende nha purgunta i ta fika ta blablabla pa dispista. ----§---- Es se konportamentu ta reforsa nha konvikson ma nu sta peranti un mentira. ----§---- Di tudu manera, relevanti e rizultadu, relevanti e faktu. Kontra faktu ka ten argumentu kifari axismu! Faktu ta mostra ma ensinu bilingi li la nos tera sa ta midjora apruveitamentu di kriansas, inkluzivi na purtuges (konferi es faktu lisin: http://tinyurl.com/laeckho ). ----§---- Na wikipedia sta OJI (26/12/2016): I) ma Papiamentu e lingua ofisial di Korason; II) na 2º § di sekson di “Languages” ma “Papiamentu was introduced as a language of primary school education in 1993, making Curaçao one of a handful of places where a creole language is used as a medium to acquire basic literacy.” (pa tudu, konferi: https://en.wikipedia.org/wiki/Curaçao ). ----§---- Purtantu, Papiamentu ta uzadu na skolas di Korason ti dia di oji ----§---- Entritantu, Andrea sa ta afirma ma tradu papiamentu di skola 5 anu dipos di podu (1993 + 5 = 1998). Mas, pamodi ki wikipedia na verson di oji (18 anu dipos) ka sa ta papia disu?! ----§---- Isu signifika ma Andrea sa ta konta ka-si! ----§---- Oh Andrea, faze sima dja N faze: da link di fonti kredivel i na un di kes 4 lingua ki ta studadu li na Kabu Verdi (kabuverdianu, lingua di Tugas, franses o ingles) pa Kabuverdianus REZIDENTI LI KABU VERDI pode konferi! ----§---- Indipendentimenti di bu fonti, ki ta interesa-m e rizultadus apuradu li na Kabu Verdi atraves di avaliason externu (envolvendu teknikus ki Governu ki nos ki eleje, kredensia) i kuju link N da na prinsipiu di es kumentariu. Ki ta interesa-m e kuze ki UNESCO ta difende: ma uzu di lingua maternu ta midjora apruveitamentu skolar di kriansas (konferi: http://unesdoc.unesco.org/images/0012/001297/129728e.pdf ). ----§---- Ka ta interesa-m blablabla di un anonimu ki sta provavelmenti segadu pa bairismu duentiu, alienason, anbison kolonial i/o rasismu. ----§---- PS: pa link funsiona dretu, na nves di da klik riba del, konven kopia-l i inseri-l na greta pa link na motor di buska (pa izenplu, google).

  • César Palmieri Martins Barbosa 26-12-2016 Reportar

    Prezada Andrea Fortes

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    “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”
    ― Joseph Goebbels
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    Existe uma mentira que se tornou verdade em Cabo Verde por causa da sua repetição incessante:

    --- A língua portuguesa é a língua do dominador e a língua caboverdiana é a libertação do povo oprimido.

    É necessário acabar com o português e ensinar apenas o crioulo caboverdiano para libertar o povo e afastar a subserviência e a opressão, para ter um País livre e feliz.---

    Trata-se de uma mentira com alto poder retórico de convencimento, com grande carga emocional, mas que conduz justamente à miséria e à falta de soberania e independência, fazendo de Cabo Verde um País dependente da ajuda internacional.

    O CRIOULO CABOVERDIANO COMO INSTRUMENTO DE DOMINAÇÃO DE UMA ELITE QUE TEM ACESSO AO ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA E DA CONDENAÇÃO À POBREZA DAQUELES QUE SÓ SABEM FALAR A LÍNGUA CABOVERDIANA.

    Cabo Verde é um País com um forte sistema de aparthaid social, no qual a língua portuguesa é o fator que determina a separação entre a elite e os pobres.

    Por esse motivo, os pobres confundem o efeito com a causa, e odeiam o português por acreditar que o problema não é o facto de lhes ter sido negado o caríssimo ensino da língua portuguesa, e, por isso pensam que a abolição do português e o uso apenas da língua caboverdiana trará a igualdade de oportunidades para os que só falam o crioulo caboverdiano, o que é mentira.

    Agora, sem dinheiro, com a dívida pública fora do controle, o governo de Cabo Verde decidiu cortar as verbas destinadas ao ensino da língua portuguesa, o que condenará os pobres à miséria, e faz isso com o argumento mentiroso, que promoverá a igualdade e a justiça social, tornando a língua caboverdiana o idioma de ensino e de trabalho em todo o País.

    A consequência de privar, ainda mais do que agora, os mais pobres de uma língua indispensável para se aprender a escrever e ler em língua caboverdiana, pois o crioulo -ainda -não possui uma norma culta própria, faz com que o ensino da escrita em Cabo Verde tenha que percorrer o tortuoso caminho da criança primeiro ter que aprender como língua materna o crioulo caboverdiano, para, depois, estudar o português, e, somente então, aplicar a base da língua portuguesa para desenvolver a língua caboverdiana.

    Se as línguas portuguesa e caboverdiana passarem a ser ensinadas conjuntamente como descrito acima, pois hoje não há esse ensino e a maior parte do povo está condenado ao analfabetismo e à pobreza, então, em algumas gerações a língua caboverdiana terá a oportunidade de superar o actual estágio de falta de uma norma culta e das diversas variantes que a impedem de servir sem a dependência da língua portuguesa como etapa intermediária para o seu aprendizado além do falar coloquial.

    Logo, precipitar a emancipação da língua caboverdiana da língua portuguesa sem erradicar o analfabetismo em Cabo Verde, com o indispensável uso da língua portuguesa como apoio e alavanca para a independência forte da língua materna caboverdiana será condenar toda uma geração de crianças ao analfabetismo e à miséria, até que a prática demonstre o absurdo que se está a praticar, principalmente por aqueles que mentem para si mesmo, crendo que a mentira repetida mil vezes se tornou verdade.

    É evidente que em Cabo Verde se repetirá o que Andrea Fortes nos mostra com o exemplo de Curaçao, mas Confúncio nos ensinou o que um provérbio chinês assim resumiu:

    "O burro nunca aprende, o inteligente aprende com sua própria experiência e o sábio aprende com a experiência dos outros."

    É a nossa opinião, salvo melhor julgamento.

  • César Palmieri Martins Barbosa 24-12-2016 Reportar

    A AVENTURA DAS LÍNGUAS, QUE NASCEM, VIVEM, MORREM OU SÃO SUBSTITUÍDAS É UM PODER SOBERANO DOS POVOS, E NEM OS GOVERNOS MAIS PODEROSOS PODEM IMPOR UM IDIOMA NÃO DESEJADO.

    O ponderado, sensato e muito equilibrado editorial sob leitura é rico em lições preciosas.

    Todavia, cabe aduzir que a língua caboverdiana não existe por imposição governamental e nem pelo governo pode ser relegada ou suprimida.

    Se a língua materna dos caboverdianos é o crioulo de Cabo Verde, derivado do português, algum motivo muito forte na identidade dos caboverdianos existe para determinar esse fenômeno linguístico.

    A substituição do latim pelo galego, o português, o italiano, o espanhol, o francês, o romeno e tantos outras línguas ou dialetos como o mirandês em Portugal.

    No século XIX apenas um terço dos habitantes do Brasil falavam o português, e, por algum motivo que não sabemos, hoje o português é falado por todos os que moram no Brasil, pois sem ele não se pode viver por aqui.

    Quando estive no Japão me surpreendi com o facto dos japoneses, mesmo na elite governamental, não saberem falar o inglês, e que no Japão só se fala o japonês. Parece piada o que estou a relatar a respeito da minha surpresa no Japão, mas imaginava que com o inglês eu seria entendido na terra do sol nascente.

    Os caboverdianos já se decidiram pela língua caboverdiana como o seu idioma, pois idioma é a língua nacional, o que é muito mais do que uma simples língua primeira ou língua oficial.

    Uma nação não escolhe o seu idIoma com a razão, mas com a emoção. Não vamos tentar racionalizar as razões do coração, pois Blaise Pascal já nos ensinou que "O coração tem razões que a própria razão desconhece."

    A DIGLOSSIA

    Diglossia (do grego διγλωσσία, de di- - duas vezes- + glossa --língua ) é um fenômeno linguístico no qual, duas línguas coexistem, alternado-se de acordo com a circunstância.

    A grande dificuldade actual é que a língua caboverdiana ainda não se libertou e é dependente do português, A denominada pelos linguistas como a língua de prestígiona relação de diglossia, quando a norma culta se faz indispensável.

    A língua caboverdiana é mais poderosa, como língua materna, para expressar as emoções, e como idioma para afirmar o sentimento e a identidade da Nação Caboverdiana.

    Por esse motivo os caboverdianos vivem o paradoxo de primeiro aprenderem no seu mundo a língua caboverdiana, para depois, na escola, com professores que muitas vezes também não sabem o português, terem que aprender a gramática, o vocabulário e a superestrutura da língua portuguesa, para, por fim, poderem escrever, ler, falar e ouvir utilizando ora oa língua caboverdiana, ora o português, para se expressar além dos limites da informalidade linguística da sua língua materna.

    Isso é um inferno.

    Sejamos verdadeiros, sem mentirmos para nós mesmos e sem enganar as crianças, contando-lhes a verdade e fazendo as coisas como devem ser feitas no momento presente, pois as gerações futuras é que decidirão, por fim, o que acontecerá de facto.

    Por agora, só resta aprender primeiro a língua materna e idioma nacional, que é a língua caboverdiana, para em seguida estudar o português, como norma culta, e viver alternando o português e o caboverdiano como línguas cotidianas, o que não é fácil, ou melhor, é muito difícil.

    Todavia, se o governo de Cabo Verde deseja cortar as verbas e os recursos para o ensino do português, que é péssimo em Cabo Verde, e condena os que não são lusófonos aos estratos mais baixos da sociedade caboverdiana, então todas essas medidas novas anundiadas são, na verdade, uma mentira, quando se fala uma coisa e se faz outra totalmente contrária.

    Me parece que a verdade é que o ensino do português em Cabo Verde irá piorar, e outro destino será dado ao dinheiro que se faz necessário ao seu caríssimo ensino, sem que a língua caboverdiana tenha actualmente condições de exercer todas as funções necessárias ao enriquecimento dos seus falantes, a maioria aprisionada na pobreza.

    Força e coragem.

    É a nossa opinião, salvo melhor julgamento.

  • Joaquim Manuel Amem Cidade Mosteiros 24-12-2016 Reportar

    Já lá vão 240 anos após a independência dos Estados Unidos da Inglaterra (1776) e a língua oficial deste país não é o Inglês porque não está na Constituição. Qual é o problema? Nenhum! Todos sabemos que o Inglês é a lingua que se fala e escreve oficialmente. Portanto, acho que Cabo Verde devia acabar com essa politiquice de lingua, deixar a chuva cair conforme pretender. Sabemos que o Português é a escrita oficial em todos os assuntos internos e externos, mas também deixando liberdade linguística para quem quiser escrever o Kriolu. Como amante da lingua, estou inventando uma nova forma de escrever o Kriolu. É pá, é a liberdade de expressão e de pensamento que tenho na Constituição. E você também!

  • Andrea Fortes 24-12-2016 Reportar

    Do site em holandês "naarcuracao.com" que informa às pessoas na Holanda acerca do funcionamento do sistema de ensino no Curacao e completando o meu comentário em baixo extraí algumas passagens que podem ser de interesse para os leitores.
    - É uma grande dor de cabeça para muitos pais conseguirem um lugar nas escolas privadas pois elas têm uma lista de espera enorme e cobram centenas de euros mensais para cada criança.
    (Nas escolas privadas o ensino é em língua holandesa e não papiamento. Papiamento é o equivalente do nosso crioulo)
    Nas escolas onde o ensino é feito em papiamento é bastante fácil encontrar um lugar.
    -O nível de ensino em língua holandesa no Curacao, escola primária e secundaria, está sob o controle da instituição NOB.
    O ensino em papiamento é aceitável ( o eufemismo é uma consequência da política correcta do holandês) mas por vezes com um nível inferior ao ensino ministrado em língua holandesa.
    Também acontece quase todos os anos que o governo não requisita ou requisita tardiamente livros e outros materiais didácticos motivo pelo qual os alunos no primeiro período de ensino não absorvem bem a matéria de ensino.
    - levando em conta a limitada oferta de material didáctico e levando também em consideração uma possível continuação dos estudos na Holanda, muitas escolas básicas no Curacao passaram a utilizar de novo durante as aulas a língua holandesa, eliminando assim o papiamento.
    - Acontece por vezes que o material didático utilizado está em holandês e o professor/a dá a explicação em papiamento.
    - As escolas no Curacao que usam a língua holandesa são muito queridas no seio da população local (levando em conta uma possível continuação dos estudos na Holanda) razão pela qual existe uma lista de espera enorme para essas escolas.
    É quase impossível obter um lugar caso o interessado em questão não tiver a justa connection.(cunha).






    E DEPOIS NAO NOS VENHAM DIZER QUE NAO VOS ÁVISAMOS”
    [Alguns anos atras por inspiração demagógica o governo da Ilha Curacao que é um departamento da Holanda mas com uma grande autonomia e governada pelos autóctones decidiu introduzir o papiamento como língua oficial nas escolas publicas substituindo assim a língua holandesa considerada como uma língua de colonizadores e portanto menos valida.
    Entretanto logo no inicio esses mesmos políticos que tudo fizeram para introduzir o papiamento como língua oficial retiraram imediatamente os seus filhos das escolas publicas e colocaram os mesmos nas escolas privadas onde o ensino era ministrado em língua holandesa.
    Passado 5 anos duma experiência que desde do inicio estava condenada ao falhanço chegaram a conclusão que a introdução do papiamento como língua oficial em detrimento da língua holandesa foi um verdadeiro desastre pelo que nao havia outra alternativa senão começar de novo com a “língua nao amada”.
    Nada de novo. Este desastroso resultado como é logico já era de esperar. Os alunos das escolas publicas sofreram um atraso de 5 anos. O fosso entre os alunos filhos das elites que frequentaram as escolas privadas onde a língua oficial era a língua holandesa e os alunos das classes menos favorecidas que frequentaram as escolas publicas onde a lingua oficial era o papiamento foi enorme e estes últimos sofreram um retrocesso de 5 anos.
    Marciano e comparsas que nao sao tao parvos e que sabem perfeitamente quais as nefastas consequencias de oficializar o crioulo deviam ir ate Curacao e inteirarem-se da sua experiência negativa em substituir a “língua nao amada” mas de qualquer forma a mais funcional pelo papiamento]
    Fonte de informacao:
    ELSEVIER N0. 23 de 7 de Junho de 2008.pagina 34 capitulo KONINKRIIJK / NIET DE GELIEFEDE TAAL

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