Vendedores de água nos chafarizes em manifestação pacífica / Local / Detalhe de Notícia
Vendedores de água nos chafarizes em manifestação pacífica
Os vendedores da água nos chafarizes na cidade da Praia, estão numa manifestação pacífica, durante todo o dia de hoje, à frente do Paços do Concelho, para reivindicar a uniformização da cobrança da tarifa das águas em todas as localidades da capital (fotos).
De acordo com Gilberto Lima, presidente do SIACSA, sindicato que acompanha os trabalhadores, a manifestação tem como objectivo denunciar os maus tratos e ameaças a que os trabalhadores estão sujeitos por parte da administração, bem como a cobrança desmedida das receitas de água.
"As vendedeiras de água da cidade da Praia têm estado a entregar valores de receita de venda superior aquilo que é estipulado, ou seja mais de 400$00 metro cúbico", denuncia para explicar que o último tarifário de aumento verificou-se em Agosto de 2006.
Gilberto Lima, considera ainda "estranho" que a nova administração da Agência de Distribuição de Água (ADA), aumenta valores substanciais de venda de água por tonelada acima 400$00, com o montante variando consoante localidades sem um critério unificado.
O sindicalista avança ainda, que muitas vezes os vendedores não conseguem arrecadar esses valores e são obrigados a tirar dos seus próprios bolsos para reembolsar.
"Há caso de vendedor que já foi descontado a totalidade do seu salário, ficando sem receber o seu ordenado", assegura para avançar que o seu sindicato já accionou a inspecção do trabalho para uma fiscalização rigorosa na empresa, uma vez que ninguém pode ser descontado a totalidade do seu salário mensal.
Lima assegura ainda que a ADA não é uma empresa de criação de riquezas. "Fui eu mesmo a criar o seu estatuto. Trabalha direccionada a uma franja da população mais carenciada", justifica.
Segundo Beatriz Tavares, vendedora de água no chafariz de Vila Nova e delegada sindical da classe, os vendedores querem saber qual é o preço da água por metro cúbico. "A Electra não subiu a água a ADA, queremos saber o preço certo da água. Onde trabalho tenho que entregar a conta em 450$00 cada metro cúbico de água, enquanto há outros colegas que devem entregar no preço de 400$00 cada metro cúbico", afirma.
A administradora da ADA Luísa Oliveira, que reagiu à manifestação através dum comunicado de imprensa, sem direitos a perguntas por partes do jornalistas, disse que o preço da água é afixado pela Agência da Regulação Económica e que a ADA não tem responsabilidades de fixação de preço da água.
Adiantou ainda que os distribuidores de água têm "vícios antigos instituídos" e sempre estiveram convencidos que o dinheiro arrecadado no posto de venda da água lhes pertence.
Sobre a desigualdade no preço por metro cúbico da água nos diferentes chafarizes da capital, justifica que "a empresa acha que a venda de água em 65 estabelecimentos diferentes não arrecada o mesmo valor", assegura para adiantar que não é possível haver uma unificação dos preços de água, uma vez que a empresa não dispõe dos mesmos equipamentos técnicos que medem água.
A administradora assegurou ainda, que os contadores que indicam a quantidade de água vendida não são iguais e não contam da mesma maneira uma vez que tem tecnologia e marcas diferentes, daí justifica a diferença nos preços de água.
António Ribeiro, Redacção Praia
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