Liberdade de Imprensa: Reacções dos políticos à entrada do país no “top ten” da RSF / Nacional / Detalhe de Notícia
Liberdade de Imprensa: Reacções dos políticos à entrada do país no “top ten” da RSF
A subida de 17 lugares em apenas um ano e a entrada de Cabo Verde no "top ten" dos países com maior liberdade de imprensa deixaram hoje (25) satisfeito o primeiro-ministro, embora a oposição tenha questionado a realidade no terreno.
"Num ano, passamos da 26.ª para a 9.ª posição. É um ganho extraordinário. Estamos no «top ten» em termos de liberdade de imprensa, à frente de vários países com democracias de vários séculos. É um grande ganho para os jornalistas, para os órgãos de comunicação social, para os partidos políticos e para a maioria que governa", afirmou José Maria Neves.
O chefe do executivo cabo-verdiano, também presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, no poder desde 2001), comentava o relatório dos Repórteres Sem Fronteiras (RSF) que, entre 179 países analisados, coloca este ano o arquipélago no 9.º posto, quando em 2011 se posicionava no 26.º.
"É um grande ganho o facto de Cabo Verde não ter neste momento, apesar dos excessos, que também os há, nenhum processo contra jornalistas ou órgãos de comunicação social. É esse o processo contínuo de construção de democracia onde todos contam", realçou.
Opinião diametralmente oposta manifestou José Filomeno, deputado do Movimento para a Democracia (MpD, oposição), que questionou sobre até que ponto Cabo Verde verdadeiramente vale no "ranking" dos RSF.
"Temos de verificar as fontes. Sabemos que há gabinetes e comissões que são criados para melhorar os rankings de Cabo Verde. Temos de questionar até que ponto Cabo Verde está nesse lugar. Assistimos a tentativas de condicionar um pouco a actividade jornalística e, nos órgãos públicos, assistimos a tentativas de instrumentalização e governamentalização", afirmou.
"Os jornalistas dos órgãos públicos têm uma tendência natural, são coagidos e influenciados, para seguir o Governo em todas as obras e inaugurações. Isso não acontece com o resto", acrescentou, insistindo que a posição de Cabo Verde, do ponto de vista dos órgãos públicos, "não corresponde à realidade" cabo-verdiana.
"Não corresponde à realidade cabo-verdiana nos órgãos públicos e ao controlo efectivo que é feito sub-repticiamente sobre os jornalistas. Há uma pressão permanente. Regozijo-me todas as vezes que se elogia Cabo Verde, mas, internamente, temos obrigação de fazer melhor. Não podemos viver da propaganda eleitoralista", defendeu.
Arnaldo Andrade, antigo embaixador de Cabo Verde em Portugal e hoje deputado do PAICV, sublinhou que os números do relatório representam os "avanços" registados no país, sublinhando que o arquipélago melhorou em todos os parâmetros.
"Claro que ficamos muito orgulhosos. Representa os avanços que tivemos. No passado, tínhamos uma escassez de órgãos de comunicação social. Hoje há mais televisões, rádios e jornais", disse Arnaldo Andrade, lembrando que em Cabo Verde não há pressões de grupos económicos sobre a imprensa.
António Monteiro, um dos dois deputados da União Cabo-Verdiana Independente e Democrática (UCID), de que é presidente, disse ter ficado satisfeito com a avaliação à comunicação social do país, defendendo que a imprensa, de forma geral, é "boa", pois "faz o seu trabalho" e "ajuda na governação".
Fonte: Agência Lusa/Expresso das Ilhas
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