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Arquitectos prejudicados “pela falta de diálogo”
A criação do estágio profissional obrigatório é um dos objectivos de Pedro Gregório Lopes, candidato a Bastonário dos Arquitectos, que vão em breve a eleições.
A Ordem dos Arquitectos Cabo-verdianos (OAC) vai escolher em breve uma nova direcção, cujo mandato vai até 2013. E, pela primeira vez na história da organização, vai haver duas candidaturas à liderança.
Uma delas, a lista "Ordem em Rede", apresenta como eventual Bastonário Pedro Gregório Lopes. Na apresentação da iniciativa, cujo lema é "A nossa diversidade é a nossa grande riqueza", o arquitecto deixou várias críticas à actual equipa da OAC, liderada por Cipriano Fernandes.
A classe "viu-se prejudicada pela falta de abertura, tolerância e espírito de diálogo", que criou "crispação" entre a Ordem, as universidades e o Governo, lamentou Lopes, na semana passada. Em São Vicente, o cabeça-de-lista lembrou que os arquitectos "saíram a perder" com a entrada de Cabo Verde na Organização Mundial do Comércio, pois "falhou o diálogo com o Governo".
O arquitecto, natural de São Nicolau, acusou ainda a actual direcção de "nada fazer no sentido de ajudar a aliviar a pressão fiscal exercida sobre os seus membros". Aliás, recordou Lopes, a Ordem "triplicou de uma forma autocrática o valor das quotas, ignorando um mercado em crise e as dificuldades do seus membros, em geral, e sobretudo as dos mais jovens".
"As quotas pagas pelos arquitectos são as mais altas praticadas em Cabo Verde, isso se compararmos com as restantes Ordens", sublinhou o candidato. Por isso, Lopes prometeu "reduzir consideravelmente as quotas dos membros".
Estágio será obrigatório
Um dos cavalos de batalha da lista "Ordem em Rede" é a introdução de um estágio profissional obrigatório para os arquitectos recém-licenciados. Isto para que os estagiários "possam vir a beneficiar dos mesmos apoios financeiros oficialmente conferidos aos candidatos ao primeiro emprego", explicou Pedro Gregório Lopes.
O líder, de 50 anos, foi ainda mais longe e defendeu que é necessário "debater a oportunidade e o momento da instituição do exame nacional, que constituirá um dos requisitos da entrada na OAC". Lopes criticou também os instrumentos de regulação, que considera "desajustados em relação à situação actual" e necessitados de "uma revisão".
Por outro lado, o cabeça-de-lista garantiu um "maior apoio" aos jovens arquitectos e arquitectos desempregados. Uma ajuda que pode acontecer, "por exemplo, através da negociação com entidades financeiras públicas e privadas, procura e atribuição de bolsas ou empréstimos bonificados garantidos pela OAC", explicou Lopes, que esteve acompanhado pelo ex-ministro da Cultura António Jorge Delgado, vice-presidente nacional na lista.
Outro objectivo é criar um Prémio Nacional de Arquitectura, assim como uma revista especializada neste sector, "em formato papel e digitalizado". A longo prazo, Lopes quer iniciar uma biblioteca sobre Arquitectura, "recorrendo sempre que possível a suportes virtuais", como livros e revistas em formato electrónico.
"Sede mais digna"
Também as instalações da OAC mereceram reparos da lista "Ordem em Rede". Para Pedro Gregório Lopes, é preciso "preparar as condições para a instalação de uma sede mais digna". Longe da Praia, o candidato anteviu a criação de "Casas de Arquitectos", "onde for possível".
A Ordem tem de ter uma participação garantida na elaboração e revisão dos documentos de gestão territorial, como os Planos Directores Municipais e os Planos de Ordenamento de Território", acrescentou Lopes. Quanto ao exterior, o arquitecto, formado na Alemanha, aposta em "relações especiais com as Ordens de território com características similares às de Cabo Verde", nomeadamente as Canárias (Espanha), os Açores e a Madeira (Portugal).
Finalmente, Lopes prevê a assinatura de protocolos com empresas privadas de vários sectores. O objectivo é "negociar contrapartidas" que permitam tornar a OAC "sustentável em termos financeiros", explicou.
A lista apresenta José Gomes como candidato a presidente da Assembleia-Geral da OAC. Quanto aos conselhos directivos regionais, Franklim Tavares é o nome para o Sul, David Leite para o Norte e António Melício para o Leste.
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