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Lídio Silva vira as costas a António Monteiro

António Monteiro António Monteiro

O histórico da UCID, Lídio Silva, acusa o presidente reeleito de atropelo aos estatutos do partido durante a organização do 17º congresso da força política. Lídio Silva justifica a sua posição com a não realização das eleições regionais para a escolha dos delegados ao congresso, acusando Monteiro de preferir nomear pessoas amigas que não pertencem ao partido.

 

Por isso, o democrata-cristão avalia negativamente o acto que levou à reeleição de António Monteiro como presidente da UCID.

“Totalmente negativo, porque foi tudo um atropelo às regras e aos estatutos da UCID. Tem que ser tudo como o Monteiro quer. Ele transformou a UCID na sua propriedade, numa mercearia, não para vender mas sim para comprar benesses. Fugiu a todas as regras, não cumpriu nada das regras para o congresso, desde a não realização de eleições regionais para os delegados, nomear delegados de pessoas amigas, algumas que nem sequer faziam parte da UCID”, acusa.

Durante o congresso, que aconteceu este fim-de-semana, em São Vicente, Lídio Silva, mandatário de uma candidatura adversária, abandonou a sala da sessão. 

Um dos fundadores da União Cabo-verdiana Independente e Democrática, Lídio Silva anuncia agora sua retirada do partido, pelo menos enquanto este for liderado por António Monteiro. 

“Enquanto a UCID tiver à sua frente um ditador, uma pessoa que não respeita os órgãos do partido, eu não estarei disponível para dar nenhum tipo de apoio”, diz.

Sem oposição

António Monteiro não teve oposição durante o congresso de confirmação do quarto mandato. A única lista adversária, liderada pelo militante Teodoro Monteiro, foi rejeitada, alegadamente por não cumprir todos os requisitos estatutários. Teodoro Monteiro afirma que a candidatura não teve acesso aos documentos necessários.

“É muito fácil compreender. Nós somos democratas, acreditamos na democracia, não fazemos ilegalidades como o nosso presidente faz. Por isso, sempres seguimos as regras do jogo e ficámos a espera e pedimos, muitas vezes, o caderno eleitoral, para poder apresentar uma candidatura como dizem as leis”, garante.

“Nós não podemos saber quem é que paga as quotas ou não, porque nunca foram apresentados as contas. Eis a razão por que não podíamos apresentar uma lista na sua totalidade”, acrescenta.

Teodoro Monteiro e Lídio Silva consideram que o congresso foi uma farsa, com várias ilegalidades durante a sua preparação e, por isso, ponderam avançar para a impugnação.

António Monteiro reage com naturalidade

O presidente da UCID reeleito já reagiu. Sobre a alegada dívida que a UCID tem para com Lídio Silva, Monteiro diz não ter conhecimento do assunto, mas se realmente a força partidária tem essa dívida, a mesma vai ser regularizada.

“Eu não entendo a reacção dele. É claro que se ele tem como provar que emprestou ao partido, o partido vai ter que assumir. Isso não é um caso de nenhuma monta, é uma coisa tranquila porque o partido deve a muita gente”, disse o líder partidário à RCV.  

No que concerne à ameaça de impugnação do 17º congresso, Monteiro realça que qualquer militante pode faze-lo.

“De maneira que, se ele tem os argumentos para impugnar, que o faça”, diz.

Sobre a anunciada saída de Lídio Silva da UCID, o presidente reeleito lamenta e diz que, caso se concretize, será uma perda para os democratas-cristãos.

“É a segunda vez que ele faz esse teatro. De maneira que eu considero que é uma pena, uma perda para a UCID, mas espero que ele reconsidere e pense na UCID, que não pense no António Monteiro, porque o António Monteiro está de passagem e a UCID é uma instituição”.

“Agora, abandonar o congresso por causa da minha candidatura, acho que não é muito correcto. Ele deverá ter outras razões que não estas”, refere.

 

segunda, 06 novembro 2017 16:34

4 Comentários

  • Anete Vital 09-11-2017 Reportar

    Essa maneira de ver a politica é copiada no que fazem os présidentes africanos que têm tendência a ser Presidentes Vitalicios, hereditàrios. Alguns conseguem mas geralmente têm um fim triste morrendo pulando de um lado para outro, na miséria ou num canal de esgôto quando não são esquartezados como porco.
    O Monteiro sabe que em Cabo Verde os militares nunca pensam em 25's de Abril ou fazer funcionar o pelourinho da Cidade Velha. Mas isso não é razão para exageros.

  • Augusto Galina 08-11-2017 Reportar

    O Monteiro procede como a maior parte dos politicos do continente africano. Sobem e nunca querem descer. E depois da morte o filho (ou outro parente proximo) toma o poder de qualquer forma... democraticamnete
    Ê lamentàvel pois Cabo Verde precisa do 3° partido, de alternativa jà que os dois partidos que se revezam fazem a mesma politica.

  • Escurinha 07-11-2017 Reportar

    Quem dad teatro é o António Monteiro. Nas eleições ele sempre diz se não ganhar abandonará a UCID. Como é que um homem desses é líder de um partido como a UCID? Ele não trabalha para a UCID mas sim para o bem o seu bolso.
    Ele é uma vergonha de homem. E uma vergonha para a UCID.

  • Cândida Leite 06-11-2017 Reportar

    "Daqui não saio, daqui ninguém me tira"

    O Monteiro faz na UCID o que o Mugabe faz na sua terra. Isto é muito mau sobretudo para a UCID que perde a oportunidade para se restruturar.

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