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Guiné Equatorial responde a Abraão Vicente e recorda princípio da «não-ingerência»

Abrãao Vicente Abrãao Vicente

A Guiné Equatorial advertiu hoje o ministro da Cultura cabo-verdiano para que respeite a "não-ingerência nos assuntos internos" de Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), após críticas à presença daquele país no bloco lusófono.

 

 

O ministro da Cultura e Indústrias Criativas de Cabo Verde, Abraão Vicente, "deve ter presente, enquanto ministro, que um dos princípios fundamentais da CPLP é a não-ingerência nos assuntos internos dos Estados-membros", lê-se num comunicado enviado à Lusa pela missão permanente da Guiné Equatorial junto da organização lusófona.

O governante cabo-verdiano, em entrevista à publicação portuguesa Observador, lamentou a falta de avanços da Guiné Equatorial em relação aos critérios para a sua adesão à CPLP, em Julho de 2014, enquanto criticou a inércia da comunidade.

O roteiro de adesão estipulava, entre outras medidas, a disseminação do português como língua oficial (além do espanhol, o mais falado, e do francês) e a suspensão da pena de morte, com vista à sua abolição, bem como a ratificação dos estatutos da comunidade - que ocorreu pouco antes da cimeira da CPLP realizada em Novembro passado em Brasília.

"Não é um país que fale português, não cumpre as regras democráticas, por algum motivo nós aceitámos, mas não podemos permitir elementos que estejam eternamente em transição. Temos de ser mais pragmáticos, ou cumpre ou não cumpre", referiu o ministro cabo-verdiano.

As autoridades de Malabo consideram que, com esta posição, Abraão Vicente "questionou a decisão dos Estados-membros da CPLP quanto à integração da Guiné Equatorial na comunidade, presumiu a ausência de liberdades democráticas no país e ignorou os esforços realizados na promoção e ensino da língua portuguesa, bem como a recente ratificação dos estatutos".

Para a Guiné Equatorial, as declarações "fora de contexto" do ministro cabo-verdiano "não reflectem a opinião oficial do seu Governo".

"Após a integração, a palavra-chave é acompanhamento à Guiné Equatorial como novo Estado da comunidade", refere a nota da missão chefiada por Tito Mba Ada, simultaneamente acreditado como embaixador da Guiné Equatorial em Lisboa e na Praia (Cabo Verde).

"Esperamos que a próxima declaração do ministro seja para anunciar o envio de vários contentores de livros e dicionários para promover o ensino da língua portuguesa na Guiné Equatorial e material didáctico para as crianças", acrescentam os equato-guineenses.

Na nota, as autoridades de Malabo anunciam que enviaram ao ministro cabo-verdiano um convite para visitar a Guiné Equatorial, acompanhado por meios de comunicação social, de forma a "desintoxicar a sua visão parcial sobre um país amigo de Cabo Verde".

A Guiné Equatorial, diz ainda o comunicado, "vem confirmar a sua determinação de fortalecer, ainda mais, as excelentes relações de amizade e cooperação com Cabo Verde, país irmão, amigo e aliado" e que "vem acompanhando a integração" deste país na CPLP.

A Guiné Equatorial é liderada desde 1979 por Teodoro Obiang Nguema, cujo regime é reiteradamente acusado por organizações da sociedade civil de constantes violações dos direitos humanos e perseguição a políticos da oposição.

Apesar do compromisso de abolir a pena de morte, falta o decreto presidencial para instituir a medida, embora as autoridades de Malabo garantam que, desde a adesão à CPLP, não houve mais condenações à pena capital nem execuções no país.

Já na cimeira de Brasília, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, advertiu defendeu que a Guiné Equatorial deveria abolir a pena de morte de forma imediata, sob pena de a sua integração na CPLP ser ilegítima.

No entanto, o Governo de Obiang tem afirmado que precisa do apoio técnico dos restantes países da CPLP para adaptar a ordem jurídica do país à eliminação da pena da morte.

A CPLP é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

 

sexta, 19 maio 2017 08:15

11 Comentários

  • jorge 20-05-2017 Reportar

    Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
    Coordenadas: 2° N, 10° W
    República de Guinea Ecuatorial (castelhano)
    République de Guinée Équatoriale (francês)
    República da Guiné Equatorial
    Bandeira da Guiné Equatorial
    Brasão de armas da Guiné Equatorial
    Bandeira Brasão de armas
    Lema: "Unidad, Paz, Justicia" (es)
    "Unité, Paix, Justice" (fr)
    "Unidade, Paz, Justiça" (pt)
    Hino nacional: "Caminemos Pisando la Senda de Nuestra Inmensa Felicidad " (es)
    "Marchons en foulant le chemin
    de notre immense joie" (fr)Caminhamos sobre o caminho da nossa imensa felicidade" (pt)
    Gentílico: guineense, guinéu-equatoriano(a),[1] equato-guineense[2]

    Localização República da Guiné Equatorial

    Capital Malabo
    3° 21' N 8° 40' E
    Cidade mais populosa Malabo
    Língua oficial Espanhol (língua nacional)
    Francês
    Português[3]
    Governo República semipresidencialista
    - Presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo
    - Primeiro-ministro Vicente Ehate Tomi
    Independência
    - da Espanha Franquista 12 de outubro de 1968
    Área
    - Total 28 051 km² (141.º)
    - Água (%) equeno (e ilhotas adjacentes) na baía de Corisco, ao largo do Gabão.

    Além do Gabão e São Tomé e Príncipe, a Guiné Equatorial tem fronteiras com os Camarões e com a Nigéria. O país tem o maior produto interno bruto per capita do continente africano, embora seja um país de médio índice de desenvolvimento humano (0,556).[5]

    Desde meados dos anos 1990, a Guiné Equatorial tornou-se um dos maiores produtores de petróleo do sub-Saara. Com uma população de 798 807 habitantes, é o país com o maior produto interno bruto per capita do continente Africano, e o 69º do mundo. No entanto, a riqueza é distribuída de forma muito desigual e poucas pessoas foram beneficiadas com as riquezas do petróleo. O país ocupa a 144ª posição em 2014 do Índice de Desenvolvimento Humano da Organização das Nações Unidas. A ONU diz que menos de metade da população tem acesso à água potável e que 20% das crianças morrem antes de completar cinco anos.

    O regime autoritário no poder na Guiné Equatorial tem um dos piores registos de direitos humanos no mundo, e consegue se manter como o "pior do pior" no ranking da pesquisa anual da Freedom House de direitos políticos e civis. Repórteres classificam o presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo um dos "predadores" da liberdade de imprensa.[6] O tráfico de pessoas é um problema significativo, de acordo com o "US Trafficking in Persons Report", de 2012, que afirma que "a Guiné Equatorial é uma fonte e destino para mulheres e crianças vítimas de trabalho forçado e tráfico de sexo."

    No dia 23 de Julho de 2014, a Guiné Equatorial entrou na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

  • Clara Medina 19-05-2017 Reportar

    Abrao Vicente tem carradas de razão. É pena que a grande maioria dos nossos comentaristas não tem nenhuma ideia de política internacional e em especial do que se passa na Guiné Equatorial e em África no geral. E ainda dizemos que somos africanos mas de África nada sabemos e nem queremos saber e nem tão pouco queremos ser associados.
    Como tantos outros países africanos, governado por ditadores sanguinários que têm de ser denunciados sempre que a ocasião aparecer. Verdadeiros cleptocratas, enriquecidos de dia para noite e deixando o povo numa verdadeira miséria. E ainda temos o descaramento de condenar os colonizadores. Dez mil vezes piores são esses políticos surgidos em África após a independência.
    Infelizmente os membros da CPLP, pelo menos um número representativo, não passam dum grupo de bajuladores sem nenhum escrúpulo e sem nenhuma ética.
    Resumindo Guiné Equatorial não tem perfil nenhum para ser membro da CPLP.
    Apoiado Abrao Vicente e bem dito. Espero que servirás de exemplo para os outros políticos.

  • JOAO 19-05-2017 Reportar

    E AGORA ABRAÃO VICENTE! Não comentas nada?

  • César Palmieri Martins Barbosa 19-05-2017 Reportar

    OS PERIGOS NO CURTO PRAZO E NO SÉCULO XXI PARA A EXISTÊNCIA DE CABO VERDE E PARA A SUA SEGURANÇA NACIONAL

    A Guiné Equatorial é fundamental para a estratégica região do Golfo da Guiné, onde a Nigéria representa um grande e perigoso desafio, principalmente se considerarmos as projeções que apontam o crescimento da sua população para aproximadamente 900 milhões de pessoas ainda nesse século XXI.

    Cabo Verde se encontra na rota migratória dos nigerianos, e em poucas décadas os descendentes dos actuais caboverdianos deverão ser uma minoria em um Cabo Verde constituído e habitado por imigrantes dos países da África Ocidental, principalmente nigerianos.

    Os ataques do actual governo de Cabo Verde à posição estratégica e pragmática do Brasil em relação à Guiné Equatorial representam um despautério e são prejudiciais aos interesses nacionais de Cabo Verde, que se encontra no rumo do desastre que ameaça a própria existência de Cabo Verde como hoje o conhecemos.

    O actual governo de Cabo Verde está desorientado em relação à sua política externa, se aferra à uma subserviência canina com a União Europeia, que o despreza, e, com uma dívida pública insustentável no curto prazo, dependendo de ajuda interna e da importação quase completa para a sua existência, caminha Cabo Verde, rapidamente, para um colapso financeiro com efeitos imprevisíveis.

    Cabo Verde necessita ser consequencialista, parar de se iludir com a sua opção de ser soberano e independente, quando, na realidade é dependente da União Europeia e da remessa de dinheiro dos caboverdianos em diáspora, pois a História de Cabo Verde nos ensina a gravidade dos riscos que continuam tão presentes como no passado.

    É a nossa opinião, salvo melhor julgamento.

  • Joana Inês Sá 19-05-2017 Reportar

    Embora politicamente incorrecto, o Minstro teve toda a razão, um país que não fala e nem quer saber da língua portuguesa, que só entrou na CPLP para cortar o isolamento a que estava votado dada a sua feroz ditadura,, Que teve o apadrinhamento, inaguinem de quem? ..., do entao Presidente e do entao Governo de Cabo Verde, mais o de Angola, Mas que Portugal recusou e o Brasil torceu o nariz.
    É versade o que disse o senhor Ministro, Guiné Equatorial
    Cojm a sua presença descarateriza a Comuigdade dos paises falantes do português,

  • Margarida Da Silva 19-05-2017 Reportar

    O ministro Abrao Vicente teve uma saida infeliz, nao deveria ter dito o que disse, mas...

  • Vinho do Burlão 19-05-2017 Reportar

    E assim vai a nossa diplomacia. Uma desordem total!
    Agora, as ATRAPALHADAS do Abraão, já CHEGA e BASTA!
    O indivíduo só é membro do Governo, por grande distracção do Ulisses. Vejam, esse Abrão, nas vésperas das eleições de 2011, ele jantou com o José Maria Neves, num dos restaurantes de Assomada, assumindo-se como apoiante dele e, sempre foi tido como próximo do PAICV. Só que, num exercício de BURLA, o que ele queria era que o Zé Maria o colocasse na lista (ilegível) para ser deputado de Santa Catarina. No entanto, quando ele se apercebeu que isto não ia acontecer, então, CAIU-SE para o lado do MpD e ali, com as suas LÁBIAS, conseguiu convencer o Ulisses, contra muitos, a colocá-lo na lista para a Praia, golpeando muitos dos MpD's. Portanto, ele é uma vergonha e agora, está a ser um PROBLEMA para o país.

  • Jorge pedro 19-05-2017 Reportar

    Paxenxa pa nhos. keli ké ingerencia na assunto de um pais. Abrão se pretensão é ser primeiro ministro e toma ulisses lugar? É ka dja debi staba ha muito na se lugar: parlamento.
    Ken é abrão e ku ki legitimidade é tem pe fala de estado na um area ke ka de sel. Axhu ki ja e tempo de ulisses poi barbitxhi na boka de abrao pamodi. Sociedade civil dja sta fartu de asneira des minino mimado de mpd. Kultura sta um kaus e nada ka sta avança pamofi es homi li kre sta na boka di povu pela negativa.

  • burkan pires 19-05-2017 Reportar

    Até quando aturar as palermices de Abrão Vicente. Guiné equatorial é um estado soberano. Porquê não criticar a relação China Cabo Verde, dois pesos duas medidas.

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