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Eleições presidenciais na RD Congo adiadas para 2019

As muito adiadas eleições presidenciais na República Democrática do Congo (RDCongo) só poderão realizar-se em 2019, apesar de um acordo com a oposição de que decorreriam este ano, anunciou hoje um responsável da comissão eleitoral.

 

A oposição imediatamente classificou o anúncio como usurpação do poder, acusando o Presidente, Joseph Kabila, de tentar prolongar a sua presidência.

Tinha havido indicações de que as eleições seriam antecipadas para 2018, mas o mais recente anúncio causou uma escalada na já tensa situação no vasto país da África Central.

O mandato de Kabila terminou em Dezembro de 2016, mas um tribunal decidiu que ele pode manter-se no cargo até às próximas eleições.

O atraso na realização do escrutínio tem sido recebido com protestos por vezes mortais na capital, Kinshasa, e noutras grandes cidades do país com mais de 77 milhões de habitantes.

Observadores alertaram para o facto de as tensões ameaçarem não só a RDCongo como o próprio continente africano.

O presidente da comissão eleitoral, Corneille Nangaa, culpou pelo mais recente adiamento a violência mortal no centro do país, afirmando que o recenseamento eleitoral na turbulenta região deverá prosseguir até Janeiro e que, a seguir, as autoridades precisarão de 504 dias para se prepararem para a votação -- um calendário que atira a data do escrutínio para 2019.

"Para nós, é muito claro que aquilo que [a comissão eleitoral] está a dizer é apenas o plano do Presidente Kabila, que quer ficar no poder", disse Christophe Lutundula, um membro da coligação da oposição conhecida como Reunificação.

"Nós conhecemos o homem, os seus métodos e as suas estratégias", acrescentou.

Joseph Kabila tomou o poder em 2001, após o assassínio do pai, Laurent Kabila.

Na sua intervenção na ONU, no encontro anual dos líderes mundiais, em Setembro, Kabila reiterou o seu compromisso de realizar eleições, mas não especificou a data.

Quando o Conselho de Segurança da ONU debateu a RDCongo, hoje, o embaixador francês François Delattre disse que os Estados membros daquele órgão "aguardam uma rápida divulgação do calendário eleitoral".

Delattre declarou igualmente que o acordo de 31 de Dezembro de 2016 entre o Governo e a oposição da RDCongo, mediado pela Igreja Católica, tem sido "muito adiado, e o Conselho de Segurança tem repetidamente frisado a urgência que a RDCongo enfrenta".

O acordo de última hora apelava para que as eleições se realizassem até ao fim de 2017, embora alguns tenham desde o início expressado dúvidas sobre se esse calendário seria possível.

A oposição sofreu um duro golpe pouco depois do acordo, quando o seu icónico líder, Etienne Tshisekedi, morreu na Bélgica, aparentemente de embolia pulmonar.

quinta, 12 outubro 2017 12:16

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