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Quénia: Presidente lidera contagem dos votos, oposição rejeita resultados

O Presidente queniano, Uhuru Kenyatta, deverá ter vencido as eleições no país, mas a rejeição por parte da oposição dos resultados provisórios do escrutínio presidencial mergulhou o país na ansiedade.

 

A Comissão eleitoral queniana (IEBC) publicou esta manhã os resultados de 90% das assembleias eleitorais do país, atribuindo a Kenyatta 54,57% dos sufrágios, contra 44,58% do seu rival, Raila Odinga, num total de 13,8 milhões de votos expressos contabilizados.

Algumas horas antes, enquanto a IEBC divulgava a conta-gotas ao longo da noite os resultados enviados pelos locais de voto, Odinga dirigiu-se à comunicação social para qualificar os resultados provisórios como "fictícios".

"O sistema falhou. Rejeitamos os resultados [publicados] até agora", declarou, acusando a IEBC de ser incapaz de lhe mostrar as atas susceptíveis de corroborar os resultados transmitidos electronicamente e difundidos no portal da comissão na internet.

Odinga acusou ainda a comissão eleitoral de ter impedido os seus delegados de verificarem as atas em várias assembleias de voto.

Veterano na política e candidato às presidenciais pela quarta vez, Raila Odinga declarou também ter sido vítima de fraude eleitoral nas eleições de 2007, que reelegeram o então Presidente Mwai Kibaki para um segundo e último mandato. O Quénia mergulhou então em dois meses de violências político-étnicas que fizeram mais de 1.10 mortos e acima de 600 mil deslocados.

Em 2013, Odinga voltou a denunciar fraudes eleitorais na eleição que elegeu Kenyatta à primeira volta com mais de 50% dos votos, apoiando-se na falência do sistema eletrónico de contagem. Na altura, o líder da oposição recorreu ao Supremo Tribunal queniano, que validou os resultados.

Nos dias que antecederam estas eleições, cuja logística envolveu a deslocação de mais de 150 mil agentes das forças de segurança em todo o país, muitos observadores quenianos e internacionais manifestaram o receio de perturbações quando os resultados das presidenciais fossem anunciados.

A campanha, marcada pelo assassinato de um responsável pelo sistema informático eleitoral na IEBC, foi muito acrimoniosa, com a oposição a acusar o campo presidencial de preparar a fraude e a coligação liderada por Kenyatta a repetir que as hostes de Odinga se posicionavam para não aceitar os resultados.

Esta manhã as ruas de Nairobi estavam anormalmente calmas, e muitas lojas fechadas durante o dia de terça-feira abriram as portas.

Para a atribuição da vitória à primeira volta, um candidato terá que obter a maioria absoluta e mais de 25% dos votos em, pelo menos 24 dos 47 distritos do país. A taxa de participação não foi anunciada pela IEBC.

Os 19,6 milhões de eleitores quenianos votaram esta terça-feira para a eleição do Presidente, governadores, autarcas, deputados, senadores e representantes das mulheres no parlamento. As 41.000 assembleias de voto abriram sem problemas significativos para acolher longas filas de eleitores que, desde as primeiras horas do dia, ofereceram uma demonstração impressionante do compromisso democrático dos quenianos.

As eleições no Quénia são tradicionalmente decididas por sentimentos de pertença étnica, pelo que tanto Kenyatta (um kikuyu) como Odinga (um luo) construíram duas fortes alianças eleitorais para disputar os votos das cinco principais etnias no país, a que pertencem cerca de 70% dos 19,6 milhões de eleitores registados.

quarta, 09 agosto 2017 12:30

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