Expresso das Ilhas

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Expresso das Ilhas - Actualidades
terça, 09 fevereiro 2016 16:39 Publicado em Mundo

O acordo nuclear com as potências mundiais permitiu atrasar por 10 a 15 anos a obtenção de armas nucleares pelo Irão, afirmou hoje o director IISS, uma das principais organizações internacionais de estudos de defesa, John Chipman.

terça, 09 fevereiro 2016 15:46 Publicado em Desporto

A direcção do Clube Desportivo “Os Travadores” desvinculou-se  dos futebolistas Tabaco, Batana, Mano e Nuna, alegando “descompromisso e incumprimento das regras e pelas ausências sistemáticas e regulares nos treinos sem qualquer justificação”.

terça, 09 fevereiro 2016 14:18 Publicado em Legislativas 2016

O Presidente da República pede aos concorrentes, partidos, listas e candidatos às eleições que no período eleitoral pautem a sua conduta pela observância dos princípios, regras e limites do combate democrático.

terça, 09 fevereiro 2016 10:41 Publicado em Mundo

O Tribunal Regional de Bissau ordenou segunda-feira a suspensão imediata da deliberação da comissão permanente da Assembleia Nacional Popular (ANP, Parlamento) da Guiné-Bissau que suspendia de funções 15 deputados do PAIGC, partido no Governo.

terça, 09 fevereiro 2016 08:00 Publicado em Opinião

Há mais de uma semana o Centro de Controlo de Doenças (CDC) dos Estados Unidos pôs Cabo Verde na lista dos países com surto do vírus Zika. Em vários países, designadamente países da américa latina como o Brasil, a Colômbia, Guatemala já se vive autênticas epidemias de Zika. As preocupações com o vírus têm aumentado à medida que se vem confirmando a suspeita da sua relação com a microcefalia em crianças cujas mães foram infectadas durante a gestação. Notícias provenientes dos Estados Unidos dão conta de uma outra complicação que é a possibilidade da sua transmissão via relações sexuais.  

O Brasil praticamente já declarou guerra ao mosquito aedis egyptis, o vector de distribuição tanto do zika como do dengue, com a mobilização de mais 220 mil soldados. Em vários outros países esforços extraordinários estão a ser feitos para conter a doença e destruir os mosquitos. As mudanças climáticas, e particularmente a actividade nos últimos tempos do El Nino, têm propiciado o aparecimento e a proliferação do mosquito em zonas onde até recentemente era desconhecido. Hoje é visível como já se espalhou por todos os continentes, constituindo actualmente uma ameaça grave para as populações desencadeando epidemias graves de dengue e agora de zika.

O anúncio do CDC americano, seguido de alertas de outros países em relação a viagens para Cabo Verde devido ao Zika, teve consequências imediatas. Operadores turísticos foram obrigados a desviar passageiros para outros destinos ou a devolver passagens já compradas. A reacção da Ministra de Turismo é que tudo isso tinha sido excessivo, considerando que não houve casos significativos nas ilhas turísticas. O problema é que ninguém espera que um potencial turista vai dar-se ao trabalho de ponderar o risco que poderá incorrer indo para uma ilha onde ainda não houve surto do vírus, mas que tem também o mosquito transmissor da doença. Compreende-se que se recuse a vir ou estando cá queira regressar. Cabo Verde é que tudo deve fazer para não estar nestas situações.

Em 2009 o dengue apanhou o país desprevenido e algumas mortes provavelmente resultaram disso. Fez-se um trabalho meritório no combate aos mosquitos, a epidemia de dengue acabou por ceder e a doença quase deixou de existir. Casos de malária têm aparecido em várias ilhas para além de Santiago, designadamente Boavista onde estão grandes hotéis. Agora é o mesmo mosquito aedes aegypti, que normalmente o transmite, que aparece a espalhar o Zika. Há que o combater de forma sistemática e permanente. E ninguém deve ficar descansado até à sua erradicação total destas ilhas.

Foi possível no passado erradicar completamente o paludismo da ilha de Santiago. Deve-se voltar a fazer isso. O combate ao mosquito aedes aegypti deve ser total. O mosquito além do dengue e da zika também transmite a febre-amarela. Cabo Verde não pode dar-se ao luxo de ver o seu futuro turístico comprometido com situações incontroláveis em matéria de saúde. O país é formado por ilhas e deve aproveitar-se dessa condição que para, com a ajuda activa da população e das organizações sociais, comunitárias e municipais, erradicar esses males. O governo deve poder liderar de forma decisiva uma acção desta natureza. Cooperação com o Brasil nesta matéria faria todo o sentido considerando que também está engajado na luta para se ver livre definitivamente desse mosquito.  

Segurança a todos os níveis é fundamental para o desenvolvimento de Cabo Verde. No mundo de hoje, de fácil comunicação, viagens frequentes e movimentos migratórios significativos, os riscos aumentam naturalmente e não há como contorná-los. Pior, porém, do que os riscos reais são muitas vezes as percepções de risco presente e futuro. Por isso, em matéria de segurança nacional, deve-se trabalhar na antecipação e prevenir para que as ameaças latentes ou em progressão não se concretizem. A luta para erradicação dos mosquitos transmissores de doenças podia ser uma boa causa capaz de galvanizar a vontade nacional num objectivo claro  e preciso para todos.  

 

terça, 09 fevereiro 2016 07:54 Publicado em Mundo

A Turquia teme que os combates em curso na cidade síria de Aleppo possam causar um novo afluxo de 600.000 refugiados nas suas fronteiras, declarou hoje o vice-primeiro-ministro, no final de um conselho de ministros.

terça, 09 fevereiro 2016 07:49 Publicado em Política

O economista Gil Évora vai dirigir a Autoridade Turística Central, instituição criada pelo governo, na recta final da legislatura, para tutelar administrativamente o turismo cabo-verdiano. A informação foi avançada segunda-feira por fonte do Ministério do Turismo, Investimentos e Desenvolvimento Empresarial (MTIDE).

terça, 09 fevereiro 2016 07:34 Publicado em Cultura

A Casa de Armando Zeferino Soares será transformada em Casa da Morna. Trata-se de aposta da autarquia de São Nicolau e com o envolvimento dos herdeiros do autor da célebre morna “Sodad dnha Terra Saninclau” e do Ministério da Cultura.

terça, 09 fevereiro 2016 06:00 Publicado em Opinião

O Instituto Nacional de Estatística (INE) passou a publicar estimativas das Contas Nacionais Trimestrais (CNT), um instrumento importante para o seguimento da dinâmica da economia. As últimas estimativas publicadas, referentes ao 3º trimestre, permitem concluir que o crescimento da economia em 2015 terá sido pouco superior a 1%.

Este ritmo de crescimento é inferior ao da quase generalidade dos países da nossa região. É, igualmente, inferior ao da quase generalidade das pequenas economias, de rendimento médio, com as quais Cabo Verde é, normalmente, comparado. Mas o que é ainda mais relevante é que é inferior à média de crescimento dos países da área do Euro e ao crescimento nos países dessa área com os quais temos relações económicas e financeiras mais estreitas.

Este último facto retira muita razão à narrativa de que o fraco desempenho da nossa economia se deve à crise económica internacional, em particular às dificuldades enfrentadas pelos países da área do Euro. Na área do Euro, há economias com assinalável dinâmica de crescimento. À economia caboverdiana faltam eficiência e diversificação.

O baixo crescimento em 2015 não é uma ocorrência isolada, sendo antes o desempenho característico da economia caboverdiana nos últimos sete anos. Com efeito, nesse período, a média de crescimento é de 1,3%. Em consequência, o Rendimento Nacional Bruto per capita encontra-se praticamente estagnado. Como se pode ver no gráfico junto, Cabo Verde não está a convergir com a média dos países de rendimento médio alto, como seria desejável.

Como resultado das profundas reformas empreendidas com vista à liberalização da economia e à privatização de empresas públicas, o potencial de crescimento da economia foi significativamente alargado. Esse efeito foi reforçado pelas medidas de estabilização macroeconómica. Em consequência, a economia caboverdiana conheceu até 2008 um período de acelerado crescimento.

Na parte final desse período, contribuíram para esse ritmo acelerado de crescimento, o afluxo do investimento directo estrangeiro, incluindo o investimento de emigrantes, e a procura turística. O contexto internacional contribuiu para a ilusão de que esse ritmo de crescimento seria sustentável. A derrocada do modelo de negócios da imobiliária turística residencial em consequência da crise internacional veio, porém, revelar a fragilidade desse crescimento.

A indústria turística continua a ser a actividade com maior dinâmica. A oferta tem aumentado, embora timidamente, e novas marcas têm dado sinais de quererem incluir Cabo Verde na sua área de interesse. Porém, as nossas políticas não são arrojadas e faltam-nos conhecimento do negócio, para melhorar a nossa capacidade de intervenção e de estímulo ao sector.

Para mitigar o efeito da nova conjuntura internacional na actividade económica doméstica, a resposta a nível das políticas públicas consistiu essencialmente na adopção de um programa de estímulo à economia. Na medida em que esse programa se baseou em investimentos públicos, foram antecipados efeitos tanto a nível da sustentação da procura interna como a nível do aumento da eficiência da economia. Nesse quadro, foram realizados importantes investimentos nos sectores da energia, água e infra-estruturas de transportes. Por razões que se prendem com a natureza dos investimentos públicos e as especificidades da nossa economia, estes não se têm traduzido numa expansão significativa da actividade económica.

Menos célere e eficaz foi a resposta a nível das reformas estruturais com vista a beneficiar o potencial de crescimento da economia. A reforma da legislação laboral que consta na agenda desde final da década de 90 e que é essencial para o aumento da eficiência da economia e a criação de empregos, apenas agora conhece um tímido avanço. Persistem problemas de eficiência a nível de importantes serviços prestados à economia por empresas públicas, não tendo sido privatizadas actividades passíveis de o serem. Destacam-se, neste particular, as operações portuárias e os transportes aéreos. Nos transportes marítimos, os serviços são manifestamente deficitários.

Na administração pública, registaram-se avanços visíveis no que tange à utilização das modernas plataformas tecnológicas. Mais demoradas e menos significativas foram as mudanças, igualmente necessárias, a nível das estruturas organizacionais e do sistema de incentivos. Demorou a reforma dos instrumentos de gestão dos recursos humanos. Os efeitos do novo Plano de Cargos, Carreiras e Salários a nível da eficiência dos serviços ainda não se fizeram sentir.

Para o rápido crescimento da economia na década passada contribuiu grandemente a acelerada expansão do crédito. Porém, desde 2012 o crédito está praticamente estagnado. O agravamento do risco na economia, a degradação da qualidade da carteira de crédito, a fragilidade dos balanços das empresas e uma atitude mais prudente dos bancos são factores condicionantes desta situação. É claramente um equívoco pensar-se que esses obstáculos podem ser ultrapassados pela via da política monetária. A retoma do financiamento ao sector privado depende, grandemente, de uma intervenção estrutural do Estado no sistema financeiro.

Entretanto, o avolumar da dívida pública provocou uma degradação do quadro macroeconómico. Com o ritmo actual de crescimento da economia, poderá estar comprometida a sustentabilidade da dívida pública. A prazo, a simples redução da dimensão do programa de investimentos públicos poderá não ser suficiente para restabelecer a solidez das finanças públicas. É importante que reformas a nível da Administração Pública possibilitem a contenção do crescimento das despesas correntes. Importantes factores de risco são ainda as responsabilidades do Estado com as empresas públicas e com os sistemas de pensões. O aumento da eficiência do Estado e a diminuição dos riscos das finanças públicas são fundamentais para que se possa garantir a previsibilidade da política orçamental e um nível de fiscalidade que possibilite uma adequada competitividade da economia.

Deveria haver na gestão orçamental uma preocupação maior para a redução da desigualdade, extremamente acentuada na nossa sociedade. Este propósito deve ser prosseguido pela via da tributação, dos serviços prestados aos cidadãos e das prestações a cargo do Estado. Porém, uma redução significativa da desigualdade social requer reformas estruturais que façam com que o mercado produza uma distribuição mais equitativa da renda. O sistema educativo e a legislação laboral devem concorrer para a criação de empregos. As políticas públicas devem encorajar a formalização de empresas. Neste aspecto, sem a vertente atinente à legislação laboral, ficou incompleto o Regime Especial das Micro- e Pequenas Empresas.

Esta realidade deve inquietar os cabo-verdianos. Impõe-se que sejam consideradas as verdadeiras razões do fraco desempenho da economia caboverdiana no novo contexto internacional e, sobretudo, sejam encontradas soluções que, traduzidas em políticas, possam impulsionar o crescimento sustentável da economia enquanto condição basilar da melhoria contínua do nível de bem-estar da sociedade. É de todo desejável que essas soluções e políticas sejam apresentadas ao sufrágio dos caboverdianos pelas forças políticas concorrentes às próximas eleições com vista a obter mandato para a sua implementação.

segunda, 08 fevereiro 2016 21:23 Publicado em Legislativas 2016

Na apresentação das listas dos candidatos a deputados pelo PAICV, a presidente do partido não teve dúvidas em afirmar que o seu partido quer renovar o mandato por mais cinco anos e governar com maioria absoluta.

segunda, 08 fevereiro 2016 18:34 Publicado em Economia

O antigo empresário de futebol, José Veiga, vai aguardar julgamento em prisão preventiva. Dos três detidos no âmbito da operação "Rota do Atlântico" é o único a ser mandado para a cadeia pelo juiz.

segunda, 08 fevereiro 2016 14:50 Publicado em Mundo

Mais de 58.000 crianças podem morrer de fome na Somália se não receberem ajuda de emergência devido à enorme seca no país associada às consequências da guerra civil, alertou hoje as Nações Unidas.

segunda, 08 fevereiro 2016 14:45 Publicado em Mundo

A administração norte-americana vai pedir ao Congresso para libertar 1,8 mil milhões de dólares (1,6 mil milhões de euros) para financiar acções de prevenção e luta contra o vírus Zika, anunciou hoje a Casa Branca em comunicado.

segunda, 08 fevereiro 2016 14:36 Publicado em Desporto

A presidente do Comité Olímpico Cabo-verdiano (COC), Filomena Fortes, enalteceu hoje a forma como Maria “Zezinha” Andrade conseguiu, sábado, no Open de Taekwondo, em Agadir, Marrocos, a primeira qualificação cabo-verdiana para Jogos Olímpicos Rio’2016.

segunda, 08 fevereiro 2016 13:39 Publicado em Política

O parlamento da CEDEAO elegeu, na passada sexta-feira, quatro novos vice-presidentes. Um deles é Orlando Dias.

segunda, 08 fevereiro 2016 11:22 Publicado em Economia

O empresário José Veiga, detido desde quarta-feira por suspeita dos crimes de corrupção, tráfico de influências e participação em negócio, entre outros, irá conhecer as medidas de coacção esta segunda-feira, disse ontem o seu advogado.

segunda, 08 fevereiro 2016 09:31 Publicado em Economia

Os combustíveis estão desde hoje mais baratos. A revisão em baixa foi determinada pela Agência de Regulação Económica e vigora até 7 de Abril. 

O gasóleo teve uma das descidas mais significativas, com o preço máximo do produto normal a cair 14,52%. Para produção de electricidade, o preço cai ainda mais (-17,45%), para os 59,6 escudos por litro. A redução é mais expressiva no gasóleo para a marinha, fixando-se a nova tarifa nos 49,7 escudos/litro (-18,12%).

O preço da gasolina também cai, ainda que menos (-5,61%), para os 100,9 escudos por litro.

O gás butano está igualmente mais barato, com reduções acima de 5% em todas as garrafas. A mais comum, de 12,5kg, custa agora 1.473$00 (-5,7%).

A redução dos preços máximos dos combustíveis reflecte, de acordo com o regulador, a evolução em baixa das cotações nos mercados internacionais. 

 

Consulte na secção downloads a tabela completa 

segunda, 08 fevereiro 2016 08:51 Publicado em Mundo

Pelo menos quatro soldados afegãos morreram hoje e outros 14 ficaram feridos num ataque suicida talibã com explosivos a um autocarro militar no norte do Afeganistão, segundo as autoridades locais.

segunda, 08 fevereiro 2016 08:04 Publicado em Mundo

O ex-conselheiro especial de Ban Ki-moon e analista da ONU Edward C. Luck acredita que António Guterres "estará, sem dúvida, entre os candidatos mais fortes" a secretário-geral das Nações Unidas, mas a sua candidatura terá de "remar contra a maré".

segunda, 08 fevereiro 2016 07:37 Publicado em Sociedade

As autoridades de saúde dos países africanos de língua portuguesa reforçaram o nível de alerta para a crise global causada pelo vírus Zika, apesar de só existirem casos significativos em Cabo Verde.

segunda, 08 fevereiro 2016 07:26 Publicado em Economia

O Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca recebe hoje em audiência uma delegação chinesa encabeçada pelo empresário David Chow, tendo como principal ponto da agenda o investimento no ilhéu de Santa Maria, na Praia.

Segundo nota da Presidência da República, o Chefe de Estado encontra-se com o empresário chinês que está em Cabo Verde para o lançamento da primeira pedra para a construção do projecto turístico.

Por altura da apresentação do projecto, em Julho de 2015, o empresário afirmara que a estância turística iria colocar Cabo Verde no mapa mundial.

O projecto tem merecido, contudo, algumas críticas e deu origem à petição encabeçada pelo ex-bastonário da Ordem dos Arquitectos de Cabo Verde (OACV), Cipriano Fernandes, entregue esta sexta-feira, na Procuradoria-Geral da República (PGR), pedindo a intervenção desta para suspender o projecto.

De acordo com o ex-bastonário, a convenção de estabelecimento, negociada conjuntamente pelo Governo e Câmara Municipal da Praia, com a Macau Legend Development LTD, de David Chow, deve ser aberta ao escrutínio público e devidamente explicada e justificada, para que os requisitos legais sejam cumpridos.

“Este é um requisito básico fundamental e condição sine qua non para a concretização do empreendimento, mas infelizmente, neste momento, o único documento concreto que existe é um estudo de impacto ambiental de origem muito duvidosa e suspeita, mas que mesmo assim foi aceite e colocado à consulta pública pela Direcção-Geral do Ambiente quando ainda nem sequer a convenção de estabelecimento havia sido assinada”, disse.

Na cerimónia do lançamento da primeira pedra, que acontecerá logo depois do encontro com o Presidente da República, estarão presentes o primeiro-ministro, entre outros convidados do empresário de David Chow.

segunda, 08 fevereiro 2016 07:22 Publicado em Cultura

A escritora Cláudia Correia fez sexta-feira, na cidade da Praia, o lançamento do seu livro “Presença dos Judeus em Cabo Verde - Inventariação da Documentação do Arquivo Nacional de Cabo Verde (1840-1927)".

segunda, 08 fevereiro 2016 06:00 Publicado em Opinião

Depois de ouvir na semana passada, na última sessão da VIII legislatura, o chefe de Governo José Maria Neves repetir o seu mantra da «agenda de transformação», confortei a convicção que já tinha manifestado nestas colunas: vive em auto-ilusão permanente. O chefe de Governo cultiva um estado de negação sobre as evidências mais singelas, nomeadamente o falhanço da sua estratégia e dos objectivos de política, a saber: uma taxa de crescimento suficientemente elevada do produto interno (ou uma taxa de desemprego mínima), contas externas equilibradas e solvabilidade das contas públicas. A realidade dos números apresentados para estes objectivos é dura e dá hoje em dia uma visão simplificada mas significativa da situação extraordinariamente difícil da economia cabo-verdiana.

É esta realidade que o governo recusa confrontar – e que existe contra si - insistindo no seu mantra da «agenda de transformação». A mensagem implícita deste mero slogan é: sabemos que o governo não fez tudo… mas queremos continuar no poder. Porém, numa democracia, num sistema de avaliação periódica, são os resultados dos objectivos de curto prazo e médio/longo prazo – reformas estruturais, diversificação da economia, competitividade e bem-estar dos vários segmentos da população – que normalmente levam os eleitores a escolher o que pretendem: a continuação do partido incumbente ou a mudança. Não se fique, contudo, com a ideia de que este mecanismo das eleições está isento de dificuldades e …

Neste contexto das estratégias para resolver os nossos problemas estruturais, há que falar da política monetária e da política orçamental/fiscal. Os instrumentos tradicionais de política monetária, como compreendido por muitos e hoje sentido por todos, não funcionam em Cabo Verde. As medidas convencionais, designadamente a queda das taxas directoras do Banco de Cabo Verde (BCV) e do coeficiente das reservas obrigatórias, destinada a revitalizar a economia cabo-verdiana, não teve o seu efeito esperado quer no bolso das pessoas que pedem empréstimos dos bancos, quer nas empresas não financeiras. Tal como no caso das famílias, as empresas privadas continuam a não sentir um alívio das suas condições de financiamento bancário, porque a avaliação do risco é cada vez mais rigorosa, devido, entre outros factores, a percentagem elevada dos incumprimentos no balanço das instituições de crédito cabo-verdianas (NPL). A política monetária, deste modo, falhou o seu objectivo e, para mantermos a credibilidade do BCV, devemos ter sinais de que há uma estratégia alternativa para a política monetária actual.

Com o seu forte apetite de intervenção na economia, o governo fez uma utilização exagerada do instrumento das despesas públicas, com custo efectivo intolerável do sector público cabo-verdiano para o conjunto da economia – total do endividamento do conjunto do Sector Público Administrativo (SPA) e empresas públicas. O crescimento, a competitividade e a coesão da economia cabo-verdiana foram muito pouco influenciados pela sangria despesista do governo, tendo os cabo-verdianos como consolação níveis alarmantes de desemprego e sub- emprego, perda do poder de compra, asfixia das empresas do sector privado e...horizontes indefinidos do rácio da dívida pública excessivo. Note-se que a dívida pública externa, a assumida mais a disfarçada, deve estar próxima dos 100 por cento do produto interno bruto (PIB), a qual continuará a constituir uma restrição nas decisões dos agentes económicos. Adicionalmente, refira-se que a subida brutal do nível de endividamento soberano ao longo dos últimos sete anos, exige a manutenção de excedentes nas contas corrente e de capital da balança de pagamentos no médio/longo prazo.

O que se joga nos próximos anos é a reestruturação do elevado nível de endividamento público e o reposicionamento do país numa rota de crescimento robusto e sustentável. Para equacionar e implementar boas respostas a estes desafios, Cabo Verde precisa de um novo Governo com uma boa estratégia de entrada em funções, distinguindo os objectivos de curto prazo dos de médio (em geral interpretado como dois a três anos) e longo prazo.

O termo estratégia tem uma forte conotação militar e aparece muitas vezes associado com o exemplo que se dá dos americanos querendo ganhar a 2ª guerra mundial. Que estratégia escolher? O estado-maior está perplexo e muito dividido. Por conseguinte, encarrega uma pessoa para lhe preparar um relatório sobre as estratégias, ou seja, sobre os termos de escolha. Na posse dele, o estado-maior escolherá.

O relatório parte, como é sabido, da descrição da situação. Em seguida, interessa analisar a prioridade sugerida dos objectivos a atingir: por exemplo, no nosso caso concreto, crescimento do   emprego e  redução do défice externo

Consideremos em especial uma primeira estratégia. Ela passa por: um peg fixo bilateral ao euro e comporta dois volets:

1.  Uma redução das contribuições patronais para a segurança social (INPS).

2. O financiamento desta redução através de uma subida do IVA e de um aumento dos impostos directos.

Estas medidas alteram os preços relativos no sentido desejado. A redução das contribuições sociais patronais melhora a competitividade e o aumento do IVA faz aumentar o preço dos bens importados. Porém, é essencial criar as condições para que o efeito se materialize pela via da criação de capacidade produtiva em sectores sujeitos à concorrência internacional. 

A alteração dos preços relativos reorientará a médio prazo a procura estrangeira e nacional no sentido desejado O efeito final deve, contudo, ter em conta os efeitos induzidos sobre os rendimentos reais e a procura. O efeito sobre o emprego poderá ser estimado com um modelo econométrico.

O sucesso da economia cabo-verdiana a curto, a médio e a longo prazo dependerá essencialmente de um governo capaz de implementar uma exigente agenda de reformas estruturais, de fazer boas escolhas estratégicas, muito trabalho e boa sorte.

domingo, 07 fevereiro 2016 06:00 Publicado em Cultura

A galeria de artes, PauTcha Arts, na Praia, ofereceu neste mês de Janeiro um espectáculo de Vasco Martins com o Quinteto de cordas mais clarinete da Orquestra Clássica do Centro (OCC).

A OCC começou por propor ao público temas representativos e marcantes dos compositores da música erudita, na sua maioria clássicos. O momento alto foi a interpretação da famosa Eine Kleine Nachtmusik de Mozart.

Já no final da sua actuação o quinteto de cordas da Orquestra Clássica do Centro, interpreta de forma brilhante o tema “Flor Formosa” de Djack do Carmo, mundialmente celebrizado pelo nosso Travadinha.

Foi emocionante ver este tema cabo-verdiano interpretado sob a regência da música de câmara. A melodia transpirada pelas cordas e os momentos em que os pizzicatos dos violinos substituíram tão bem as nossos cordas foram marcantes.

Recorde-se que o tema “Flor Formosa” é uma das composições interpretadas pela nossa Orquestra Nacional, da qual a OCC é parceira… onde os instrumentos clássicos e populares se fundem para criar uma sonoridade própria e cabo-verdiana

Já com Vasco Martins, dá-se então o momento mágico: a interpretação de um tema para guitarra do compositor cabo-verdiano com o quinteto de cordas da OCC. Um momento arrebatador em que o quinteto serviu de suporte musical precioso para que Vasco Martins nos encantasse com a sua música.

“Ser músico de jazz é ter confiança no acaso …” – já o disse Carlos Martins.

Usando esta feliz frase, atrevia -me a dizer que Carlos Martins tem razão… ficou claro nessa noite que o acaso favorece os mestres e os apaixonados por esta forma de arte.

Senão vejamos: quis o acaso que, nesse dia, Carlos Martins, saxofonista e amigo da nossa música desde longa data, estivesse em Cabo Verde. Ainda mais… que nessa noite estivesse presente na galeria de arte PauTcha Arts.

Dá-se então o entrelaçar dos dois músicos … das suas músicas, com destaque para o improviso sob um tema andaluz, e mais adiante o tema “Verde” de Vasco. O grupo de cordas de forma disciplinada, típico do universo erudito, honrava cada nota, fazendo pano de fundo para que Martins e Martins voassem.

Houve então um momento de diálogo, entre duas magníficas almas musicais...e o quinteto observava e sorria… o público, absorvia.

Já, de forma mais descontraída, sem a rigidez da música de câmara, com Vasco Martins no violão e Carlos Martins no saxofone, celebra-se o encontro e… o tal acaso.

Mas mais do que temas, partilhava-se ambientes criados que se difundiam calmamente e prendiam o público. Os dois músicos prosseguem em dueto, recorrendo ao repertório de Vasco Martins, ao qual se junta as percussões e pequenas vocalizações de Tchalé Figueira, coordenador da galeria de artes…o público aplaudia.

Vasco Martins e Carlos Martins já tinham trabalhado juntos, na obra Outras Índias, álbum da label NorteSul e distribuída pela Valentim de Carvalho.

É um álbum, sobretudo de contemplação, que reflecte na perfeição o mundo de Carlos e Vasco. Há com certeza o recorrer às raízes da música de Cabo Verde mas vai mais além: a uma visão quase que universal. Na altura, numa entrevista, os músicos definem Outras Índias como um “lugar imaginário”, baseado num “universo de gostos comuns”…

Nessa noite em PauTcha Arts, todos os gostos comuns, todas as sonoridades que são repartidas e queridas pelos dois músicos se mostraram e quis assim acreditar no acaso!

 Creio que o público também agradece o papel de espaços, mesmo que não direccionados para a música, em proporcionar este tipo de encontros.


Obras referidas

Disco: Le Violon Du Cap Vert

Interprete: Travadinha

Ano: 1996

Label: Buda Records

 

Disco: Outras Índias

Interpretes: Carlos Martins e

Vasco Martins

Ano 1997

Label: NorteSul/

Valentim de Carvalho

domingo, 07 fevereiro 2016 06:00 Publicado em Cultura

Apesar dos constrangimentos e do pouco apoio que os grupos de Carnaval da Praia dizem ter recebido, prometem levar toda a folia, cor e alegria a avenida. Os grupos convidam os praienses e não só a irem ver os desfiles, pois prometem muitas surpresas.

Este ano, a Avenida Cidade de Lisboa vai acolher o desfile de cinco grupos de Carnaval, são eles Vindos D`África, Estrela da Marinha, Sambajo, Acarinhar e Vindos do Mar.

As escolas de Ensino Básico Integrado da Praia este ano não vão desfilar na Avenida Cidade de Lisboa, à semelhança dos anos anteriores, segundo o vereador da Câmara Municipal da Praia porque só trabalham com apoio que a câmara disponibiliza.

“Pensamos que as escolas de EBI têm dado um grande contributo para o desenvolvimento do Carnaval da Praia” afirmou António Lopes da Silva.

Também este ano, o grupo Inter Vila decidiu não participar da festa do Rei Momo, isto, segundo o presidente do grupo, José Carlos Fernandes, por falta de espaço para os ensaios.

Em relação a este caso, o vereador da cultura da Câmara Municipal da Praia, António Lopes da Silva considerou “descabida” a decisão do grupo, tendo em conta que o grupo já recebeu as verbas.

 

Preparativos

O representante do grupo Vindos D`África, José Gomes (Breu) disse-nos que este ano começaram muito tarde com os preparativos do Carnaval, “mas como no ano passado tínhamos ganho o Carnaval e também com experiência ao longo dos anos a fazer Carnaval, conseguimos colmatar a parte do atraso fazendo reciclagem de alguns materiais”.

O grupo Estrela da Marinha, segundo o seu representante, António Dias este ano também começou muito tarde com os trabalhos, porque a Câmara Municipal se atrasou na entrega das verbas e ainda estão a espera do apoio do Ministério da Cultura. 

Para António Dias, o Carnaval da Praia já estava a melhorar, mas este ano houve um retrocesso.

João Elias do grupo Sambajo conta que em termos de preparativos estão um pouco atrasados, por causa do subsídio que todos os anos a Câmara Municipal da Praia disponibiliza aos grupos.

“Somos um grupo com quatro anos de existência, mas não temos como angariar fundo, porque no bairro de Palmarejo não há nenhuma placa desportiva, para realizamos actividades como forma de angariar fundos para o grupo”, explicou João Elias.

Já a presidente da Acarinhar, Teresa Mascarenhas afirma que este ano estão com algumas dificuldades, porque as pessoas que começaram a trabalhar com eles, aparecem e desaparecem, o que tem atrasado muito na preparação dos materiais.

“Temos carências de mão de obra, de pessoas que poderiam apoiar nos com mão-de-obra, por exemplo a nível de costuras, da produção de carro alegórico, dos materiais de decoração”, citou.

 

Vestuários

Em relação a confecções de roupas, Breu sublinha que estão a trabalhar com vários costureiros. “Cada costureiro está a trabalhar uma ala. Penso que neste aspecto estamos num bom caminho, o único constrangimento até este momento é falta de atrelado”.

Na mesma linha está o Estrela da Marinha, conforme António Dias já estão bem avançados com os vestuários. “ Sempre tem pessoas que decidem desfilar na última da hora”.

Sambajo também está num bom ritmo, segundo João Elias, outro grupo que também não tem queixa nesta matéria é Acarinhar, pois como nos conta Teresa Mascarenhas estão avançados, porque começamos primeiro por confecção das roupas. “Faltam poucas coisas para terminar. Estamos a trabalhar à base de voluntariado nos fins-de-semana, porque as pessoas que trabalham durante a semana”.

 

Temas

Vindos D`África levará para a avenida “Os Direitos Humanos”. O grupo que foi bicampeão de Carnaval da Praia no ano passado, afirma que todos os anos levam um tema relevante para o desfile e que este ano não fogem a regra.

 “Vamos levar Direitos Humanos, para alertar as pessoas que os direitos humanos estão a ser violados todos os dias, quer com crianças, mulheres, homens. Escolhemos esse tema como forma de alertar e fazer com que esses direitos sejam respeitados”, sublinhou Breu.

Com este tema pretendem levar para à rua sete alas, e um andor e prometem surpresas para substituir outros andores que queriam levar para a rua.  Quanto à música, Breu avança que já tem uma melodia composta por Helder, ex-baterista de “Os Tubarões”. 

O Estrela da Marinha vai desfilar este ano com as “Sete Maravilhas de Cabo Verde”, segundo António Dias, com este tema querem que as pessoas conheçam melhor essas maravilhas. O grupo vai desfilar com cinco/ seis alas. “Já temos música traz um cheirinho de cada um das sete maravilhas, feita pelo compositor Constantino Cardoso”.

Já Sambajo promete levar “Inspiração do Brilho”, para avenida, com sete alas, de Sol, Estrela, Baiana, Escuridão, Ouro, Prata, Diamante. Em relação a música, este ano foram a procura de Jorge Tavares, um músico que todos os anos faz temas para Carnaval da Praia.

Este ano Acarinhar vai desfilar na Avenida com “A Vida é um Jogo”, com quatro alas, a primeira será dos Curingas, com as crianças, jovens e famílias de Acarinhar, os Fisioterapeutas, e os Psicólogos da Universidade de Piaget, a segunda será da Magia que vai ser com os alunos da Escola Secundária Pedro Gomes, que é uma escola inclusiva que trabalha com as crianças surdas.

A terceira ala é dos Ciganos que será com os alunos da Escola Secundária de Calabaceira, Constantino Semedo e a quarta será do Baralho de Cartas com os alunos da Escola Secundaria Cónego Jacinto, da Várzea. Este ano vão desfilar com um andor.

Com este tema segundo a presidente da Acarinhar, querem demostrar que o Carnaval é usado como ferramenta importante, para a inclusão e uma oportunidade de chamar atenção sobre a questão das pessoas com deficiência e as barreiras.

“Já temos a música, foi feito por Nelson Roque da ilha de São Nicolau. Faltam algumas coisas para serem feitas, mas acreditamos que teremos tudo concluído antes do Carnaval”, apontou Teresa Mascarenhas. 

 

Incentivo

Breu conta que fazer Carnaval na Praia é muito complicado, pois recebem pouco apoio.

 “Estamos a fazer Carnaval na Praia, porque gostamos e estamos a insistir, mas se por acaso desistirmos será fim do Carnaval da Praia”, conta responsável do Vindos D`África. 

Breu diz que as empresas na capital do país, não apoiam os grupos directamente, por isso disse estarem a trabalhar somente com a verba que a Câmara Municipal da Praia disponibilizou.

“Só a nossa vontade não chega, se não juntar as forças não iremos conseguir aquilo que almejamos. O Carnaval da Praia, se não fosse a nossa persistência, já estava morto. Sempre desfilamos no Carnaval, com ou sem concurso. Também é com a nossa insistência que tem surgiu mais grupo e isso é muito bom”, sublinhou.

Já, António Dias diz que estão a procura de alguns patrocínios, porque não dá para trabalhar só como patrocínio da Câmara, o Carnaval será pobre.“Ainda nenhuma empresa nos deu nada, mas esperamos. Ainda está em tempo. Na Praia as empresas não ajudam muito os grupos carnavalescos, principalmente aquelas empresas que trabalham com os turistas”.

Para Dias, os Hoteis deveriam dar mais atenção aos grupos de Carnaval, apesar de na Praia, esta festa do Rei Momo não ter a mesma dimensão que São Vicente e São Nicolau, mas que se pode desenvolver se tiverem mais ajuda.

“Os hotéis deveriam olhar para o Carnaval, porque esta festa não é só um dia, pois as vezes abrangem um mês de preparativos até chegar o dia da folia, então essas empresas deveriam ajudar”.

Sambajo, conforme João Elias é um grupo família, onde cada um dá o seu apoio, e garante que as empresas não pensam no Carnaval da Praia, pois a cada empresa que batem à porta dizem sempre que já entregaram a Câmara patrocínio de Carnaval. “Assim ficamos sem motivação de procurar empresas para nos apoiar, porque aquele tempo que perdemos na porta das empresas procuramos outra solução, para fazer o Carnaval de que gostamos”.  

“No Fórum Carnavaleando, os representantes dos grupos de Carnaval de São Vicente falam de Carnaval com orgulho, eu falo com orgulho, porque gosto de Carnaval, mas no caso deles, há muita motivação, porque recebem mais apoio e mesmo as empresas apostam neles, não através da Câmara Municipal como acontece aqui na Praia”, explicou João Elias.

E conta que assim ficam prejudicados, quando as empresas em vez de apoiá-los directamente, entrega ajuda à Câmara. “Somos único grupo que realiza ensaios na rua, nos anos anteriores, os ensaios eram na Escola Secundária Abílio Duarte, onde tínhamos que pagar 12 mil escudos de contribuição de iluminação. Mas a directora do liceu não permitiu, este ano, a realizar dos ensaios naquele estabelecimento de ensino, por isso estamos a ensaiar na rua”, declarou.

Quanto à Acarinhar, Teresa Mascarenhas afirma que já receberam a verba da Câmara Municipal da Praia, têm apoio da Newlook, e dentro da parceria que tem com a Unitel T+, vai reforçar as suas capacidades financeiras, para o desfile de Carnaval. “Estamos com dificuldade em arranjar espaços para realizar os ensaios, nas escolas só é possível a noite,o que para nós é muito difícil. Vamos aproveitar os fins-de-semana”.   

domingo, 07 fevereiro 2016 06:00 Publicado em Política

António Péricles Lopes, cabeça de lista da UCID por Santiago Sul, nasceu em Cabo Verde, mas com 9 anos foi para Portugal, regressando ao arquipélago 20 anos depois. Além de Portugal, viveu também em Inglaterra, Gâmbia, Senegal e Moçambique. Mestre em gestão internacional, sempre trabalhou na área da cooperação económica, com instituições como a União Europeia, o Banco Mundial e agora com o MCA, onde é responsável financeiro. É ainda consultor internacional em países lusófonos. É a primeira vez que entra na política. Assume-se como independente e acredita que a sociedade cabo-verdiana está cansada do bi-partidarismo.

Quais são os objectivos da UCID para Santiago Sul?

 O objectivo é claro: ganhar as eleições. Pode dizer que é uma utopia, que é extremamente difícil, que não é realista, mas nós somos pessoas que vimos da sociedade civil, deixámos os nossos afazeres profissionais, as nossas famílias e dedicamos tempo a esta causa com o objectivo claro que vencer em Santiago Sul. Não há um número de deputados X ou Y. É ganhar Santiago Sul.

 

Enfrentando duas máquinas partidárias, como o PAICV e o MpD, acham que é realista?

Estamos conscientes das dificuldades. Não somos ingénuos, nem caímos aqui de pára-quedas a pensar que vamos salvar Cabo Verde. Não somos salvadores, mas pensamos, convictamente, que a sociedade cabo-verdiana está cansada destes dois partidos e principalmente dos políticos que os representam. Em Santiago Sul, se as pessoas repararem, as listas apresentadas pelos dois partidos têm as mesmas caras, políticos profissionais que nunca fizeram mais nada na vida e que, basicamente, defendem os seus interesses em vez de defenderem os interesses dos cabo-verdianos. É por isso que estamos convencidos, apesar de sabermos que é extramente difícil, que vamos passar a nossa mensagem, vamos apresentar as nossas ideias, para ganhar, seja em Santiago Sul, seja no país. Por outro lado, vamos pedir às pessoas que se identificam com as nossas ideias para não terem medo de votar em nós.

Medo?

Há muitas pessoas que, no contacto do dia a dia, dizem que se identificam com as nossas ideias mas levantam sempre a questão que votar na UCID talvez seja um desperdício. Não é. Nós estamos a concorrer para eleger deputados à Assembleia Nacional, não estamos a votar para eleger o Primeiro-Ministro. Quem vamos escolher são os representantes do povo, por isso as pessoas têm de ter essa noção e analisar tanto as propostas como os candidatos em função disso e não de outro critério qualquer.

 

Em Santiago Sul a UCID concorre com uma lista formada essencialmente por independentes. Ainda há pouco falou nos adversários e nos “políticos profissionais”, ou seja, pretendem o quê com estes nomes? Trazer a sociedade civil para a política? Apresentarem-se como um grupo que conhece a realidade do país?

Antes dessa ideia, temos uma outra que consideramos fundamental: queremos na política pessoas que sirvam Cabo Verde e não se sirvam de Cabo Verde, queremos pessoas que realmente cumpram o que está escrito na Constituição – que todos os cabo-verdianos são iguais. O que verificamos actualmente, com a tal classe política que temos, é que os políticos querem servir os seus próprios interesses, os interesses dos seus partidos, dos seus amigos, dos seus familiares, em vez de servirem os interesses de Cabo Verde e de considerarem todos os cabo-verdianos efectivamente iguais. Seja no acesso ao emprego, seja na saúde, seja na educação, seja na prestação de serviços públicos. É essa filosofia que queremos passar.

 

Será um desafio convencer os eleitores que a UCID não é um partido apenas de São Vicente?

É um grande desafio. Existe uma imagem, errada, que a UCID é um partido regional. Como sabe, não pode haver partidos regionais em Cabo Verde, na prática, e devido à implementação da UCID, as pessoas, principalmente em Santiago, têm essa percepção errada.

 

Como foram feitas as escolhas dos candidatos?

Quisemos um grupo que representasse todo o Santiago Sul – pessoas da Praia, São Domingos, Ribeira Grande – e que não fosse composto por políticos profissionais. Eu sou o cabeça-de-lista, e sou independente, nas primeiras dez posições temos cinco independentes. 30 por cento serão mulheres. E existem muitos jovens. Estamos a tentar mostrar uma forma diferente de fazer política. Este grupo começou a trabalhar quando o Parlamento aprovou o Estatuto dos Titulares de Cargos Políticos. Foi a partir daí que fomos ter com a UCID e dissemos que queríamos colaborar. Agora, não somos amadores, nem temos espírito de aventureiros. Estamos aqui para disputar e apresentar as nossas ideias. Como estamos em democracia, depois cabe ao povo dizer se aceita as nossas ideias ou não. Temos a noção clara das máquinas dos outros partidos. Temos a noção clara como a política é feita em Cabo Verde. Temos a noção clara de alguns atropelos que se fazem à lei eleitoral. Por isso é que iremos porta a porta, conversar com as pessoas e passaremos assim a nossa mensagem. Depois, caberá ao povo decidir se quer continuar a ser governado pelos políticos que sempre governaram. Ou não.

 

Quando fala em políticos mete PAICV e MpD no mesmo saco?

O MpD e o PAICV fazem política da mesma forma. Podem dizer que sim, mas não existe diferença. Portanto, a opção é entre esses e os outros partidos, nomeadamente a UCID.

 

E o que trazem de diferente?

A nossa plataforma está praticamente pronta. Neste momento estamos a preparar o nosso programa eleitoral. Esse é um trabalho da UCID no seu todo e nós, em Santiago Sul, temos dado o contributo em várias áreas para conseguirmos ter propostas inovadoras, práticas e que melhorem a vida dos cabo-verdianos.

 

Que áreas são essas?

Reforma do sistema político, gestão da coisa pública e principalmente do dinheiro público, saúde, educação, segurança, justiça. Pelo menos nestas áreas principais estamos a preparar o nosso programa – que deverá estar pronto nos próximos dias – para termos tudo pronto para quando entrarmos em campanha. O que queremos é passar a mensagem de mudança.

E quais são as principais ideias da UCID nessas áreas que referiu?

Neste momento não posso avançar. O importante é que as pessoas saibam que estas ideias foram discutidas com especialistas das diferentes áreas, pessoas que votam na UCID e que não votam na UCID, que quiseram dar o seu contributo. Este fim-de-semana houve a reunião do Conselho Nacional onde foram aprovadas as listas e foram discutidas as linhas gerais em termos de programa. Nos próximos dias vamos consensualizar as propostas, que por serem inovadoras poderão alterar o próprio sistema. Depois deverá ser o presidente do partido a apresentar o programa. O que podemos garantir às pessoas é que a UCID Santiago Sul participou activamente nessas propostas, concorda com as propostas e penso que as pessoas poderão, em breve, ver propostas que são práticas, que podem ser implementadas sem muitos custos e que melhorarão a vida dos cabo-verdianos.

 

Propõem, nesse caso, uma ruptura em vez de uma continuação?

Não queremos fazer nenhuma revolução. As propostas não são radicais, são baseadas no bom senso, mas são radicalmente diferentes do que existe. Por exemplo, em relação ao sistema político cabo-verdiano, à gestão das finanças públicas, da saúde, ou da educação. Gostaria de lhe adiantar algumas, mas como disse há um compromisso. O que posso dizer é que vão ao encontro daquilo que a maior parte da sociedade cabo-verdiana deseja.

 

Isso é vago.

Todos sabemos que a máquina do Estado é muito pesada, está partidarizada, o sistema político é excessivamente burocrático e custoso para o país. Temos a consciência que a UCID, ao apresentar estas propostas, terá depois de as negociar no Parlamento. Estamos convencidos que constituem uma base para reformarmos a política e a sociedade.

 

Por falar em sociedade, o desemprego continua a ser um dos grandes problemas do país. Presumo que o considerem um dos problemas prioritários.

Uma das nossas propostas vai para a economia no geral e o desemprego no particular. Mas, os cabo-verdianos têm de ter a noção clara que o problema da economia e do desemprego é estrutural, não se resolve de um dia para o outro. Não se criam, como alguns partidos estão a dizer, dezenas de milhares de postos de trabalho no imediato. O que nós dizemos é que a economia e o desemprego devem ser prioridades. É possível fazer muito melhor do que o que está a ser feito com os recursos que temos, sem definir metas sobre os números de empregos a criar, ou uma percentagem de crescimento de economia. Somos muito cépticos em relação a essas metas, estabelecidas ninguém sabe como, nem baseadas em que modelo. O que nós queremos mostrar é que princípios devem nortear o desenvolvimento económico cabo-verdiano e quais as medidas concretas sector a sector: agricultura, pesca, pecuária, industria, serviços e, especialmente, no turismo. É com base nessa ideia que estamos a trabalhar, para que as pessoas leiam o que defendemos e que o cidadão normal compreenda. Não precisa de ser economista. O mesmo para todas as outras áreas, queremos que as pessoas leiam e digam se faz ou não sentido o que defendemos. Será um programa objectivo, directo e curto para que as pessoas entendam a nossa mensagem.

 

As relações com os privados terão de ser diferentes?

Nós não dizemos que terá de ser diferente, defendemos que terá de haver uma aposta forte nos privados. Temos a noção que a economia deve ser desenvolvida pelos privados, mas não embarcamos na visão que são eles a solução para todos os problemas. É preciso encontrar um meio termo. Não entramos é em promessas genéricas, que o sector privado será o motor da economia e transformará Cabo Verde num país idílico. Tem de ser com calma. Reconhecemos a importância do sector, iremos trabalhar com eles, mas em Cabo Verde o sector público é ainda demasiado importante para que possamos deixar tudo ao sector privado.

 

Mas, pelas suas palavras anteriores, terá de ser um sector público diferente.

Para a administração pública e, principalmente, para a gestão do sector público, onde se incluem as empresas estatais, defendemos uma mudança radical em termos de paradigma de gestão: em que sectores deve estar, com que empresas e como são escolhidos os gestores.

 

E como deverão ser escolhidos?

Concurso público, com apresentação de resultados e avaliação de desempenho. Volto à minha primeira mensagem, queremos fazer política baseada em dois princípios: servir Cabo Verde e não servir-se de Cabo Verde e que todos os cabo-verdianos sejam efectivamente iguais. Falamos do sector público, mas podemos falar de outras áreas. O que interessa é que no princípio, no meio e no fim a prioridade seja a meritocracia. Ou seja, terão de ser nomeadas as pessoas com mais capacidade técnica e de gestão para exercer os cargos, independentemente do partido político, da sua cor da pele, ou das suas convicções religiosas. O maior contributo que podemos dar ao país é a sua real despartidarização, efectiva, não apenas da boca para fora.

 

O presidente da UCID já disse que o dinheiro decide as eleições. Como vai ser a campanha, uma vez que não têm as verbas dos outros partidos?

A campanha é um desafio importante para nós. Não conseguimos concorrer, claro, com os outros dois partidos em termos de financiamento de campanha, mas também não queremos fazer isso. Queremos uma campanha de informação, de cidadania, mostrando e discutindo as nossas ideias.

 

A UCID teme a compra de votos?

Temos dito sempre que é preciso calma quando se trata esse tema. Conhecemos a realidade em Cabo Verde. Conhecemos as histórias. Conhecemos alguns processos que estão transitados em julgado. A mensagem que a UCID quer passar é: primeiro, não devemos levantar suspeições sem ter provas; segundo, devemos confiar nas instituições cabo-verdianas e queremos pedir às instituições – nomeadamente a Comissão Nacional de Eleições – que tenha um papel mais pró-activo e não reactivo, isto é, vão ao terreno, vejam o que os partidos estão a fazer, previnam possíveis situações de compra de voto ou de compra de consciência. É nessa filosofia que apostamos. Sem sermos ingénuos, mas confiando nas instituições. O que queremos é que a vontade popular seja respeitada democraticamente. A compra de voto, além de ser um crime para quem compra e para quem vende, mina a democracia. E todos devem votar em consciência. Em Cabo Verde temos de acabar com essa ideia de receber um rebuçado hoje e depois passar cinco anos a receber pau. Repito, as pessoas devem votar em consciência, independentemente do partido em que o façam, e não em troca de uma migalha momentânea.

 

Que balanço faz da última legislatura?

Pensamos que há aspectos positivos, aliás, não somos defensores da política de terra queimada, ou seja, que tudo o que o governo fez é mau. Há aspectos positivos e há aspectos muito negativos. E há quatro ou cinco áreas que, curiosamente, coincidem com as prioridades enunciadas pelos cabo-verdianos, em que o governo ficou muito aquém: a economia e o desemprego, a segurança, a educação, a gestão do dinheiro público, estas são as áreas em que o governo falhou. Além disso, assistiu-se, principalmente nos últimos cinco anos, à partidarização excessiva da administração pública. Vemos nos cargos de gestão dirigentes que são nomeados através das estruturas do governo. E quando vemos o actual Primeiro-Ministro e a candidata do mesmo partido a falarem também de ‘excesso de partidarização’ ficamos de boca aberta. Os cabo-verdianos têm a noção clara do que foi feito, tanto pelo senhor José Maria Neves como pela senhora Janira Hopffer Almada, nessa área. Os cabo-verdianos julgarão. Mas, temos de fazer também uma avaliação do que o MpD fez, como maior partido da oposição. Porque se há áreas onde o PAICV pode fazer praticamente o que quer (porque tem maioria), há outras que exigem 2/3 de deputados e o MpD pouco tem feito. Os cidadãos devem ver a política de uma forma objectiva, sem associar um partido quase a um clube de futebol ou a uma religião, e analisar o percurso dos partidos, as propostas que têm, avaliar o que foi feito e as pessoas que estão a concorrer e decidir em consciência.

 

Uma rotação política seria importante para a democracia cabo-verdiana?

Rotação PAICV/MpD ou PAICV/UCID?

 

Haver outro partido a vencer as eleições.

Penso que é extremamente crucial para Cabo Verde uma mudança de governo. Não sou da opinião que um partido não possa ficar mais de 15 anos. Se fizer um bom trabalho, que fique 100 anos. Isso queria dizer que pessoas como eu não tinham necessidade de entrar na política. Mas, o que verificamos neste momento é que depois de 15 anos de governo PAICV as coisas pioraram muito. Os cabo-verdianos têm a noção, hoje, que os cidadãos não são iguais e isso, infelizmente, não mudaria se o MpD vencesse as eleições. Acho que os cabo-verdianos devem dar uma hipótese aos outros partidos, nomeadamente a UCID, para tentarem fazer algo diferente por Cabo Verde. 

domingo, 07 fevereiro 2016 06:00 Publicado em Sociedade

Os dados oficiais mostram uma queda acentuada do número de casos de Zika em Cabo Verde. Na última semana registaram-se 83 casos, o número mais baixo desde que a epidemia começou. Apesar de, ao que tudo indica, estarmos a entrar “numa fase de resolução”, Cabo Verde ainda não foi retirado da lista negra de países a evitar. Tudo numa semana em que a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública devido, não tanto à infecção, mas aos milhares de casos de microcefalia a que está possivelmente associada.

Os números são animadores. Ao fim de 16 semanas, e após um pico de casos em Novembro (793 numa semana), nas últimas semanas o número de infectados com o vírus zika tem vindo a cair acentuadamente. Na última semana contabilizada -  18 a 24 de Janeiro de 2016 – registaram-se 83, contra 95 da semana anterior.

De acordo com o Ministério da Saúde, através da Direcção Nacional da Saúde, o Zika ocorre também agora em menos ilhas. O Maio já saiu da lista, não tendo sido registados casos pela segunda semana consecutiva. Há agora apenas “registo de casos nas ilhas do Fogo, Santiago e Boa Vista (este com números residuais)”.  

“60 casos em S. Filipe, ilha do Fogo, 14 casos na Cidade da Praia, 4 casos em Santa Cruz, 3 casos em Boa Vista e 2 casos em São Miguel”, especifica um comunicado do Ministério da Saúde.

Santo Antão, São Nicolau, São Vicente, Brava e Sal, continuam a não registar nenhum caso de transmissão local.

As mesmas fontes dizem que até à data não foram registados nenhuns casos de microcefalia ou de outras alterações neurológicas tipo síndrome Guillain-Barre.

“Há aqui todo um esforço em partilhar as informações, que vamos actualizando regularmente, com a população. Isto para que tanto os que estão no país, como os que estão fora, possam acompanhar a situação”, garante o director nacional de saúde, Tomás Valdez.

 

Zika, a lista negra e o turismo

Praticamente todos os países europeus e os EUA já emitiram comunicados recomendando, principalmente às grávidas, a não viajar para os locais atingidos pelo vírus. As companhias aéreas estão inclusive a reembolsar as clientes grávidas com bilhetes para esses destinos. Cabo Verde está na lista negra.

Algo que, face aos resultados recentes, deve ser corrigido, no entender da Ministra do Turismo Indústria e Desenvolvimento Empresarial (MTIDE), Leonesa Fortes.

“Os dados mostram que Cabo Verde não está a padecer de nenhuma epidemia de ZIKA e não está em nenhuma situação que possa suscitar cuidados especiais da parte daqueles que nos visitam”, assegurou a ministra, ao jornal A Nação.

Leonesa Fortes sublinhou ainda que nas ilhas turísticas praticamente não há registo de casos e que o seu ministério, em conjunto com o Ministério da Saúde e em “articulação com a OMS e autoridades nomeadamente dos EUA”, estão a trabalhar “no sentido de Cabo Verde ser retirado dessa lista”.

O director nacional de saúde, por seu lado, encara como “um procedimento normal” o facto do país estar assinalado como lugar a evitar.

Pouco importam aqui os pedidos de retirar o país da lista. O que interessa são os dados – que são positivos -  e o que há a fazer é continuar o trabalho para terminar com a “circulação do vírus no país”, afirmou Tomás Valdez ao Expresso das Ilhas. A partir daí a saída acontecerá de forma incontornável.

Comentando esta diminuição acentuada de casos, DNS considera também errado dizer que se deve ao fim do período das chuvas. Por dois motivos. Seria errado assumir que como as azaguas passaram se pode aligeirar o combate ao mosquito vector da doença e o trabalho que centenas de pessoas estão a fazer no terreno não “pode ser menosprezado”.

De qualquer forma, salienta, o cenário é animador. “Estamos convencidos que a situação está numa fase de resolução”, diz.

Sobre este tema é no entanto de referir, como relembra a Organização Mundial de Turismo, que “apesar do zika ter sido decretado emergência mundial, não foram implementadas restrições nas viagens para áreas afectadas”.

Compete é às autoridades competentes prestar informações sobre a situação, aos turistas. Aliás, nesse sentido, a Autoridade Turística Central cabo-verdiana divulgou, naquele que é o seu primeiro comunicado, os dados actuais do país nesta matéria.

 

Cabo Verde, único país africano afectado

A epidemia de Zika tem afectado sobretudo a América do Sul e Central. No entanto Tailândia e Cabo Verde também estão na lista de países com transmissão autóctone do vírus.

Cabo Verde é o único país africano onde a epidemia parece ter chegado, ou pelo menos, onde a situação evoluiu sob essa forma.

A ausência de uma epidemia em África já foi alvo de diferentes teorias. Há quem considere que a maior parte da população já será imune, até porque o mosquito transmissor é muito comum no continente.

Aliás, o vírus foi descoberto neste continente há mais de 50 anos, mas não há registo de uma epidemia local. Na realidade, antes do Brasil em 2015, apenas só a Polinésia Francesa e a Micronésia, ambos na Oceânia, haviam tido epidemias de zika.

Brasil e Colômbia são os países mais afectados pela actual epidemia, num total de 26 países, e a OMS estima que entre 3 a 4 milhões de pessoas possam vir a ser infectadas.

 

Uma luta multidimensional

O combate ao mosquito transmissor do Zika e outros vírus é um trabalho multidimensional que não poderá ser bem-sucedido se se pensar tratar-se de uma obrigação apenas dos serviços de saúde. Estes não têm nem meios, nem competências para por si só resolver um problema que abrange várias questões.

Cabe a estes serviços, essencialmente “alertar, informar e tentar mobilizar outros parceiros, a população e a sociedade para combater os criadouros, porque sem os criadouros a densidade dos mosquitos seria muito baixa”, explica o Director Nacional de Saúde.

Tomás Valdez salienta ainda que este é um combate que se desenvolve em três dimensões:

1 - A primeira diz respeito ao trabalho que é feito pelos serviços de saúde, nomeadamente através dos profissionais que coloca no terreno, em todas as ilhas, para fazer sensibilização, e luta vectorial nos lugares de maior acumulação de elementos propícios à propagação dos mosquitos.

“Incluído nesse rol estão por exemplo as barragens e há várias medidas que o serviço tem estado a utilizar”. Insecticidas e colocação nesses locais de peixes que se alimentam dos mosquitos na sua fase larval são algumas dessas medidas.

2 - Uma outra vertente “importantíssima” tem a ver com as “medidas de protecção individual”. Isto é, a acção das famílias em termos de saneamento e cuidados nas próprias casas e seus exteriores.

“Esses mosquitos só conseguem sobreviver quando têm acesso a águas que não estão protegidas. Então, esta luta só triunfará se as pessoas estiverem consciencializadas de que devem tapar devidamente os diversos vasilhames que têm em casa, renovar as águas relativas às plantas, … até porque esses mosquitos têm facilidade em procriar-se no meio domiciliar”.

Esta componente da luta ganha ainda contornos mais fundamentais devido à “colecta e armazenamento de água”, por motivos conhecidos, aqui em Cabo Verde.

O DNS garante que não há problema nesse armazenamento desde que cumpridos alguns cuidados. “Essa água tem de ser devidamente protegida para que os mosquitos não a utilizem para pôr os seus ovos, que vão eclodir e resultar na sua proliferação.”

Há ainda uma outra dimensão, que também deve ser tida em conta que tem a ver com as medidas de protecção pessoal, isto é, diminuir as áreas de exposição de corpo, usar repelente, mas também proteger as janelas e fazer fumigação.

3 - Por fim, há uma componente tem a ver com o saneamento do meio, “particularmente a questão do lixo”.

“O lixo acumula-se pela intervenção humana, ou porque as pessoas deitam lixo em locais inapropriados, ou porque este não é retirado, pelas instituições que têm essa obrigação”. Pneus, latas, e outros acabam por acumular água e potencial a colocação de ovos pelo mosquitos, dando origem a novas gerações destes insectos, que são o principal vector.

“A prevenção ambiental é (também) extremamente importante”, sublinha.

 Tomás Valdez, Director Nacional da Saúde

Erradicar é possível?

Quanto maior o número de mosquitos, maior o risco de transmissão da doença. Na realidade, a luta contra os mosquitos é algo constante em Cabo Verde, garante o Director Nacional de Saúde.

Mas para a propagação dos casos de zika no país terá contribuído o facto de 2015 ter sido um ano relativamente chuvoso. Óptimo para a agricultura, óptimo também, pela negativa, para a propagação do perigoso Aedes aegypti, responsável pela transmissão não só do Zika como do dengue, febre amarela e chikungunya.

Nesse período de chuvas houve uma acumulação de águas e os mosquitos vectoriais encontraram um meio propício a sua disseminação.

“Não é por acaso q o mosquito depois aparece em finais de Setembro, inícios de Outubro, que é justamente o período imediato após a queda das chuvas”, aponta Tomás Valdez.

Quanto à possibilidade de, com os meios e medidas certos, poder erradicar este vector, o DNS mostra-se reticente.

“Acredito que é possível diminuir a densidade” da população de mosquitos, contrapõe.

Como relembra, alguns casos de erradicação não terão sido bem-sucedidos. Por exemplo, há algumas décadas acreditava-se que o Brasil tinha conseguido ver-se livre do Aedes aegypti, “mas esse mosquito voltou a ser reintroduzido”. Doenças como a Dengue são constantes. Também a Tailândia tentou erradicar vectores. Não conseguiu.

“Portanto, erradicar não é fácil porque depende de questões ambientais, de acções humanas”, enfim de vários factores que propiciam os criadouros.

No entanto, “se nos melhorarmos o saneamento do meio, se nos lidarmos melhor com a questão do lixo, se melhorarmos, evidentemente, as nossas intervenções na saúde, melhorarmos a relação relativamente ao meio domiciliar, nomeadamente a nossa relação com a água e seu armazenamento de água, se todos conjugarem esforços, terá efeito positivo”, defende.

 

Da descontracção ao medo

Depois de confirmada a epidemia de Zika, reuniu-se em Cabo Verde uma comissão interministerial, liderada pela Saúde, para lidar com a situação. Mobilizaram-se parceiros e promoveram-se campanhas de combate aos criadouros e outras. Desde então houve várias acções, mas a realidade é que as autoridades reclamam do fraco envolvimento da população. A verdade é que até começarem a surgir notícias do Brasil, sobre uma provável ligação entre o zika e a microcefalia o vírus era olhado com alguma despreocupação pela população. Isso talvez se explique por ser uma doença recente e normalmente de evolução benigna. Só o confronto com a questão da microcefalia lançou então esse temor.

“Uma relação causal entre o vírus Zika e malformações em recém-nascidos e síndromes neurológicas ainda não foi estabelecida, mas há fortes suspeitas que essa associação seja real”, dizia, ainda esta semana Margaret Chan, directora da OMS.

Até ao momento não há, como referido, registo de nenhum caso de microcefalia, mas também, pelas contas, ainda nenhuma mulher que possa ter sido infectada deu à luz. Os ultrassons podem identificar a doença, mas não é muito fácil fazê-lo (devido ao ritmo de crescimento do crânio).

Seja como for, “as grávidas estão a ser acompanhadas, diagnosticadas. Houve orientações técnicas da Direcção Nacional de Saúde, para todas as estruturas de saúde do país, para se aumentar a vigilância no pré-natal, e que essa vigilância seja estendida às salas de parto, às maternidades, para acompanhar esta situação”, avança Tomás Valdez.

 

Cronologia de uma epidemia:

- Finais de Setembro de 2015: Vírus Zika é introduzido em Cabo Verde

- Outubro de 2015 – início da epidemia; Instituto Pasteur de Dakar confirma ser Zika

- Novembro – epidemia atinge o pico, com 793 casos numa única semana

- Dezembro – Foi reunida uma comissão interministerial para informar e sensibilizar a população e e reunir esforço intersectoriais no combate aos vectores.

- Janeiro – os números continuam em queda. A última semana regista o menor número de casos detectados desde o início da epidemia.

- Nas 16 semanas do curso de epidemia foram registados um total de 7164 casos.

 

Medidas em curso:

•   Reforço das acções de luta contra o mosquito transmissor da doença, para cortar o ciclo de transmissão do vírus;

•   Sensibilização da população quanto a medidas de proteção individual e coletiva;

•   Vigilância das grávidas no pré-natal, no parto e dos recém-nascidos;

•   Ação inter-+setorial no saneamento do meio ambiente, evitando deste modo os criadores dos mosquitos;

•   Atualização semanal de dados estatísticos sobre a evolução da febre Zika

 

 

Emergência, diz a OMS

A OMS declarou emergência de saúde pública de interesse internacional (PHEIC). É a apenas a quarta vez que o faz, tendo a última sido no ano passado devido à epidemia de ébola. Afinal o que é isto?

PHEIC é um “evento extraordinário que pode constituir um risco de saúde pública para outros Estados através da disseminação internacional da doença e que pode requerer uma resposta internacional coordenada”, explica a OMS. 

Um dia depois de ter declarado uma emergência sanitária de dimensão internacional (PHEIC, na sigla em inglês) pela quarta vez na sua história, a Organização Mundial de ) criou, esta terça-feira, uma “unidade de resposta global” para coordenar as acções de combate ao Zika.

Até agora, a OMS só tinha declarado situações de emergência sanitária de dimensão internacional por causa da poliomielite, do vírus H1N1 e do ébola.  

sábado, 06 fevereiro 2016 15:43 Publicado em Economia

A primeira pedra para a construção do projecto turístico integrado do ilhéu Santa Maria (Djéu), Cidade da Praia, será lançada no dia 08 de Fevereiro, segunda-feira, na presença do empresário chinês David Chow, dono do empreendimento.

sábado, 06 fevereiro 2016 15:32 Publicado em Mundo

O Pentágono divulgou hoje uma série de fotos sobre os abusos feitos por militares norte-americanos a prisioneiros no Iraque e no Afeganistão no ano 2000.

sábado, 06 fevereiro 2016 10:02 Publicado em Mundo

Os ministros mauritanos da Justiça e do Interior anunciaram na sexta-feira que foram detidas 11 pessoas por tráfico de droga, alegadamente chefiadas por um filho do ex-Presidente Mohamed Khouna Ould Haidalla.

Expresso das Ilhas

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