Expresso das Ilhas

Switch to desktop Register Login

Expresso das Ilhas - Actualidades
quinta, 24 agosto 2017 08:51 Publicado em Mundo

Representantes de 12 países africanos participam até esta quinta-feira em Maputo num evento de reflexão e troca de experiências sobre o consumo de medicamentos usados para combater bactérias no continente.

quinta, 24 agosto 2017 08:50 Publicado em Política

O primeiro-ministro disse esta quarta-feira que Cabo Verde já está negociar para assumir a presidência da Comunidade dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) na próxima cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da comunidade.

quinta, 24 agosto 2017 08:44 Publicado em Sociedade

A Polícia Judiciária (PJ) apreendeu mais de 500 quilos de cocaína, numa embarcação estrangeira, durante uma operação que decorreu até a madrugada de hoje em são Vicente.

quinta, 24 agosto 2017 08:21 Publicado em Mundo

Estão a ser apurados os resultados das eleições gerais que decorreram ontem, quarta-feira, 23 de agosto, em Angola.  MPLA já canta vitória, apesar de os resultados finais prometerem não ser breves.

quarta, 23 agosto 2017 16:29 Publicado em Cultura

A curta-metragem de documentário “Homestay”, dirigido pela cineasta e activista cabo-verdiana Lolo Arziki ganhou recentemente um prémio no Avanca Film Festival 2017, em Portugal. O filme retrata experiências de um projecto de turismo domiciliar realizado no Ilha do Maio.

quarta, 23 agosto 2017 15:32 Publicado em Sociedade

A situação dos trabalhadores da TACV continua precária, com indefinição quanto ao seu futuro. A avaliação foi feita hoje pela Secretária-Geral da União Nacional dos Trabalhadores de Cabo Verde (UNTC-CS).

quarta, 23 agosto 2017 15:09 Publicado em Mundo

Pelo menos 9.842 pessoas foram mortas na Síria desde o início dos ataques aéreos da coligação internacional contra os 'jihadistas' a 23 de Setembro de 2014, divulgou hoje o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

quarta, 23 agosto 2017 13:34 Publicado em Mundo

A Comissão Nacional Eleitoral (CNE) aplaudiu o processo de votação às eleições gerais angolanas, que considera estar a decorrer "num clima de serenidade, elevação, sentido de estado e de grande responsabilidade de todos os eleitores".

quarta, 23 agosto 2017 13:06 Publicado em Cultura

Tomou posse esta manhã (dia 23) o novo director geral das artes e das indústrias criativas, Adilson Gomes. Formado em Teatro e com especialização em Empreendedorismo e Estudos da Cultura e Indústrias Criativas e Entretenimento em curso, o novo DGA define como grandes desafios a criação e internacionalização de uma programação cultural de excelência e consolidar o sector das Indústrias Criativas.

quarta, 23 agosto 2017 12:50 Publicado em Mundo

Um comité da ONU de luta contra o racismo lançou um "primeiro aviso" formal sobre a situação nos Estados Unidos, uma medida raramente usada para assinalar o surgimento de um possível conflito entre comunidades.

quarta, 23 agosto 2017 12:39 Publicado em Cultura

Grupos de 12 países vão actuar na 23ª edição do Festival Internacional de Teatro de Mindelo (Mindelact), que acontece entre 03 e 11 de Novembro na ilha de São Vicente.

quarta, 23 agosto 2017 09:19 Publicado em Mundo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que "provavelmente vai acabar" com o Tratado de Livre Comércio da América do Norte, com o México e o Canadá, cujas negociações começaram na semana passada.

quarta, 23 agosto 2017 08:53 Publicado em Economia

São Vicente acolhe a 05 de Setembro o II Fórum Qualidade de Serviço e Ambiente de Negócios, promovido pelo Ministério das Finanças e direccionado para região norte do país.

quarta, 23 agosto 2017 08:19 Publicado em Economia

O empresário cabo-verdiano Luís Barros foi eleito, ontem, administrador do Banco de Investimento e Desenvolvimento (BIDC), da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), na 15ª Assembleia Geral desta instituição que decorre em Abuja, na Nigéria.

quarta, 23 agosto 2017 08:07 Publicado em Opinião

A problemática da habitação voltou ao centro das atenções do Governo. No debate sobre o estado da Nação o Primeiro Ministro na sua intervenção inicial comprometeu-se com o valor de 945 mil contos para eliminar as barracas de do bairro da Boa Esperança na Boa Vista e com 2 milhões de contos para acabar com as barracas de Alto S. João, Alto de Santa Cruz e Terra Boa na ilha do Sal. Ainda na mesma intervenção o PM voltou a referir-se a 14 milhões de dólares conseguidos da China e que seriam dedicados à habitação social. Na semana passada, o ministro das Finanças e o PCA do BCA assinaram um acordo em que o Estado assumia pagamentos devidos ao BCA e o banco disponibilizava uma linha de crédito no valor de 15 milhões de contos, uma parte para financiar a habitação e outra para apoiar empresas em particular as start-ups. Tudo indica que o governo resolveu enfrentar um problema dos mais graves que aflige o país e cujo impacto socioeconómico já não se pode ignorar. A questão que se coloca agora é saber qual a melhor visão e estratégia para evitar os erros do passado e ao mesmo tempo lançar as bases seguras para resolução possível do problema da habitação.

Num passado recente pretendeu-se que a solução podia ser encontrada no programa Casa para Todos que com uma linha de crédito de 200 milhões de euros disponibilizada por bancos comerciais com aval do Estado português iria construir 8 mil casas e a partir da venda das mesmas prosseguir a construção de mais fogos. O Novo Banco criado na mesma ocasião teria um papel central no suporte financeiro para a compra das casas. Sabe-se o que realmente passou. Construíram-se realmente cerca de 3 mil casas, foram vendidas muito poucas e a grande maioria das actualmente ocupadas estão em situação de renda resolúvel e de caracter social. O Novo Banco praticamente faliu e foi fechado por resolução do Banco Central. Também contrariamente ao que acontece na generalidade dos casos em que há obras com investimento público de grande envergadura não se verificou o arrastamento da economia nacional – a economia nesses anos praticamente estagnou – nem foi beneficiado o sector privado nacional da construção civil. Isso porque, apesar do surto de construção que se verificou com a utilização da linha de crédito, na forma como foi negociada as sociedades empreiteiras tinham que ser maioritariamente portuguesas e uma percentagem elevadas dos materiais deveria ser comprada em Portugal. Uma solução que não cometa os mesmos erros terá que ir por outras vias.

A oferta habitacional em Cabo Verde para ser adequada deve poder responder não só ao crescimento da população como também às necessidades de mobilidade de mão-de-obra do campo para cidade e de uma ilha para outra. Nos últimos tempos o fluxo migratório interno tem-se dirigido particularmente para a ilha do Sal e da Boa Vista. Décadas atrás, S. Vicente era o destino de muitos que procuravam nos serviços e na indústria os meios para o seu sustento. Praia, a capital do país, com o crescimento da máquina do Estado e actividades dela dependente cresceu extraordinariamente ao longo dos 42 anos de independência, atraindo população do interior de Santiago e das outras ilhas. O resultado desses fluxos migratórios não planeados vê-se na expansão caótica da Praia, nos bairros precários de S.Vicente e nas barracas da Ilha do Sal e da Boa Vista. Claramente que as autoridades não anteciparam o fluxo migratório e muito menos se prepararam adequadamente para lhe dar resposta em termos de ordenamento urbano, saneamento básico, segurança, comunicações, energia e água.

Para piorar as coisas, de forma generalizada alimentou-se o sonho da casa própria quando era evidente, que para o país realizar melhor o seu potencial de crescimento, as pessoas teriam que poder mover-se para onde surgissem oportunidades de trabalho e sinais de uma maior dinâmica económica. E não deveriam ficar presas onde não havia uma perspectiva de trabalho gratificante só porque havia uma mensalidade a pagar ao banco pela casa que até foram incentivadas a construir no quadro de uma política de apoio à habitação própria. De facto, não parece que alguma vez houve uma discussão sistemática sobre o que mais convinha a Cabo Verde: habitação própria ou arrendamento. Num país que ainda está por identificar os seus principais motores de crescimento económico e de criação sustentada de emprego, optar por promover habitação própria em detrimento de arrendamento só podia levar ao fenómeno terrível das barracas e ao caos urbano nas principais cidades. Entretanto, com as opções feitas e na falta de políticas claras, não se tem um vibrante sector privado a construir, nem há um mercado de arrendamento e muitas pessoas deixam a casa para irem residir noutra ilha ou numa cidade porque no seu lugar de origem não há economia que as suporte. O dilema de manter a casa e ao mesmo tempo viver precariamente junto do local de trabalho não é resolvido, entre outras razões, porque se vê que políticas públicas de desencravamento, de ligação energia, água e comunicação valorizam a casa, mas não criam as condições económicas que fariam o dono regressar. Tem casa própria, mas vive mal noutra ilha por razões de incoerência nas políticas públicas.

Em Portugal dias atrás voltaram a criar uma secretaria de Estado da Habitação. A dinâmica económica exige políticas que vão ao encontro das necessidades de mobilidade de mão-de-obra no sentido de maior eficiência e também de criação de ambientes propícios à inovação. Uma política de promoção do arrendamento com as três vertentes de facilidade de financiamento, enquadramento fiscal e seguro das rendas vai ser posta em movimento pelo governo português. A par disso pretende-se uma intervenção pública na oferta da habitação que se aproxime dos níveis europeus de cerca de 12% e que em países como a França vai aos 15% e na Holanda atinge os 31% da oferta habitacional do país.

Quando se equaciona outra vez o problema da habitação em Cabo Verde, deve-se ter em devida conta, por um lado, o facto evidente dos fluxos migratórios no país e, por outro, as “chagas sociais” criadas nos centros urbanos das várias ilhas por décadas de políticas inadequadas no sector. Soluções devem ser encontradas que permitam às pessoas ter habitação condigna sem rendas pesadas, que promovam investimento privado na habitação para arrendamento, que desenvolvam o sector da construção civil e mantenham as actividades económicas locais competitivas e sustentáveis a prazo. A via a seguir é a de optimizar e tornar mais abrangentes os ganhos e não a de deixar o país com um peso ainda maior da dívida pública e sem solução à vista.   

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 820 de 16 de Agosto de 2016. 

quarta, 23 agosto 2017 07:06 Publicado em Mundo

Mais de 9,3 milhões de angolanos estão inscritos para escolherem hoje, entre seis candidatos, o sucessor de José Eduardo dos Santos, Presidente da República desde 1979 e que deixa o poder em Angola quando completa 75 anos.

quarta, 23 agosto 2017 06:31 Publicado em Opinião

Antes de escrever o relato da busca pelo leviatão branco, Herman Melville viajou pelos mares do planeta ao lado de marinheiros cabo-verdianos.

Na satírica short story a que deu o título de Gees (qualquer coisa como Tugas), o autor de Moby Dick refere-se-lhes (em especial os naturais da ilha do Fogo) como portugueses. Trata-se, muito provavelmente, de uma das primeiras referências de sempre, em alguma publicação, ao povo das ilhas, nos Estados Unidos. Nela Melville relata todo o preconceito e o desdém dos restantes marinheiros por estes homens singulares considerados inferiores. Descreve também as cinzas expelidas pelo vulcão do Fogo e a pobreza da ilha em géneros alimentícios, apontando o peixe como derradeiro recurso disponível.

À primeira leitura não ficamos esclarecidos sobre os verdadeiros motivos que levaram o escritor americano a debruçar-se sobre os cabo-verdianos: simpatia, solidariedade, compaixão ou apenas desprezo pelos marinheiros das ilhas?

Melville também descreve o cabo-verdiano como sendo bastante pequeno, mas valente e com grande capacidade de trabalho, dependendo do momento. Aponta a sua falta de imaginação, apesar do grande apetite, o seu grande globo ocular, mas a curta visão. A boca é grande, diz Melville, se comparada com a sua barriga. O cabo-verdiano tem o pescoço curto, a cabeça redonda, compacta, o que, na sua opinião, indica uma inteligência sólida. Os dentes são fortes, duráveis, quadrados e amarelos. Como o negro, continua Melville, o cabo-verdiano tem um odor peculiar, mas diferente.

É tão intrigante quanto incompreensível que o escritor não considere o cabo-verdiano como sendo negro. A sua hibridez, diz, coloca-o numa espécie de limbo que serve a todo o tipo de qualificações. Há um tom complacente na referência aos filhos de uma «silenciosa melancolia, nados num solo de caput mortuum». Estes tinham-se dado a conhecer aos mestres dos baleeiros americanos, havia então 40 anos, quando aqueles passaram a tocar na ilha do Fogo em busca de homens para a tripulação. Facto incontestável é que no momento em que escreve o seu relato, o ano de 1856, os naturais da ilha do Fogo encontram-se a bordo de quase todos os baleeiros americanos.

Na verdade, a razão para tal realidade era menos prosaica do que eu imaginava, pois os cabo-verdianos eram preferidos porque não exigiam qualquer salário. Trabalhavam apenas em troca dos biscoitos que recebiam, para além dos tabefes e dos socos que lhes davam em quantidades generosas. Muitos capitães afirmavam que os «gees» (cabo-verdianos) eram superiores física e intelectualmente aos marinheiros americanos, que quando não tratados de-centemente criavam problemas.

No entanto, Melville alerta para a imprudência que é navegar num navio com uma tripulação composta só de cabo-verdianos verdes (inexperientes), por causa da falta de jeito com os pés, com que tinham de escalar o cordame. Um grande número desses cabo-verdianos verdes estava habituado a cair ao mar na primeira noite escura de tempestade. Apesar de tudo, estavam sempre prontos para embarcar, bastando para isso acenar-lhes com uma mão cheia de… biscoitos.

Para conhecê-los bem é preciso estudá-los, já que cabo-verdianos e cavalos, adianta o escritor, em caso algum se podem conhecer através da mera intuição. Para o efeito, um capitão deve colocar-se diante dele a uns três passos para que o olho o possa ver de cima a baixo. Assim consegue perceber toda a estrutura, a forma da cabeça, o tamanho das orelhas, as articulações, as suas pernas, o estado do peito. Também não deve confiar nos cabo-verdianos recomendados pelos seus patrícios. Um capitão de New Bedford embarcou um indivíduo e logo na primeira recolhida de vela este denunciou-se quando as calças subiram na canela deixando à vista umas pernas cheias de elefantíase. Em pleno alto-mar, numa longa viagem de caça à baleia e sem poderem desembarcá-lo, o marinheiro cabo-verdiano passeou a sua elefantíase pelos mares durante três anos.

O texto satírico de Melville teve uma ressonância simbólica vis à vis o racismo científico mascarado de etnologia, que na época fazia escola tanto na Europa como nos Estados Unidos. Na verdade, os cabo-verdianos da América, brancos, mestiços ou negros, nunca aceitaram ser confundidos com os negros americanos — o grande temor do mestiço das ilhas. As suas contradições e as complexas nervuras identitárias acom-panham-nos, ainda hoje, onde quer que estejam, por muito que o queiram esconder.

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 820 de 16 de Agosto de 2016. 

terça, 22 agosto 2017 14:36 Publicado em Desporto

O seleccionador nacional de futebol, Lúcio Antunes, entregou à Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF) a lista dos convocados para o duplo embate entre os Tubarões Azuis e a África do Sul, nos dias 1 e 5 de Setembro.

terça, 22 agosto 2017 13:14 Publicado em Política

A presidente do PAICV destacou hoje os "ganhos e as conquistas extraordinários" de José Eduardo dos Santos no período em que esteve no poder em Angola, esperando que novo Governo "dê continuidade" ao trabalho.

terça, 22 agosto 2017 12:35 Publicado em Política

A secretária executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), defendeu ontem, em São Tomé e Príncipe, a realização de um encontro dos países membros para ultrapassar a dificuldade de mobilidade no espaço comunitário, havendo já uma proposta conjunta de Portugal e Cabo Verde.

terça, 22 agosto 2017 11:56 Publicado em Sociedade

Os agricultores em Casa de Meio, no concelho do Porto Novo, em Santo Antão, contemplados desde 1995 com terrenos de cultivo, congratulam-se com a cedência das propriedades a título definitivo e gratuito. O processo durou mais de 20 anos.

terça, 22 agosto 2017 10:40 Publicado em Desporto

A selecção cabo-verdiana de ultramaratona está a caminho da Alemanha, para participar numa prova de 24 horas que se realiza nos dias 26 e 27 deste mês naquele país europeu.

terça, 22 agosto 2017 09:18 Publicado em Mundo

Os quatro indivíduos implicados nos atentados de Barcelona e Cambrils prestam hoje declarações ao juiz Fernando Andreu, na Audiência Nacional, em Madrid e que vai formular a acusação e determinar as medidas de coacção.

terça, 22 agosto 2017 08:37 Publicado em Mundo

O próximo Presidente de Angola deve resgatar o país à “espiral de opressão que manchou o brutal reinado” de 37 anos do Presidente cessante, José Eduardo dos Santos, defendeu hoje a Amnistia Internacional, em véspera de eleições.

terça, 22 agosto 2017 07:45 Publicado em Mundo

Após os deslizamentos de terra na Serra Leoa, a Organização Mundial da Saúde, OMS, declarou que colabora com o governo do país para evitar a propagação de doenças infecciosas como a malária e a cólera.

terça, 22 agosto 2017 06:25 Publicado em Cultura

O Diploma Legislativo, de 25 de Agosto de 1931, que aprova o orçamento da colónia na parte referente às despesas tece considerações sobre a alfabetização em Cabo Verde:

“É a instrução pública que mais consome as receitas da colónia, quanto ao pessoal. Na percentagem total de 9,2 à instrução primária cabe 8,1 em pessoal e 1,1 em material e outras despesas.

Pela estatística demográfica de 1928 – a última que se encontra publicada – a população do arquipélago é de 150:160 habitantes, dos quais 34:936 são indivíduos até 10 anos de idade e que, por isso, não podem ser contados para se achar a percentagem dos que sabem lêr e escrever. Nessa estatística, dá-se como sabendo lêr e escrever 51:394 habitantes, – número que parece exagerado, mas, admitido que seja aproximado, a percentagem dos analfabetos fica sendo de 66%, que julgo ser inferior à de qualquer outra colónia. Mas «saber lêr e escrever» não significa que o indivíduo tenha habilitações que o tornem apto para as lutas da vida, além de que, na ocasião de preenchimento dos boletins de censo demográfico, todos declaram aos agentes deste que «sabem lêr e escrever». Uma grande parte da população, mesmo que tenha o exame de instrução primária, fala só o creoulo e tem pretenção de declarar que sabe «lêr e escrever». É por isso que a maior parte dos emigrantes caboverdianos na América se emprega como pedreiros, cavadores, marítimos, pescadores, etc. Ora se eles tivessem uma razoável cultura e recebessem noções elementares de artes e ofícios, adquirida numa escola profissional, estou que valorisariam melhor as suas naturais aptidões. (…)”.[1].

A leitura deste documento suscitou-me as seguintes notas que partilho com os leitores:

1.ª Nota

O texto acima transcrito é um excerto de um diploma legal. Li-o com alguma perplexidade por ser de natureza argumentativa, apresenta juízos de valor e dúvidas sobre as taxas de alfabetização, o que não se adequa com a escrita jurídica que deve ser impessoal, objetiva e concisa.

2.ª Nota (com algumas interrogações)

A argumentação contida no texto coloca questões ainda atuais: Qual o significado real de uma taxa? Quais as competências traduzidas na categoria “saber ler e escrever”, há 86 anos ou atualmente? A alfabetização prepara para a vida? A literacia é uma condição de cidadania?

Na época colonial foi propagada a ideia que os cabo-verdianos eram instruídos e o analfabetismo quase desconhecido em terras de Cabo Verde (Declaração do Governador em 1932)[2], sendo “a percentagem de analfabetos, muito inferior à das populações metropolitanas, chegando a ser insignificante, quási inexistente”(palavras de José Osório de Oliveira em 1936)[3]. A generalização transformada em mito foi um dos trofeus da política lusitana de assimilação.

Porém, a perceção local era mais crítica, como se comprova nas considerações do legislador (diploma acima) que concluiu que “saber lêr e escrever não significa que o individuo tenha habilitações que o tornem apto para as lutas da vida” e apresenta dúvidas sobre o valor do ensino ministrado, pois “uma grande parte da população, mesmo que tenha o exame da instrução primária, fala só o crioulo e tem a pretenção de declarar que sabe ler e escrever”.

Este sentido crítico foi expresso, anos mais tarde (1953), pelo Inspetor Escolar Acácio Osório numa entrevista concedida à jornalista Maria Helena Spencer[4], que lhe colocou a seguinte questão: “O que pensa do analfabetismo em Cabo Verde?Fala-se muito da grande percentagem de pessoas que sabem ler e escrever, mas o que é certo é que há tantas que não sabem e com as quais contactamos dia a dia, que custa acreditar?

O Inspetor respondeu: “A sua pergunta julgo que deveria ser feita a outras entidades e não a mim. Os Serviços do Estatística, por exemplo, poderão responder, com mais exactidão”. Acrescentou: “Se me pedisse a opinião quanto à percentagem de analfabetos verificada na classe infantil que está dentro da idade escolar 7 aos 13 anos de idade – poderia dizer-lhe que é grande”. Considerou porém, que “a percentagem de analfabetos, dum modo geral, é inferior à de muitos outros territórios, se bem que não seja tão diminuta como muitos supõem”. Explica: “Toda a gente se habituou a calcular a percentagem de analfabetos em relação a meios urbanos, como S. Vicente e Praia, onde de facto essa percentagem é insignificante ou quase nula, esquecendo, todavia, que a grande massa populacional vive fora desses meios. (…) Não se esqueça também que há muitos milhares de indivíduos que, embora saibam copiar o seu nome, não sabem ler nem escrever, e, contudo, não figuram no número de analfabetos, o que pode, também, ajudar a deturpar a verdade dos factos”.

Nos anos 60, a perceção das taxas de analfabetismo em Cabo Verde torna-se mais severa. Numa conferência proferida na Escola Comercial e Industrial de Mindelo (1963), Aguinaldo Wahnon, após considerar que a escola deveria “fornecer cultura (…) e lutar contra vícios e hábitos adquiridos ao longo dos anos através da subcultura da pobreza e elevar a massa a um nível cultural condigno com a nossa civilização”, referiu-se a uma “taxa de analfabetismo assustadora: mais ou menos de 80%, motivada pela falta de escolas e de professores” em Cabo Verde[5].

No ano da independência, o analfabetismo atingia 60% da população adulta[6].

Mudam-se os tempos, mudam-se os critérios, mudam-se as vontades e as taxas!   

 

 



[1]  Diploma Legislativo n.º 302, de 25/8/1931. Suplemento n.º 8 ao Boletim Oficial n.º 34 do Governo da Colónia de Cabo Verde.

 

[2]  Declaração do Governador Fontoura da Costa na Conferência Atribulações dum marinheiro em terras d’ além-mar (1932). In Anais do Club Militar Naval, Separata, 1963.

 

[3] José Osório de Oliveira em “Palavras sobre Cabo Verde para serem lidas no Brasil”. Claridade: Revista de Arte e Letras, n.º 2, agosto de 1936, p. 4.

 

[4] Cabo Verde: Boletim de Propaganda e Informação, junho de 1953, pp. 9/10.

 

[5] Cabo Verde: Boletim Documental e de Cultura, outubro-dezembro de 1963, pp. 42/43.

 

[6]  Moniz, Elias Alfama Vaz (2009). Africanidades versus Europeísmos: Pelejas culturais e educacionais em Cabo Verde. Praia: Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, p. 255.

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 820 de 16 de Agosto de 2016. 

 

segunda, 21 agosto 2017 16:20 Publicado em Mundo

A concessão de vistos para os Estados Unidos será suspensa temporariamente na Rússia a partir de quarta-feira devido à redução do pessoal diplomático ordenada por Moscovo em resposta a sanções, anunciou hoje a embaixada norte-americana.

segunda, 21 agosto 2017 16:04 Publicado em Sociedade

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) vai apoiar Cabo Verde a combater a praga de lagarta-de-cartucho-de-milho, garantiu hoje o ministro da agricultura.

segunda, 21 agosto 2017 15:26 Publicado em Mundo

A missão de observadores da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) às eleições gerais angolanas de 23 de agosto recebeu hoje alguns esclarecimentos da Comissão Nacional Eleitoral sobre preocupações levantadas por partidos concorrentes ao escrutínio.

segunda, 21 agosto 2017 15:24 Publicado em Desporto

O kitsurfista cabo-verdiano Matchú Lopes venceu este domingo a penúltima etapa do circuito mundial de Kit surf da Global Kitesurfing Associaton-GKA, na categoria free style, realizada em Fehmarn, Alemanha. O atleta está a uma vitória de revalidar o título mundial.

Expresso das Ilhas

Top Desktop version