Expresso das Ilhas

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Expresso das Ilhas - Actualidades
quarta, 26 abril 2017 16:23 Publicado em Cultura

O grupo musical Ferro Gaita está na China desde 25 de Abril até 4 de Maio, para três shows. A primeira actuação acontece hoje, na cidade de Qingdao.  

quarta, 26 abril 2017 16:00 Publicado em Política

Miguel Monteiro, secretário-geral do MpD, disse hoje que o seu partido está satisfeito com a subida de Cabo Verde no ranking da liberdade de imprensa e acrescentou que "melhorar é sempre positivo".

quarta, 26 abril 2017 15:38 Publicado em Política

O deputado João Gomes (MpD) chamou hoje a atenção para a necessidade da regulamentação da lei que protege as pessoas com necessidades especiais.

quarta, 26 abril 2017 15:17 Publicado em Cultura

A iniciativa chama-se “Saniclau na Praia” e parte de naturais desta ilha que vivem na capital e querem promover a sua cultura.

quarta, 26 abril 2017 15:04 Publicado em Sociedade

Em parceira com o Núcleo Operacional da Sociedade de Informação (NOSI), o Ministério da Justiça e Trabalho realizou hoje, 26 de Abril, cidade da Praia o “Workshop de lançamento do Projecto de Informatização do Registo Comercial e Automóvel”.

quarta, 26 abril 2017 14:12 Publicado em Mundo

A Google vai utilizar as observações dos utilizadores e de avaliadores sobre os resultados das pesquisas para introduzir "melhorias" no seu algoritmo e combater o fenómeno das notícias falsas, anunciou a empresa no seu blogue corporativo.

quarta, 26 abril 2017 10:49 Publicado em Sociedade

A liberdade de imprensa no mundo "nunca esteve tão ameaçada como agora". O alerta consta do relatório anual da organização Repórteres Sem Fronteiras, divulgado hoje. Cabo Verde continua a ser o melhor país entre os PALOP.

quarta, 26 abril 2017 10:34 Publicado em Economia

A Binter Cabo Verde inicia as operações aéreas para as ilhas do Maio e São Nicolau em Junho, anunciou esta terça-feira a companhia aérea.

quarta, 26 abril 2017 10:31 Publicado em Sociedade

A ilha de Lanzarote (Canarias) vai apoiar na elaboração e implementação do projecto geoparque e candidatura da ilha do Fogo à reserva natural de biosfera junto da Unesco e assimilação de experiência de participação da sociedade civil no processo.

quarta, 26 abril 2017 09:22 Publicado em Sociedade

O juiz do Tribunal Constitucional (TC) Aristides Lima considerou ontem à noite no Mindelo que foi uma “opção errada”, uma “má decisão” o Parlamento indicar apenas três juízes para integrar o TC.

quarta, 26 abril 2017 08:58 Publicado em Mundo

A Casa Branca nomeou hoje Randolph Alles, um general da Marinha aposentado, para director dos serviços secretos norte-americanos, agência que nos últimos anos tem sido palco de vários escândalos.

quarta, 26 abril 2017 08:48 Publicado em Desporto

O núcleo de gestão do Estádio Nacional desmente o presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF), que avançou à imprensa que por cada jogo neste espaço paga 330 mil escudos. A gerência da infra-estrutura informa que por jogo a “receita ronda os 3.800 contos”.

quarta, 26 abril 2017 07:51 Publicado em Sociedade

Na Semana Mundial da Imunização, celebrada até 30 de Abril, a Organização Mundial da Saúde, OMS, destaca que as vacinas previnem 26 doenças potencialmente fatais e evitaram pelo menos 10 milhões de mortes entre 2010 e 2015.

terça, 25 abril 2017 17:30 Publicado em Sociedade

Cabo Verde registou nos primeiros quatro meses de 2017, sete casos de paludismo, sendo seis autóctones e um importado, anunciou hoje o coordenador da Pré-eliminação do Paludismo no país, Adilson de Pina.

terça, 25 abril 2017 17:18 Publicado em Sociedade

O ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, considerou hoje em Rui Vaz que a tragédia que aconteceu há um ano e que vitimou oito militares e três civis “não deve beliscar as Forcas Armadas (FA)” no país. 

terça, 25 abril 2017 15:37 Publicado em Mundo

A Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) admitiu hoje aplicar sanções internacionais aos políticos da Guiné-Bissau que coloquem entraves à "implementação harmoniosa" do acordo para acabar com o impasse político no país.

terça, 25 abril 2017 15:12 Publicado em Política

O presidente da Assembleia Nacional defendeu hoje a eliminação dos obstáculos políticos, jurídicos e institucionais relativamente ao processo de ratificação dos principais instrumentos da CEDEAO e da União Africana. O objectivo é reforçar a parceria para o desenvolvimento.

terça, 25 abril 2017 14:24 Publicado em Política

O deputado e vice-presidente do PAICV disse hoje que a ausência do chefe do Governo na Sessão Parlamentar é uma violação da Constituição da República e um desrespeito pelo parlamento.     

terça, 25 abril 2017 13:56 Publicado em Mundo

A Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) admitiu hoje aplicar sanções internacionais aos políticos da Guiné-Bissau que coloquem entraves à "implementação harmoniosa" do acordo para acabar com o impasse político no país.

terça, 25 abril 2017 13:53 Publicado em Desporto

Na qualidade de um dos membros organizadores, Cabo Verde participa no II Congresso de Psicologia e Futebol que terá lugar de 26 e 30 de Junho, na Universidade de Santiago de Compostela, cidade de Santiago de Compostela, Espanha.

terça, 25 abril 2017 10:04 Publicado em Mundo

Pelo menos 18 mulheres morreram no Senegal, num naufrágio na localidade senegalesa de Betenty, a cerca de 200 quilómetros a sudeste de Dacar, na segunda-feira, informaram hoje fontes policiais.

terça, 25 abril 2017 09:21 Publicado em Opinião

Um ano após a entrada de um novo governo é natural que no país se respire outro ar. A 22 de Abril de 2016, terminara um longo período de quinze anos de governação com o mesmo primeiro-ministro e a mesma filosofia de governação. E os resultados não eram os mais animadores para o país. Apesar dos muitos milhões de contos investidos que deixaram o país com uma dívida pública acima dos 120% do PIB, a economia tinha caído praticamente na estagnação. O desemprego mantinha-se bastante elevado particularmente entre os mais jovens e a atingir cada vez mais os indivíduos com maior nível de escolaridade. Com a alternância política sentiu-se logo a distensão mostrando-se as pessoas mais livres para se exprimirem em todas as matérias e com um outro optimismo em relação ao presente. Indicia esse surto de optimismo as quase vinte mil pessoas que, de acordo com os últimos dados do INE sobre o desemprego, regressaram à população activa depois de um período em que tinham desistido de procurar trabalho e tomados como inactivos.

O desejo de mudança que justificou as maiorias conseguidas nas três eleições de 2016 constituía um capital precioso a ser potenciado. Cabo Verde encontrava-se numa encruzilhada e tinha que encontrar uma saída. E a via só podia ser a de crescimento e de criação de emprego que pudesse levar a aumento de rendimento e de qualidade de vida dos caboverdianos. Também o caminho seria tornar claro para as pessoas os enormes constrangimentos a vários níveis que impediram que mesmo com grandes investimentos públicos e muito discurso político a favor do crescimento e da competitividade, nem um nem outro se concretizou. E ainda fazer presente às pessoas o quão importante é ter as forças da nação unidas, as energias mobilizadas e a criatividade levada ao rubro para que o desafio do desenvolvimento seja vencido e haja confiança que o país deixado aos filhos será melhor em termos de perspectivas de realização individual e de oportunidades. Só que isso exigiria fazer política, não política eleitoral de conquista de poder mas política criadora de vontades que desembocaria depois em acção, iniciativa e realização em todos os sectores de vida na sociedade com ganhos para a colectividade nacional.   

Surgiu um problema quando ficou claro que as preferências era para se apresentar como governo tecnocrático e não como um governo fortemente ancorado no partido que o suporta. O discurso político foi reduzido ao mínimo na forma de um discurso esquemático e sem contexto histórico e ainda evitando responsabilizar a governação anterior. Privilegiou-se a apresentação de soluções sem cuidar de explanar a complexidade das realidades herdadas e da necessária envolvência das pessoas e da sociedade para se efectivar a viragem necessária para as resolver. As consequências dessa opção não tardarem a se manifestar na  administração do Estado, na sociedade, na relação entre os órgãos de soberania e na dinâmica parlamentar. Neste particular, a crispação política entre os partidos não diminuiu, pelo contrário, aumentou.

Sinais vêm de todos os lados: ruídos na administração pública, reacções dos jornalistas, agitação sindical, parlamento em queda livre e inovações na relação presidente da república e governo. Das câmaras municipais os sinais por ora, no actual ambiente de reforço da descentralização e de aumento de competências e de transferências de recursos, deixam transparecer harmonia e  convergência de objectivos. O ambiente de distensão social e política pós-mudança tende a amplificar esses ruídos que depois vão ecoar pelas redes sociais apresentando-os muitas vezes mais graves do realmente são. Com isso tudo porém perde-se o foco e na sequência afasta-se ainda mais do objectivo de ter uma administração profissional livre de partidarismos, mas eficiente e eficaz na implementação das orientações políticas do governo. Depois de ter herdado uma administração não só partidarizada como também indiferente até ao ponto de quase hostilidade em relação às necessidades da economia e dos operadores económicos – situação reconhecida várias vezes pelo ex-primeiro ministro no final dos seus longos quinze anos de governo – o pior que podia acontecer era ter uma orientação superior que nem é realmente tecnocrática nem quer se mostrar política.

Na encruzilhada actual Cabo Verde precisa mais do que nunca ser realista e pragmática. Deve ponderar se todas as certezas - como por exemplo, a posição geoestratégica privilegiada do país, que até agora tem albergado e serviram de base a todos os projectos de hubs, clusters, transhipment, bunkering - são reais ou fictícias, permanentes ou pontuais e se são verdadeiras vantagens competitivas em relação, por exemplo, ao Senegal e às Canárias. Deve verificar se, de facto, está ou esteve a fazer ao longo dos anos o  necessário para hoje estar a alimentar sonhos de um futuro nas Tecnologias de Informação e Comunicação, nas energias renováveis e em ter recursos humanos especializados indispensáveis numa praça financeira. Deve perguntar a si próprio se, de tanto falar em intermediário nas relações de vários países com a CEDEAO, se esforçou por dar competência linguística essencial para a comunicação com os povos da costa ocidental africana, se montou um plano de envio de estudantes para as universidade desses países para melhor conhecer os seus futuros dirigentes, se facilitou contactos dos empresários nacionais com suas congéneres da CEDEAO e se promoveu intercâmbios culturais. É fundamental saber o que fez e o que não fez, o que é real e o que é só ilusão, o que é possível na perspectiva de custo-benefício e o que só pertence ao mundo das ideologias e de sentimentalismos deslocados. 

 Deve poder ultrapassar a miragem de desenvolvimento autárcico e a crença na capacidade endógena de desenvolvimento traduzida na frase tantas vezes repetida: “Ah se Cabo Verde chovesse”. A ajuda externa e o modelo de desenvolvimento baseado na sua reciclagem assegurou a sua reprodução ao longo das décadas da independência quando devia ser claro para todos que surtos de prosperidade no arquipélago surgiram sempre em função da procura externa de algum bem ou serviço. Sendo efémeros, e na ausência de políticas para aproveitar todas as oportunidades de inserção na economia global, nenhuma prosperidade gerada pontualmente teve sustentabilidade.

Na encruzilhada em que o país se encontra, esvaziados os ilusionismos passados é para uma prosperidade sustentável que se moveu a maioria do eleitorado há um ano. Para mudar o rumo, o país deve desenvolver uma estratégia de atracção de investimento externo, de pôr em bases sólidas o turismo nas vertentes que consolidam a relação com a Europa e fazer dos recursos humanos, devidamente formados nas profissões de futuro, um factor crucial para a competitividade. Um ano depois, é opinião quase unânime que o governo deve ser redimensionado e estruturado para melhor exercer as funções que dele se esperam e cumprir o programa prometido. Finalmente, na democracia faz-se política, vive-se na política e evolui-se fazendo política. Sonhos tecnocráticos são de vida curta e derivas populistas acabam sempre mal.  

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 803 de 19 de Abril de 2017.

terça, 25 abril 2017 09:14 Publicado em Mundo

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, instou hoje as partes em conflito no Iémen a dialogarem para alcançarem uma solução política que termine com a guerra, que dura há dois anos.

terça, 25 abril 2017 09:13 Publicado em Mundo

O anterior Presidente norte-americano, Barack Obama, quebrou hoje o silêncio, depois de três meses de férias, e iniciou uma nova fase da sua carreira, em que pretende incentivar os jovens a se envolverem na política.

terça, 25 abril 2017 08:51 Publicado em Sociedade

O comandante da fragata Álvares Cabral, Gonçalves Simões, defende que os países do Golfo da Guiné têm que dar atenção imediata ao fenómeno da pirataria nesta zona, considerando que está a aumentar "de forma considerável" relativamente há 10 anos.

terça, 25 abril 2017 08:45 Publicado em Política

Os acordos de cooperação público-privado para a delegação de competências e para a melhoria do ambiente de negócios foram assinados, esta segunda-feira, no final da reunião do Conselho Nacional do Desenvolvimento Empresarial (CNDE).

terça, 25 abril 2017 08:07 Publicado em Sociedade

A Organização Mundial da Saúde, OMS, quer aumentar os esforços globais de prevenção da malária para salvar vidas. A declaração marca o foco da agência da ONU para marcar o Dia Mundial da Malária, esta terça-feira, 25 de Abril.

terça, 25 abril 2017 07:44 Publicado em Desporto

O Conselho Nacional de Arbitragem (CNA) já iniciou os testes físicos aos árbitros nacionais e internacionais do país, com vista à selecção das equipas para dirigirem os jogos do Nacional de Futebol 2016/17 que arrancam no mês de Maio.

terça, 25 abril 2017 06:24 Publicado em Opinião

Admitindo que as ilhas de Cabo Verde estavam desertas aquando do seu achamento, o denominado encontro entre povos e culturas europeias e africanas inaugurado no século XV no solo cabo-verdiano marcou um processo histórico de crioulização, que é relatado como um caso singular no quadro das antigas colónias portuguesas em África.

Contudo, essa experiência socio-histórica foi narrada a partir do ponto de vista colonial. Daí que o presumível impulso aventureiro de homens brancos europeus se sobrepôs a uma suposta passividade de mulheres escravas negras africanas. Tal narração da crioulização reforçou a memória da expansão europeia e da história colonial, silenciando múltiplas violências imperiais.

Isso acentuou a marca colonial nas ilhas de Cabo Verde, embora estas fossem marcadas por um tipo de colonização e povoamento fragmentado e fragilizado que se ficou a dever à distância a que este arquipélago se situava do reino, às condições climáticas e à exiguidade dos recursos naturais. Não obstante, a situação geográfica do arquipélago promoveu a ocupação e utilização do território como placa giratória nas antigas rotas transatlânticas do tráfico negreiro.

Porém, tem sido revelado que Cabo Verde vivenciou essa experiência histórica como peculiar, o que teria influenciado o processo de construção da identidade individual e colectiva, mas também as relações com outros povos. Trata-se de um contexto ilustrativo de que a expansão colonial teria extravasado os limites do económico e do político, tendo marcado as relações de poder e as nuances ideológicas e identitárias na longa duração.

Nesta senda, recorde-se que as ideias de Gilberto Freyre que viriam fundar o luso-tropicalismo marcaram, desde a década de 1930, uma mudança expressiva em relação à forma degenerativa como se encarava a mestiçagem. Entre 1950 e 1960, o sistema colonial, reforçado pela ditadura salazarista, tinha aproveitado as interpretações de Freyre sobre a identidade brasileira e a ideia da expansão portuguesa como “um empreendimento humanista hibridizante” para justificar, portanto, a contínua ocupação das Províncias Ultramarinas e proclamar uma nação plurirracial, pluricultural e pluricontinental. Isto sucedeu quando começavam a sedimentar-se movimentações independentistas e se faziam sentir pressões internacionais contra o colonialismo e em favor da autodeterminação dos povos africanos.

Perante um cenário constrangedor no contexto internacional, o regime salazarista concebeu estratégias para camuflar a situação nas colónias. A reforma dos fundamentos político-institucionais e ideológicos constituiu a via encontrada para a manutenção do império. Dessa forma, em 1951, depois da revogação do Acto Colonial e da sua integração na Constituição Política da República Portuguesa, Freyre iniciou a sua viagem de estudo a Portugal e ao Ultramar Português. Esta foi patrocinada pelo governo salazarista, visando simultaneamente a explicitação teóricoformal do luso-tropicalismo e a sua apropriação políticoideológica por parte do regime.

Realce-se que o discurso colonial e a doutrina luso-tropical tiveram uma grande repercussão sobre a elite intelectual da época, que aguardava com elevada expectativa a chegada do sociólogo brasileiro às ilhas de Cabo Verde. Sabe-se que as interpretações iniciais de Freyre já tinham um impacto nestas paragens onde, a partir da década de 1930, os intelectuais não se coibiam de exaltar a mestiçagem como característica do arquipélago. Estribando-se no lusotropicalismo como modelo teórico e pragmático, a elite cabo-verdiana percepcionava o arquipélago como um exemplo singular e paradigmático de regionalismo cultural europeu e, assim, uma parte essencial do imaginado mundo luso-tropical.

Na década de 1950, devido ao contacto dos estudantes cabo-verdianos (e futuros dirigentes) com a Casa de Estudantes do Império e com o Centro de Estudos Africanos mas também pelo processo de reafricanização dos espíritos, sucedeu um movimento de exaltação da cultura africana, o qual rejeitava as políticas coloniais de assimilação cultural e tratava o arquipélago como um caso de regionalismo africano. Nessa época, a questão das origens da cultura caboverdiana ocupava destaque no pensamento crítico de alguns intelectuais, que defendiam uma perspectiva africanista para o arquipélago.

No período pós-colonial, registou-se um ressurgimento de um conjunto de manifestações culturais contra-hegemónicas. Contudo, na euforia dos anos pós-independência (1975-1990) e dos anos pós-abertura política (a partir de 1991), enquanto se alargaram os incentivos à descolonização do imaginário cultural nacional, assistiu-se também a uma progressiva aceitação da coexistência de duas visões culturalistas, sendo uma tendencialmente europeízante e outra tendencialmente africanizante. É curioso que, no entanto, as duas visões exclusivistas estejam a ser superadas por um paradigma cultural emergente, inaugurando uma etapa pretensamente universalista (crioulista).

Nos últimos anos, por meio da produção literária, ensaística e cultural, tem ocorrido uma progressiva recuperação valorativa e reivindicativa da dita dimensão «afro-crioula» da cultura cabo-verdiana, em contraposição tanto ao ideário da chamada dimensão «luso-crioula» perfilhada pela geração claridosa dos anos de 1930, quanto à apelidada dimensão «afronegra» defendida pela geração independentista dos anos de 1950.

Paralelamente a um conjunto de manifestações, assiste-se ao incremento da investigação cultural para a produção musical discográfica, popularizada pela Geração Ayan ou Geração Pantera (Pantera, Lura, Tcheka, Princezito, Mayra, Vadú... e na mesma linha, Elida Almeida), privilegiando os símbolos culturais do tradicionalismo, tais como o batuku, o finaçon e a tabanka, na forma orquestral. É curioso observarse uma apropriação da dimensão «afro-crioula» através do trabalho e da viagem atlântica de Mário Lúcio, com a produção discográfica Badyo, Kreol e Funanight.

Verifica-se que o actual movimento da crioulidade tem atravessado diferentes subcampos culturais, envolvendo um conjunto bastante diversificado de criadores e produtores artísticos, portadores de pertenças múltiplas e híbridas. Embora este novo movimento tenha ganho uma grande projecção, tanto nacional como internacional, devido à dinâmica discursiva e inclusiva de manifestações culturais antes subalternizadas e ao carácter transcultural da crioulidade, nota-se que ainda não adensou suficientemente para se contrapor às representações estribadas no ideário luso-tropical ou pan-africano.

Uma outra preocupação que se coloca é a de saber até que ponto, no projecto político e cultural emergente, permanece o carácter culturalmente hierarquizado à semelhança do que revelaram as representações luso-crioulas. Ou seja, será que a revitalização da dimensão «afro-crioula» e a afirmação da crioulidade decorrem de uma estratégia de mediação entre Europa e África, pressupondo que a África ocupa uma posição cultural subalterna face à suposta superioridade europeia?

Também resta saber se o movimento da crioulidade consiste num mero exercício de sublimação estética e expressiva do hibridismo e da aculturação, ou se possibilita uma renovação do paradigma culturalista e sobretudo uma maior harmonização e necessária despolarização das representações do arquipélago de Cabo Verde. 

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 803 de 19 de Abril de 2017.

terça, 25 abril 2017 06:23 Publicado em Eitec

Satélite natural de Saturno é um dos locais candidatos à procura de vida fora da Terra.

A sonda espacial Cassini detectou moléculas de hidrogénio em Encélado, uma das luas de Saturno, que foram geradas por processos hidrotermais no oceano sob a superfície gelada, fornecendo uma nova pista sobre a possibilidade de o satélite albergar vida.

Uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação do Sudoeste, nos Estados Unidos, atribui esta fonte de hidrogénio, detectado em vapor de água na região polar sul, a reacções hidrotermais entre rochas quentes e água no oceano sob a superfície gelada da lua, refere em comunicado a Associação Americana para o Avanço da Ciência, que edita a revista Science, onde a descoberta foi publicada sexta-feira última.

As moléculas de hidrogénio, tal como as de dióxido de carbono, também encontradas em Encélado, são consideradas ingredientes importantes para um processo conhecido como metanogénese, uma reacção que suporta a vida de microorganismos em ambientes submarinos profundos e escuros na Terra, adianta a editora da revista Science.

Em 2015, esta sonda da NASA fez uma aproximação considerada histórica a Encélado, ao posicionar-se a 49 quilómetros da região polar sul, permitindo a recolha de dados mais precisos sobre a composição da lua, inclusivamente sobre a sua actividade hidrotermal e o seu impacto na possibilidade de o seu oceano acolher formas de vida simples.

Em órbita de Saturno desde 2004, a Cassini irá entrar na atmosfera do planeta a 15 de Setembro, para aí mergulhar e terminar a sua missão, segundo a agência espacial norte-americana NASA. Quando entrar na atmosfera, a sonda continuará a transmitir informação a partir de muitos dos seus instrumentos, nomeadamente sobre a composição da atmosfera, até à perda do seu sinal.  

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 803 de 19 de Abril de 2017.

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