Expresso das Ilhas

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Expresso das Ilhas - Actualidades
quarta, 22 novembro 2017 16:57 Publicado em Opinião

Qual será o fator mais importante para o sucesso de um sistema educativo? Serão os alunos? Serão as instalações e os equipamentos? Serão os livros e manuais? Ou serão os professores?

Quase todos responderão, e com um nível de consenso elevado, que um sistema educativo de qualidade implica que haja, antes de tudo o mais, professores devidamente qualificados e comprometidos com a ética que deverão ser complementados com livros e manuais atualizados e adaptados à realidade, alunos dedicados e infraestruturas e equipamentos adequados.

Infelizmente, nos últimos tempos, a discussão sobre os erros nos manuais escolares do ensino básico obrigatório e sobre a localização do campus da Uni-CV, financiado pela República Popular da China, sobrepõe-se nos media, tradicionais e sociais, à de projetos e propostas que possam levar aos caminhos da Excelência.

 Entretanto, cientes do papel da Uni-CV enquanto a única Universidade Pública de Cabo Verde, docentes, alunos e funcionários da Instituição fizeram um exercício alternativo a partir do montante previsto para a construção do novo campus, no valor estimado de 5.600.707.000$00. A partir do pressuposto de que não basta investir em infraestruturas, sem ter os outros fatores de sucesso, atrás referidos, preparados para as otimizar, nós optamos por fazer corresponder parte do investimento previsto a um amplo programa de formação, que atinja todos os níveis de ensino, do básico obrigatório ao superior, e à investigação, que sirva o país. Ao mesmo tempo, canalizamos montantes para melhorar o acesso à internet, laboratórios, equipamentos, livros, recuperação de infraestruturas existentes e construção de infraestruturas, para dar o salto almejado.

No nosso entendimento, em poucos anos isso transformaria a Universidade de Cabo Verde num Centro de Excelência tanto ao nível de Ensino como de Investigação e Extensão, com condições efetivas de atrair estudantes, investigadores e professores de todos os continentes, para tornar realidade o sonho de fazer Cabo Verde um país de referência académica, cultural e científica. Para além disso, conseguiríamos um upgrade num grande número de docentes e gestores do ensino básico obrigatório e do ensino secundário, melhorando a qualidade de todo o sistema.  

 

Eixos da Proposta

 

2. 1 Docentes do ensino superior e investigadores qualificados

Propomos que nas principais licenciaturas existentes na Uni-CV, sejam realizados 20 cursos de mestrado, 20 cursos de doutoramento, 20 pós-doutoramentos e sejam atribuídas bolsas de estudo para uma boa parte dos alunos (300 bolsas para os cursos de mestrado; 120 bolsas para os cursos de doutoramento, e 20 bolsas para os pós-doutoramentos). Teriam como objeto de estudo ou de investigação o nosso próprio país, contando com a orientação e o olhar crítico de professores de mérito reconhecido internacionalmente, nos respetivos campos científicos. A nosso ver, ter investigadores e especialistas conhecedores da realidade do país e muitas estratégias e propostas de abordagem para os muitos desafios e problemas do país trará grandes ganhos para o desenvolvimento harmonioso e sustentável da nação.

 

2.2 Docentes e gestores do ensino básico obrigatório e secundário qualificados

Propomos que alguns dos mestrados/doutoramentos sejam organizados/lecionados na nova Faculdade de Educação e Desporto da Uni-CV (ex-Instituto Universitário de Educação) e sejam dirigidos a docentes dos ensinos básico obrigatório e secundário. Tal proposta visa melhorar não só as componentes teórica, prática e pedagógica mas também a gestão desses estabelecimentos de ensino. Assim, pensamos que o nível de educação do país irá melhorar significativamente.

 

2.3 Bolsas de estudo para 2000 alunos de CESP e licenciatura da Uni-CV

Propomos a atribuição de 2000 bolsas de estudo, num montante que permita ao bolseiro ter a garantia de alimentação, alojamento e compra de material escolar. Os ganhos serão múltiplos: mais alunos com acesso ao ensino superior, maior equilíbrio nesse acesso para alunos provenientes de famílias com baixo rendimento ou de localidades onde não haja universidades, maior rendimento escolar dos alunos e possibilidade de aumentar o nível de exigência por parte dos professores, originando quadros mais preparados para responder aos desafios do pais.

 

2.4 Equipamentos

Propomos a compra de mais 300 computadores, mais 80 projetores, montagem de 20 laboratórios (um por programa de pesquisa) e outros equipamentos. Computadores, projetores e laboratórios são ferramentas essenciais de trabalho no ensino superior, possibilitando aulas de melhor qualidade. Alguns dos laboratórios permitirão ainda que a Uni-CV preste serviços que ainda não existem no país e assim possa gerar rendimentos, contribuindo para a sua sustentabilidade.

 

2.5 Livros e revistas de especialidade

Propomos a aquisição de cerca de 15 mil livros impressos e digitais e a assinatura de 300 revistas de reconhecido mérito científico. Livros e revistas de especialidade são essenciais para os alunos e professores terem acesso a conhecimentos e informação com qualidade, detalhada e atualizada adequadas para fomentar um ensino de Excelência. 

 

2.6 Ligação à internet

Propomos a ligação à internet com a maior velocidade possível permitindo um acesso mais rápido/adequado a documentos, vídeo aulas, vídeo-conferências, webinários, cursos online, etc.

 

 2.7 Fundo de investigação 

Criação dum fundo de investigação que permita o crescimento da produção científica com ganhos de grande valor acrescentado para o país. Realçamos que muitas investigações/estudos não são realizados por falta de financiamento.

 

2.8 Infraestruturas

A proposta inclui ainda melhoramento/recuperação de infraestruturas existentes e a construção de gabinetes, laboratórios, residências, salas de aulas, etc, em função das necessidades. Deverá ser feito um levantamento das infraestruturas existentes, das suas necessidades de melhoramento/recuperação, do que é necessário construir e estabelecidas prioridades. No processo de melhoramento/recuperação/construção, a reutilização será prioritária, serão inseridos sistemas de energia fotovoltaica e sistemas de poupança e reaproveitamento de águas, e deverão ser minimizados os custos de construção, operação e manutenção e maximizada a sustentabilidade.

 

3. Outros ganhos

Convêm ainda realçar os seguintes ganhos:

i.Manter no país professores de reconhecido mérito, por um período mínimo de um ano, criando condições para colocar o país no mapa dos grandes eventos científicos, académicos e tecnológicos mundiais; 

ii.Preparar a sustentabilidade da Uni-CV, na sua perspetiva internacional, com atracão de estudantes de diferentes países;

iii.Montar uma Universidade de Excelência e com reconhecimento internacional com equipas de investigação constituídas em, pelo menos, 20 campos científicos ou de investigação;

iv. Criar, durante a implementação, mais de 2440 postos de trabalho diretos ou equivalentes e de postos de trabalho indiretos, a partir do impacto económico dos postos de trabalho diretos;

viii. Gerar postos de trabalho indiretos após a implementação, devido ao impacto da melhoria dos conhecimentos e da educação.

 

Tabela 1 Resumo dos montantes atribuídos aos diversos itens

Item

Descrição

Custos

(em 1000

ECV)

Percentagem

1

Bolsas de estudo e pagamento de professores visitantes

3 920 052

70,0%

2

Formações de curta duração (40 h)

54 000

1,0%

3

Computadores, livros, revistas, internet,  software, etc

196 000

3,5%

4

Laboratórios (conteúdo)

400 000

7,1%

5

Infraestruturas

1 030 655

18,4%

6

Total

5 600 707

100,0%

 

Esta é parte de uma proposta do docente Guilherme Mascarenhas, que contou com a colaboração dos colegas Corrine Almeida e João Almeida Medina. Tal proposta já foi discutida na Uni-CV, em São Vicente, e foi subscrita por vários docentes, alunos e funcionários desta Instituição.

Nós, os subscritores, estamos disponíveis a debater detalhes da proposta com qualquer Instituição, pessoa ou entidade que esteja interessada em melhorar tanto o sistema educativo como as políticas públicas.

 

Os subscritores,

Guilherme Mascarenhas, Corine Almeida e  João Almeida Medina

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 832 de 08 de Novembro de 2017. 

quarta, 22 novembro 2017 16:50 Publicado em Cultura

A cantora Solange Cesarovna apresenta este sábado, em Tarrafal de Santiago, o seu álbum intitulado “Mornas”.

quarta, 22 novembro 2017 16:33 Publicado em Sociedade

Representantes dos trabalhadores da TACV juntaram-se hoje à UNTC-CS para uma conferência de imprensa onde manifestaram a sua insatisfação face ao silêncio do Governo e do Conselho de Administração da transportadora aérea quanto ao processo que irá definir os moldes dos despedimentos a resultar da reestruturação e reprivatização da empresa.

quarta, 22 novembro 2017 12:10 Publicado em Sociedade

Em parceria com o Instituto Nacional da Biblioteca, a obra (In)Segurança e Prevenção – Um Retrato dos Desafios de Mudança, da autoria de José Rebelo vai ser apresentada esta sexta-feira, 24 de Novembro, na Biblioteca Nacional, cidade da Praia.

quarta, 22 novembro 2017 10:39 Publicado em Mundo

O ex-vice-presidente zimbabueano Emmerson Mnangagwa, cuja exoneração motivou a actual crise política no país, foi escolhido pelo partido no poder para substituir Robert Mugabe como Presidente do Zimbabué e será empossado sexta-feira, disse hoje o presidente do Parlamento.

quarta, 22 novembro 2017 10:35 Publicado em Política

Carlos Monteiro, deputado do MpD, disse hoje que é o PAICV quem deve ser responsabilizado pela queda de Cabo Verde no Indice Mo Ibrahim 2017.

quarta, 22 novembro 2017 10:16 Publicado em Opinião

 

2017 já está a perfilar-se como um dos anos terríveis de seca. De acordo com as declarações à imprensa do ministro Gilberto Silva  pluviosidade neste ano ficou pelos 109 mm quando a média das precipitações no país é inferior a 300 mm. Calcula-se em mais 17.000 as famílias afectadas pela crise gerada pela falta de chuvas que directamente prejudica tanto a agricultura como a criação de gado. Devido à escassez geral, culturas tradicionais de sequeiro não foram feitas, os regadios estão a sofrer com a diminuição drástica de água disponível e o gado sem o precioso líquido fica em risco de sucumbir e não tem pasto para se sustentar. O rendimento de muita gente no mundo rural, que normalmente depende do que pode extrair da terra e da criação de animais para completar outros benefícios que recebe designadamente as remessas de familiares, de repente ficou sem um dos seus pilares. Todo o país se alarmou. O governo promete avançar com programas de emergência e diligências já foram feitas para mobilizar ajuda internacional. O que ficou claro mais uma vez foi que, 42 anos após a independência nacional, a vida continua tão precária como antes para muita gente em Cabo Verde. 

Anos de seca não são novidade no país. Séculos de existência pontuados por crises periódicas, que em vários momentos resultaram em fomes mortíferas, dão conta da fragilidade das ilhas. A irregularidade das chuvas contribuiu para manter a população pequena e nunca deixou que uma economia agrária realmente se viabilizasse. Com a independência a ajuda internacional passou a contribuir decisivamente para que as secas não se transformassem em momentos de calamidade para as populações. Já na edificação de uma economia rural que diminuísse a precariedade da existência das pessoas, a ajuda não foi tão bem sucedida, não obstante os muitos milhões gastos na construção de estradas de desencravamento, de diques e barragens e ainda nos mil e um projectos dirigidos às populações ao longos dos anos cujos resultados muitas vezes não se viam depois de terminado o financiamento. Vários factores contribuíram para que dos enormes investimentos feitos se obtivessem os magros resultados hoje constatados e que aparecem nas estatísticas oficiais como, por exemplo, as que põem o interior de Santiago com o menor rendimento per capita do país. 

O principal factor seguramente foram as políticas públicas que se revelaram incapazes de criar uma outra base de sustentabilidade que permitisse ao país crescer e criar empregos fora do mundo rural. Aparentemente a história das sucessivas secas ao longo dos séculos não serviu muito para desencorajar tentativas de reviver o mundo rural quase nos mesmos moldes de sempre. As opções de política desde o início focalizaram-se nas populações lá onde viviam com intervenções e projectos ostensivamente anunciadas para aumentar a autonomia e melhorar a base de existência das pessoas mas que na prática serviram essencialmente para tornar as pessoas dependentes do Estado. Explicitamente com essas políticas procurava-se evitar o êxodo rural mas empregos suficientes para reter as pessoas dificilmente podiam ser criados. A estrutura da propriedade não se alterou significativamente, persistindo as pequenas explorações familiares, as culturas continuaram basicamente as mesmas salvo algumas inovações e os constrangimentos de transportes, distribuição e de acesso a mercados mais alargados não foram ultrapassados. A produção agrícola do país continuou a ser essencialmente de subsistência. Por isso que qualquer quebra nas precipitações expõe tão abertamente a precariedade dos rendimentos das pessoas que dela vivem.

A opção pelo desenvolvimento com base na reciclagem da ajuda externa alimentou-se durante anos dessa precariedade, tanto induzida como reproduzida, mobilizando a generosidade internacional para responder às situações de emergência que ciclicamente surgiam. Embalados nessa via os governantes não procuraram durante largos anos criar alternativas efectivas de emprego na indústria e nos serviços. Constrangimentos ideológicos e outros impediram que se adoptassem políticas de atracção de investimento directo estrangeiro, que se fomentasse o turismo e se desenvolvessem indústrias viradas para a exportação como aconteceu nas Maurícias e em vários outros países que originariamente tinham uma economia predominantemente agrária. Pagou-se essa “negligência” com o chamado desemprego estrutural que andou sempre nos dois dígitos e entre os jovens à volta dos 40% e com a persistência da vulnerabilidade da população que segundo o Ministro de Finanças ainda alberga no seu seio 170 mil pobres e 50 mil pessoas em estado de pobreza absoluta.  

A facilidade com que recentemente muitos se deixaram levar pelo ilusionismo das barragens que mobilizavam toneladas e mais toneladas de água para suportar clusters de agronegócios e criar emprego no mundo rural mostra o quanto é arreigado o sonho em certos círculos que se Cabo Verde chovesse, acabavam os problemas e seriamos todos felizes. Muita política faz-se explorando esses sentimentos. O resultado é que muitos recursos que podiam ser aplicados em sectores da economia capazes de criar emprego, aumentar a produtividade e contribuir mais para a produção da riqueza nacional,  são investidos nos mesmos projectos que já provaram não ter retorno significativo. Não é à toa que após muitos milhões de contos aplicados no mundo rural em Cabo Verde grande parte da agricultura não passa de uma agricultura de subsistência incapaz de se suster sem subsídio do Estado e muito pouco resiliente face a quebras na pluviosidade. 

Devia-se esperar que esta crise, ao revelar de forma dramática a fragilidade da abordagem que se tem feitos dos problemas do país, servisse de alerta e de convite à uma mudança de atitude. É um facto que crises similares no passado não tiveram esse efeito. Espera-se que desta vez, em que claramente o país está numa encruzilhada, se veja a luz. É urgente uma nova atitude que finalmente ponha o país no caminho da modernização em que, a exemplo de outros países que souberam abandonar a postura nostálgica em relação a um passado muitas vezes fictício, o foco seja colocado nos sectores de mais peso na economia e com maior potencial de crescimento. A agricultura deverá ter sempre um papel importante mas há que ultrapassar os constrangimentos da distribuição, transporte e acesso a mercados, focalizar em produtos de maior valor acrescentado e inovar para a tornar mais produtiva, a fim de libertar mão-de-obra para sectores mais dinâmicos. Talvez assim se construa uma nação em que, com o poeta, se pode dizer: “…as estiagens já não nos metem medo”. 

 

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 833 de 15 de Novembro de 2017. 


quarta, 22 novembro 2017 09:00 Publicado em Política

O antigo primeiro-ministro, José Maria Neves, disse ontem em Maputo que África deve contar com os seus próprios meios para sair do atraso económico, considerando que a cooperação internacional não será suficiente para desenvolver o continente.

quarta, 22 novembro 2017 08:58 Publicado em Política

O secretário regional da Saúde da Região Autónoma da Madeira e responsável pela área da Protecção Civil, Pedro Ramos, inicia hoje, uma visita de trabalho de cinco dias a Cabo Verde.

quarta, 22 novembro 2017 08:12 Publicado em Política

O Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, inicia esta quarta-feira uma visita oficial de cinco dias a Portugal, com o objectivo de reforçar os laços de amizade e fortalecer as relações bilaterais entre os dois países.

quarta, 22 novembro 2017 07:49 Publicado em Mundo

O Conselho de Paz e Segurança da União Africana pediu aos líderes políticos guineenses, incluindo o Presidente da República, para terem sentido de Estado e de responsabilidade para alcançarem uma solução para o actual impasse político na Guiné-Bissau.

quarta, 22 novembro 2017 07:43 Publicado em Mundo

Robert Mugabe, 93 anos, renunciou ontem à presidência do Zimbabwe. O anúncio foi feito pouco depois de o Parlamento arrancar com o debate de destituição do Presidente que já liderava o país há 37 anos.

quarta, 22 novembro 2017 06:21 Publicado em Opinião

 Quem por estes dias passar pelo interior destas ilhas ou visitar os mercados municipais nas cidades não ficará indiferente perante os múltiplos impactos do drama da seca que está a assolar o país este ano. Um cenário desolador. A preciosa carne de vaca, que há poucos meses andava à beira de mil escudos, está agora à venda a preço de saldos, oscilando entre quatrocentos e quinhentos escudos. Em proporção inversa, houve uma subida drástica quanto aos preços dos produtos hortícolas, cada vez mais escassos, desde cenoura, tomate, abóbora, pimentão ou batatadoce. Na face dos produtores agrícolas, criadores de gado, vendedeiras e consumidores em geral pairam uma triste lembrança dos anos de boas águas e um profundo desgosto com o investimento perdido no campo. Kau mau!, todos sabemos. E isso pesa no bolso de todos, desde as donas de casa aos executivos da alta administração insular, desde as algibeiras particulares às contas públicas. Sobreviver em Cabo Verde, num contexto agreste e de incerteza permanente, é a arte mais humana e telúrica que nos legou o criador.

Quando a mais recente crise financeira global bateu as portas do mundo, alguns ilhéus não se coibiram de bradar em praça pública que a economia destas ilhas estaria blindada. Falar de uma «economia blindada» é no mínimo uma insólita manobra de diversão política, considerando o facto de se tratar de um país que na verdade nunca saiu do real ciclo de crise, nem se libertou realmente da situação de vulnerabilidade adveniente da problemática da subsistência e soberania económica, apesar de algumas temporadas de relativa folga devido à assistência internacional, quer pela via da ajuda pública ao desenvolvimento, quer pela contínua dinâmica das remessas dos emigrantes sempre solidários com a terramãe.

Delimitado substantivamente pela insularidade e pela exiguidade de recursos e do mercado, neste particular contexto arquipelágico foi sedimentando, desde os primórdios da colonização à contemporaneidade, uma dinâmica em torno do aparelho estatal, constitutiva de um Estadoempregador. A histórica economia centralizada dos primórdios da independência nacional, a liberalização económica iniciada nos anos noventa em contexto ainda de pobreza endémica e o endividamento desenfreado dos princípios do terceiro milénio, paralelamente ao estabelecimento de uma sujeição pública ao assistencialismo estatal, criaram em termos morais e políticos dependências sociais de longa duração na estrutura da mentalidade reinante e nas práticas de reprodução social insulares. São por isso, ainda hoje, de eficiência condicionada as respostas públicas alternativas ao assistencialismo social face ao desemprego e exclusão estrutural. É em momentos de crise que deparamos melhor com as fraquezas das potenciais forças enquanto coletividades e individualidades. Certamente que isso favorece a um maior entendimento das fragilidades da economia, do Estado e da sociedade civil neste país insular. Fazer do Estado o provedor da nação criou nas ilhas uma atmosfera que condiciona a liberdade e iniciativa e propicia a estatização da vida social.

Particularmente desde a década de noventa, em nome da excecionalidade histórica do arquipélago de Cabo Verde e do seu pragmatismo e ambição no sentido de uma aproximação ideológica às fronteiras da modernidade ocidental, o reformismo jurídico estatal tornou-se a principal estratégia para uma política social emancipatória, ainda que de pendor minimalista. Em verdade, a concepção hegemónica do direito estatal permite tanto a análise do potencial emancipatório do direito, como a interrogação dos limites do paradigma jurídico e político dominante e do reformismo estatal. Neste caso, não poderia existir um país periférico e ex-colonizado tão particular como Cabo Verde para testar a tensão entre a regulação social e a emancipação social, sob a égide de um pequeno Estado de Direito Democrático.

À primeira vista, o discurso hegemónico da legalidade política democrática possibilita algumas brechas para a emergência de uma agenda pública dos e para os grupos subalternos, por meio de respostas às reivindicações legais por direitos, através das instâncias formais. Isso não é estranho ao contexto cabo-verdiano que, no decurso da história, sempre desencadeou estratégias de reivindicação da emancipação social, quer por meio de lutas legais, quer através da rebelião. Contudo, a rebelião sempre esteve a cargo da população relegada à franja da sociedade civil mais drasticamente marginalizada (ou reservada ao estado natural), caracterizando desde a antiga população escrava e de serviçais aos novos grupos sociais marginalizados pelas diferentes formas de dominação modernas.

Em Setembro passado, numa conferência celebratória na cidade da Praia, o conhecido constitucionalista português Prof. Jorge Miranda protagonizou um momento de híper-lucidez ao apontar criticamente para o persistente défice na concretização dos direitos sociais constitucionalmente consagrados e o quão importante isso é para a realização da Constituição num país como Cabo Verde.

Quatro décadas após a emergência do aparelho de Estado nacional e vinte e cinco anos depois da institucionalização do Estado de Direito Democrático, a difícil agilidade em termos das respostas públicas emergenciais face ao mau ano agrícola interroga não só o Estado como a sociedade civil. De igual modo, questiona as opções de políticas públicas concretas e de investimento no país no decurso de todos estes anos de independência nacional e democracia no sentido de se libertar do imprevisível milagre das chuvas e proporcionar aos produtores infraestruturas de mobilização da água neste país tão banhado pelo mar. Isto, em última instância, desvela as incongruências na garantia do Estado de bem-estar social e da inclusão de todos em Cabo Verde.  

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 833 de 15 de Novembro de 2017. 

terça, 21 novembro 2017 17:28 Publicado em Mundo

O responsável pela disciplina de voto do partido no poder no Zimbabué, o ZANU-PF, disse hoje que Emmerson Mnangagwa, recentemente destituído do cargo de vice-Presidente, vai assumir o poder no país no prazo de 48 horas.

terça, 21 novembro 2017 17:15 Publicado em Economia

O Governo promete criar um ambiente favorável ao desenvolvimento dos órgãos de comunicação social privados. Uma das medidas passa pela regulamentação da lei sobre a publicidade.

terça, 21 novembro 2017 17:05 Publicado em Política

O primeiro-ministro afirmou hoje que o seu Governo não é responsável pela descida de Cabo Verde no Índice Ibrahim de Governação Africana 2017. Ulisses Correia e Silva lembra que a avaliação refere-se aos últimos cinco anos.

terça, 21 novembro 2017 14:22 Publicado em Política

O Governo vai introduzir mais 7 novas cláusulas no contrato de concessão da RTC  que será revisto em 2018.

terça, 21 novembro 2017 12:51 Publicado em Sociedade

A advogada Leida dos Santos questiona até que ponto o facto de ser o Governo a nomear a administração da RTC pode condicionar a independência do sector público de comunicação social, tal como consagrado na Constituição da República.

terça, 21 novembro 2017 09:46 Publicado em Política

Cabo Verde e Senegal assinaram ontem, na cidade da Praia, um acordo de cooperação para a criação de uma ligação marítima entre os dois países e comprometeram-se a fazer consultas regulares para reforço das relações políticas.

terça, 21 novembro 2017 09:10 Publicado em Mundo

O antigo vice-Presidente do Zimbabué Emmerson Mnangagwa, destituído há duas semanas, apelou hoje ao Presidente, Robert Mugabe, para se demitir imediatamente de modo a "preservar o seu legado" e a permitir "ao país avançar".

terça, 21 novembro 2017 09:08 Publicado em Política

A presidente do PAICV lamentou ontem a descida de Cabo Verde para a quarta posição no Índice Ibrahim de Governação Africana 2017.

terça, 21 novembro 2017 09:05 Publicado em Economia

A empresa portuguesa Atlanticeagle Shipbuilding está interessada na privatização da Cabnave. A informação foi avançada em exclusivo à última edição do Panorama 3.0, da Rádio Morabeza, pelo CEO da empresa de construção e reparação naval, Joaquim Peres. 

terça, 21 novembro 2017 08:17 Publicado em Política

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Senegal, Sidiki Kaba, voltou ontem a expressar, na cidade da Praia, o apoio do seu país à candidatura de Cabo Verde à presidência da comissão da Comunidade de Estados da África Ocidental (CEDEAO).

terça, 21 novembro 2017 07:11 Publicado em Sociedade

A representante das Nações Unidas em Cabo Verde, Ulrika Richardson, defendeu ontem que o país tem condições para alcançar uma mortalidade materno-infantil zero.

terça, 21 novembro 2017 06:22 Publicado em Opinião

Nas duas crónicas anteriores defendemos uma visão do desenvolvimento das ilhas do Norte de Cabo Verde, como uma região que deverá apostar num turismo de alto valor acrescentado, consubstanciado no conceito de Riviera Crioula, com a cidade do Mindelo e a ilha de São Vicente como epicentro dessa estratégia de marketing para atrair as classes altas dos mercados emissores, inspirando-se em certa medida no desenvolvimento de cidades como o Mónaco, Cannes ou Saint-Tropez que constituem os centros urbanos que se destacam por exemplo na Riviera Francesa, na zona da Côte d’Azur.

Como seria de esperar estes conceitos e a previsão do que poderão ser os ganhos associados a curto e médio prazo geraram reações díspares e emotivas. Surpreendeu-me contudo pela positiva o elevado número de reações positivas. Isto porque normalmente propostas arrojadas trazem normalmente incertezas e receios.

Por serem ideias “futuristas” como já foram designadas, já foram também apelidadas de “fantasias” e outros mimos, nada que eu não estivesse à espera. 

Se há 30 anos atrás alguém tivesse escrito que Cabo Verde teria hoje 4 aeroportos internacionais, que Santa Maria deixaria de ser uma pobre vila piscatória para passar a ser a cidade que mais riqueza per capita cria em Cabo verde, ou que a pobre ilha da Boa Vista teria o maior PIB per capita do país, que teríamos um hotel de 5 estrelas da marca Hilton e um Bikini Beach no Sal ou um hotel de 900 quartos na deserta e distante praia de Lacacão na Boa Vista, a maioria dos cabo-verdianos chamariam essa pessoa de lunático ou mesmo de esquizofrénico. 

Hoje vou justificar com números algumas das opções que poderão gerar mais polémica e que normalmente são vistas como difíceis ou mesmo impossíveis, porque o nosso país é pobre, não tem recursos financeiros, ou seja, as desculpas do costume.

Comecemos pela retirada da CABNAVE e a construção no seu lugar de um complexo turístico e imobiliário de alto standing.

A CABNAVE é uma empresa que emprega em média cerca de 200 trabalhadores; o seu volume de negócios anual ronda os €2 milhões de euros e ao longo da sua história tem apresentado normalmente resultados negativos anuais, salvo algumas raras exceções.

Ou seja em termos gerais temos uma empresa que não cria valor. Pior do que isso, as suas instalações estão a ficar velhas e a necessitar de elevados montantes de investimento.

A CABNAVE não é uma empresa rentável, mas ocupa os melhores terrenos da maravilhosa Baia do Porto Grande, numa zona protegida dos ventos e que constitui uma marina natural. Terrenos propícios para se erguer um excelente complexo turístico e habitacional.

Defendi para esses terrenos a edificação de pelo menos 6 torres de edifícios multi-usos, contendo cada uma apartamentos turísticos, casinos, salas de conferência e um hotel de 5 estrelas de 250 quartos. Uma estimativa conservadora baseada numa baixa taxa de ocupação dos terrenos.

Um hotel quando é realmente de 5 estrelas emprega em média 2 empregados por quarto, podendo esse rácio atingir 4 empregados/quarto quando são hotéis de luxo. Assumindo esse mínimo de 2 empregos/quarto, cada um dos hotéis de 250 quartos empregaria 500 pessoas. Como são 6 hotéis teríamos a criação de cerca de 3.000 empregos directos 

Em termos de volume de negócios, projecções feitas por cadeias de topo para Cabo Verde apontam para um hotel de 5 estrelas com 250 quartos se poder atingir médias de facturação de €20 milhões/ano em velocidade de cruzeiro. Ou seja, só um desses hotéis geraria um volume de negócios 10 vezes superior à actual CABNAVE. 

Resumindo, só os 6 hotéis criariam 15 vezes mais empregos do que a actual CABNAVE e gerariam um volume de negócios 60 vezes superior no mesmo espaço. Preferi não falar de lucros, para não entrar em detalhes, mas fariam as delícias de qualquer Ministro das Finanças em termos de cobrança de impostos...

E ainda deixei de fora os outros negócios como a venda e aluguer dos apartamentos turísticos, o lucrativo negócio de aluguer de salas de conferências, da exploração dos casinos, etc, etc, que arrastariam a economia de toda a ilha.

Quanto às necessidades de investimento não custariam um centavo ao erário público cabo-verdiano, pois um projecto destes pode e deve ser feito exclusivamente com investimento privado, incluindo os custos da própria demolição dos estaleiros existentes.

Em relação à retirada da Electra, o processo é ainda mais simples. Com a duplicação da praia da Laginha usando-se as areias provenientes da dragagem do porto para construção do Terminal de Cruzeiros, a valorização dos terrenos da instalação da Matiota e a sua venda pagariam sem problemas a transferência das instalações para Salamansa, a localidade onde os especialistas de dessalinização dizem ser a melhor para a tomada de água, algo que já me foi dito de viva voz pelos engenheiros da empresa.

Recuperei a velhinha ideia (que não é minha) da transferência da CABNAVE para o concelho de Porto Novo, porque me parece coerente que a Zona Especial de Economia Marítima do Porto Grande seja estendida ao vizinho Porto Novo, aumentando as enormes sinergias que as duas ilhas estão condenadas a ter.

Mas será que Cabo Verde precisa realmente de um estaleiro naval? Se sim, que esteja situado lá onde não impede o desenvolvimento de alternativas bem mais rentáveis e potenciadoras de um maior desenvolvimento económico e social que irá beneficiar todo o país. É assim que se deve gerir um país.

Porto Novo é o maior concelho do país e a criação de um estaleiro naval de raiz não coloca em perigo a potencialidade turística desse município gigante, onde cabe inteira a ilha de São Vicente. A gestão territorial de um país é feita assim, não estamos a falar de gestão de capelinhas para agradar a gentes com mentalidade paroquiana.

Uns estaleiros novos, maiores e mais modernos e que possam ambicionar a ter clientes de outra dimensão, como por exemplo a reparação das plataformas petrolíferas que viajam do Golfo da Guiné para irem fazer reparações nas ilhas Canárias, passando por Cabo Verde. Será possível? Os especialistas que façam os estudos e nos digam.

O desenvolvimento foi atingido através da História por povos que conseguiram inovar e fazer as escolhas certas. Porque a vida é feita de escolhas. Há quem tenha a coragem de as fazer e seguir em frente e há quem fique para trás porque não consegue libertar-se das amarras do passado.

O Governo de Cabo Verde tomou a iniciativa de criar uma Zona Económica Especial em São Vicente. É a oportunidade para os sãovicentinos de uma vez por todas consensualizarem o que querem para a sua ilha nas próximas décadas.

Trata-se de escolher entre o déjà vu ou abraçar novos desafios – a cidade do Funchal fez isso há bastante tempo e Las Palmas quer fazer o mesmo: libertar-se dos negócios “sujos” e de baixo valor acrescentado e focar nas actividades com mais futuro e rentabilidade. O desenvolvimento faz-se assim.

São Vicente deverá assumir definitivamente que a sua vocação é receber pessoas e não apenas barcos, saindo desse conceito limitativo de gravitar à volta de um porto marítimo que nunca mais terá a importância que teve no passado.

O actual Ministro da Economia, José Gonçalves tem vindo a repetir que São Vicente é a ilha que mais produtos turísticos pode oferecer, uma afirmação coerente com o que os empresários da ilha vêm a defender há quase duas décadas, suportados por estudos feitos pelos melhores consultores mundiais da especialidade.

Se existe essa convergência entre os sectores público e privado, então é hora de avançar com foco evitando dar tiros para todos os lados. 

O que defendemos nestas últimas crónicas é um desenvolvimento baseado num turismo suportado na vocação marítima da ilha. Esta é a economia marítima que São Vicente precisa; uma economia marítima virada para o futuro, que não fique presa numa perspetiva saudosista de tentativa de recriar actividades económicas que foram no passado motivo tanto da ascensão mas também da queda da ilha; uma economia focada em actividades de alto valor acrescentado como a náutica de recreio, a pesca desportiva, o turismo de cruzeiros, o turismo balnear, os desportos náuticos e na investigação científica voltada para o mar.

Quando o Principado do Mónaco se desenvolveu estava longe de ter reunidas as condições com as quais Mindelo pode contar hoje. Senão vejamos, de forma resumida:

 

1.O extremismo religioso e a destruição de algumas ilhas caribenhas pelos furacões está a transformar Cabo Verde numa das poucas alternativas turísticas tropicais (e seguras) perto dos mercados emissores ocidentais.


2.Há hoje no mundo mais milionários e bilionários do que antes da crise de 2008, o que tem gerado uma corrida exponencial à compra de iates de luxo, não havendo mais lugares nas marinas ocidentais para os estacionar;


3.O turismo vai continuar a ser a maior indústria do mundo segundo todas as previsões; nunca se viajou tanto e cada vez vai haver mais gente a viajar no mundo, rareando as localizações exóticas e ainda autênticas, que no futuro serão disputadas por milhões de turistas;


4.A Europa precisa desesperadamente de encontrar novas localizações tropicais onde as suas ricas e envelhecidas populações possam disfrutar as suas reformas ao sol;


5.Nunca houve no planeta tanto dinheiro disponível à procura de projectos interessantes para investir.

 

Quem dera ao avô do actual Príncipe do Mónaco ter desfrutado destas condições.

A transformação do Porto Grande na maior marina do mundo e de Mindelo numa das capitais mundiais da pesca desportiva já está a acontecer debaixo dos nossos narizes. Falta Tarrafal de S. Nicolau e de Santo Antão começarem a tirar partido deste enorme e rentável bolo que irá crescer exponencialmente nos próximos anos aqui na Riviera Crioula. 

PS: o hotel Hilton do Sal abriu neste mês de Novembro de 2017 e pelo que sei está já esgotado até fevereiro de 2018; escreveu-se uma importante página da história do turismo cabo-verdiano, com a abertura do primeiro hotel de 5 estrelas do país que não funciona em regime all-inclusive, poucos dias depois de um alto funcionário da Organização Mundial do Turismo ter vindo à cidade da Praia afirmar durante o Fórum Mundial para o Desenvolvimento Local que que a modalidade all-inclusive não é sustentável e que o turismo de Cabo Verde deve seguir outros rumos. Os leitores assíduos desta crónica sabem do nosso combate em relação a este tema, ao qual voltaremos brevemente.  

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 833 de 15 de Novembro de 2017. 

terça, 21 novembro 2017 06:07 Publicado em Eitec

Uma equipa de cientistas juntou todas as peças das descobertas feitas sobre Encelado e explica a razão da existência de um oceano líquido nesta lua de Saturno.

Saturno tem uma lua que nos tem suscitado interesse há já muito tempo. Chama-se Encelado e é uma pequena bola de 500 quilómetros de diâmetro com um núcleo rochoso e coberta por uma camada de gelo. Além disso, e é isso que faz dela uma lua especial, tem água líquida, uma das condições consideradas essenciais para a existência de vida. Mas o que permite que Encelado tenha um oceano de água líquida? Um novo estudo, na revista científica Nature Astronomy, refere que é tudo uma questão de “puxões” provocados pela gravidade de Saturno, ou seja, um efeito de maré.

Encelado é uma lua interessante. Tivemos imagens marcantes dela nos anos 80 com a missão Voyager. Mas foi com a Cassini, uma missão conjunta da NASA, da Agência Espacial Europeia (ESA) e da Agência Espacial Italiana, que partimos à descoberta do que Saturno nos escondia e, claro, de Encelado.

A viagem da Cassini terminou este ano, com um mergulho de despedida em Setembro em direcção ao planeta, e muito contribuiu para o conhecimento desta lua. Uma série de voos aproximados a Encelado começou em 2005 e um deles fez-se mesmo a cerca de 50 quilómetros de distância. Percebemos assim que Encelado era muito complexa a nível geológico: tem um oceano de água salgada onde há actividade hidrotermal; uma camada gelada de 20 a 25 quilómetros de espessura (no pólo Sul tem entre um e cinco quilómetros); uma fonte de calor; e compostos orgânicos. Condições semelhantes a estas existem também aqui na Terra, nas fontes hidrotermais e nos vulcões de lama submarinos, que permitem à vida existir na ausência de luz solar.

Mas o que faz com que Encelado tenha estas condições e que se torne assim propícia a ter vida?

Agora, pela primeira vez, um estudo junta as peças todas e constrói um “puzzle” que liga o oceano que existe por toda a lua, o aquecimento interno de Encelado, o gelo mais fino no pólo Sul e a actividade hidrotermal. As primeiras pistas vieram do material que saía dos jactos, que incluía sais e grãos de sílica, o que sugeria que se formavam na presença de água muito quente (pelo menos a 90 graus Celsius), através da interacção entre a água e a rocha porosa do núcleo. “Estas observações requerem uma grande fonte de calor, cerca de 100 vezes maior do que é expectável pelo decaimento natural dos elementos radioactivos nas rochas do núcleo”, lê-se num comunicado sobre o trabalho. 

A equipa concluiu que é o efeito de maré provocado por Saturno que origina os jactos, que por sua vez deformam a camada de gelo. Simulações realizadas pela equipa, que tem cientistas da Europa e Estados Unidos, permitiram perceber que o núcleo tem uma rocha solta, com 20 a 30% de espaços vazios. Esses espaços permitem assim que a água do oceano entre no interior do núcleo e seja aquecida. Esta actividade hidrotermal pode atingir o seu máximo nos pólos. Afinal, é aí que a água vinda do interior é emanada através dos jactos.

Os cientistas ainda não conseguem explicar a diferença entre o pólo Sul e o pólo Norte. Por isso, dizem que é preciso mais investigação para perceber o que os jactos contêm, assim como para descobrir se há vida nesta lua. “Futuras missões que analisem as moléculas orgânicas na pluma de Encelado, com uma precisão maior do que a Cassini, poderão revelar-nos se as condições hidrotermais podem permitir que a vida surja”, considera Nicolas Altobelli, cientista da ESA que participou na missão Cassini (e que não fez parte deste trabalho). 

E, mais uma vez, surge a questão: terá esta lua alguma forma de vida? E, a existir, como será ela?

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 833 de 15 de Novembro de 2017. 

segunda, 20 novembro 2017 16:28 Publicado em Política

A UCID entende que a proposta de Orçamento de Estado para 2018, apresentada pelo Governo, acentua ainda mais as desigualdades entre as ilhas.

segunda, 20 novembro 2017 16:23 Publicado em Sociedade

Ainda não há resposta mas está dado o mote para o fórum nacional de comunicação social pública que se realiza terça-feira num dos hotéis da cidade da Praia.

segunda, 20 novembro 2017 15:01 Publicado em Mundo

Os deputados do partido no poder no Zimbabué vão avançar terça-feira, no Parlamento, com o processo que permitirá desencadear a destituição, em apenas dois dias, do Presidente Robert Mugabe, indicaram fontes da ZANU-PF.

segunda, 20 novembro 2017 11:47 Publicado em Economia

A edição 2017 da Feira internacional de Cabo Verde superou todos os indicadores. Quem o diz é o presidente da FIC, Gil Costa, que falava á Rádio Morabeza este Domingo, para fazer o balanço do evento que decorreu de 15 a 19 de Novembro, no Mindelo.

Expresso das Ilhas

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