Expresso das Ilhas

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Expresso das Ilhas - Actualidades
domingo, 26 abril 2015 00:15 Publicado em Opinião

A cimeira da regionalização prevista para Dezembro do ano passado mas só realizada na semana passada, nos dias 14 e 15 de Abril, foi para muitos observadores mais um exemplo da proverbial montanha que pariu um rato. A Declaração da Praia proferida no término dos trabalhos não definiu compromissos para além de um plano estratégico para integrar as temáticas debatidas na cimeira. O Primeiro-ministro fez questão de sublinhar que o “mais importante é pensar na descentralização e que qualquer tipo de regionalização será a prazo”. Sondagens do Afrobarómetro vindas ao público arrefeceram mais os ânimos a favor da regionalização com a informação de que ela não consta da lista das dez principais preocupações dos cabo-verdianos.

A questão da regionalização do país tem-se revelado nos últimos anos matéria política quente. Falar da regionalização ajuda a mobilizar vontades e paixões políticas. Críticas podem ser dirigidas contra o governo agitando a bandeira do combate ao centralismo e a macrocefalia da Capital. Políticos locais podem cavalgar no descontentamento popular alimentado pelo sentimento de abandono para mais facilmente se fazerem eleger e se consolidarem no poder. A reivindicação da autonomia pode ser erigida em arma de arremesso para forçar a mão de quem tem o grosso dos recursos do Estado.

A quebra nos últimos anos do crescimento económico nacional e o aumento do desemprego põem as pessoas inquietas e receosas em relação ao futuro. Ficam mais sujeitas ao tipo de discurso com traços demagógico e populista que tende a pôr uns contra os outros. A regionalização pode ser um desses discursos. O facto de, apesar disso, o “balão” ter sido em boa parte esvaziado na sequência desta cimeira de regionalização, poderá significar que o governo conseguiu ver a ameaça e soube contorná-la. Em vez de se prestar a alvo de críticas, ressentimentos e frustrações nas ilhas devidos ao excessivo centralismo, o governo manobrou inteligentemente para não ser visto como o problema, mas como parte da solução. Apresentou-se como líder na procura do melhor modelo e caminho para a regionalização. Entretanto as tendências já constatadas na relação com o poder local e com as ilhas continuavam na mesma: o centralismo é cada vez maior, a autonomia dos municípios sofre erosão diária e a capacidade das ilhas, em manterem a massa crítica populacional necessária para garantir dinâmica económica e cultural, tende a diminuir. 

O problema com a regionalização é que por demasiadas vezes o que está subjacente ao seu debate é uma lógica redistributiva. Muitos apoiantes querem simplesmente que recursos disponibilizados ao país sejam melhor distribuídos pelas ilhas. Não querem perceber que dirigir uma economia que privilegia a reciclagem da ajuda externa gera inevitavelmente centralização. A necessidade de comando e controlo obriga que tudo se concentre essencialmente na cidade capital e que os procedimentos sejam centralizados.

As ilhas precisam de uma dinâmica económica que as faça mais ricas, mais autónomas e mais capazes de conservarem a sua população e os seus jovens promissores que decidiram ficar na ilha. Consegue-se, rompendo com o modelo económico prevalecente nos últimos anos e que tem colocado Cabo Verde a crescer a taxas baixíssimas do PIB. Mas, como se viu nas manifestações e comentários a propósito das alterações ao estatuto dos titulares dos cargos políticos, não é fácil tirar as pessoas de um modelo económico como o de reciclagem de ajudas que cria uma mentalidade de “soma nula”: se estás a ganhar, estou a perder. Para esse tipo de raciocínio não há situações win-win em que todos podem ganhar.

 

domingo, 26 abril 2015 00:07 Publicado em Opinião

O discurso do Primeiro-Ministro na abertura do forum da regionalização não surpreendeu. Há muito que JMN, depois de percorrer um sem número de veredas, chegou, finalmente, a uma síntese: a regionalização é um luxo que os cabo-verdianos devem dispensar. O que importa, acrescenta, é apostar no municipalismo. Como se municípios e regiões fossem mercadorias sucedâneas. E não são nem uma coisa, nem outra. Esclarecendo, não são mercadorias e estão muito longe de ser sucedâneos.

Se em ambos os casos se aplica o termo descentralizar para explicar o fenómeno, no sentido de que tanto as regiões como os municípios aproximam as decisões das comunidades e dos cidadãos, as semelhanças ficam por aí.

Ficam na medida em que o município é poder local, organização básica das comunidades, para resolver problemas básicos comuns, como o saneamento, a organização e a gestão da vida comunitária nos mais diversos domínios, como, por exemplo, a organização e a gestão das cidades e vilas.

Região é outra coisa. É uma entidade autónoma com responsabilidades governativas - auto governo -,  numa vasta área territorial, integrada, sem dúvida, por comunidades locais organizadas em municípios, mas que não se confunde com estes, nomeadamente no que respeita à organização, atribuições e competências. A região, que convive de forma harmoniosa com o Estado Unitário, pode exercer o auto governo em tudo, menos, obviamente, nos domínios de soberania. O município, não.

Por isso, não tem sentido apresentar o município como sucedâneo de região.

O meu amigo Antero Veiga também falou. E afirmou que o problema é aproximar os serviços dos cidadãos. Errou retumbantemente, porque não é esse o problema, embora a região o resolva de forma magistral, exatamente porque o poder regional está mais próximo das comunidades e, por isso, sujeito a um melhor controle das mesmas. É esta a particularidade que determina que os prestadores de serviços públicos aos cidadãos, no âmbito de um país regionalizado, estejam sujeitos a dinâmicas que os tornam mais eficazes, mais eficientes e mais efetivos. Com uma condição: a existência de autonomia. De facto, é a autonomia regional que determina a sujeição dos prestadores de serviços públicos ao controle da comunidade regional. É este o fundamento dos três E´s que acima referi. É tão evidente que até me sinto constrangido ao afirmá-lo, porque sabe a descobrir o sexo dos anjos.

O problema é outro. É político. E em diferentes planos.

Num primeiro plano, significa o golpe de misericórdia ao Estado centralizador e burocrático que imperou desde sempre, em Cabo Verde, que ganhou força desmedida com o regime de partido único, e que resiste, contra tudo e contra todos, até aos dias de hoje. Criar regiões é, então, aprofundar significativamente a democracia, minguando, até onde for possível, a Administração Central, e colocando a decisão, mas também o controle do Estado, em tudo o que não for matéria de soberania, junto das comunidades regionais. Entende-se, assim, que o debate sobre a regionalização, em Cabo Verde, submete-se à dialética determinada pela relação entre o pensamento conservador (no sentido de impregnado da ideia do Estado centralizado) e o pensamento reformador (no sentido de impregnado da ideia de mudança para graus superiores de desenvolvimento da democracia). É essa particularidade que torna o debate sobre a regionalização, no nosso Cabo Verde, num debate profundamente ideológico, e que permite situar, com rigorosa precisão, o discurso do Primeiro-Ministro e de outros governantes, mesmo se travestidos por mistificações e subtilezas semânticas a que já fomos suficientemente habituados.

O problema é, também, político por determinar uma outra forma de organização do Estado e de relacionamento entre o Estado, por um lado, e a Sociedade Civil e os cidadãos, por outro, com implicações profundas em todas as esferas do poder, incluindo os Tribunais. Com efeito, se a regionalização for (como deve ser) um elemento nuclear e estruturador da reforma do Estado, vai exigir ajustamentos profundos nas outras esferas do poder político e na Constituição, de modo a garantir a necessária e incontornável coerência de que o sistema precisa para poder funcionar harmonicamente. Implica uma maior partilha da governação. E realizá-la dá muito trabalho. Está claro, então, que regionalizar não é coisa para conservadores. E promover reformas, pelo trabalho que dá, é uma grande chatice.

 Político é o problema quando regionalizar significa partilhar recursos (humanos, financeiros, materiais, organizacionais), assunto que conservador algum tolera. Seria equivalente a um suicídio. Seria entregar, de motu próprio, uma parcela expressiva do poder central para as regiões. Alguém acredita que um conservador cometerá essa insensatez? Nem sequer a ingenuidade de um anjo faz acreditar nisso.

Finalmente, é um problema político porque regionalizar significa conferir à região uma nova e acrescida responsabilidade: garantir, em grande medida, as condições para o seu próprio desenvolvimento. Regionalizar é, então, emancipar, com tudo o que isso significa.

Estando a sociedade cabo-verdiana fraturada mais ou menos a meio, cabendo aos conservadores e aos reformistas, respetivamente, uma fração de cinquenta porcento, aproximadamente, o forum da regionalização nem um ratinho vermelho e sem pelos consegue parir. É apenas gasto inútil de dinheiro e show.

É, porém, evidente que a regionalização, em Cabo Verde, é um imperativo imposto pela necessidade urgente de aprofundar a democracia, pela premência em introduzir eficácia, eficiência e efetividade à ação governativa, e pela necessidade de fazer a economia funcionar em condições de permitir se alcancem graus aceitáveis de desenvolvimento e de reconhecer os particularismos que a Geografia estabeleceu.

Mas é também evidente que não houve, não há e nem vai haver consensos interpartidários, mesmo que desconsensualizáveis, sobre a regionalização.

 

Como resolver esta contradição?

Há três caminhos alternativos:

Os conservadores se suicidam, transmutando-se em reformistas (basta, para o efeito, seguir, por analogia, o pensamento de Amílcar Cabral, que chegou a propor o suicídio da pequena burguesia; não sendo, assim, inédito, seria tolerável).

Os eleitores apostam e votam massivamente num partido reformista que reivindique uma reforma do Estado com epicentro na regionalização, conferindo-lhe uma maioria qualificada.

A MAC#114 mobiliza vontades e convoca os habitantes das Ilhas a saírem à rua e a reclamarem, até furar os tímpanos aos conservadores, a regionalização.

domingo, 26 abril 2015 00:04 Publicado em Sociedade

A Câmara Municipal da Praia homenageou este sábado Alberto Montrond, primeiro soldado cabo-verdiano morto no Afeganistão com uma placa, na praça do bairro de Achada Grande Frente.

domingo, 26 abril 2015 00:01 Publicado em Economia

Nada. Nicles. Zero. Sessenta dias depois das medidas anunciadas pelo Banco Central de Cabo Verde, os empresários afirmam que tudo está na mesma no acesso ao crédito bancário. Ou seja, não há qualquer acesso ao crédito. As razões apontadas pelos homens de negócios, com quem o Expresso das Ilhas falou, são várias e vão desde o contexto económico duvidoso, às empresas endividadas, aos projectos de rentabilidade questionável e aos bancos que não gostam de arriscar e que preferem emprestar dinheiro ao Estado.

domingo, 26 abril 2015 00:00 Publicado em Opinião

Em 2003, Gavin Menzies, um capitão de submarinos inglês já reformado, escreveu um livro que abala todo o conhecimento que temos sobre os Descobrimentos. O livro resulta de uma intensiva pesquisa iniciada 10 anos antes, quando descobriu um mapa datado de 1424, assinado por um cartógrafo veneziano, Zuane Pizzigano. Na carta estavam desenhadas com rigor as linhas das costas da Europa e partes de África, e também umas ilhas bastante a ocidente, que viria a perceber serem as ilhas caribenhas de Porto Rico e Guadalupe. O problema é que o referido mapa foi desenhado setenta anos antes de Colombo chegar às Caraíbas e de ter oficialmente “descoberto” o continente americano!

Num apaixonante livro de quase 400 páginas, o autor descreve as surpreendentes descobertas que foi fazendo ao dedicar-se a uma investigação que foi revelando novidades atrás de novidades, mas que se podem resumir da forma seguinte... várias esquadras chinesas tinham feito viagens exploratórias nos primeiros anos do século XV, e a maior delas, com mais de 100 barcos, fez-se ao mar em Março de 1421. Durante dois anos, atravessaram o Índico, dobraram o Cabo da Boa Esperança, cruzaram o Atlântico, a Antártida e o Árctico, a América do Norte e do Sul e a Austrália, tendo sido os primeiros a dar a volta ao mundo. A bordo, um grupo de exímios cartógrafos terá desenhado um detalhado mapa dessas viagens, durante as quais os navegadores chineses resolveram o problema do cálculo da latitude e longitude, e elaboraram mapas rigorosos da terra e do céu. Dos 100 que partiram, só 7 barcos terão regressado à China em Outubro de 1423.

Segundo o autor, os navegadores dos Descobrimentos, Cristóvão Colombo, Vasco da Gama, Fernão de Magalhães e Cook terão navegado usando cópias das cartas dos chineses que os precederam nas “suas” descobertas.

Mas para compreender estas aventuras chinesas, o autor começa por deliciar os leitores com informações da China desse tempo, demonstrando que o país era nessa altura a maior potência do planeta, devido à extrema ambição do seu Imperador Zhu Di. Em comparação, a Europa dessa altura era retrógrada, rude e bárbara.

O autor demonstra que a nova capital, Pequim, havia sido preparada nessa época para ser não somente a maior cidade do mundo, mas também a sua capital intelectual. Por exemplo, na altura da inauguração da Cidade Proibida foi apresentada uma enciclopédia com quatro mil volumes e 50 milhões de caracteres, um trabalho encomendado a 2180 professores. Para além disso, também a mando do Imperador, foram arquivadas as opiniões de 120 filósofos e sábios juntamente com comentários completos de pensadores desde o século XI até ao século XIII. Enquanto nessa altura a impressão escrita ainda era desconhecida na Europa, em Pequim podiam comprar-se nas lojas centenas de romances escritos.

Na inauguração da Cidade Proibida, foram recebidos 26 mil visitantes de vários países, a quem foi oferecido um banquete com 10 pratos servidos na mais fina porcelana. Três semanas antes, Henrique V havia-se casado com Catarina de Valois em Londres numa cerimónia com seiscentos convidados, a quem foi servido bacalhau seco sobre rodelas de pão seco, que funcionavam como pratos. Catarina de Valois não usava calcinhas nem meias no seu casamento; a concubina favorita de Zhu Di estava envolvida nas mais delicadas sedas e tinha jóias como coralinas da Pérsia, rubis do Sri Lanka, diamantes indianos e jade do actual Turquestão chinês, e o seu perfume era composto por âmbar cinzento do Pacífico, mirra da Arábia e sândalo das Ilhas das Especiarias.

O exército da China era constituído por um milhão de homens equipados com armas; Henrique V conseguiria reunir no máximo uns 5 mil homens armados de arcos, espadas e varapaus. A armada que conduzia os convidados de Zhu Di de regresso a casa contava mais de 100 barcos com 30 mil homens. Em Junho desse ano, quando Henrique V partiu para a guerra com a França, transportou o seu exército através do Canal da Mancha em 4 barcos de pesca, com 100 homens cada, navegando apenas durante o dia.

Em 1421, o comércio em todo o Oceano Índico era há muito dominado pelos Chineses e pelos Árabes. Estes apreciavam muito as porcelanas e sedas chinesas, pelo que os barcos chineses eram bem recebidos em todos os portos árabes do Golfo e do Egipto. Esses barcos (juncos) eram denominados na China de “barcos do tesouro” e dominavam os mares de todo o Índico, visitando regularmente todos os grandes portos e tendo estabelecido bases estratégicas em Malaca (Malásia), Calecute (Índia) e Mombaça (na África Oriental).

Enquanto nessa altura os barcos árabes comerciavam sobretudo escravos africanos que vinham buscar a África e levavam para a Índia, Golfo, Egipto e Veneza, os juncos chineses descarregavam seda e porcelana e regressavam à China carregados com especiarias, pedrarias da Índia e vidro de Veneza.

A primeira grande expedição de uma armada chinesa decorreu entre 1405 e 1407, envolvendo 62 navios de tesouro e cerca de 27 800 homens. Houve mais três expedições do tipo até que a expedição de 1417 a 1419 visitou todos os portos importantes em África, Arábia, Índia e Ásia, trazendo consigo os dirigentes e embaixadores que viriam para a inauguração da Cidade Proibida de Pequim. Não deixa de ser curioso que esses dirigentes e embaixadores tenham estado quase dois anos na China a desfrutar do acolhimento chinês enquanto aguardavam essa inauguração.

Tudo isso se passava há vários séculos, e muito antes de os europeus pensarem nos “Descobrimentos”.

O poderio naval da China nesse tempo era de longe superior a qualquer nação do planeta. A segunda maior armada do mundo nessa altura pertencia a Veneza, que teria cerca de 300 galés, barcos conduzidos por remadores e adaptados para circularem entre ilhas no Verão mediterrânico. Os maiores eram barcos de 150 pés de comprimento e 20 de largura, e transportavam 50 toneladas de carga. Em comparação, os “barcos do tesouro” chineses tinham capacidade para carregar mais de 2 mil toneladas e podiam navegar durante anos em todos os mares. Só o leme de cada um desses navios tinha 36 pés de altura, mais ou menos a dimensão do navio Niña, em que Colombo chegou às Américas.

Os barcos venezianos eram defendidos por arqueiros ao passo que os navios chineses estavam equipados com armas de fogo, canhões de bronze e ferro, morteiros, flechas flamejantes e cápsulas explosivas que lançavam excrementos sobre os adversários.

Uma das revelações mais importantes do livro decorre de uma investigação que o autor fez em Veneza, onde encontrou a seguinte descrição do historiador português António Galvão (morto em 1557):

No ano de 1428, está escrito que Dom Pedro, o filho mais velho do Rei de Portugal, era um grande viajante. Foi a Inglaterra, Franca, Almaine [Alemanha] e daqui a Terra Santa e outros lugares; e regressou por Itália, passando no seu caminho por Roma e Veneza; onde comprou um mapa-múndi que tinha descrito todas as partes do mundo e da terra. O Estreito de Magalhães era nele chamado a cauda do dragão: o Cabo de Boa Esperança, a parte da frente de Afrike e por aí adiante os outros lugares: por qual Mapa Dom Henrique o terceiro filho do Rei foi muito ajudado e favorecido nos seus Descobrimentos.

A prova de que em 1428 o Cabo da Boa Esperança e o “Estreito de Magalhães” (que separa a Argentina da Terra do Fogo) tinham sido registados em mapa. Isso quase um século antes de Fernão de Magalhães lá ter chegado!

António Galvão afirma mais à frente no seu texto que, em 1528, Dom Fernando, filho do Rei e herdeiro, teria mostrado esse mapa a um Francisco de Sousa Tavares, dizendo-lhe que “em tempos antigos ter-se-ia descoberto tanto ou muito mais do que agora está”.

Sendo assim, não foi Cristóvão Colombo quem descobriu a América em 1492 nem foi Fernão de Magalhães o primeiro a fazer a viagem de circum-navegação do mundo em 1521.

Mas o que tem tudo isto a ver com Cabo Verde?

Continuaremos na próxima crónica.

domingo, 26 abril 2015 00:00 Publicado em Opinião

Cabo Verde está a menos de um ano das eleições legislativas e já em ambiente pré-eleitoral. As próximas eleições ocorrerão num momento particular do processo de desenvolvimento do país. Creio estar a generalizar-se a percepção de que a nossa sociedade enfrenta sérios desafios para os quais devem ser procuradas soluções.

Dentre esses desafios destaca-se o de garantir a continuidade do crescimento económico a um ritmo que proporcione um nível crescente de bem-estar aos cabo-verdianos, de uma maneira geral, e à jovem geração, em particular, a realização em medida aceitável das suas expectativas em relação ao futuro.

Olhando para as últimas duas décadas, os cabo-verdianos podem constatar, com justificado orgulho, um enorme salto registado no seu nível de vida, o que é atestado pelo nível do Produto Interno Bruto (PIB) per capita e dos Indicadores de Desenvolvimento Humano.

Face a essa evolução, é normal e humano que, para as próximas duas décadas, estejamos a extrapolar idêntico progresso. Se é desejável que isso seja assumido como um desígnio nacional, não podemos, porém, ignorar sinais que se evidenciam no presente e que podem constituir manifestação de sérias ameaças à realização desse desígnio.

A taxa anual de crescimento da nossa economia é muito volátil mas o potencial de crescimento normalmente referido é de 5%, que resulta da tendência linear de evolução recente. No entanto, há indicações de que o potencial de crescimento do produto vem diminuindo e se situa actualmente a um nível significativamente mais baixo. Ora, considerando o ritmo de crescimento da população, há um risco sério do crescimento do PIB per capita vir a ser, a médio prazo, insatisfatório à luz das expectativas existentes.

O produto potencial, embora seja uma variável não directamente observável, é da maior relevância para a gestão orçamental e monetária e para a política de endividamento pelo que esta problemática deva merecer toda a atenção na gestão macroeconómica. A sobreavaliação do crescimento potencial pode levar à adopção de políticas susceptíveis de pôr em causa a estabilidade macroeconómica e financeira e, o que é ainda pior, a uma atitude de complacência relativamente às necessárias reformas visando o alargamento do potencial de crescimento.

Na determinação do potencial de crescimento, e a complementar os métodos estatísticos e econométricos, pode ser de muita utilidade uma abordagem estrutural(ista). No nosso caso, em particular, recomenda-se uma análise sectorial e das fontes de financiamento da economia. Neste plano, deve-se procurar responder a perguntas tais como: Nos últimos vinte anos, que sectores mais contribuíram para o crescimento da economia? Qual é a sua expressão na estrutura do Produto? Qual é o respectivo potencial de crescimento? Como foi financiado o investimento? Nesse financiamento, qual foi o peso respectivo do Estado, do crédito ao sector privado, do investimento estrangeiro e, evidentemente, das poupanças dos emigrantes? Qual é a perspectiva de evolução dessas fontes de financiamento?

Nessa linha, vemos que o rápido crescimento ocorrido na segunda metade dos anos 90 se deveu essencialmente à contribuição dos sectores dos transportes e comunicações, serviços financeiros e seguros bem como do comércio. É inegável que a liberalização e as privatizações então empreendidas se traduziram num significativo salto do potencial de crescimento da economia.

Por sua vez, o acelerado crescimento registado nos meados da última década, após o período de consolidação orçamental, está associado à expansão do sector de construção, ao impacto do turismo em vários sectores, nomeadamente nos de alojamento e alimentação, dos transportes e comunicações, bem como dos serviços financeiros. O investimento directo estrangeiro, incluindo o dos emigrantes, e a rápida expansão do crédito financiaram sobretudo o sector imobiliário e a construção.

Em ambas as etapas, mas particularmente na segunda, foi significativa a expansão dos serviços não mercantis (administração pública) e dos impostos. Merece igualmente ser mencionado que a rápida expansão do crédito se apoiou grandemente na captação de poupanças dos emigrantes pelo sector bancário, situando-se neste momento os depósitos de emigrantes em um terço da massa monetária.

Com a eclosão da crise houve um colapso do investimento directo estrangeiro, em grande parte não sustentável porque assente na especulação imobiliária, embora o investimento dos emigrantes tenha evidenciado maior resiliência. Posteriormente, com as crescentes dificuldades que se abateram sobre os agentes económicos, sobreveio uma estagnação do crédito ao sector privado.

Entretanto, o Estado, para compensar o colapso da procura tanto de consumo como de investimento privados, adoptou, correctamente a meu ver, uma política orçamental expansionista financiada com recurso ao endividamento externo, primeiramente, e, posteriormente, também ao endividamento interno. O programa de investimentos públicos, independentemente da sua eficiência, contribuiu para a superação de défices a nível das infra-estruturas. Não se conseguiu, porém, evitar uma drástica diminuição do ritmo de crescimento da economia, o que não devia surpreender tendo em conta o reduzido efeito multiplicador das despesas públicas em economias com as características da nossa.

Neste quadro, face às limitações impostas pela dimensão do mercado ao crescimento dos sectores com maior expressão na economia e às limitações das fontes tradicionais de financiamento, a pior coisa que nos podia acontecer seria ficarmos entretidos com a narrativa de que os nossos problemas se devem à crise na zona Euro e aguardando a retoma na Europa, como se isso nos pudesse trazer de volta a (a)normalidade anterior à crise.

Decorre igualmente deste quadro que o eixo fundamental da estratégia económica deve ser a valorização e diversificação da nossa oferta turística, de forma consequente, de modo a garantir o contínuo crescimento do turismo e a disseminação do impacto desse crescimento por outros sectores da economia e pelas diferentes regiões do país.

Algumas das principais tendências da economia mundial (crescimento do poder de compra nos países desenvolvidos, embaratecimento dos transportes na decorrência da liberalização, facilidade de comunicações, etc.) favorecem, independentemente da actual crise, uma expansão continuada da procura turística a nível mundial. Cabo Verde, pela sua pequena dimensão, se conseguir gerar uma oferta turística competitiva, pode contar com uma procura crescendo de forma continuada.

A atracção de investimentos, associados a mercados e know-how, bem como o desenvolvimento do sistema financeiro por forma a garantir a captação de poupanças, nomeadamente de emigrantes, e a sua eficiente alocação serão factores determinantes de sucesso.

O sucesso da implementação da estratégia de desenvolvimento requererá, necessariamente, profundas transformações na economia e na sociedade, nomeadamente a nível da eficiência na qualificação e utilização dos recursos humanos, da eficiência dos mercados de bens e serviços, da fiscalidade, das instituições e mesmo da cultura, sem perder de vista a inclusão social. Só assim teremos as chamadas condições propiciadoras do crescimento (growth enabling).

Neste contexto, das forças políticas que se posicionam para os próximos embate eleitorais espera-se, por conseguinte, que apresentem ao sufrágio dos cabo-verdianos propostas de soluções e políticas que possam garantir o alargamento do potencial de crescimento da economia enquanto condição basilar da elevação sustentada do seu nível de bem-estar nos anos vindouros.

domingo, 26 abril 2015 00:00 Publicado em Sociedade

Apesar de sofrer de paralisia cerebral, Jacquelino Semedo sempre lutou por aquilo em que acredita e nunca desistiu dos seus sonhos. O jovem não fica à espera da caridade dos outros, pelo contrário, vai em frente e conquista os seus objectivos por mérito próprio.

domingo, 26 abril 2015 00:00 Publicado em Opinião

Eu tenho uma ilusão dentro de mim. Eu gosto dela e vivo-a intensamente. Minha Lira nasceu há vinte e um anos e trouxe consigo a pinta de entrar meu imo adentro e acomodá-lo. Aqui sou estrelo à espera dela, que de bem perto me divisa. «Anda e mora à-vontade! Meu peito será sacrário, ó minha hóstia redentora! Ó minha astrina Lyrae Alpha!», convido-a para habitar meu coqueluche, com garbo e com regalo. Hoje é sábado de aleluia, mas o dia de ressurgir vem amanhã, domingo de páscoa, data que a leda e mui ambrósia atinge vinte e um anos e um dia. No tempo dos antigos, segundo reza a lenda talmudista, de vinte e um anos e um dia era a medida da pena que se aplicava a quem tivesse cometido crime maior com judiaria. Vinte e um anos e um dia de reclusão. Uma vez caído no calabouço o indivíduo sofria e era constantemente flagelado, dia e noite, e de tal sorte era a sevícia que nunca mais dali sairia para mirar a luz do sol. No hall de entrada de cada precipício se podia ler, em letras gordas «Vinte e um anos um dia. Se lá chegar, não passará».

«E esse tal último dia… ah esse tal último dia!». Era o lamento corriqueiro de familiares e de todas as pessoas acometidas de compaixão, em relação ao infortunado. Isto de vinte e um anos e um dia era um vaticínio a que nenhum forçado se podia furtar, por ser um bónus que se dava ao sujeito para arrumar sua tralha e partir da choça directamente para o lado de lá da linha. A condição de purga era tão cruenta e vituperiosa que ninguém conseguia «fintar o destino» e sobreviver a esse sinistro derradeiro dia. Além de fatídico dia do fim o ferrolhado era coagido e submetido, pela implacável força de lei e pela pujante ius imperi a um macabro e vexatório ritual, no dia das exéquias do dano-morte. À frente do féretro era obrigado a caminhar com duas pedras sobre os ombros e mais uma na cabeça, indo a penejar e a retractar-se perante o poviléu, ao longo do cortejo fúnebre, até a vítima cair no seu abismo. Do campo-santo era levado à sua escura condição de toda vida.

Ah, pois, tal como o condenado desse tempo, estou atado à minha doce reclusão de vinte e um anos e um dia, para nunca mais me livrar dela. Porém, aqui na instância, meu percurso é saborido e cativante meu calvário. Minha pedra é delicioso favo ao alto, tal de abelha no galho de uma rocha. Minha coroa é de afiados rebuçados e minha crucificação não passa de aliciante pão de espírito. A via-sacra que professo é da Cabeça de Monte duma ilha. Ali, de cimo, a carga é leve e sabe bem. Parabéns, minha ilusão!

Eu canto a minha Vega qual um fado e com alívio. Minha cisma é dissecar anatomia de toda esta constelação. Sou dominado pelo trio de pulsões: pela prosa e pela poësis e pela moça de remanso, rainha de delectante escol de fãs. A prosa é transparente, divertida, colorida, justo rosto de donzela, à entrada de rancho ou de palácio. Sou navegante solitário e abruptamente sequestrado pela prosa e pela poësis. A poesia é precavida, protegida e prodigiosa como o ventre de noviça. A moça é portadora de boa aura e promissoa de lealdade. Nesta de trio de me dar o mote e dar o rumo, perdi caminho da minha terra, da minha casa e meus haveres. A rota inicial do meu destino. Perdi todas as tenças que se quedavam na minha rua. No meu regresso encontro praça conspurcada de merceeiros transmutados de soldados, com penachos de realeza, desdenhadores de suado ofício dado ao homem, candongueiros da roda do templo e fariseus do culto de dinheiro. Minha paixão por uma quarta ilusão morreu há muito. Em boa verdade, foi a que mais me fascinava e me movia nos primórdios de menino, adolescente, juventude e vida adulta. Até os trinta e três da minha era, afoitamente. Não me arrependo de nada, porque era chique e lancinante aquilo de cultivar linhar nascente e de entoar seu hino e de esvoaçar o pano identitário de sua legenda, firme e bem alçado na carlinga, à vista de homem livre. Foram belos anos da minha lide e são boas as memórias que deles tenho.

Com as perfídias cumuladas, o valor da minha elite baixou de nível. Parece fosco e frouxo, como nuvem dispersa e pouco densa na colina. É cutelo de farsa que ora se destapa. É véu infame a dardejar pomposamente na varanda de volúpia. É mar desalentado, extenuado na languidez de maré baixa. É céu sem ares de deidade para crença de ninguém. A continuar desta maneira, tudo desvanece, desmorona e morre. A mística de então, ideia de pertença e trajecto colectivo da nação, como factor agregador do povo nobre. Hoje, a moral pública do meu recanto não passa de perfume sem fragrância ou de “falfado” piar de pinto, perdido na hermética floresta de orfandade. O elo entre donato e donatário está quebrado. Os compatrícios estão de candeias às avessas. Tudo por causa de gula e de ganância, de sôfrego desejo de engordar umbigo enorme. A promiscuidade entre a fazenda do rei e a seara do vassalo é “travestial”. Uma série de atropelos e monices ditaram a depressão do meu ganir pela ”entourage”. Venha hissope co’ água benta e prestimosa mão de cúria a aspergir neste sistema e todo seu hircismo. Estamos na época de páscoa e pode ser que a catarse de Quaresma valha ao reino. 

No fim desta picada, chega-me o “latoso” João Baptista, a pedir para entrar em cena. Vou ouvir que boa desculpa ele terá «Estive ausente, bebi muito, cheguei tarde, mas tu sem mim não vais a lado nenhum. Exijo que me oiças, porque tenho algo a relatar». Ele julga-se messias deste ofício e a mim me toma por escravo a seu dispor. Mas desta vez vou anotar «Sem supervisão de João Baptista, que está ébrio e soberbamente néscio». E ele «Ai de ti se grafares esta baboseira sem sentido! Esvreve em nota de pé-de-página: nas costas de João Baptista Efígie, na calada da noite, em pacto com o diabo, ignorando por completo a vontade do meu tutor ou à revelia do mestre João Baptista. Senão tiro-te o tino e vais catar piolho na cabeça de elefante até o estro te voltar. Entendido, seu futrica?». Com voz embargada digo «Não devias abusar da tua posição para me ameaçares, mas será cumprida a tua despótica vontade». Olhando para mim, ele protesta «Oh! Mau, mau, meu desleal!».

 

Cidade dos Arcebispos, 04 de Abril de 2015

 

 

*À revelia de João Baptista Efígie

 

sábado, 25 abril 2015 23:49 Publicado em Sociedade

Cabo Verde registou três casos de paludismo nos primeiros quatro meses deste ano, e nenhum óbito, muito menos do que os 46 casos diagnosticados em todo o ano passado (dois mortos), disse à Lusa fonte oficial.

sábado, 25 abril 2015 23:18 Publicado em Política

O primeiro-ministro e o líder do MpD homenagearam este sábado todos os portugueses e africanos que combateram pelos valores da liberdade, da democracia e que protagonizarem a revolução que há 41 anos mudou Portugal.

sábado, 25 abril 2015 20:11 Publicado em Sociedade

O corpo do ex-ministro da Saúde (1980 – 1991), Irineu Gomes, encontrado sem vida na noite de sexta-feira, foi dado à terra na tarde deste sábado.

 O corpo do ex-ministro da Saúde tinha sido encontrado sem vida na noite desta sexta-feira, na sua residência, na avenida Baltasar Lopes da Silva.

Irineu Gomes de 71 anos vivia sozinho na casa onde tinha também instalado o seu consultório.

Segundo fonte policial o psiquiatra e antigo ministro da Saúde terá posto termo à vida utilizando uma cortina para se enforcar.

Doutor em Saúde Pública, Irineu Gomes foi o primeiro cabo-verdiano a licenciar-se em psiquiatria, e enquanto estudante pertenceu às estruturas clandestinas do PAIGC em Portugal e no Brasil.

De regresso ao país, dirigiu de 1975 a 1980 o Gabinete de Estudos do Ministério da Saúde altura em que assumiu a pasta da Saúde por mais de uma década.

Com o advento da segunda república, Irineu Gomes abandonou a política activa, passando a exercer a sua actividade profissional na psiquiatria do Hospital Baptista de Sousa e no próprio consultório.

 

A par do exercício da psiquiatria, Irineu Gomes dedicava-se ao estudo dos principais problemas sociais em Cabo Verde nomeadamente a prostituição juvenil, drogas, suicídio, entre outros.

Os resultados desta investigação foram publicados, em 2011, no seu livro “A Psicopatologia da Miséria”.

Numa entrevista concedida ao Expresso das Ilhas, em Outubro de 2011, o médico psiquiatra alertava justamente para a imprevisibilidade do acto do suicídio cujo tema dedicou todo um capítulo no seu referido livro.

“O acto em si é como um raio num dia de sol. Não acontece. Nunca há descargas eléctricas num dia de sol. É o inusitado. O indivíduo está bem e de repente pode ser que cometa um suicídio. Ele pode ter uma personalidade desde a infância frágil e basta ser cumprimentado de forma diferente por um amigo, ele sente-se menosprezado e mata-se”.  

 

   

 

 

 

 

sábado, 25 abril 2015 11:18 Publicado em Sociedade

Relatório das Nações Unidas "mediu" o nível de felicidade de 158 países  e anunciou o primeiro lugar para os suíços, que destronam a Dinamarca, líder do ranking em 2013. Cabo Verde não consta na lista.

sábado, 25 abril 2015 11:11 Publicado em Mundo

O Presidente da República de Portugal, Cavaco Silva, insistiu hoje na necessidade de compromissos interpartidários imprescindíveis para garantir a estabilidade política e a governabilidade do país, recusando o conflito, a crispação, a conflitualidade política e a agressividade verbal.

"Ao fim de quatro décadas de democracia, os agentes políticos devem compreender, de uma vez por todas, que a necessidade de compromissos interpartidários é intrínseca ao nosso sistema político e que os portugueses não se reveem em formas de intervenção que fomentam o conflito e a crispação e que colocam os interesses partidários de ocasião acima do superior interesse nacional", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, no seu último discurso na sessão solene do 25 de Abril, na Assembleia da República.

Retomando os apelos ao consenso e diálogo, Cavaco Silva sublinhou que só desse modo será possível alcançar "compromissos imprescindíveis para garantir a estabilidade política e a governabilidade do país" e para enfrentar com êxito os desafios que o futuro coloca.

sábado, 25 abril 2015 11:05 Publicado em Mundo

O número de mortos devido ao sismo de magnitude 7,9 na escala de Richter que atingiu hoje o Nepal e outros países daquela região subiu para 449, segundo informações da polícia local.

sábado, 25 abril 2015 10:55 Publicado em Economia

Associações empresariais de Portugal e de Cabo Verde incluíram esta sexta-feira as da Guiné-Bissau para procurar parcerias que resultem em possibilidades de investimento no mercado da África Ocidental, disse à agência Lusa fonte oficial.

Francisco Mantero, presidente da ELO e em representação da Associação Industrial Portuguesa - Câmara de Comércio e Indústria (AIP-CCI), falava à Lusa na Cidade da Praia no final de um seminário subordinado ao tema "Cabo Verde como Plataforma das Empresas Lusófonas para a CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental)".

A ideia, acrescentou, foi defendida pela Câmara de Comércio, Indústria e Serviços de Sotavento (CCISS, de Cabo Verde), também promotora do seminário, e prontamente acolhida pela AIP-CCI, sobretudo pelo facto de os dois países pertencerem a um espaço comum, CEDEAO.

Segundo Francisco Mantero, além da CEDEAO, Cabo Verde tem a vantagem de estar também associado ao AGOA, que isenta de taxas alfandegárias as exportações para os Estados Unidos, tem parcerias com a União Europeia (Especial e para a Mobilidade) e ainda a ligação ao Euro, via acordo cambial com o Tesouro português.

No caso da Guiné-Bissau, há a vantagem competitiva de o país pertencer também à Zona do Franco CFA (Franco da Comunidade Financeira Africana) e à União Económica e Monetária Oeste-Africana (UEMOA).

Juntos, sustentou, Cabo Verde e Guiné-Bissau, que têm vindo nos últimos meses a intensificar as relações comerciais e políticas, podem servir de ponte para um mercado entre 350 a 400 milhões de pessoas para as empresas lusófonas - incluindo também as de Angola, Brasil, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Francisco Mantero salientou que, no curto prazo, devem-se criar as condições em Cabo Verde e na Guiné-Bissau para que as restantes empresas lusófonas possam encontrar parcerias com congéneres cabo-verdianas e guineenses para entrar no mercado oeste-africano, de 15 países.

Também à Lusa, o vice-presidente da CCISS, Rui Amante da Rosa, manifestou-se "entusiasmado" com as perspectivas, garantindo que a câmara de comércio cabo-verdiana vai agora entrar em contacto com a congénere guineense, para dar seguimento ao delineado na Cidade da Praia.

Amante da Rosa negou, porém, que a proximidade das eleições legislativas nacionais (previstas para o primeiro trimestre de 2016) possa interferir negativamente nas relações empresariais, defendendo tratar-se de uma iniciativa do setor privado que está em linha com os objectivos de internacionalização empresarial do país, "qualquer que seja o próximo Governo".

A AIP-CCI pretende efetuar idênticas reuniões proximamente em Timor-Leste, Moçambique e Guiné Equatorial.

sábado, 25 abril 2015 00:27 Publicado em Cultura

No âmbito do 40.º aniversário da Independência Nacional, a Cidade da Praia recebe, no próximo dia 3 de Julho, a Gala “Somos Cabo Verde – Os Melhores do Ano” onde serão premiadas figuras nacionais que se destacaram em diversas áreas.

sábado, 25 abril 2015 00:00 Publicado em Mundo

Foi o pior desastre de sempre da migração. O naufrágio de domingo volta a pôr na ribalta a crise humanitária dos africanos que tentam atravessar o mar mediterrânico para chegar à Europa. Só nesta tragédia, cerca de 800 pessoas perderam a vida. Somam-se a outras tantas que pereceram no mesmo mar, numa série de naufrágios ao longo desta semana. Muitos apontam o dedo à União Europeia, mas que na realidade, devido a sua enormidade, cada vez mais é um problema que exige uma resposta e apoios à escala mundial, e no próprio local de origem dos migrantes.

sexta, 24 abril 2015 18:27 Publicado em Política

O presidente do MpD esteve reunido, durante toda a tarde de hoje, 24, com os líderes das centrais sindicais.

sexta, 24 abril 2015 15:57 Publicado em Economia

INE apresentou hoje, 24, as contas nacionais trimestrais. Para o Instituto Nacional de Estatística o crescimento da economia nacional, em 2014, deverá rondar os 2,7% depois de em 2013 se ter ficado em 1%.

sexta, 24 abril 2015 14:04 Publicado em Política

O Governo aprovou esta quinta-feira na reunião de Conselho de Ministro a revisão do Código Laboral cabo-verdiano. A medida foi anunciada hoje pelo Ministro do Conselho de Ministros, Démis Lobo numa conferência de imprensa em que afirmou igualmente que a proposta visa permitir que haja mais investimento económico e criação de emprego.

sexta, 24 abril 2015 13:05 Publicado em Cultura

Depois de Vinti Xintido Letrado na Kriolu, Son di ViraSon e Konfison na Finata, todos escritos em cabo-verdiano, Kaká Barboza regressa à poesia com “Gaveta Branca”, obra que será lançada hoje, na Biblioteca Nacional. Perpassam nas páginas deste livro reflecções metafísicas, existenciais e até cabalísticas, temas que apenas tangencialmente tinham merecido atenção do autor.

Expresso das Ilhas – O que quis dizer-nos com o livro “Gaveta Branca”?

Káka Barboza – “Gaveta Branca” é uma metáfora que surgiu do seguinte facto: o quarto onde trabalho é pintado de branco e tem uma janela por fora. Sempre que  entrava no quarto,  estava a entrar numa espécie de gaveta e abrindo o meu computador, afigurou-me que eu estava abrindo uma janela para entrar em gavetas à semelhança do nosso cérebro que contém gavetas onde guardamos os factos e os acontecimentos. Então, é essa gaveta recheada de factos, de vivências e de lembranças que eu quis abrir e olhar para dentro. Branca porque a luz é branca. Então eu pensei: a gaveta branca tem que ter a luz branca da palavra. É essa metáfora que eu achei muito forte – gaveta branca que não é muito usual, mas suponho que nós próprios e toda a humanidade estamos contidos numa gaveta. Essa gaveta universal que é uma gaveta infinita.

 

Dou-me conta que os seus temas habituais não estão neste livro. Surgem meditações filosóficas, existenciais e até cabalísticas.

Há um ou outro aspecto que são recorrentes nos meus poemas, mas estão diluídos de uma forma muito pensada, porque este livro foi escrito ao longo de cerca de um ano. Olhando para a luz, no seu aspecto enquanto grandeza física, é um raio que atravessa todo o universo. Mas a nossa luz, que é a nossa mente, aquilo que nós produzimos enquanto ousadia de poder pensar, reflectir e ir até onde a nossa imaginação alcança é também um outro raio. Esse cruzamento de raios produziu todo o pensamento que o livro contém. Nesse aspecto é um livro reflectivo. É um livro que não foi publicado antes justamente porque não tinha idade. Hoje tenho mais idade para o livro se parecer comigo. Mas eu quero chamar atenção para o seguinte facto: o fundamento deste livro é a luz. Nós temos que ser o centro da produção da luz. E essa luz é o conhecimento, é a possibilidade de alcançarmos o máximo em termos daquilo que podemos visualizar. Na poesia é também este o elemento essencial. É conseguir criar imagens através desse olhar, transformando essas imagens em palavras. De modo que é dentro desse campo que me situei para escrever o que está no livro.

 

Quem tenha lido seus anteriores trabalhos pensará facilmente que o Kaká Barboza se desencontrou com este livro. Pensa isso?

Não há um desencontro. Quando comecei a escrever este livro, passava por uma fase delicada da minha vida, estava desempregado. Com a preocupação de manter a família e as despesas normais da casa, criou-me alguma pressão. E normalmente quando há pressões desta natureza, suponho que os criadores estão mais bem preparados para explodirem, no sentido da criação de algo mais expressivo e mais emocional, mas também com uma capacidade reflexiva muito maior. Tratando-se de poesia, houve paz e sossego para que o livro pudesse conter essas reflexões, fugindo, de facto, um pouco daquilo que têm sido as minhas composições musicais e toda a poesia que eu escrevi e que venho escrevendo. Foi minha intenção que este livro fosse um pouco mais reflexivo, por isso o seu arquivamento durante 15 anos.

 

Portanto não foi inocentemente que procurou o filósofo Carlos Bellino para fazer o prefácio?

O racionalismo cristão tem uma carga de livros que não é doutrina racionalista. São livros que reflectem uma emanação do espírito. Eu leio esses livros com muita atenção para poder compreender até que ponto é que eu estaria em condições de elevar-me, cultivando o espírito. Mas um espírito resultante de um país como o nosso. De facto, o espírito é uma entidade universal, mas há também aquilo que eu considero o espírito cabo-verdiano que reside na pessoa e que se formata dentro da nossa realidade e da nossa vivência. Essas reflexões no meu livro baseiam-se justamente nessa possibilidade de nos encontrarmos connosco próprios, numa espécie de feixe de luz. Mas é também uma viagem que se reflecte em todos os poemas do livro.

 

Sempre pensei que o espírito cabo-verdiano estivesse contido nos seus livros anteriores, entre eles Vinti Xintido Letrado na Kriolu, Son di ViraSon e Konfison na Finata.

O sândalo é uma árvore/ mas quando o machado fere o sândalo/ há um perfume que exala/e esse perfume contamina toda a atmosfera envolvente./Quem se aproxima do bosque sente esse perfume. Todos os meus livros têm um perfume. Esse perfume é um perfume telúrico, é toda a força da terra, porque penso que o nosso país, a nossa terra é muito generosa; os homens é que não prestam. A nossa terra é muito generosa e todos cabemos cá, inclusivamente o resto do mundo, se cá vier. Agora, trata-se de dar guarida a todos e convivermos dentro de uma relação sã e depois procurar, assim como os nossos antepassados fizeram, organizar as suas vidas com os escassos recursos disponíveis. Tudo isso é uma força que encontramos nos primeiros escritos da nossa cabo-verdianidade. Por exemplo, num Manuel Lopes, num Baltasar Lopes, num Jorge Barbosa. E essa força sublima-se nos poetas mais actuais. Estou a falar de um Corsino Fortes, de um Mário Fonseca. São esses inputs que nos ajudam a recorrer a esses mesmos recursos e enfatizar a nossa escrita de modo a que ela reflicta toda a cabo-verdianidade possível. O meu livro tem também essa aspiração que é um percurso pela luz e pela voz. Dá-se luz à voz e voz e luz à palavra. É como se estivéssemos a dar voz, luz e palavra a estas ilhas generosas que nós temos.

 

Nos seus livros anteriores situa a essência da cabo-verdianidade no interior da ilha ou das ilhas. Continua a pensar desta forma?

Eu acho que Cabo Verde é um todo na sua diversidade, mas devemos partir de um ponto. E o ponto de que eu parto para congregar a diversidade é o ponto onde me fiz homem, onde eu senti todo o ambiente envolvente, toda a vivência, toda a aprendizagem aliadas ao paisagístico, ao labor e às ambições…Esse ponto é a Vila da Assomada, no concelho de Santa Catarina, onde cresci e passei toda a minha infância. É um concelho mítico, cheio de história e rico em tradições. De modo que apreendendo bem essa realidade. Nós podemos chegar e penetrar com alguma facilidade nas outras realidades. As nossas localidades são pontos de onde partimos para outras realidades, sejam urbanas ou rurais. Eu acredito que se parto de um ponto para outro, tenho que acrescentar pontes e não subtrair. Portanto, a nossa diversidade é um somatório de pontos que dão um conjunto de pontos que acabam por formar ou uma linha recta, ou um arco. De modo que eu acho que, de facto, devemos é aproveitar tudo aquilo que as nossas realidades locais nos fornecem para contribuirmos no sentido de gerar, na diversidade, uma forma mais capaz de unificar e criar esse todo que é a crioulidade. 

 

Tinha ficado com a impressão que nos livros anteriores localizou esse ponto, o tal “Aleph” de que fala Bellino no prefácio, em Santa Catarina.

Provavelmente, ou instintivamente, diria que sim, porque o poeta Mário Fonseca, quando lia os meus textos na língua materna, dizia-me sempre que eu apostava muito no vernáculo. Eu acredito que sim, que instintivamente parto desse grande pressuposto. Agora, partir desse pressuposto não quererá dizer que os outros pressupostos que existem nos centros urbanos, toda essa erudição, não são importantes. É que há uma coisa importante: se nós partirmos do campo para a cidade, sobretudo na ilha de Santiago, estaremos a trazer toda a simplicidade, toda a filosofia campesina, toda essa harmonia, toda essa paisagem para a cidade. A cidade é que nos tem que compreender, porque o camponês percebe a cidade, mas a cidade, nessa dinâmica das relações sociais, culturais e económicas tende a qualificar-se deixando um pouco o campo para trás. Mas o campo é fértil em humildade e numa harmonia mais sã. O campo tem acordes próprios que conseguem dar tranquilidade, ao passo que a cidade pode também gozar dessa tranquilidade, mas há uma agitação que não se esconde.

 

Na verdade, a magia da água a correr nas ribeiras não existe na cidade.

Eu compus uma canção que reflecte a necessidade dessa água. Eu falo no em Azágua. Mas essa Azágua é uma Azágua ainda mais ampla e tem como ponto de partida a própria água, porque a água tranquiliza. Em Cabo Verde a água tem um valor cultural enorme, porque nós nascemos numa situação de falta ou ausência total da água que significa também a ausência do verde. O pouco verde que nós temos é da escassa humidade. Mas quando vem a chuva, sobretudo quando a água corre numa ribeira, é uma alegria. É uma alegria cantante, porque a água faz-nos reviver para dentro essa fartura com que ambicionamos e sonhamos. Quando a água vai para o mar, ficamos tristes, porque ela passa e vai-se embora. Felizmente hoje conseguimos reter alguma água e não é por acaso que as nossas barragens atraem muitos curiosos e antigamente as lagoas eram visitadas e as crianças iam para aí brincar. Ia-se à ribeira lavar a roupa, apanhar a água e dar de beber aos animais. São momentos interessantes, porque ajuda-nos a resolver muitos problemas interiores que a gente tem.

 

É estranho que o milho entre nós tenha uma carga simbólica que a nossa velha água não tem.

Certamente. Eu acho que nós não temos uma cultura da água. Ter cultura da água significa aproveitá-la no máximo, mas também respeitar o seu uso. É muito paradoxal que numa terra onde a água escasseia haja um uso desordenado do precioso líquido, como se fossemos um país de muita água. De facto, as nossas ilhas são cercadas pela água do mar, mas a água potável que nos ajuda a ter uma vida mais apropriada, essa água é ainda muito maltratada, em termos de uso, em termos de respeito e em termos de elemento a ser valorado para fazer parte da nossa cultura. Nós dizemos que a cachupa é um elemento da nossa cultura, mas a cachupa faz-se com água. De modo que o milho e a água estão intrinsecamente ligados.    

 

Última pergunta. Pela dimensão que alcançou como compositor, considera-se mais músico ou mais poeta?

Eu já li músicos, trovadores ou letristas e já li poetas músicos. Provavelmente eu sou esse lápis que é afiado dos dois lados. Quando um se gasta, você volta para o outro lado para escrever com a outra ponta que está afiada. Nesse lápis eu sou música e poesia, porque a música existe num bom poema. Há uma musicalidade que reside na essência das palavras. A mutação e a musculação dos versos sugerem um ritmo e havendo ritmo é porque existe uma musicalidade. Este é um aspecto. Agora, sendo músico torna-se-me mais fácil a percepção do ritmo e da musicalidade. Existe uma fronteira entre música e poesia, mas depende daquilo que é a pessoa. Acho que em mim essa fronteira é nítida. Por vezes sou mais músico do que poeta. Depois ponho de lado a música para ser mais poeta do que músico. Tenho poemas meus que musiquei e acho que ficaram perfeitas. Por exemplo, Lavrador di nha terra Ntem fé é uma letra muito significativa que transmite muito, mas a melodia acabou por ajudar a expandir muito mais a mensagem e a chamar mais a atenção. Portanto, nesse aspecto eu acho que há uma dose de ousadia, mas também de muita felicidade.

 
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Expresso das Ilhas

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