Expresso das Ilhas

Switch to desktop Register Login

Expresso das Ilhas - Actualidades
segunda, 27 junho 2016 09:08 Publicado em Mundo

O Partido Popular (PP), liderado pelo chefe do governo de gestão, Mariano Rajoy, é o vencedor das eleições em Espanha, anunciou a comissão eleitoral.

segunda, 27 junho 2016 08:54 Publicado em Política

A problemática dos transportes para a região Fogo e Brava “não é de resolução imediata” e deve ser equacionada no quadro nacional, garantiu este fim-de-semana o ministro da Economia e Emprego, José Gonçalves.

segunda, 27 junho 2016 06:00 Publicado em Opinião

As declarações da Ministra Eunice Silva em S.Vicente pôs muita “boa gente” em pé de guerra. Disse que Cabo Verde não era só S. Vicente. Acrescentou que a ilha esta numa fase de expansão acelerada a qual precisa ser contida no quadro de um plano. À frente das câmaras da RTC estava a responder ao pedido de apoio do presidente da câmara municipal para mais infraestruturas na cidade. Pode não ter sido feliz na escolha das palavras ou na forma como se expressou, mas não devia haver dúvidas que quis realçar, por um lado, as dificuldades na partilha de recursos, sempre escassos, pelas diferentes ilhas e, por outro, apelar à racionalização da expansão da Cidade via um plano previamente concebido. 

As reacções às declarações da ministra foram excessivas mas também reveladoras. Traduziram muito do que está subjacente a um certo pensamento político no país e é caro a uma certa ideia de Cabo Verde. Deixaram transparecer logo a mentalidade redistributiva, que se tornou prevalecente no país, acompanhada do discurso vitimizador. Um facto que normalmente se nota mais em tempos de eleições quando se prima pelo discurso de vitimização das populações e também das ilhas e se fala de discriminação, de marginalização e de abandono. Pelo impacto das palavras da ministra percebe-se o alcance já atingido por essa forma de ver os problemas do país e que soluções são realmente expectáveis para certos sectores da sociedade. Não espanta que se queira mais esquemas de ajudas, mais transferências de fundos públicos e mais obras, de preferência infraestruturas com grande visibilidade. São, porém, soluções que até agora não impediram mais dependência do Estado, mais perda de massa crítica na população das ilhas, mais reforço da centralização e menos capacidade de aproveitamento de oportunidades. Pelo contrário. 

A realidade é que, depois de quarenta anos a viver enquadrado num modelo de desenvolvimento com base na gestão de fluxos externos designadamente doações, remessas de emigrantes, empréstimos concessionais e recentemente dívida externa, dificilmente se pode escapulir imediatamente para uma outra mentalidade que não aquela que valoriza a dependência e o espírito redistributivo. Os anos noventa foram os únicos durante os quais se pretendeu fugir desse modelo. As reformas políticas e económicas porém foram insuficientes para fazer emergir uma nova mentalidade de abertura ao mundo para conter as tendências autárcicas, uma cultura empresarial que contrariasse a cultura administrativa predominante e uma classe média autónoma que se diferenciasse da classe média criada pelo Estado e fosse a coluna vertebral de uma sociedade civil alerta e actuante. 

Nos 15 anos que se seguiram predominou o discurso ilusionista com foco na competitividade e no empreendedorismo. Serviu para camuflar a progressiva centralização do país apesar de alguma dinâmica nova devido ao turismo nas ilhas do Sal e da Boa Vista, mas não conseguiu instilar nas pessoas e nas instituições uma cultura de serviço e de resultados indispensável para combater a burocracia, para criar um bom ambiente de negócios e para incentivar a iniciativa privada. Esses anos terminaram com dívida pública pesada que agora constrange grandemente a possibilidade de futuros investimentos públicos para arrancar a economia e com crescimento anémico que desmotiva o investimento privado. Para além disso ainda ficou um lastro de chumbo: custo excessivo de factores designadamente energia e água, sistema de transportes marítimos e aéreos ineficazes e ameaçando colapso, infraestruturas em portos, aeroportos e estradas subaproveitadas, segurança pública comprometida, sistema de saúde aquém das necessidades e um sistema educativo inadequado e de qualidade duvidosa. 

É evidente que no novo ciclo político devia-se romper completamente com o modelo, a mentalidade e o discurso político que já pôs o país na situação difícil em que se encontra actualmente. Pelas reacções às palavras da ministra das Infraestruturas vê-se que isso ainda não aconteceu. Mas o tempo urge. As muitas incertezas no mundo de hoje deviam ainda ser mais um estímulo para se fazer rapidamente o corte e também para, parafraseando Marcelo Rebelo de Sousa, sem medo se “ver a realidade e decidir com visão e sem preconceitos”. 

O apelo feito às elites portuguesas também podia aplicar-se à classe política cabo-verdiana. Cabo Verde precisa de liderança esclarecida que não se enverada pelo discurso fácil e demagógico para ganhar eleições. Servir e respeitar o povo cabo-verdiano deve significar fazer discurso político plural com verdade e sem exploração desonesta das emoções primárias das pessoas. E isto aplica-se a todos tanto no governo como na oposição.  

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 760 de 22 de Junho de 2016.


segunda, 27 junho 2016 06:00 Publicado em Eitec

‘Juno’ prepara chegada a Júpiter, o momento crítico de uma missão que não se via há dez anos

“Vamo-nos meter no planeta com os mais terríveis níveis de radiação do Sistema Solar.” Assim resume Heidi Beck o desafio que enfrentará dentro de algumas semanas com seus colegas de equipa da NASA. No dia 4 de Julho, os EUA pretendem comemorar o dia da independência chegando a Júpiter com a sonda Juno, desenhada pela agência espacial norte-americana para bater o recorde de aproximação com o temível gigante gasoso. Com mais de 300 vezes a massa da Terra, Júpiter é o maior planeta do Sistema Solar, e também um dos mais perigosos. Esse super-planeta  dá uma volta sobre si mesmo a cada 10 horas, o que contribui para gerar um descomunal campo magnético no qual os eletrões ficam retidos, funcionando como projéteis contra qualquer coisa que se aproxima. A Juno, primeira nave a orbitar o planeta sobre seus polos, poderá responder a algumas perguntas importantes sobre a origem do Sistema Solar e também sobre a formação da Terra.

“Júpiter é a chave, foi o primeiro planeta a se formar no Sistema Solar, é o primeiro passo para nós”, diz Scott Brown, pesquisador-chefe da missão, citado pelo El País. A equipa concedeu entrevista coletiva na quinta-feira passada para apresentar suas novidades.

O interior desse planeta e sua origem continuam sendo um mistério, quatro séculos depois das primeiras observações científicas de Júpiter feitas por Galileu. Júpiter abriga mais matéria que todos os outros planetas, asteroides e cometas do Sistema Solar juntos. Na verdade, é mais parecido com uma estrela, pois seus dois componentes principais são o hidrogênio e o hélio, como o Sol. “Júpiter absorveu a maioria dos restos de gás e poeira que restaram depois da formação do Sol, e depois os demais planetas se formaram. Ou seja, nós, a Terra, somos a sobra da sobra do Sistema Solar”, explica Brown.

A chegada da nave aos arredores do planeta está prevista para as 20h35 do dia 4 de Julho (horário da Califórnia). Começará então a orbitar Júpiter a fim de estudá-lo durante um pouco menos de dois anos.

 

Será a maior nave a ter-se aproximado do gigante gasoso

Uma das principais perguntas que a missão se dispõe a esclarecer é se, abaixo da espessa atmosfera deste gigante gasoso, além da sua capa intermediária de hidrogênio líquido, há um núcleo feito de elementos pesados, os ingredientes básicos com os quais se formaram a Terra, Marte e o restante dos planetas rochosos.

Júpiter guarda muitas outras chaves para entender por que o Sistema Solar é como é. Pouco depois de sua formação, é possível que Júpiter tenha migrado, como uma enorme bola de demolição que teria destruído os primeiros embriões de planetas rochosos, mas também tornando-o habitável. Alguns especialistas acham que seu núcleo está desaparecendo lentamente — ou mesmo que já tenha desaparecido por completo quando do encontro com a Juno. E, além disso, esse planeta é crucial para entender a evolução da maioria dos planetas já descobertos fora do nosso Sistema Solar, já que também são gigantes gasosos.  

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 760 de 22 de Junho de 2016.

domingo, 26 junho 2016 19:33 Publicado em Mundo

O primeiro-ministro britânico não deverá invocar na próxima cimeira de líderes europeus o artigo sobre a saída de um Estado-membro da União Europeia (UE), por, nomeadamente, haver uma crise política, afirmou hoje, em Bruxelas, fonte comunitária.

domingo, 26 junho 2016 19:16 Publicado em Desporto

A Académica do Porto Novo qualificou-se hoje para a final do campeonato de Cabo Verde, em futebol, ao empatar a dois golos com o Derby, no Mindelo, e disputa a final do próximo fim-de-semana com o Clube Sportivo Mindelense.

domingo, 26 junho 2016 11:16 Publicado em Mundo

A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, afirmou hoje que é "altamente provável" que se realize um novo referendo sobre a independência, depois de o Reino Unido ter decidido abandonar a União Europeia.

domingo, 26 junho 2016 11:09 Publicado em Mundo

Mais de 36,5 milhões de espanhóis vão hoje às urnas para escolher os 350 deputados e 208 senadores que irão tentar desbloquear o atual imbróglio político em que o país vive há seis meses.

domingo, 26 junho 2016 10:59 Publicado em Economia

O empreendimento hoteleiro Aloé Vera Resort, do grupo Sal Holiday Group, do promotor austríaco Werner Strasser, vai financiar a iluminação do aeródromo de São Filipe para a realização de voos nocturnos para a ilha do Fogo.

domingo, 26 junho 2016 06:00 Publicado em Cultura

Oswaldo Osório, pseudónimo literário de Osvaldo Alcântara Medina Custódio, anunciou há quarenta anos o livro que será lançado na Praia no dia 29 de Junho agora com o título “As Ilhas do Meio do Mundo”. Numa narrativa memorialista, o romance traça um percurso de luta de mais de 50 anos que conduziu o autor por quatro vezes às prisões da polícia política portuguesa. Apesar de alguns desencantos, Oswaldo Osório continua a acreditar que é possível construir um mundo melhor do que aquele que temos, porque, como diz “é desagradável saber que há camadas da nossa sociedade que não têm aquele bem-estar com que todos nós sonhamos”.

Expresso das Ilhas – O seu livro foi anunciado há mais de 40 anos mas só agora vai ser lançado. Porque retardou a sua publicação por mais de quatro décadas?

Oswaldo Osório – Vicissitudes várias, mudança de S. Vicente para a Praia, uma grande prole para sustentar, a família, tudo isso contribuiu para que só mais tarde eu viesse a ter o sossego suficiente e o distanciamento necessário para pôr tudo no papel. 

 

O livro começa pelo ano de 1965 com o capítulo Sonhar a Pátria, mas os seus últimos relatos os quais intitula Sonhos Desfeitos  e Queda no Abismo são mais bem inquietantes. Há como que um desencanto com a pátria que sonhou?

Permita-me que faça uma pequena correcção: a primeira parte 1965 refere-se à data de um evento que nos obrigou a tomar consciência do que se passava  em Cabo Verde que é o retorno de algumas dezenas de imigrantes, em Abril de 1965, mas na verdade essa consciencialização começa em 1962, quando Tony é preso e que está em flashback no livro. 

 

Voltando à questão: há uma desilusão com a pátria que sonhou?

Não necessariamente com a pátria, mas talvez com medidas políticas dos sucessivos governos, porque é desagradável saber que há camadas da nossa sociedade que não têm aquele bem-estar com que todos nós sonhamos. Não digo que seja um bem-estar igualitário, mas num patamar aceitável. Por outro lado, constatamos que há classes aqui que subiram e deram um salto tremendo em termos de posse económico e de poder cultural também. 

 

Qualifica o seu livro como uma sagarela, portanto um diminutivo de Saga. São conhecidas três tipos de sagas: as reais, as genealógicas e as históricas. A que tipo de Saga pertence o seu livro?

A Saga, como sabe, é um género literário dos povos nórdicos. Eu quis retomá-la no seu sentido meio brumoso. Repare que eu falo no livro do mito da Pedra do Guincho, que existe no Barlavento, mas que vim a encontrar em Santiago. Às vezes são coisas inacessíveis e talvez o homem viva na inacessibilidade das coisas. Talvez o meu livro não seja uma retumbante aventura dividida em três partes [I-Sonha a Pátria, II- O Tempo e o Vento e III- Em Busca da Pedra do Guincho], porque a Saga está também dividida em três partes. Já no meu livro, a última parte projecta-se no futuro, não se sabe o que vai acontecer. Há um desejo de… Por isso as saídas de Lóni [protagonista do livro], vai a Moscovo, vai a Israel… mas não ficou contente com o que viu. De modo que será uma Saga incompleta, projecta-se no futuro e questiona-se qual será o destino destas ilhas e do seu povo. 

 

Que olhar lança através dos factos que narra?

Eu vivi intensamente desde os anos de 1950 o percurso histórico de Cabo Verde. Eu assisti, em 1957, a um embarque de contratados para São Tomé. É nessa altura que foi o Onésimo Silveira – ele não foi como contratado, fugiu – porque a nossa terra não tinha meios. Já não chovia nestas ilhas, as chuvas eram cada vez menos frequentes e não tinham outra maneira, senão sair. De modo que desde 1957, quando tinha 19 anos, é que me acordei para essa problemática das chuvas, dos problemas da emigração… Nós tínhamos tido outras emigrações anteriores a 1957, para os Estados Unidos, mas nos anos 30 fecharam essa emigração. Então, é um conjunto de histórias que me marcaram e eu conto-as para que a geração mais jovem conheça aquilo que foi a história de Cabo Verde, de forma a projectarem o seu futuro e o futuro destas ilhas. Nós nunca partimos do nada, cada etapa da vida social e económica e político-cultural de um país é feita de vários outros degraus que já subimos na vida. Não sei se me explico bem. 

 

Está bem explicado. Faltava dizer que tipo de Saga escreveu. 

De facto, não respondi concretamente a essa sua pergunta. Sim, é uma Saga histórica…

 

Portanto, factos que ocorreram na sua vida, foi preso duas vezes…

Quatro vezes, a última foi cá em Santiago, logo depois do 25 de Abril de 1974. Eu, o Arménio Vieira, o Lino Públio e o Arlindo Vicente Silva. Eles saíram todos, eu fiquei e  fui julgado de madrugada. Foi a minha última prisão. 

 

É visto mais como um intelectual, um poeta e escritor, e pelo menos a nova geração ignora todo o seu percurso de combatente da liberdade, de preso político…

Estive preso no Fortinho de El-Rei, em São Vicente, estive preso na Cadeia Civil em São Vicente, estive preso na Cadeia Civil da Praia, estive preso no Aljube, em Portugal, como relato no livro. 

 

Saltando para 1974. Diz que nunca os dias correram tão depressa. Como viveu o 25 de Abril?

Ansioso, muito ansioso, participando em tudo, colaborando em todas as actividades culturais e políticas com reuniões atrás de reuniões. O país não tinha nada, não tínhamos parque automóvel, não tínhamos rede telefónica… Na altura eu tinha 37 anos, havia muito djunta mó, estávamos todos empenhados em criar uma pátria que não fosse madrasta, mas mãe de todos nós. De qualquer forma havia muita militância e posso dizer que foi um momento muito grande na vida de todos nós. Grande entusiamo, grande esperança. Vou-lhe dizer uma coisa: toda a gente faz cabeça dura. Aquele relato que eu faço em S.Vicente das brigas entre jovens talvez prefigurasse o que viria a ser com a nossa juventude hoje. As coisas que os jovens fazem agora são desmesuradamente más que podem prenunciar coisa pior no futuro. Nunca vi, com os meus 78 anos de vida, o que estou a ver agora. Nunca considerei que pudessem acontecer numa terra de liberdade como Cabo Verde. Alguma coisa vai mal. 

 

Augurava algo muito melhor para a nossa juventude. 

Augurava, não só para a nossa juventude, mas para todo o povo cabo-verdiano. Não necessariamente que todos tivéssemos o mesmo nível de vida. Questiono-me porquê esse desequilíbrio económico que há entre os possidentes e os não-possidentes. Nota-se claramente.

 

Surgem no livro duas pessoas que não viveram o dia da independência. Chico Varela, hoje quase esquecido e Jaime Figueiredo. Em que circunstância morreram?

Eu conheci o Chico Varela em S. Vicente, antes de ter vindo à Praia. Ele tinha sido transferido para S. Vicente como funcionário da Fazenda. Foi em S. Vicente que o conheci e o meu compadre Hélio Cordeiro Gomes. Desde cedo nós nos tornamos amigos. Chico era um homem culto, lia bastante e lembro-me que na altura o irmão dele tinha sido preso em S.Vicente. Foi levado para a Cadeia Civil e torturam-no de tal maneira que alegadamente depois suicidou-se. Ele é que se suicidou ou houve qualquer coisa…Mas naquele tempo nada se podia fazer. Conversámos sobre tudo isso e desde essa altura nos tornamos amigos. Depois do 25 de Abril o Chico fechou-se em si próprio e veio a morrer por se ter escorregado literalmente numa casca de banana. Foi uma tristeza grande. 

 

E o Jaime Figueiredo?

Jaime Figueiredo era um intelectual brilhante, um homem extraordinário, lia muitos livros. Também era conservador, não era bibliotecário. Era conservador da Biblioteca da Praia. Foi um homem que toda a gente admirava na Praia. 

 

Qual era a posição dele em relação à independência?

O Jaime era um homem prafrentex como se costumava dizer. Avant la lettre em muita coisa.  Ele foi chamado em 1974 pelo então Governador de Cabo Verde para organizar uma antologia dos novos ensaístas cabo-verdianos. O Jaime era bem-falante e então o governador pergunta-lhe ‘você como bom português que é, acede fazer este trabalho?’ Ele responde ‘não, eu sou de Santiago, sou cabo-verdiano’. Ele disse tudo. Não fez a antologia. 

 

Em que circunstâncias morreu Jaime Figueiredo?

É uma coisa complicada. Segundo me contou o Bets Almeida, eles estavam a tomar um drink num bar-restaurante, nos arredores da Praia, e sentiu-se indisposto. O Bets ofereceu-se para ir chamar um táxi, mas ele insistiu em ir a pé. Chegou ao hospital e também segundo se diz, aplicaram-lhe uma injecção e passado pouco tempo como não se sentia melhor, aplicaram-lhe mais uma injecção e no dia seguinte estava morto. Agora, como há muitas lendas, não sei. 

 

A versão que eu conheço é que foi espancado numa rua do Platô e veio a falecer no hospital.

Não, mentira, ele não foi espancado. O Jaime Figueiredo tinha licença de uso e porte de arma e andava sempre com a sua pistolinha. Aconteceu depois do 25 de Abril, os meninos para poderem ter uma arma, fizeram-no cócegas, ele pôs-se a rir e tiraram-no a pistola. Foi isso que fizeram, mas não lhe bateram. Até porque a morte do Jaime é posterior a esse incidente da arma. 

 

Saltando para o capítulo À espera do 5 de Julho e o orgulho de reinventar a vida. O que significou a independência para si?

Foi o cortar de todas as amarras, foi o peito cheio de ar lançado para a conquista de tudo. Muita gana de vencer e mãos ao trabalho; todos nós daquela geração, mesmo os mais jovens estavam para trás. Foi um tempo muito rico, cultural, politicamente; havia troca de experiências com os cooperantes que vinham de todos os países. Foi formidável. 

 

Escreve na página 128 que estas ilhas estariam antropológica e socialmente virgens, permitindo ensaiar com a independência um novo tipo de relações humanas e de sociedade. Havia algo de utópico nesta construção?

Sem utopia você não consegue chegar a parte alguma. Fernando Pessoa tem muita razão quando diz que o sonho comanda a vida. Se você não projectar, não faz nada. É que o lastro físico que nós temos é tão pesado que se você não tiver a capacidade de sonhar, você não voa. Não faz coisa nenhuma. Mas às tantas a sociedade parece que se acomoda. Quando algumas camadas se tornam possidentes e se sentem senhores não sei de quê, porque ninguém é senhor de nada, o sonho começa a se tornar muito pessoal, não para todos. Aí é que reside o mal.    

 

Refere nas suas memórias que o golpe de estado na Guiné-Bissau em 1980 teve reflexo negativo em Cabo Verde. Como viveu este período?

Abalou as pessoas, porque era algo que não se esperava. Ouve uma cisão grande…

 

E a participação popular retrai-se, como escreve. 

Eu acho que não é bem retracção. O cabo-verdiano tem uma grande capacidade em se adaptar a situações as mais adversas. O que houve foi uma retracção em termos partidários, porque o golpe abalou nos seus alicerces a unidade Guiné-Cabo Verde. Então quando há essa cisão o partido enfraquece. De tal maneira que começaram a auscultar o que é que os militantes sentiam. Eu lembro-me bem de alguém ter-me perguntado a minha opinião sobre o fim da unidade Guiné-Cabo Verde para saberem com quem podiam contar. Eu disse ‘diz-se que a unidade Guiné-Cabo Verde é o calcanhar de Aquiles da teoria de Amilcar Cabral’.  Houve alguém, mas não vou dizer o nome, que me disse ‘Osvaldinho, Olvaldinho’. Havia um outro que disse ‘no partido não se entra, nem se sai, como se entra num clube de futebol’. Hoje é outra coisa, qualquer um entra e saiu de um partido quando lhe der a gana. 

 

Mas Ovídio Martins sai.

Sim, Ovídio Martins sai. Ele escreveu uma carta ao partido a pedir a sua saída, porque tinham dado cabo da unidade. E saiu. Mas se fosse um que não tivesse a projecção de Ovídio Martins a coisa não ficaria assim. Es ta dava el um txutxidura.

 

Ovídio é hoje um poeta quase esquecido, mas foi um homem que se sacrificou pela independência.

Sim, foi um batalhador incansável no sentido cultural. A deficiência auditiva limitava-o bastante. Portanto, fez da escrita a sua arma que esgrimiu como poucos.   

  

Em 1986 realiza-se o Simpósio Claridade, da qual resulta uma reconciliação entre as velhas rivalidades literárias e desejava que na política assim fosse, mas como escreve, nesse domínio, os protagonistas são menos apaziguadores. Porque é que não houve essa reconciliação política?

Porque a política dita e você tem que obedecer, enquanto os homens de cultura confrontam ideias. Mas na política não. A política é por si ditatorial, não é inocentemente que são homens de acção. Tem que ser assim e faz-se assim.

 

No final do livro escreve que a perspectiva que se tinha ontem de determinadas coisas não é o que se tem hoje. Qual é hoje a sua perspectiva?

Hoje eu acho que a começar pelo bem maior destas ilhas que são a nossa gente, temos hoje jovens formados em quase todas as áreas. Imagine que em 1950 São Vicente tinha apenas quatro médicos nacionais. Hoje só em Portugal, temos acima de 100 médicos que não regressaram. Não é preciso dizer mais nada. 

 

Se nascesse de novo voltaria a percorrer o mesmo caminho que traço no seu livro?

Voltaria, mas com as alterações que certamente o meu espírito e minha mente fariam para se adaptarem ao tempo e ao espaço em que viveria.  

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 760 de 22 de Junho de 2016.

domingo, 26 junho 2016 06:00 Publicado em Autárquicas 2016

Depois das legislativas e agora com 22 círculos eleitorais, as Autárquicas constituem o próximo desafio eleitoral de Cabo Verde. A Presidente da Comissão Nacional de Eleições, Maria do Rosário Pereira, garante que aos preparativos decorrem na normalidade e que medidas estão a ser tomadas para evitar a repetição de alguns incidentes nomeadamente na composição das mesas de voto. Com duas eleições a decorrer no espaço de um mês, o desafio será maior. A presidente da CNE apela ainda ao exercício de uma campanha democrática, com maturidade, por parte dos candidatos, e à participação massiva do eleitorado. Maria do Rosário Pereira mostra-se, entretanto, confiante de que as boas práticas que têm vindo a pautar as eleições cabo-verdianas se vão manter nas eleições de 4 de Setembro.

Desde as eleições legislativas de 20 de Março, como tem decorrido o processo de recenseamento, no país e na diáspora (embora os não residentes no país não votem nas autárquicas)? 

Na normalidade. De acordo com as informações avançadas pelo Serviço Central de Apoio ao processo eleitoral conseguiu-se, desde 20 de Março, 7.273 novos inscritos no território nacional, e na diáspora as inscrições decorrem na normalidade. Entretanto, os dados oficias serão publicados no Boletim Oficial pelo Serviço central de Apoio ao Processo Eleitoral.

 

Em que medida preparar umas eleições autárquicas difere das eleições legislativas e presidenciais?

Em termos logísticos a não participação da diáspora pode tornar mais fácil a organização, nomeadamente a distribuição e recolha de material de votação. Em contrapartida, a delimitação territorial a nível de cada Concelho aumenta o número de círculos para 22, o que torna mais complexa a produção dos boletins de votos. Por outro lado, nas eleições autárquicas participam os cidadãos estrangeiros, apátridas e lusófonos o que implica a elaboração de mais e diferentes cadernos eleitorais. 

 

Tivemos, nas eleições de Março, alguns problemas, nomeadamente de mesas que abriram tarde e de falta de comparência de algumas pessoas designadas para essas mesas. O que está a ser feito para evitar que situações como essas se repitam?

As operações levadas a cabo pelas mesas de assembleia de voto são de capital importância e têm forte impacto na credibilidade e aceitação dos resultados eleitorais, motivos pelos quais, a CNE registou com grande preocupação os incidentes verificados nas eleições legislativas, principalmente na Praia. A CNE está resoluta e convicta de que tais incidentes não se repetirão nas próximas eleições, tendo para o efeito traçado um plano de trabalho e, neste momento está em curso a criação de uma bolsa de membros de mesa na Praia, concelho onde tivemos problemas na composição e funcionamento das mesas de assembleia de voto. Com a composição e aprovação de uma bolsa de membros de mesa, o processo de composição das mesas com a participação dos candidatos será mais simples, na medida em que os nomes terão de ser indicados de entre as pessoas constantes na bolsa de membros de mesa.

Por outro lado, e para todos círculos eleitorais, iniciaremos mais cedo o processo de composição das mesas de assembleia de voto, de forma a evitar que o processo seja conduzido sob pressão e estresse. É importante realçar que a recusa, falta injustificada ou abandono da função de membro de mesa de assembleia de voto está prevista e punida com pena de prisão até um ano ou com pena de multa até dois anos, art. 317º do CE, cabendo, por isso, à CNE fazer um trabalho de sensibilização das pessoas sobre a importância dessa função no processo eleitoral, reforçando ao mesmo tempo a responsabilidade e responsabilização das pessoas designadas para fazer parte da mesa.

 

Há algum município considerado mais problemático ou complexo, ou seja, onde a CNE estará mais atenta?

 Devido ao número de população, os Municípios da Praia, São Vicente e Santa Catarina de Santiago, nos termos da lei vigente, têm maior número de membros de Assembleia e Câmara Municipal e, por conseguinte terão maior número de candidatos nas listas, o que justificou, também, a decisão da CNE em aumentar o número de Delegados nesses Concelhos de 1 para 5, 2 e 3, respetivamente. O reforço de Delegados visa, essencialmente, melhorar o acompanhamento e fiscalização do processo, principalmente durante o período legal de campanha eleitoral.

 

Entretanto, o sistema de apuramento dos resultados das eleições funcionou bem nas legislativas. Será usado o mesmo sistema?

A divulgação dos resultados em tempo real, através de diversas plataformas digitais e televisão, é importante na medida em que a diminuição do tempo de espera pela divulgação dos resultados reduz o estresse e conseguintemente, minimiza potenciais, focos de conflitos. 

A transmissão de resultados provisórios através dos meios tecnológicos de informação tem sido fiável, e tem contribuído para o reforço da transparência do processo, pelo que, em princípio, será utilizado.

 

Quais as regras agora para a comunicação social? É obrigatório falar de todos os candidatos, por igual? 

Aos órgãos de comunicação social, em geral, continuam adstritas as regras previstas no Código Eleitoral (CE), nomeadamente, as restrições impostas à divulgação de sondagens no art. 99º do CE desde 18.08.2016 e, inexistindo uma declaração de inconstitucionalidade, mantêm-se as restrições previstas no artigo 105º nº 2 a partir de 06.07.2016.  

Em especial, as publicações periódicas que não sejam propriedade de entidades públicas não estão obrigadas a inserirem matéria respeitante aos actos eleitorais em todos os seus números durante o período de campanha, mas se decidirem incluir matéria relativa aos actos eleitorais devem reger-se pelos critérios de absoluta isenção e rigor, evitando qualquer discriminação entre as diferentes candidaturas, quer quanto ao tratamento jornalístico, quer quanto ao volume dos espaços concedidos. 

Entretanto, é relevante esclarecer que os deveres de absoluta isenção e rigor e de não discriminação a que estão adstritas as publicações periódicas publicas ou privadas não se aplicam às publicações periódicas que revistam qualidade de órgãos oficias dos partidos políticos, nos termos conjugado dos artigos 114º e 115º do Código Eleitoral.

 

As autárquicas estão marcadas para 4 de Setembro e as Presidenciais serão a 2 de Outubro. Apenas cerca de um mês de intervalo. É um espaço de tempo que permite uma boa preparação?

Enquanto órgão de gestão e responsável máximo da administração eleitoral recai sobre a CNE a obrigação de organizar e executar ambas as eleições, e a CNE está empenhada em cumprir escrupulosamente todas as suas obrigações, independentemente de as condições serem boas ou adversas. Certo é que poderá haver sobreposição de alguns actos eleitorais das duas eleições, nomeadamente, a suspensão da inscrição no recenseamento eleitoral, o que poderá acarretar a não retoma da inscrição no recenseamento para as eleições presidenciais, depois da suspensão da inscrição para as eleições autárquicas. A realização de duas eleições com menos de um mês de intervalo constitui mais um desafio a que todos os órgãos de administração eleitoral, partidos políticos e candidatos, mas acima de tudo os eleitores, são chamados a vivenciar e ultrapassar, com sucesso. A CNE tudo fará para que ambas as eleições decorram na normalidade e sejam, como habitualmente, transparentes, livres e justas. Aos candidatos, pensamos ser importante  que cada um faça da sua campanha eleitoral um espaço de pedagogia da democracia, de demonstração de maturidade política e de civismo, com apresentação de propostas, permitindo a cada eleitor exercer o direito de voto na legalidade, paz e tolerância, exteriorizando cada um livremenete a posição que lhe pareça melhor para a defesa dos interesses, nesse caso, do seu Concelho. Aos eleitores, apelamos, a  já habitual serenidade e civismo e, acima de tudo  apelamos à participação  massiva na eleição de 4 de Setembro , tendo  em  conta  a importância  dessa eleição, a nível de cada Munícipio.  

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 760 de 22 de Junho de 2016.

domingo, 26 junho 2016 00:02 Publicado em Desporto

Começou este sábado na lha das Dunas o II Festival Internacional de Xadrez, que irá prolongar até 2 de Julho.

Neste primeiro dia, na Esplanada Silves, em Sal Rei, o Mestre Internacional português Rui Dâmaso conduziu uma simultânea onde participaram várias crianças locais (foto).

Hoje, domingo, pelas 21:00 Horas, terá início o II Torneio Internacional de Xadrez da Boa Vista, que é o “cabeça de cartaz” deste Festival.

Trata-se do Torneio mais forte, até hoje, realizado em Cabo Verde, contando com a participação de três dos cinco melhores jogadores portugueses da actualidade: GM Luís Galego, MI Rui Dâmaso e o GM António Fernandes, actual Campeão de Portugal e recordista de títulos lusos (14).

Neste importante torneio, o 2.º realizado em Cabo Verde homologado pela FIDE (Federação Internacional de Xadrez), os participantes nacionais são: Carlos Mões (S. Vicente), Arlindo Rodrigues (St. Antão), Sidney Spínola (Sal), António Monteiro (Praia) e Éder Pereira (Boa Vista).

Sob a arbitragem do nosso único árbitro licenciado pela FIDE, Francisco Carapinha, recém-eleito presidente da Federação Cabo-verdiana de Xadrez, este torneio promete tornar-se em mais um marco na história do xadrez crioulo.

Todas as sessões deste torneio serão realizadas no Centro de Artes e Cultura, em Sal Rei, e este domingo, na primeira sessão, poderemos assistir às seguintes partidas:

Pereira, Éder

CPV

-

GM

Fernandes, António

POR

Rodrigues, Arlindo

CPV

-

GM

Galego, Luis

POR

Spínola, Sidney

CPV

-

IM

Damaso, Rui

POR

Mões Joaquim, Carlos

CPV

-

 

Monteiro, António

CPV

 

Este Festival Internacional de Xadrez, é uma organização da Câmara Municipal da Boa Vista, com a estreita colaboração da Federação Cabo-verdiana de Xadrez, numa parceria que consegue realizar, em Cabo Verde, um certame de enorme qualidade e de grande prestígio internacional.

 

sábado, 25 junho 2016 14:23 Publicado em Economia

O primeiro complexo turístico dedicado à lusofonia vai começar a ser construído em Janeiro na ilha de Santiago com apostas fortes na divulgação cultural dos países de língua portuguesa e no turismo de saúde.

sábado, 25 junho 2016 13:30 Publicado em Cultura

Os artistas cabo-verdianos, Mayra Andrade e Jorge Neto vão estar juntos pela primeira vez, numa actuação na IIª edição da Gala Somos Cabo Verde.

 

sábado, 25 junho 2016 12:32 Publicado em Mundo

O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Frank-Walter Steinmeier, declarou hoje que os seis fundadores da União Europeia (UE), que estão em Berlim para analisar o 'post-brexit', "não deixarão nunca que lhes tirem a sua Europa".

sábado, 25 junho 2016 12:10 Publicado em Mundo

Mais de um milhão de britânicos já assinaram uma petição ao Parlamento para realizar um segundo referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia (UE), depois da vitória do brexit numa primeira consulta na quinta-feira.

Depois da vitória do brexit, com 51,9% dos votos, no primeiro referendo na quinta-feira - que deixou o país profundamente dividido -, a página da Câmara dos Comuns na Internet colapsou devido ao elevado número de pessoas que entraram para aderir à proposta.

O texto, proposto por um cidadão que se identificou como William Oliver Healey, pede aos deputados para introduzirem uma norma que force a convocação de um segundo referendo caso a votação pela saída ou permanência na UE esteja abaixo de 60%, com uma participação de 75%.

Numa mensagem na página da Internet, a Câmara dos Comuns sublinha que agora esta petição será debatida, como todas as iniciativas de cidadãos que reúnam mais de 100.000 assinaturas.

A comissão de petições reúne-se na próxima terça-feira, dia em que poderia decidir se aprova o debate sobre este assunto.

Na quinta-feira, 51,9% dos votantes britânicos optaram pela saída do Reino Unido da UE, contra 48,1% que preferia manter-se, numa consulta com uma participação de 72,1% dos eleitores.

O resultado precipitou o anúncio da demissão do primeiro-ministro britânico, o conservador David Cameron, e levou os líderes da União Europeia a pedir ao Reino Unido para iniciar o processo da retirada do bloco comunitário "o mais rapidamente possível. 

sábado, 25 junho 2016 12:03 Publicado em Política

O analista político Corsino Tolentino compara o abandono da União Europeia (UE) pelo Reino Unido a um abalo sísmico, defendendo que esse facto pode levar à reformulação do Acordo de Parceria Especial entre Cabo Verde e a Europa.

sábado, 25 junho 2016 06:00 Publicado em Exclusivo

O preâmbulo é quase sempre o mesmo. Girl meets boy, a certa altura a temperatura aquece, as roupas caem e a intimidade, em maior ou menor grau, real ou virtual, acontece. Na era digital, fortemente sexualizada, pouco parece escapar à febre do registo da imagem. Vídeos e fotos são feitos. Depois, por motivos diversos entre os quais se destaca a vingança, essas imagens íntimas acabam nas redes sociais.

sábado, 25 junho 2016 06:00 Publicado em Economia

O economista, consultor para o Investimento Directo Estrangeiro e promotor de Projectos decidiu candidatar-se para liderar a Câmara de Turismo de Cabo Verde (CTCV). Numa carta enviada aos sócios, a que o Expresso das Ilhas teve acesso, Victor Fidalgo defende uma reestruturação interna e funcional do organismo.

sábado, 25 junho 2016 06:00 Publicado em Exclusivo

O último momento de evolução da cidade africana de matriz portuguesa, em Cabo Verde, ocorreu no século XX e correspondeu a um período caracterizado pela utilização do Plano de Urbanização como principal instrumento de intervenção urbana. Nos pequenos aglomerados populacionais, os planos utilizaram os elementos tradicionais de composição e estabeleceram operações de consolidação e crescimento que procuram um entendimento do espaço urbano como algo compacto e finito, contínuo e com uma forma pública bem definida. Pelo contrário, a explosão demográfica nas cidades motivou a elaboração de Planos Directores para a reestruturação dos tecidos, optando ideologicamente por uma postura de ruptura com as formas urbanas do passado que, ainda sob a influência do pensamento do Movimento Moderno, puseram em causa os princípios de continuidade, compacidade e legibilidade que caracterizavam a cidade colonial. As cidades imaginadas poderão nunca ser materializadas na sua totalidade, mas poderão ser resgatadas e vividas pela história. É este o sentido e a utilidade do livro de Sérgio Padrão Fernandes, como explana nesta entrevista,  a propósito da Semana do Urbanismo   que decorre na M-EIA, em S.Vicente,  a partir de amanhã até  30 de Junho.   

LP/LL — O seu livro é uma importante contribuição para a compreensão do que são hoje as nossas cidades. Como é que vê essa evolução: de cidades imaginadas a cidades reais, as que hoje vivemos, especialmente a da Praia e do Mindelo?

SPF — Acho que as cidades que estão retratadas neste livro e foram imaginadas entre 1934 e 1974, existem hoje em Cabo Verde. Nelas estarão algumas contribuições daquilo que para elas foram imaginadas, umas vezes mais outras vezes menos. Em S. Vicente podemos referir dois exemplos muito evidentes: o caso do pequeno aglomerado da Baía das Gatas em que para ali foi imaginado em 1950 não tem nada a ver com aquilo que está ali hoje. O outro exemplo é o caso da Marginal do Mindelo que parte daquilo que para lá foi imaginado se construiu. No caso da Baía das Gatas, na altura um contexto mais natural do que é hoje, já lhe tinha sido identificado uma vocação turística, actividade que a partir de 1940 começa a emergir e se designou como turismo balnear. Tanto assim que quase todos os planos que se fazem a partir dos anos 60, começam a precaver e a identificar com mais intensidade as qualidades da paisagem para esta vocação turística. O plano para aquele sítio é de 58, já estava identificada a qualidade daquele lugar e hoje efetivamente temos um sítio de vocação turística, mas que não tem nada a ver com aquilo que para lá foi imaginado. Para a cidade do Mindelo e da Praia, estas duas grandes cidades-porto, fizeram-se mais planos e algumas coisas acabaram por serem construídas. No caso no Mindelo, uma delas é emblemática até porque está na capa do meu livro, é a Marginal do Mindelo. Aquela que temos hoje é resultado do plano que é desenvolvido em 1966 pela arquitecta Maria Emília Caria. É um exemplo de um elemento urbano de uma parte da cidade extremamente importante e profundamente estrutural e que é resultado dos planos que são feitos neste período. Acaba por ser começado a construir a meados dos anos 60 mas há uma identificação daquele espaço como um espaço de oportunidade importante da cidade já no fim da década de 50. Há um plano que começa por ser muito polémico que é o do arquitecto Aguiar que não é bem um plano é um esboceto. Este plano que é de 59 identifica o espaço onde se localizavam os armazéns das antigas carvoeiras inglesas e que estavam cada vez mais obsoletos. O arquitecto João Aguiar identifica esse grande espaço de oportunidade e projecta um novo elemento que fosse um espaço urbano importante, de referência, uma nova frente da cidade que fosse também um espaço de representação. A ideia de abertura desta avenida marginal tem um propósito similar àquele que motivou o projecto da marginal de Ponta Delgada, nos Açores, cujo plano também foi feito pelo arquitecto Aguiar que, inserido no novo movimento urbano, cria uma nova imagem para a cidade. 


Ponta Delgada e Mindelo

Naturalmente Ponta Delgada e Mindelo não têm nada a ver, são completamente diferentes, têm especificidades muito muito próprias. No entanto este elemento tem alguma semelhança. Não foi o arquiteto Aguiar que desenhou a marginal no Mindelo mas deixou lá uma espécie de embrião que depois foi reciclado nos diversos planos que se foram elaborando e que se vão sucedendo. É o que o arquitecto José Luís Amorim faz em 1960. Reconhece a importância desse espaço importante e procura desenhá-lo. Não o termina e mais tarde, já em 66, o arquitecto Branco Ló realça a importância de actuar nesse espaço que veio, nesse mesmo ano a ser efectivamente desenhado e caracterizado pela arquitecta Emília Caria. Na verdade a marginal se faz com o resultado deste plano! A propósito desta operação de Maria Emília Caria — que teria sido informada dos trabalhos que o arquitecto Aguiar já tinha feito — ela reconhece que esse espaço é importante para cidade. Um espaço “canal”, uma rua articulada com um conjunto de pequenos largos ou espaços públicos de representação, associados a edifícios muito próprios. Mas a Maria Emília Caria que tinha sempre uma preocupação muito grande com a questão técnica e da eficácia das próprias soluções entende que este espaço deveria ser também entendido não só como um espaço público, mas também como uma importante infraestrutura urbana. Deveria ser um oleoduto que partindo dos depósitos de abastecimento dos novos navios (que já não são a carvão) e que deveriam estar a Sul. Estando o porto a Norte, teria que haver aqui um caminho para este oleoduto que vai ser integrado com o desenho da marginal. Portanto, há aqui uma intenção muito clara daquilo que é a construção do espaço público de importância para fruição dos seus habitantes, mas também uma infraestrutura urbana. Porque a cidade do Mindelo é sobretudo uma cidade-porto, a questão da infraestrutura portuária é sempre muito presente nesta intervenção. 

 

Processo da construção do Mindelo

Ainda a propósito das cidades imaginadas e da sua importância para a compreensão das cidades de hoje eu acho que é muito importante este livro no sentido da compreensão entre aquilo que foi um processo histórico e aquilo que foi um processo de construção da cidade. Duas linhas distintas entre o processo histórico de construção da cidade e o processo histórico daquilo que foi pensado para a cidade.  Esta leitura do contexto a partir das coisas que efetivamente foram sendo materializadas na cidade e conseguimos percebê-las também no livro. É por isso que o livro traz o título desta designação de cidades imaginadas para que possamos através dele compreender o processo histórico das ideias que foram pensadas para cada uma das cidades. Muitas delas apesar de não terem sido materializadas são importantes. Porque se não tivemos a responsabilidade de intervir nestes sítios é sempre importante percebermos o que está materializado nos sítios, como é que foi materializado e quando foi, mas também perceber o que para lá foi imaginado e porque é que não foi construído.

 

E em relação à cidade da Praia?  

Em relação à cidade da Praia há um conjunto de documentos que é particularmente fascinante. Feito por três arquitectos, não é propriamente um plano mas uma espécie de esboceto que foi organizado para o Platô. Foi desenhado pelo arquitecto José Luís Amorim, em 61. Em 62 há um novo retomar dos mesmos problemas de reorganização desta parte da cidade pelo arquitecto Jorge Branco Ló. 

 

Reorganização do Platô

No fim da década, em 69, a arquitecta Maria Emília Caria, e porque nada ainda tinha sido feito —, nada daquilo que o arquitecto Amorim e o arquitecto Branco Ló tinham pensado —, a arquitecta volta a repensar o Platô para o enquadrar numa grande reorganização de toda a cidade. Estes documentos e esta reorganização do Plateau são integrados no plano diretor da cidade, mas nada disto volta a ser feito. Portanto há uma necessidade sucessiva de vir a pensar os problemas para o Platô. Nesta altura, desde o início dos anos 60 os problemas que se identificavam no Platô tinham a ver com duas questões: por um lado, aquilo que tinha sido uma qualidade quando foi transferida a capital da Cidade Velha para a Praia porque a Cidade Velha era muito vulnerável e não tinha capacidade de ser protegida; por outro lado este sítio onde estava a Vila de Santa Maria, porque era uma área de planície, mas num planalto, oferecia facilidade para o assentamento urbano. Estávamos simultaneamente próximos do porto, mas também protegidos dos ataques dos piratas que vinham do porto. Estas características territoriais dadas pela paisagem e pela geografia é que estimula que seja feita a transferência da capital para aqui. Acontece que esta característica que no fundo está na origem da afirmação deste sítio como uma cidade e como a capital do arquipélago, em 1960 torna-se um problema. Há uma grande dificuldade de relacionamento entre a zona da cidade baixa, a ribeira e o porto e a cidade alta, institucional, onde estava a principal zona habitacional da cidade. Portanto, há aqui uma dificuldade de relacionar. Até parece perverso. Aquilo que se apresentou como qualidade, passados uns anos torna-se um problema. Mas é mesmo assim. Os planos debatem-se com essa questão de como resolver a mobilidade nesse contexto, sobretudo através do automóvel que começa a ser cada vez mais vulgar — como é que se ligam essas duas realidades, como é que se liga o porto à cidade alta? A segunda questão tinha a ver com o reforço do papel monumental deste sítio. A Praia não tem uma catedral porque a catedral está na Cidade Velha e entende-se que havendo uma monumentalização da cidade esta se pode fazer a partir da construção de uma nova catedral. Uma nova catedral, uma nova praça, um grande espaço com grandes elementos urbanos de representação. Estas são as duas grandes questões que o arquiteto Amorim procura resolver para a cidade da Praia, em 1960. Em 1969 a arquitecta Maria Emília Caria encara os mesmos problemas, mas não se preocupa tanto com a questão do monumentalização e com a implantação da nova catedral. A arquiteta centra o seu plano, sobretudo na questão da mobilidade, na dificuldade de mobilidade entre a cidade baixa e a cidade alta. Para resolver esse problema traça um conjunto de vias modernas que hoje seria uma forma muito brusca de intervenção e que rasgaria transversalmente o Platô. De certa maneira, em alguns planos, ainda bem que não foram feitos porque resultariam numa profunda transformação deste contexto do edificado com a abertura de grandes túneis: profundas demolições que implicavam grandes recursos financeiros e teriam impactos, às vezes muito violentos, na própria vida das pessoas. Portanto, alguns destes planos porque tinham implicações dessa natureza acabaram por não ter sido efetivamente construídos.Provavelmente se esses documentos tivessem sido concluídos, sobretudo os da arquitecta Maria Emília Caria, parte das qualidades que nós hoje reconhecemos nessa parte da cidade da Praia não estariam lá. Portanto, de certa maneira, nalguns planos imaginados ainda bem que não foram materializados.

 

Como aborda no seu livro a questão das zonas informais das duas cidades, do Mindelo e da Praia?

O meu livro pretende contextualizar esta questão no período entre os anos 30 e 60, sobretudo na década de 60, onde esses bairros informais já tinham uma presença tanto na cidade Mindelo como na cidade da Praia. Uma presença particularmente considerável. À semelhança daquilo que também acontecia em Lisboa, em Portugal Continental, olhavam por esses contextos da seguinte maneira: primeiro tentavam não olhar; depois e, como como progressivamente era mais difícil olhar, preocupavam-se com o problema. É por isso que aparece em 1960 as Zonas de Ocupação Imediata (ZOI). Mas as (ZOI) são zonas delineadas não para um sítio onde já existe uma ocupação, mas para áreas que estão mais ou menos ao lado. Digamos que eu não sei o que é que hei-de fazer aquelas áreas construídas informalmente, mas estou aqui a tentar resolver um problema. Portanto, há um problema de habitação que é urgente, há aqui uma zona prioritária para se poder tratar desse problema, mas as outras áreas que estão construídas eu não sei bem o que é que eu lhes vou fazer.  

 

Qual é a contribuição que o seu livro pode dar à   questão dos bairros informais no Mindelo e na Praia? 

A contribuição seria reconhecer que o problema dos bairros informais no Mindelo e na Praia não é de hoje, não é um problema do século XXI nem do Cabo Verde pós 1974. É um problema que já existia em Cabo Verde desde meados do século 20. Através do livro conseguimos perceber um pouco da raiz desse problema, mas não profundamente. Não conheço tão bem como é que surgiram estas novas áreas, estes novos contextos edificados à volta destas cidades. Mas sei, por exemplo, que muitas destas áreas que surgem nas cidades, sobretudo nas cidades da Praia e do Mindelo — cidades que tem uma particularidade, são cidades-porto — devem-se ao crescimento demográfico que nelas acontece a partir de meados dos anos 50 devido ao incentivo do Estado português no que se refere a grandes infraestruturas portuárias e nas cidades. As pessoas vêm à procura de trabalho no porto e vão ficando. 

 

Rápido crecimento nos anos 60 

Dá-se um crescimento rápido das cidades sobretudo a partir dos anos 60. Vêm à procura de trabalho no porto porque se sabe que é um local de trabalho, mas também de oportunidade. Pensam, aqui eu posso ficar, eu posso trabalhar, daqui eu posso deslocar-me também em busca de uma oportunidade noutro lugar: América, Brasil, Angola… Vêm à procura dessas oportunidades e vão ficando. A origem destas áreas precárias de habitação tem a ver com isso. Não estão preocupadas a construir uma casa no sentido de abrigo mais permanente, mas uma coisa precária porque não sabiam se seria abrigo para muito ou por pouco tempo. Interessavam resolver um problema que podia ser às vezes de dias, de semanas, de meses, porque de um momento para outro podia ir fazer a vida para outro lado. A própria precariedade que ainda há pouco referia tinha a ver com isso. Não será  um problema que se põe hoje, mas a génese dessas áreas tem a ver com o porto com as actividades dos portos, atividades que continuam, naturalmente, mas no contexto de hoje. 

Urbanização de Mindelo - Plano Parcelar da Zona Marginal

Maria Emília Caria, 1966


Urbanização da Praia – Zonamento e Equipamento previsto

Maria Emília Caria, 1966

 

O escritor e médico Teixeira de Sousa, na qualidade de presidente da CMSV no início dos anos 60, é algumas vezes referido no seu trabalho de investigação pelas críticas frontais que fez aos projetos de urbanização do Mindelo e produzidos na então Metrópole, que, segundo ele, estariam pouco adequados à realidade cabo-verdiana. Teria ele razão?

Teixeira de Sousa tinha razão. Acho que sim, mas tenho que explicar. Henrique Teixeira de Sousa diz um conjunto de coisas muito interessantes sobre a experiência dele na Câmara de São Vicente. Tanto que há umas que eu cito, que eu utilizo no livro. Normalmente no que escrevo gosto de ter alguns companheiros que dizem coisas importantes. Autores que constituem para mim uma referência. As pessoas que eu pus a depor neste livro, nestes três capítulos, são: Elídio do Amaral, geógrafo, no primeiro capítulo; depois, o arquitecto Mário de Oliveira e Teixeira de Sousa, no segundo, porque têm a ver muito com este capítulo onde estão os planos; e, no terceiro capítulo, a professora Maria João Madeira Rodrigues porque é uma pessoa da crítica e da teoria. As duas frases que eu introduzi do Henrique Teixeira de Sousa são profundamente interessantes e profundamente atuais. Isso que foi escrito em 1960 poderia ter sido escrito hoje. Tinha a mesma importância e a mesma atualidade porque ele diz: “Na reforma urbanística das cidades há valores tradicionais a respeitar, há um regionalismo que se não pode destruir sob pena de agredir a alma das mesmas cidades”. Portanto, há uma valorização do contexto que é muito importante. E, se nós não soubermos reconhecer esse valor do contexto podemos agredir as cidades. Ele diz isso para as cidades, nós podemos transportar esta afirmação para as áreas informais referidas e que são um problema. São áreas das cidades, fazem parte delas. Se não soubermos ler os valores daquele contexto, se não soubermos lê-los — por mais desvalorizados que às vezes eles possam revelar à partida —, podemos agredi-los, agredir a alma da comunidade que ali vive. E com isso criar reações. E as pessoas que têm um vínculo com o sítio podem deixar de o ter. Pode-se às vezes destruir a alma das cidades conforme vemos nos planos da arquiteta Maria Emília Caria que propunha extensas demolições e renovações muito bruscas dos tecidos urbanos. Teixeira de Sousa diz ainda outra coisa: Diz que … Não há dúvida que as cidades lembram até certo ponto as rochas sedimentares em que cada se refere a determinada época geológica. Ele está aqui a dizer que as cidades se constroem por camadas de coisas. Este livro trata uma camada destas coisas. Já existiam outras que se vieram a somar a outras que se vieram a fazer. Isto é extremamente atual, extremamente interessante, do meu ponto de vista. Porque as cidades são uma entidade sedimentar, constroem-se por sedimentação de coisas, de vontades, de desejos, de edifícios e às vezes de desejos que se vão materializando. São efetivamente um foco ou um lugar de sedimentação de coisas, de pessoas, de atividades, de edificações que vão formalizando essas coisas. E nós, as pessoas, comparativamente com a idade das cidades, nós vivemos numa destas camadas. Antes de nós estiveram outras pessoas depois de nós outras pessoas virão.

 

Críticas de Teixeira de Sousa

  Teixeira de Sousa faz um conjunto de críticas à entidade que estava em Lisboa e que trabalhavam para as antigas colónias, para todos os territórios ultramarinos, críticas contra essa distância. Reage também à dificuldade das pessoas perceberem o contexto local. O arquitecto Aguiar fez planos para todas as cidades portuguesas do Portugal do Império, que ia do Minho a Timor. Tinha uma grande capacidade de trabalho. Contava-se que às vezes ia fazendo os planos ao longo dos percursos. Enquanto viajava de barco para Timor ia fazendo planos para Angola, para Moçambique... Esta grande capacidade de trabalho, esta grande capacidade criativa, até de intervenção da proposta às vezes era muito criticada por alguma descontextualização que os planos pudessem ter. Julgo que a crítica é às vezes mais crítica do que possa fazer sentido, verdadeiramente. Sobretudo no caso do Mindelo ele faz um esboceto para a cidade que é muito criticado por propor uma cidade jardim. Aparece no livro a crítica que lhe é feita porque se dizia, e o Henrique Teixeira de Sousa refere isso — que o arquitecto Aguiar para o refrigério prazer, para fruição de uma população que nem sequer tinha água para beber... Continuando, há aqui uma descontextualização entre aquilo que era a proposta que o arquitecto Aguiar queria fazer, que ele desejava e imaginava. Na altura estava muito em voga esta ideia da cidade e desses subúrbios jardim, de movimentos urbanos que eram transportados enquanto tendência para estes documentos que se faziam. Mas, se olharmos superficialmente para o plano do arquitecto João Aguiar e para aquilo que ele desenha: extensas áreas arborizadas, ruas, parques e zonas de subúrbio profundamente arborizadas... se olharmos para estas imagens concordamos à partida com Henrique Teixeira de Sousa. Pois isto é profundamente desacertado em relação ao contexto se imaginarmos a ilha de São Vicente que parece próximo de um território lunar. Perguntamos se isso é possível, respondemos que não. Se é razoável? Não, não é razoável! Contudo, se olharmos de uma forma mais profunda para o documento e para a forma como ele organiza a cidade e de como os documentos estão estruturados, o arquitecto é extremamente objectivo, directo e operativo naquilo que propõe.  

Sérgio Padrão Fernandes (Lisboa, 1977) licenciou-se em 2000 em Arquitectura/Planeamento Urbano e Territorial pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa, onde frequentou o curso de Mestrado em Cultura Arquitectónica Moderna e Contemporânea em 2006 e prestou Provas de Aptidão Pedagógica e Capacidade Científica em 2007. Na mesma escola doutorou-se em Urbanismo, no ano 2014, com a tese intitulada “Génese e Forma dos Traçados da Cidade Portuguesa. Morfologia, Tipologia e Sedimentação”. 

É docente do Departamento de Projecto da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa, onde lecciona desde 2000.  

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 760 de 22 de Junho de 2016.

sexta, 24 junho 2016 17:40 Publicado em Cultura

Daniel Medina é o novo Presidente da Associação de Escritores Cabo-verdianos, eleito em Assembleia Geral, realizada na tarde de ontem, na cidade da Praia.

sexta, 24 junho 2016 16:12 Publicado em Mundo

A Alta Representante da União Europeia para a Politica Externa e de Segurança, Federica Mogherini, lamentou hoje a saída do Reino Unido do bloco europeu, mas observou que "tempos difíceis exigem ainda mais liderança, determinação e unidade".

sexta, 24 junho 2016 15:35 Publicado em Desporto

Sorteio dos grupos de apuramento para o mundial da Rússia realizou-se hoje no Cairo, Egipto. Cabo Verde não vai ter vida fácil no apuramento para o campeonato do mundo de futebol que se realiza na Rússia em 2018.

sexta, 24 junho 2016 14:23 Publicado em Política

O Conselho de Ministros aprovou ontem o projecto de Orçamento de Estado para 2016, que reserva 19.5 milhões para investimentos. Aprovados foram também os projectos de resolução para extinção dos clusters do Mar e do Aeronegócios.

sexta, 24 junho 2016 12:31 Publicado em Política

Primeiro-ministro comentou, hoje, os resultados do referendo inglês que ditaram a saída do Reino Unido da União Europeia.

sexta, 24 junho 2016 12:30 Publicado em Mundo
Os eleitores britânicos decidiram que o Reino Unido vai sair a União Europeia, depois de o 'Brexit' ter conquistado 51,9% dos votos no referendo de quinta-feira, segundo os resultados finais.
sexta, 24 junho 2016 12:12 Publicado em Política

O Primeiro-ministro deu hoje posse a António Varela como director geral do Serviço de Informações da República.

sexta, 24 junho 2016 09:16 Publicado em Cultura

No âmbito da campanha “Eu Posso Ajudar”, os artistas que vão participar da IVª edição da Gala, estarão de visita esta sexta-feira, ao serviço da pediatria do Hospital Agostinho Neto.   

 

sexta, 24 junho 2016 09:04 Publicado em Mundo

O papa Francisco inicia hoje uma visita à Arménia, considerada como o primeiro Estado a ter adoptado o cristianismo, no início do século IV.

sexta, 24 junho 2016 08:46 Publicado em Sociedade

A presidente do conselho de administração do Hospital Agostinho Neto, na cidade da Praia, defende que a rentabilização dos investimentos nas estruturas de saúde depende, primeiro, da organização dos hospitais.

Expresso das Ilhas

Top Desktop version