Expresso das Ilhas

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Expresso das Ilhas - Actualidades
domingo, 01 maio 2016 06:00 Publicado em Sociedade

Onze pessoas, oito militares e três civis, foram encontradas mortas em Monte Tchota. O ataque deve ser, para Adriano Pires, militar na reserva, motivo para um debate sobre o tipo de Forças Armadas que existe em Cabo Verde e também para uma profunda reforma do sector.

A notícia foi lançada ao final da manhã de ontem. Três pessoas tinham sido encontradas mortas em Monte Tchota, pequena localidade no município de São Domingos. Mas depressa o número cresceu e o pior confirmou-se. Ao todo eram 11 mortos. Três civis e oito militares do destacamento colocado em Monte Tchota tinham sido mortos de forma violenta.

Durante o dia várias informações foram sendo avançadas pela comunicação social e o tráfico de droga chegou a ser apontado por muitos como estando por trás do crime. Tudo acabou por ser desmentido ao final da tarde quando, em conferência de imprensa, Paulo Rocha, Ministro da Administração Interna, avançou aquelas que são as principais suspeitas da autoria do crime.

“É preciso esperar pelas investigações para saber o que realmente aconteceu em Monte Tchota”, analisou o comandante Adriano Pires ouvido pelo Expresso das Ilhas.

“Acho que a própria chefia das Forças Armadas (FA) devia dizer o que é que aconteceu, porque ninguém melhor que os militares para explicar o que se passou em Monte Tchota”, apontou este militar na reserva.

Para Adriano Pires a imagem das Forças Armadas fica “naturalmente beliscada”, após o ataque aos militares que estavam aquartelados em Monte Tchota. “Quer queiramos quer não, há a ideia de uma grande vulnerabilidade da instituição militar e que acaba por ter um grande efeito negativo no sentimento das pessoas: se os militares, que têm por tarefa proteger-nos, proteger o Estado contra agressões, estão sujeitos a massacres deste tipo, isto só pode contribuir para pôr em causa a própria imagem das forças armadas enquanto instituição”, apontou Adriano Pires.

Este militar defende que um espaço sensível como Monte Tchota, centro nevrálgico das comunicações nacionais, deve ser “naturalmente” alvo de uma vigilância apertada e feita por militares de carreira. “É preciso ver quem são esses militares. É preciso ver se são militares do Serviço Militar Obrigatório ou se são militares de carreira”, avançou em entrevista telefónica com o Expresso das Ilhas, sublinhando: “Eu acho que serviços do tipo devem ser prestados por militares de carreira”.

Adriano Pires defende que “há muitos anos que é precisa uma profunda reforma das FA de Cabo Verde por forma o país ter as FA que necessita”, sendo igualmente necessário, na sua opinião “rever o conceito do serviço militar obrigatório”.

Na sequência do ataque ao aquartelamento militar de Monte Tchota, Adriano Pires mostra-se esperançado de que haja um “debate nacional, ou a nível do governo, questionando o tipo de Forças Armadas que temos neste momento”.


Motivações pessoais na origem do ataque

As razões por trás da morte das 11 pessoas no Monte Tchota, em São Domingos, estão a ser investigadas pelas autoridades policiais nacionais.

Em conferência de imprensa, ontem, o Ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, anunciou que um “soldado afecto ao próprio destacamento encontra-se desaparecido e há fortes indícios de que o mesmo esteja envolvido nos acontecimentos”. “Presume-se estarem na origem destes acontecimentos motivações pessoais, que excluem a ideia de atentado contra o Estado de Cabo Verde”, acrescentou ainda o Ministro da Administração Interna.

O ministro aproveitou, igualmente, para esclarecer que “não se verificaram tiroteios na cidade da Praia (...) e que os aeroportos estão a funcionar normalmente, não tendo nunca sido fechados” e concluiu garantindo que as “autoridades estão a tomar todas as medidas” para o esclarecimento do caso.

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 752 de 27 de Abril de 2016.

domingo, 01 maio 2016 06:00 Publicado em Política

Mário Silva, professor no Instituto Superior de Ciências Jurídicas e Sociais e Presidente da Fundação Direito e Justiça, falou com o Expresso das Ilhas sobre o 40º aniversário da Constituição portuguesa. O Mestre em Direito aborda também a influência que a Magna Carta teve nas constituições de outros países, como é o caso de Cabo Verde.

Em 1976, quando se aprovou a Constituição portuguesa, o objectivo era “abrir caminho para uma sociedade socialista”, foi um reflexo dos tempos que se viviam?

Na verdade temos de situar o momento em que foi aprovada a Constituição. A revolução, como se sabe, visava basicamente descolonizar, democratizar e desenvolver, mas posteriormente as coisas tomaram outro rumo e a própria democracia portuguesa esteve em risco, uma vez que houve um momento em que certa esquerda queria apossar-se do poder. A esquerda em Portugal sempre foi muito forte no pós 25 de Abril e as ideias do socialismo e do marxismo eram muito fortes quando a Constituição foi aprovada, razão pela qual ainda hoje a Constituição económica portuguesa é fonte de problemas, porque tem um conjunto de princípios inspirados no socialismo e que a partir do momento em que Portugal entra na União Europeia – com a ideia da liberalização, da circulação de capitais, defesa da propriedade privada e todas as ideias liberais do mercado comum – acabou por estabelecer uma tensão muito forte entre a Constituição e o futuro de Portugal. Na verdade era inevitável. Muitos especialistas consideram, 40 anos depois, que ninguém tinha coragem de não falar de socialismo em 75/76, portanto, esse contexto marca a Constituição portuguesa. Há um outro contexto que as pessoas hoje já não falam tanto que é o contexto militar, porque a democracia portuguesa, depois do 25 de Abril, surgiu sob tutela militar, que desapareceu com a revisão de 82. Só depois da extinção do Conselho da Revolução é que a Constituição portuguesa acabou por consolidar a democracia. Mas, como referido, o facto de a Constituição ter sido profundamente marcada pela ideologia socialista/marxista hoje é fonte de problemas, uma das partes mais criticadas é mesmo essa tensão entre a Constituição e a realidade constitucional portuguesa e europeia.

 

Aliás, quando esses níveis de protecção dos mecanismos promotores de justiça social foram atacados recentemente, por causa da austeridade, o recurso para o Tribunal Constitucional permitiu que várias medidas governamentais tivessem de cair ou ser substituídas.

Muitas das críticas que o Tribunal Constitucional português tem sofrido nos últimos anos advém disso. Porque o Tribunal fica entre uma Constituição cuja parte económica e financeira é profundamente marcada por ideias marxistas e socialistas e uma realidade que é profundamente marcada pelas ideias vindas da União Europeia. Há quem diga mesmo que fracassou no estabelecimento destes equilíbrios. De qualquer forma, só poderemos perceber isso de um ponto de vista histórico: hoje questiona-se a própria identidade da Constituição portuguesa. Será que a Constituição é a mesma de 76? Se formos ver, fruto das várias revisões – sete – actualmente muita gente já considera que a Constituição já não é a mesma, que muito pouco ficou daquilo que era realidade em 1976. Mesmo a organização do poder político sofreu muitas mutações, a partir do momento que desapareceu o Conselho da Revolução, foi necessário re-arrumar os poderes e esta não teve uma continuidade no que diz respeito ao ideal de 1976.

 

Quase que se pode ler na Constituição a evolução das mentalidades no próprio país: na revisão de 82 a ‘sociedade sem classes’ passou a ser ‘sociedade livre, justa e solidária’; em 1989, foi revogada a irreversibilidade das nacionalizações e desconstitucionalizou-se o conceito de “reforma agrária”…

Isso era inevitável, porque o contexto não era apenas o português, era mundial. Os constitucionalistas mais conhecidos no plano internacional demonstram que até finais dos anos 70 o constitucionalismo mais conhecido a nível planetário era o soviético. Não temos consciência disso, mas era. África, América Latina, muitos países da Europa. Lembre-se que ainda nos anos 80 François Mitterrand fez nacionalizações em França. Portanto, era um contexto global em que vingavam as ideias socialistas: a exploração do homem pelo homem, descolonização, sociedade sem classes, economia planificada, estatizada e dirigida eram ideias centrais. Naturalmente, a subida de Margaret Thatcher ao poder, a subida de Gorbachev ao poder, a subida de Ronald Reagan ao poder, as novas ideias económicas provenientes de Milton Friedman e a escola de Chicago transformaram o mundo, que se consolida com a queda do Muro de Berlim. Emergem novas ideias, novas considerações sobre os direitos fundamentais, de maneira que não podemos fazer uma leitura estática da Constituição portuguesa sob pena de não percebermos todo este movimento. E o curioso, mesmo do ponto de vista técnico, é que muitas ideias, muitos preceitos que vêm de 76 são hoje interpretados não à luz das ideias desses anos, mas à luz dos fenómenos actuais. O que é normal. A Constituição norte-americana, que é de 1787, tem preceitos que foram sendo interpretados e reinterpretados. Devemos entender a Constituição portuguesa nesta perspectiva histórica. Agora, também é verdade que tem demonstrado uma grande capacidade de adaptação a todas estas realidades.

 

 

Como disse o Henrique de Barros, soube “resistir à prova do tempo”.

Sobreviveu ao tempo e cumpriu uma função que hoje não valorizamos: como disse a democracia portuguesa estava em risco e a Constituição acabou por permitir que se fizesse uma transição da revolução, tutelada pelos militares, à subordinação do poder militar ao poder civil em termos considerados modelares. Porquê? Porque na América Latina e na Ásia os golpes de Estado e as direcções militares não conseguiram transições pacíficas. Não podemos deixar de notar que a Constituição e a transição política portuguesa influenciaram a transição política espanhola, a grega, a brasileira, sem falar, mais tarde, dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. Apesar de posteriormente cada um ter seguido o seu caminho, os grandes princípios estão lá. Num outro patamar, influenciou também muitos países da Europa de Leste no pós 89. Porquê? Porque a revolução portuguesa deu início à terceira vaga das democracias modernas e naturalmente esta Constituição é simbólica por ser exactamente a primeira de uma vaga democrática a nível planetário. Por isso mesmo influenciou todos os casos anteriormente falados.

 

E o caso cabo-verdiano?

Do meu ponto de vista é o mais expressivo de todos, salvaguardando o sistema do governo onde o nosso pendor parlamentar é de longe mais forte do que no caso português.

 

Mas porquê esta inspiração na Constituição portuguesa aqui em Cabo Verde?

É uma pergunta interessante, mas é o mais normal por razões históricas. Os grandes princípios da organização da sociedade já vêm do período colonial. Especialistas cabo-verdianos consideram que Cabo Verde fez uma transição pacífica e normal para a independência e fez uma transição pacífica e normal para a democracia porque desde a organização dos poderes na Cidade Velha até hoje sempre houve instituições moldadas à imagem e semelhança das instituições europeias, nomeadamente portuguesas. Não é por acaso que das instituições mais antigas de Cabo Verde são as Câmaras Municipais, que foram implantadas a partir do modelo dos Açores e da Madeira, e a igreja católica. Do ponto de vista histórico, as raízes são idênticas, por mais que queiramos negar. E isso está demonstrado por historiadores cabo-verdianos, por historiadores portugueses e por historiadores de outras nacionalidades. Segundo aspecto, os quadros cabo-verdianos, na sua grande maioria, foram formados em Portugal no pós 25 de Abril. Os juristas e a alta administração foram formados destes quadros e isso significa, que através do conhecimento, através do saber fazer, foram adoptados em Cabo Verde princípios que os portugueses adoptaram. No entanto, faço uma reserva: estes princípios não são portugueses, vêm da revolução americana e da Constituição americana, da revolução francesa e da Constituição francesa, que os portugueses adoptaram e através deles chegaram até nós. Mas, não chegaram hoje, chegaram desde as revoluções liberais. Se estudarmos a história de Cabo Verde encontramos uma coisa interessantíssima, todas as revoluções, revoltas e sobressaltos económicos e sociais portugueses tiveram reflexos imediatos em Cabo Verde. Não podia ser de outro modo com a Constituição portuguesa e é por isso que essa mesma Constituição influenciou todas essas outras constituições. Sendo que a mais próxima é a cabo-verdiana. Não passou pela cabeça de ninguém adoptar a Constituição americana ou a francesa. Mas, são dados da história e da cultura. Se for aos países francófonos vai encontrar o mesmo fenómeno: no Senegal, no Mali, na Costa do Marfim, porque são fenómenos de séculos e não se consegue cortar com uma tesoura e depois adoptar um outro modelo. Mesmo a revolução francesa que, se disse, fez um corte do outro mundo com o antigo regime, hoje todos os sociólogos, historiadores, juristas, consideram que afinal houve continuidades e um dos êxitos de Cabo Verde como país independente é que soubemos manter as continuidades, ou seja, soubemos fazer as rupturas dentro de um certo equilíbrio.

 

Um dos problemas actuais reconhecidos na Constituição portuguesa é a necessidade de um espaço político/cultural de identidade lusófona. Considera que é uma matéria que deve ser abordada e alargada a outros países lusófonos?

Na verdade, aí a Constituição cabo-verdiana é modelar. É a Constituição mais aberta à lusofonia. Mas, os contextos marcam as Constituições. Quando a Constituição foi aprovada, a ideia de lusofonia não existia, pelo contrário, o que existia era a ideia de separar, descolonizar. A ideia de lusofonia surge mais tarde e no caso de Cabo Verde, quando fizemos a revisão de 99 foi estabelecida uma série de preceitos que considera uma grande abertura à lusofonia. Novamente, as características de cada país acabam por ditar soluções. Cabo Verde abriu-se à lusofonia porque tinha interesses. Nós somos, quer se queira quer não, o mais lusófono de todos os países. Em todos os países de língua portuguesa sempre se encontraram cabo-verdianos, de Timor a Goa. É evidente que quando digo que somos o mais lusófono é numa perspectiva histórica, porque Portugal não tem os interesses na lusofonia que nós temos. Muitos criticam que quando Portugal entrou na União Europeia, e eu não quero afirmar que é certo ou errado, praticamente desleixou um pouco a lusofonia. Cabo Verde não. Nós somos os primeiros a dar direito de voto aos estrangeiros residentes em Cabo Verde e soluções especiais para cidadãos lusófonos. Somos o primeiro a ter o estatuto do cidadão lusófono. Mas, isto não cai do céu, tem a ver com os nossos interesses. Mas, estou convencido que se caminha para uma maior abertura. As constituições são adaptáveis às realidades. No caso português a chamada sociedade civil é muito aberta à lusofonia e o facto de começar a haver deputados de origem de países africanos de língua oficial portuguesa, o facto de começarem a haver ministros de origem africana é um sinal de maior abertura do próprio sistema político português à lusofonia.  

 

domingo, 01 maio 2016 06:00 Publicado em Cultura

A leitura de Chiquinho de Baltasar Lopes é sempre uma celebração.

Lembra Manuel Lopes que antes de ter sido apresentado a Baltasar — após o seu regresso a Mindelo, em 1930, e depois de sua formação universitária em Lisboa —, via-o  escrevendo na varanda de sua casa, na actual Rua de Angola. Ele sabia quem era Baltasar mas ainda não tinham sido apresentados, o que veio a acontecer dois anos depois. Dizia ele que tinha curiosidade sobre o que estaria Baltasar a escrever. Já o tinha lido em artigos de jornal, suspeitava que estaria à volta de outra escrita. A literária. Talvez sim, porquanto Baltasar já havia descoberto o brasileiro Afrânio Peixoto através de Fruta do Mato (romance de 1920) e de seus “ambientes tão próximos dos nossos” que o instigou à uma outra escrita. Sabe-se que por volta de 1934, já estaria escrevendo Chiquinho no sossego da varanda de seu apartamento nessa pacata rua do Mindelo. 

Baltasar integrou as lides literárias mindelenses quando se juntou ao grupo que veio a fundar a revista Claridade; Manuel Lopes, Jaime de Figueiredo (este abandonando-o logo antes da saída do primeiro número) Manuel Velosa, Jorge Barbosa, João Lopes. Até lá era o jornalismo crítico que o motivava, tendo-nos legado algumas peças inesquecíveis no Notícias de Cabo Verde onde também parte de suas intervenções em conferências e defesas na barra do Tribunal de S. Vicente foram amplamente reportadas.

Dizia que reler Chiquinho, o fascinante romance de Baltasar Lopes, é sempre uma celebração. Porque sempre que o retomamos é incontornável o sentimento e a confirmação de que estamos perante um caso literário que extravasa a sua importância histórica e estética na literatura cabo-verdiana para nos oferecer outras leituras que lhe estão subjacentes. Retornar a Chiquinho é deixarmo-nos, uma vez mais, ser envolvidos por indagações ainda tão actuais como outrora sobre a essência de um axioma ideológico — a caboverdianidade — que a geração de Baltasar projectou, desenhou e nos legou a ponto de ainda estas quase míticas ilhas se reverem em grande parte nesta construção identitária.

Uma obra juvenil, também no sentido de frescura literária, mas já de uma grande maturidade, Chiquinho expõe uma juventude ilustrada e atenta perante o problema do seu meio e de sua gente num contexto político e antropológico, particular. Lembramos que estamos em pleno regime do Estado Novo de Salazar que havia aprovado uma nova Constituição com novo estatuto administrativo para as colónias, lesivo aos interesses de Cabo Verde e das colónias em geral. O romance de BL, pelo destino de Chiquinho, o personagem principal, questiona pela primeira vez esta natureza “híbrida” de uma identidade específica e a possibilidade de se afirmar com autonomia cultural e porque não administrativa. As expectativas para que as ilhas fossem equiparadas aos Açores e Madeira, em termos administrativos tinham já sido goradas, restava o caminho para a sua afirmação como especificidade histórica e antropológica autónoma, mesmo que num quadro político de um Portugal colonial fascista e a reger por cânones antropológicos de inspiração nazi que rejeitava a mestiçagem como realidade cultural e sociológica particular e a ter em conta no caso de Cabo Verde.

Já tive ocasião de escrever que o desígnio dos modernistas no plano ideológico foi elaborado por Baltasar Lopes e anunciado no romance Chiquinho. Manuel Lopes confirmou a minha asserção quando em entrevista me disse que foi ele, Baltasar, quem trouxe para as discussões do grupo essas questões que então muito se debatia na Europa: a afirmação do fascismo italiano e a emergência do nazismo, a par do panafricanismo e dos movimentos operários internacionais. Baltasar quando questionado por Michel Laban1, se ele teria enquanto escritor e poeta (Osvaldo Alcântara) um programa prévio, de teor ideológico, respondeu que o teria no sentido em que era certo que tudo o que escrevia era dedicado aos interesses de Cabo Verde no sentido, pelo menos, da sua autonomia, se não da sua independência. O que se pode confirmar em toda a produção intelectual, profissional, cívica e política de Baltasar Lopes.

Em Chiquinho, na minha análise, Baltasar inscreve um programa prévio explícito. E Cabo Verde, os seus problemas e anseios, são o chão de uma atitude irredentista que formata a personalidade e as acções de Chiquinho, o personagem principal do romance. A mesma que formatou Baltasar Lopes.

Cada vez que revisito Chiquinho, confirmo que Baltasar problematizou o problema da realidade caboverdiana de então e mesmo que nele não tenha tido a intenção de fixar um programa do futuro movimento de que veio a fazer parte, já o havia antecipado em Chiquinho. Baltasar chegou a aceitar que não teve intenção de operacionalizar um programa mas que teria sido uma atitude instintiva nessa direcção, por força maior das circunstâncias. Circunstâncias que o animaram a impulsionar atitudes e acções na linha de frente de todas as batalhas conducentes à realização autónoma destas ilhas. 

A problematização do “caso caboverdiano” em Chiquinho vamos descobri-la mais tarde, tratada, estudada e realizada através da Claridade. Bem como a realidade social destes dolorosos tempos em que vivia o arquipélago, tempos difíceis em que foi votado ao abandono por parte dos poderes públicos de Lisboa. É na revista Claridade que os vários elementos do grupo sistematizam, pela primeira vez nas ilhas, questões antropológicas que nos diziam respeito e rompiam com o ideário estético europeu para reelaborar o seu próprio.

A oportunidade de reler Chiquinho oferece-nos ainda a possibilidade de sustentar a ideia contida no título deste texto. Se debruçarmos na segunda parte da obra — S. Vicente  — encontramos alguns aspectos que nos leva a considerar que o autor projectou e sistematizou no romance a ideologia que a subjaz através de um dos seus personagens, o Andrézinho, o líder do grupo de Chiquinho. Um programa com princípios sociais e políticos específicos, pressuposto claro, abordagem económica e conteúdo ideológico explícito que enquadrassem Cabo Verde nas aspirações que agitavam o mundo… Precisamos sintonizar Cabo-Verde com o Universo foi a palavra de ordem do grupo.

Reler Chiquinho é também uma bela ocasião para a renovação de um sentido de pertença enquanto comunidade aberta que se quer realizar, ainda hoje, com as aspirações do mundo e com as de cada um de nós. Quando mais não seja para confirmar que as esperanças de muitos daqueles que projectaram esse ideal de caboverdianidade ainda se mantêm vivas no espírito de maior parte de nós.  

1Michel LABAN, Cabo Verde, encontro com escritores.

Baltasar Lopes ( 1º à direita) com António Aurélio Gonçalves e Jorge Barbosa

 

sábado, 30 abril 2016 15:13 Publicado em Sociedade

O major-general Alberto Fernandes pediu a sua exoneração do cargo de Chefe de Estado Maior das Forças Armadas (CEMFA). A confirmação surgiu este sábado, no mesmo dia em que surgem novos dados sobre as possíveis causas do massacre de Monte Tchota.

sábado, 30 abril 2016 11:42 Publicado em Desporto

A seleção de Cabo Verde perdeu com a Inglaterra por 7-2, enquanto Portugal venceu Espanha por 3-2, nos jogos da primeira jornada da edição inédita do Sal Beach Soccer Cup, que decorre até domingo em Santa Maria.

sábado, 30 abril 2016 11:32 Publicado em Mundo

Cerca de 70 imigrantes encontram-se desaparecidos depois de o bote em que seguiam, com destino a Itália, ter naufragado em frente à costa da Líbia, informou a guarda costeira italiana, citada hoje pelos 'media'. 

sábado, 30 abril 2016 06:00 Publicado em Política

O novel ministro da Cultura iniciou, esta segunda-feira, a sua actividade governativa com uma visita simbólica ao Berço da Nação e aos seus monumentos históricos. Numa entrevista colectiva, após o encontro com o edil da Ribeira Grande de Santiago, Abraão Vicente catalogou as prioridades do seu ministério: a preservação do património, a regulação dos direitos autorais, a recuperação das infra-estruturas culturais existentes no país e fazer com que os artistas cabo-verdianos atinjam palcos internacionais em condições de dignidade.

De que simbolismo se reveste a escolha da Cidade Velha para dar início à sua actividade governativa?

Escolhi a Cidade Velha e fui recebido pelo edil da Ribeira Grande de Santiago [Manuel de Pina] porque ele é um pouco o cicerone do nosso Património Mundial da Humanidade. A nossa ideia foi mostrar que temos aqui um grande potencial não só cultural, mas também económico e financeiro. Quis saber em que ponto estão a colaboração e a agenda do trabalho conjunto necessário entre o ministério da Cultura e Indústrias Criativas e a Câmara Municipal, mas também saber como poderemos desencravar os projectos que estão engavetados, perceber quais são os nós que é preciso desatar e criar uma parceria de facilitação. Nem o ministério da Cultura, nem Cabo Verde podem dar-se ao luxo de terem um Património da Humanidade dentro do seu território nacional e não fazer uso disso. A nossa primeira reunião acabou por ser longa, também, porque havia muito para falar: tanto a nível da gestão patrimonial, como a nível do segundo plano de gestão que é preciso arrancar e efectivar; o relacionamento entre o governo e a própria Câmara Municipal; o contrato que existe com uma empresa privada e que neste momento impede que muitos projectos avancem, porque uma empresa de direito privado não pode ser obrigada a fazer coisas que não são do seu interesse. Mas que nós, como Estado, temos que defender o Património da Humanidade. Portanto, a Cidade Velha é um sítio simbólico, é aqui que nós começamos como nação. Para mim, como ministro da Cultura, foi quase que uma paragem simbólica para começar essa reorientação do próprio ministério que eu quero que seja mais pragmático, que seja próximo dos projectos, que seja concretizador e que durante o ano toque em vários aspectos. Por isso fiz questão de trazer na minha equipa o actual presidente do Instituto do Património Cultural e o historiador Charles Akibodê, que é um grande conhecedor da história da Cidade Velha, um pouco para trocar impressões e ouvir, ouvir, ouvir… para começar bem.

 

Com que impressão sai desta visita?

Nós defendemos que os municípios têm que participar na gestão cultural, na programação cultural e na defesa do património. O caso da Cidade Velha é um caso único. É necessário que o município cuide do Património Nacional e da Humanidade, mas, por outro lado, o ministério da Cultura não pode deixar só ao município a responsabilidade de gerir um Património da Humanidade. O que nós vemos aqui é que se trata de um património que não tem toda a sua potencialidade explorada. Um Património da Humanidade é em qualquer parte do mundo uma mais-valia económica, cultural e financeira para o país. E nós vamos fazer da Cidade Velha um sítio de referência, uma plataforma de recepção não só de investimentos, mas também de turistas e um sítio onde os cabo-verdianos podem criar projectos economicamente viáveis para criar mais rendimentos para as famílias.

 

O que falta?

Falta sistematizar um programa de trabalho, falta colaboração entre as partes, falta sentar à mesa com a Prointur [empresa espano-cabo-verdiana], que detém a gestão de grande parte do património, falta catalogar, falta investir numa maior diplomacia cultural que traga, de facto, investimentos. Cabo Verde não precisa apenas de apoio financeiro dos nossos parceiros internacionais. Precisamos, neste momento, na Cidade Velha, de parceiros técnicos que nos ajudem, em primeiro lugar, a preservar o património imaterial, a preservar o património construído e a fazer o marketing necessário para que nós possamos tirar partido de todo o potencial turístico da Cidade Velha, mas também todo o potencial de investimento.

 

A sua visita ao nosso Património Mundial significa que o ministério da Cultura vai dar uma atenção especial aos patrimónios de Cabo Verde?

Aos patrimónios. A Cidade Velha é o coração daquilo que é património em Cabo Verde. Começamos aqui, porque temos um sítio histórico reconhecido como Património da Humanidade. Portanto, Cidade Velha não se compara com nenhum outro caso em Cabo Verde. Quando se fala da Cidade Velha, põe-se um ponto, porque não há em Cabo Verde termos de comparação. No entanto, temos também a Cidade do Mindelo, temos a Cidade de São Filipe, temos na ilha do Maio todo um património histórico a recuperar, temos as sinagogas em Santo Antão… Ou seja, Cabo Verde e o ministério da Cultura muitas vezes restringiram-se ao folclore. Não é por acaso que o ministério da Cultura tem no seu organigrama um instituto de investigação e preservação patrimonial. É aí que vamos buscar o suco da nossa actividade governativa: fazer de certa forma com que os técnicos nos guiem pelos melhores caminhos. Mas muitas vezes os melhores caminhos precisam de decisões políticas e eu, como ministro, estou pronto para tomar algumas decisões difíceis, mas necessárias, para que desencravemos o desenvolvimento do nosso legado patrimonial.

 

Temos também o património imaterial. A candidatura da morna a Património Imaterial da Humanidade…

Um pouco para cortar a sua pergunta. Na passagem de pastas não se falou da candidatura da morna a Património da Humanidade. Isso significa que pode não existir esse dossiê. Hoje [segunda-feira] é o meu primeiro dia efectivo no Palácio do Governo e não existe nenhum dossiê em cima da minha mesa que fale da candidatura da morna a Património da Humanidade. Não lhe posso dizer nada, mas é, de facto, algo a investigar. Mas nós já temos um património e vamos agarrar-nos fielmente a isso e fazer com que não haja nenhuma situação em que a Cidade Velha possa perder o estatuto de património mundial.

 

E em relação à candidatura do ex-Campo de Concentração do Tarrafal?

Dizem que é candidato, mas na passagem de pastas eu não tive conhecimento de nenhum outro dossiê. Ou seja, a partir do momento que recebi as pastas do ministro cessante teria que ter no meu gabinete pastas com dossiês, com candidaturas, com o estado… e não há. Portanto, neste momento parto do princípio que não há nem candidatura da morna, nem do ex-Campo de Concentração a patrimónios mundiais. Temos apenas a Cidade Velha que já está classificada e vou-me centrar aí.

 

Uma outra questão: veio a público que a campa de Norberto Tavares está ao abandono. O que diz desta situação?

É lamentável que os artistas cabo-verdianos tenham ainda que esperar pela esmola do Estado para terem a dignidade merecida. É lamentável, e o ministério da Cultura vai tomar pulso da situação e apoiar naquilo que podemos fazer como Estado. É por isso também que uma das nossas prioridades é regulamentar de vez a questão dos direitos autorais. Tendo os seus direitos autorais reconhecidos, nenhum artista terá necessidade de recorrer à comunicação social ou ao Estado para ter uma sepultura condigna. Regulamentando a parte dos direitos autorais –  já temos neste momento garantia de acessória técnica por parte de dois países amigos – iremos nos próximos anos começar a cobrança e a distribuição. Lamentavelmente o ponto de partida para eu fazer esta declaração é o estado da campa de Norberto Tavares que merece maior dignidade. Vamos estudar o processo, vamos contactar as famílias e perceber como é que nós podemos ajudar. E muitas vezes não é uma ajuda fora do ministério da Cultura.

 

O artista plástico Tchalé Figueira disse há uns meses que se lixem todos os ministérios e ministros da Cultura…

Eu respeito o Tchalé. O Tchalé é um livre-pensador e pode dizer o que quiser e quando quiser. Eu tenho uma relação de amizade com o Tchalé Figueira e quem o conhece sabe que ele está em pleno juízo. Ou seja, terá toda a razão da parte dele. Eu como ministro só agradeço que Cabo Verde seja um país que facilite e crie condições para que as pessoas e os artistas se manifestem desta forma. É a sua perspectiva, eu estou na política e obviamente tenho uma perspectiva completamente diferente do meu amigo Tchalé Figueira. O país precisa de pessoas responsáveis e de pessoas que se dediquem à causa do serviço público. Por isso respeito a opinião do Tchalé Figueira e não há sequer espaço para conflitualidades entre as nossas duas opiniões.

 

O projecto “A Rota do Escravo”, é um instrumento importante para a reconciliação e a diversidade cultural?

Sem dúvida. Temos importantes perspectivas de visitas de importantes personalidades afro-americanas e afro-europeias que querem fazer de Cabo Verde um ponto de referência da sua própria procura existencial. Então vamos criar todas as condições para que “A Rota do Escravo” seja um pretexto para atrair turistas, e seja também um pretexto para descobrirmos e explorarmos melhor as nossas raízes e a nossa história que não pode continuar a ficar apenas pelo folclore de uma mestiçagem que é evidente. Para além disso há uma belíssima história, muitas vezes sangrenta, que é preciso descobrir.   

 

O ministério da Cultura irá conceber especial atenção ao Comité Científico do Projecto “A Rota do Escravo-Resistência, Liberdade e Herança”?

Toda a atenção. Tenho a assessoria de todo um instituto, o IPC, que tem acima de 100 técnicos e vou colocá-los completamente ao serviço da nação para descobrirmos, para investigarmos e para sistematizarmos aquilo que é a nossa história.

 

O Comité Científico foi instalado em 2015, mas ainda não tem recursos. Que comentário?

É mais um dos problemas dos círculos políticos. O ministério anterior teve a responsabilidade de instalar alguns órgãos e nós teremos a responsabilidade de fazê-los funcionar. É uma corrida de estafeta, mas vamos primeiramente ver a sua missão, porque nós não queremos ver nascer a cada dia uma instituição. Vamos perceber se faz sentido e depois vamos dotá-la dos recursos que forem necessários para cumprir a sua missão.

 

Que marca gostaria de deixar como ministro da Cultura?

Eu penso deixar a minha marca como ministro e como ministro trato de políticas. Para mim a prioridade é a preservação do património, a regulação dos direitos autorais, a recuperação das infra-estruturas culturais existentes no país que estão praticamente em degradação, ou seja, não estão no seu pleno, e fazer com que os artistas cabo-verdianos atinjam palcos internacionais em condições de dignidade. Significa que o ministério não vai ser uma agência para facilitar passagens ou vistos aos artistas. Nós queremos fazer com que os artistas cheguem aos grandes palcos, aos grandes festivais em condições dignas, porque não é qualquer um que tem condições artísticas para levar a bandeira de Cabo Verde. Vamos ser criteriosos e nesse sentido acho que daqui a cinco anos falaremos. Não vamos adiantar as contas, mas eu espero ter obra para mostrar daqui a cinco anos..    

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 752 de 27 de Abril de 2016.

sábado, 30 abril 2016 06:00 Publicado em Desporto

O xadrez foi sempre um jogo de cavalheiros, ou, pelo menos, assim tem sido considerado há já vários séculos. Sem dúvida, nem os melhores jogadores têm podido cumprir sempre com uma ou outra elementar norma de cortesia. Dar a mão ao começar e ao terminar uma partida, mas também ao abandoná-la parece algo de muito lógico. Conta-se que Alekhine, certa vez, no mais alto apuro, perguntou ao seu arqui-rival Bogoljubov, com quem não trocava uma única palavra havia vários anos, se lhe podia indicar onde ficava a casa de banho. Bogo pensou duas vezes antes de responder e disse por fim, mas sem tirar os olhos da partida, que, diga-se de passagem, não lhe era muito favorável: “Meta-se à direita, depois vá sempre em frente e quando vir uma porta onde estiver escrito Gentleman, é porque chegou à casa de banho. Você sabe mais do que eu que não é nenhum gentleman, mas não se assuste e entre tranquilamente. Isto a propósito de cavalheirismo, porque a história continua, desta maneira: apesar de toda a sua genialidade, um dia Alekhine acabou por morrer. Às portas do Empíreo eterno, São Pedro comunica-lhe cortesmente que xadrezistas não tinham entrada no céu e fecha-lhe a porta. Mas antes disse Alekhine reconhece o seu antigo rival terreno cercado de anjos e o mestre pergunta: “mas esse ali não é Bogoljubov. É, responde São Pedro, mas não é xadrezista. Mau jogador sim, contesta Aleknine, mas jogador na mesma. É altura de abrirmos aqui um parêntese para esclarecer duas coisas. Primeiro, as anedotas de xadrez nunca foram brilhantes e esta aqui é das poucas que poderá interessar minimamente ao não praticante desde silencioso jogo. Segundo, Bogoljubov, ou curtamente Bogo, como era conhecido pelos seus pares, foi durante a década de 20 do século passado o segundo melhor jogador do mundo, disputando com Alekhine dois matches para o título de campeão mundial que ele perdeu com todo o som e a fúria. Feito este reparo, regressemos ao nosso tema –  o cavalheirismo no xadrez. Na conhecida partida Steinitz-Von Bardeleben, que recebeu o primeiro prémio de beleza do torneio de Hastings, em 1895, ocorreu um lamentável incidente, quando o fundador do xadrez moderno, apesar da avançada idade, calculava uma larga combinação introduzida com o sacrifício de qualidade, após o qual o rei preto inicia uma longa peregrinação até à morte.  

 

Steinitz - Von Bardeleben
Hastings 1895

1.Txe7+ Rf8 [1...Dxe7 2.Txc8+; 1...Rxe7 2.Te1+ Rd6 3.Db4+ Rc7 4.Tc1+ Rb8 5.Df4+ Tc7 6.Ce6] 2.Tf7+ Rg8 3.Tg7+ Rh8 4.Txh7+ 

Neste ponto Von Bardeleben dá-se conta do inevitável mate que lhe espera em poucos lances. Em lugar de declarar a derrota ao adversário, levantou-se tranquilamente e abandonou a sala de jogo, para desespero da assistência que aguardava impacientemente o desfecho da combinação. Quando todos e o próprio Steinitz se convenceu que Von Bardeleben lhe tinha pregado uma péssima partida, aquele mostrou aos ansiosos espectadores o remate final:    

Rg8 5.Tg7+ Rh8

[5...Rf8 6.Ch7+] 6.Dh4+ Rxg7 7.Dh7+ Rf8 8.Dh8+ Re7 9.Dg7+ Re8 10.Dg8+ Re7 11.Df7+ Rd8 12.Df8+ De8 13.Cf7+ Rd7 14.Dd6#

O público aplaudiu longamente a magnífica combinação de mate em 14 lances. Foi o canto de cisne do velho mestre que pouco tempo depois entregava a alma ao Criador.  

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 752 de 27 de Abril de 2016.

sábado, 30 abril 2016 06:00 Publicado em Política

Prometendo uma nova forma de estar e fazer política, a jovem Celly Paixão está no terreno desde 2014, a preparar uma eventual candidatura à Câmara Municipal de Ribeira Brava (CMRB), que terá como foco o bem estar das pessoas. Sem papas na língua, a pré-candidata do MpD não poupa críticas à forma como tem vindo a ser feita a gestão camarária de Ribeira Brava, alegando até que o que se passa é uma “vergonha” e demonstra a falta de interesse para com os munícipes.

A mais-valia que Celly Paixão poderia levar à CMRB é, desde logo, segundo acredita a própria, “uma nova forma de estar na política”. A sua juventude e experiência de liderança e de gestão são factores que acrescenta a essa auto-avaliação, no que toca a “alavancar o desenvolvimento do município. “

“Vamos pôr ao serviço da Ribeira Brava o nosso saber fazer. Queremos ser parte das soluções e trabalhar para levar mais felicidade às pessoas”, diz.

A jovem, de 33 anos, nascida em Caleijão (Ribeira Brava), formada em administração portuária e que está actualmente a terminar uma licenciatura em Gestão de Empresas, está determinada nesta demanda à Câmara, tendo começado o trabalho nesse sentido em 2014.

 “Esta nossa disponibilidade é pública desde 2014 e as pessoas conhecem-nos e sabem o que nos move”, sublinha. Assim, desde esse ano que o seu projecto autárquico está em curso e que Celly Paixão se tem deslocado por todas as zonas do concelho, promovendo a sua candidatura e mobilizando vontades e apoios para a sua “causa”.

“Do contacto, sentimos que temos condições para ganhar as sondagens e como tal liderar a candidatura do MpD”, diz a pré-candidata, que é empresária no sector do turismo, desde 2007, e vive actualmente na ilha da Boa Vista.

 

Família e educação

Celly Paixão compromete-se, como referido, a levar a cabo uma realização política que promova a melhoria dos padrões da qualidade de vida.

Na sua Declaração de intenções, a empresária, que é mãe de duas crianças, destaca a família e a educação com áreas prioritárias. É que, como reitera em entrevista ao Expresso das Ilhas, “a família é a célula base de uma sociedade e a educação é indispensável se queremos ter uma sociedade saudável e competitiva. “Assim, é “necessário apostar e investir forte sobretudo na família, para termos valores e referências úteis à sociedade”.

“Quanto à educação deve ser outra aposta forte da nossa futura gestão municipal e queremos garantir desde já que iremos trabalhar com todos, nomeadamente, igrejas, associações e comunidades de modo a valorizar esta área”, aponta, destacando que em suma a acção política desta pré-candidatura visa “o fortalecimento e a valorização da pessoa humana”.

Entre os compromissos a pré-candidata destaca ainda “a juventude e a cultura”, acreditando que com “uma agenda cultural dinâmica e focalizado na diversidade cultural da ilha teremos, à partida, condições para gerar emprego e rendimentos e por esta via levar a felicidade às pessoas.”

Questionada sobre os compromissos para com o desencravamento, em termos de transportes, do seu município, Celly Paixão realça que este é um tema que deve ser articulado com a outra autarquia da ilha, Tarrafal, para “juntos fazer uma forte acção junto do governo central”.

“Sozinhos não daremos respostas a esse problema porque esta é uma área da responsabilidade do governo da república”, diz, apontando que com o novo governo, crê que “haverá condições para articulações e um trabalho visando ultrapassar este problema que é real”, aponta.

 

Ribeira Brava merece melhor

Jovem, mas assumindo-se como uma pessoa determinada, com capacidade e portadora de “uma nova mensagem de mudança para alavancar o desenvolvimento” da sua terra, Celly Paixão não poupa entretanto críticas à actual gestão camarária do seu município.

Além de negativa, diz a pré-candidata do MpD, essa gestão não apresenta “qualquer cenário de melhorias à vista”.

“Temos uma câmara, com um presidente substituto porque aquele que foi eleito, simplesmente abandonou o barco a meio percurso, porque tinha interesse outros que não o desenvolvimento do município”, acusa.

De acordo com a perspectiva de Celly Paixão, o presidente eleito (Américo Nascimento) terá abandonado a função devido à sua gestão, que foi muito “criticada devido a alegados casos de corrupção e gestão danosa”.

“Sabemos que há um caso de desvio de dinheiro e ele em vez de estar disponível para clarificar a situação junto da justiça prefere fugir para não prestar contas. É triste esta situação. O nome da nossa ilha foi manchado com a sua governação. É uma vergonha”.

Além disso, o facto de, segundo diz, a edilidade estar a trabalhar sem um plano de actividades e sem orçamento municipal, é também um ponto que leva à sua avaliação negativa. “Até às eleições, a actual equipa faz uma gestão corrente, mas é muito tempo a gerir sem orçamento”, aponta a pré-candidata.

E as críticas não se ficam por aí: “Temos uma câmara sem maioria na assembleia municipal muito por culpa de conflitos internos no PAICV. Interesses individuais sobrepuseram-se aos do colectivo e quem paga são as pessoas da Ribeira Brava”.

“Acho que a Ribeira Brava não merecia e não merece isto”, diz.

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 752 de 27 de Abril de 2016.

sábado, 30 abril 2016 06:00 Publicado em Política

Manuel de Pina acredita que, com o novo governo, os municípios terão mais apoio, menos conflitos e inclusive mais fundos para levar a cabo as suas iniciativas e projectos.

Nas suas palavras: “Por certo todos os nossos projectos vão desencalhar e há todo um conjunto de stresses provocado pelo governo que agora não irá haver. E há inclusive um conjunto de recursos que foram abusivamente retidos pelo governo anterior e que penso que não o serão agora”, explicita.

Mas, segundo defende, a principal questão nem tem a ver com esses recursos, pois muitos dos projectos que a sua autarquia pretendeu levar avante, precisavam da parte do governo central, não de dinheiro: apenas de “vontade”.

Com o novo governo e o novo tipo de relacionamento e complementaridade que este tem vindo a defender em relação aos municípios, Manuel de Pina acredita que Ribeira Grande de Santiago, em particular, mas também Cabo Verde, no geral, irão obter ganhos consideráveis.

“Em matéria de poder local o país vai dar um grande passo com esse novo governo”, antevê, analisando que até o facto de ser o próprio Primeiro-ministro (Ulisses Correria e Silva) a tutelar as autarquias “demonstra a importâncias dos municípios para o novo governo”.

 

“É tentador…”

Salvaguardando sempre, ao longo da conversa, que ainda não tomou nenhuma posição definitiva quanto à sua eventual recandidatura, Manuel de Pina reconhece estar tentado a fazê-lo.

O contexto mudou e as expectativas criadas são tentadoras.

“Queríamos sair pela porta da frente, com um desempenho altamente reconhecido” e agora que acredita que poderá governar com tranquilidade e realizar os projectos para Ribeira Grande de Santiago, está de facto a  ponderar concorrer a um novo mandato.

Além disso, o apoio que tem sentido da parte de políticos e da população em geral – houve inclusive uma manifestação de apelo ao seu regresso político no passado dia 17 de Abril – também o estão a demover da sua anunciada decisão de abandonar a vida política.

Avançando que nos próximos tempos irá anunciar a sua decisão, salvaguarda que esta é “complicada”.

“Tínhamos dado a nossa palavra de que não nos iríamos candidatar”, relembra (ver caixa).


Recordando anúncio de afastamento

“Anuncio aqui, solenemente, que não sou candidato a nenhum cargo político, nomeadamente o de presidente da câmara municipal ou de deputado nacional. (…) que me afasto, completamente, da vida activa partidária, nomeadamente de membro da direcção do meu partido[Movimento para a Democracia - MpD]”, declarou Manuel de Pina, a 28 de Outubro do ano passado, citado pela Inforpress.

A decisão foi tomada em meio da polémica sobre o fundo do ambiente, cujas irregularidades de gestão o autarca, que é também presidente da Associação Nacional de Munícipios de Cabo Verde (ANMCV), denunciou.

Na altura, conforme justificou então, a decisão foi tomada como forma de contribuir e facilitar o trabalho das autoridades judiciais, e para afastar qualquer suspeita de interesse político na sua denúncia. Na sequência, o autarca pediu a demissão do ministro do Ambiente, Habitação e Ordenamento do Território, Antero Veiga, e do director nacional do Ambiente, Moisés Borges.

Agora, meses passados e após a mudança preconizada pelos resultados das legislativas, Manuel de Pina observa que o contexto é diferente.

Em Outubro, “tivemos de fazer essa nossa demarcação para mostrar que a situação era real, não era invenção nossa e um dia a verdade viria ao de cima. Penso que esse dia há-de chegar”. Comenta, referindo-se à gestão indevida do fundo e ao “teatro” criado pelas entidades gestores (Direcção Nacional do Ambiente e MAHOT).

Pesando tudo, “muito brevemente tomarei uma posição”, garante ao Expresso das Ilhas.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 752 de 27 de Abril de 2016.

sexta, 29 abril 2016 17:29 Publicado em Mundo

Um acidente de viação registado no princípio da tarde hoje, em Luanda, causou 12 feridos, alguns em estado grave, quando a viatura em que seguiam capotou devido ao excesso de velocidade, informou a polícia.

sexta, 29 abril 2016 17:24 Publicado em Sociedade

O soldado suspeito de 11 mortes, num posto militar Monte Tchota, já está sob tutela militar, disse à agência Lusa fonte da Polícia Judiciária de Cabo Verde.

sexta, 29 abril 2016 15:20 Publicado em Política

O ministro da Defesa, Luís Filipe Tavares, disse hoje, na Cidade da Praia, que o Governo já mandou abrir um inquérito para averiguar eventuais irregularidades ao funcionamento do destacamento militar de Monte Tchota.

sexta, 29 abril 2016 15:00 Publicado em Política

O presidente do Conselho de Administração do INPS não se demite devido à entrada em funções de um novo governo. O responsável falava esta manhã, no âmbito da visita do Ministro da Saúde e da Segurança Social, Arlindo do Rosário, à instituição.

sexta, 29 abril 2016 13:06 Publicado em Cultura

 

Após participar no Atlantic Music Expo (AME-CV) deste ano, o jovem artista natural de Santa Cruz, interior de Santiago, Emileno Moreira Da Costa, de nome artístico Thairo Kosta, lança esta sexta-feira, 29, o seu segundo single/vídeo-clip “Largan”.  O evento acontece no espaço Art Kafé, no Palácio da Cultura Ildo Lobo.

Este single faz parte de “Valor de Família”, e apesar do disco ainda não possuir data de lançamento, o artista avança que este seu primeiro trabalho discográfico terá 10 faixas musicais. 

Depois do sucesso do primeiro single “Sentru di Injuria” que foi apresentado a 18 de Julho de 2015, Thairo Kosta vai, então, lançar agora “Largan”.    

Isso numa altura em “Sentru di Injuria”, segundo Thairo Kosta, foi já culturalmente reconhecido pela sociedade cabo-verdiana e na diáspora.     

“Largan”, conforme Kosta, é um trabalhos levanta causa sociais como álcool, droga e prostituição.    

O videoclip deste tema foi gravado, conta o artista em Achada Santo António, na Cidade da Praia e no concelho de Santa Cruz.   

Segundo o artista, o objectivo ao abordar esse tema é tentar consciencializar a sociedade cabo-verdiana, através das suas mensagens, dirigidas principalmente a jovens e adultos. “Eu acredito que esse trabalho terá uma boa aceitação tanto nacional como internacional. Espero que este trabalho sirva para a consciencialização e mudança da mentalidade das pessoas”, resume.      

Thairo Kosta não avançou quando é que seu primeiro álbum estará no mercado, limitando-se a dizer que se trata de um trabalho de pesquisa musical.

“O álbum está quase concluído, em termos de composição. Falta agora estruturar os arranjos, para terminar o álbum, mas alguns dos temas já estão finalizados”, acrescentou o jovem artista, que pretende cultivar mais o Finason.   

O single “Sentru di Injuria” está nomeado nas duas categoria de Cabo Verde Music Award,  evento que vai ser realizado dia 7 de Maio de 2016: Melhor Vídeo-clip do Ano e Melhor Música Urbana.     

Emileno Moreira Da Costa, conhecido no mundo artístico e pelos amigos como Thairo Kosta, nasceu a 4 de Fevereiro de 1987, em Santa Cruz, ilha de Santiago, Cabo Verde.

Filho de mãe emigrante e pai camponês, cresceu e viveu a sua infância com os avós maternos, bebendo das raízes e cultura do interior de Santiago.   

Thairo Kosta é defensor do espírito africanista, presente nas suas músicas e no seu dia-a-dia. Em 2008 compôs o seu primeiro tema, “Mudjer ki bali”, e todas as suas composições advêm de uma estória ou vivência real.   

Conhecendo a realidade de um filho do campo, apesar de todas as dificuldades, após cumprir o serviço militar, teve a sorte de poder concluir o 12º ano, em 2011, e como qualquer jovem que sonha e ambiciona, mudou-se para a cidade da Praia, com o único propósito de continuar os estudos.  

Porém, devido a diversas dificuldades não conseguiu concluir o que mais queria: formar-se em Língua Inglesa para poder um dia ser um grande profissional na área do Turismo.

De todos os ritmos existentes no país sempre sentiu-se atraído pelo Finason, admirando a forma de cantar e de compor de alguns artísticas e bandas como Katchas, Pantera, Tcheca, Bulimundo, Nha Nacia Gomes, rainha do finason, entre outros.

 

sexta, 29 abril 2016 09:08 Publicado em Sociedade

Os funcionários que estavam a trabalhar no desmantelamento do Navio Terry Três, encalhado na ilha de Santa Luzia, desde Outubro de 2012, ponderam levar a Expoart, empresa que os contratou, a tribunal. Em causa, atrasos consideráveis no pagamento de salários. 

sexta, 29 abril 2016 08:49 Publicado em Mundo

O Tribunal Constitucional da Colômbia legalizou na quinta-feira o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

sexta, 29 abril 2016 07:57 Publicado em Sociedade

O director da Polícia Judiciária (PJ), Patrício Varela, garanta que as autoridades estão empenhadas na luta contra o tráfico de droga e reafirma a determinação da PJ para que este crime não "faça escola" no arquipélago.

sexta, 29 abril 2016 07:46 Publicado em Política

O primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, disse quinta-feira, em Santo Antão, que os acontecimentos de Monte Tchota “não fazem parte da nossa cultura, nem da nossa forma de ser e de estar, nem da forma de funcionamento das nossas instituições”.

sexta, 29 abril 2016 07:17 Publicado em Opinião

Hoje, dia 20 de Abril, inicia-se uma nova legislatura. O MpD regressa ao poder depois de o ter perdido quinze anos atrás. O PAICV depois ter sido oposição e posteriormente  governo agora volta à oposição. Pela primeira vez temos os dois grandes partidos com experiência alternada de governo e de oposição democrática. Uma nova era na actividade parlamentar poderá abrir-se se a experiência de ter estado nos dois lados do muro for devidamente aproveitada.

A realidade vivida da inevitabilidade, a prazo, da alternância no exercício do poder ajudará certamente a conter manifestações de arrogância e de intransigência. Espera-se que também incentive a criação de um ambiente mais propício a negociações, a compromissos e ao desenvolvimento de uma atitude de defesa da instituição parlamento. Quem já foi governo e oposição tem todo o interesse que se institucionalize o mais possível os direitos das minorias para se evitar impasses e conflitos que degradem a imagem da instituição e retiram-lhe a eficácia desejada dentro do sistema político. Práticas que configuram uma espécie de tirania da maioria, se num determinado momento se mostram proveitosas para quem governa, pouco mais tarde acabam por revelar-se negativas, inibidoras de iniciativas e sustentadoras de  uma imagem pública perniciosa à instituição, à democracia e ao pluralismo.

A democracia representativa tem estado estado sob pressão em vários países independentemente de serem velhas ou novas democracias. Sondagens realizadas revelam como vêm baixando os níveis de confiança nas instituições democráticas em particular no parlamento. Vários factores contribuem para isso. Os cidadãos, com o poder recentemente adquirido de se informarem sobre o que passa à sua volta e no mundo a todo o momento através da internet e de se comunicarem através das redes sociais, olham para o parlamento como uma espécie de relíquia do passado num mundo do qual se esperam respostas rápidas e eficazes para os problemas que todos os dias surgem. Para eles fica cada vez mais evidente a dificuldade do parlamento em lidar com situações complexas como, por exemplo, os problemas do euro e as políticas de austeridade aplicadas na Europa, ou então a crise de refugiados e a islamização da Europa ou ainda, por exemplo, no caso do Brasil de uma quebra no crescimento acompanhado de desemprego, inflação e acusações graves de corrupção na classe política.

As soluções que vêm sendo apresentadas de mais partidos políticos, de flexibilização de mandatos ou mesmo de mais experimentação em formas de democracia directa trazem outros inconvenientes. Acabam por introduzir mais dificuldades que depois vão contribuir para o desprestígio ainda mais da instituição parlamentar, para instabilidade governativa e em certos casos para ascensão de partidos extremistas mergulhados em nacionalismo e políticas de identidade. O activismo nas redes socias já demonstrou ser mais eficaz em mobilizar para derrubar ditaduras como se viu na Primavera Árabe do que a construir comunidades capazes de suportar instituições estáveis. O aparecimento de novos partidos como aconteceu em Espanha até agora não trouxe estabilidade governativa. As consequências da flexibilização de mandatos de deputados que os liberta das amarras partidárias até ao ponto de mudarem de partido vêem-se, por exemplo, no caos da câmara de deputados no Brasil e na corrupção generalizada dos seus membros, aliciados que são a vender o seu voto a interesses particulares.

 A história tem demonstrado a importância fulcral da democracia representativa na defesa das liberdades, do pluralismo e do Estado de Direito. É fundamental que no início de uma nova legislatura se renove a vontade de a fazer plenamente funcional de forma a que se prestigie aos olhos dos cidadãos e sirva de contenção à cultura anti-política, anti-partido e anti-pluralismo que anda por aí sempre à procura de uma oportunidade para se manifestar. Já tivemos a segunda alternância e todas as forças políticas do arco da governação já foram governo e já se viram na oposição. As condições estão criadas para um novo comprometimento com o aprofundamento e a consolidação da democracia representativa. Naturalmente sem descurar as formas de democracia participativa e referendária previstas na Constituição e nas leis.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 752 de 20 de Abril de 2016.

quinta, 28 abril 2016 17:55 Publicado em Economia

Os parceiros sociais não aprovam o pedido de suspensão da portaria que regula o subsídio do desemprego pelo Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). Patrões e trabalhadores afirmam que mesmo que seja necessário proceder a alterações ao diploma, não se justifica a suspensão.

quinta, 28 abril 2016 15:32 Publicado em Sociedade

Diminuir a quantidade de sal no pão. Foi com este objectivo que o Programa Nacional de Nutrição organizou hoje, no Sal, um encontro com os panificadores locais.

quinta, 28 abril 2016 12:06 Publicado em Política

O presidente da República, Jorge Carlos Fonseca enviou uma mensagem de condolências ao Rei Felipe VI de Espanha, manifestando a sua consternação pela morte de dois cidadãos espanhóis no que avalia como um "acto tresloucado de um jovem militar".

quinta, 28 abril 2016 10:25 Publicado em Economia

O Conselho directivo do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) pediu a suspensão da portaria que regula o subsídio do desemprego. A informação é confirmada pelo presidente da Comissão Executiva, José Veiga, que afirma que a medida deve–se ao facto de ainda não estarem reunidas todas a condições para a sua implementação.

quinta, 28 abril 2016 09:19 Publicado em Desporto

A selecção cabo-verdiana de futebol de praia faz esta sexta-feira, na Ilha do Sal, a sua estreia na primeira edição do Sal Beach Soccer Cup, defrontado a congénere da Inglaterra. No sábado, a turma nacional entra em campo para defrontar a Espanha e, no domingo, joga com Portugal, selecção campeã do mundo em título.

quinta, 28 abril 2016 09:15 Publicado em Mundo

A comissão especial para analisar o pedido de destituição da Presidente brasileira, Dilma Rousseff, no Senado (câmara alta do parlamento) inicia hoje o período de audiências, ouvindo os advogados da acusação.

quinta, 28 abril 2016 08:04 Publicado em Política

O Presidente da República (PR) afirmou quarta-feira que as autoridades institucionais do país saberão ser gratas face ao serviço que os oito jovens militares, mortos em Monte Tchota, prestaram à nação e ao Estado de Cabo Verde.

quinta, 28 abril 2016 07:45 Publicado em Sociedade

Muita consternação marcou esta quarta-feira o velório de três dos oito militares mortos num posto em Monte Tchota, numa cerimónia realizada no quartel Jaime Mota, centro histórico da capital cabo-verdiana, com a presença do presidente da República e do primeiro-ministro.

quinta, 28 abril 2016 07:38 Publicado em Economia

O director de vendas da TAP para África assinalou um "grande aumento" da procura pela linha de Cabo Verde na companhia, o que justificou o aumento em 25% dos voos para este destino.

quarta, 27 abril 2016 16:30 Publicado em Sociedade

O líder da Comissão Política Regional do PAICV em São Vicente acusou hoje o presidente da Câmara Municipal, Augusto Neves, de “mentir descaradamente” em relação as obras que apresentou como resultados da edilidade em 2016.

Expresso das Ilhas

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