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Cabeólica injecta cerca de 20 por cento de energia nas redes públicas do País

A Cabeólica produz cerca de 20% da energia eléctrica que é injectada na rede da Electra. Em dias de maior consumo, a empresa chega a produzir 24% da energia.

 

Em entrevista à Inforpress, o administrador-delegado da Cabeólica, Antão Fortes, justifica que a queda na produção de energias renováveis ficou a dever-se ao facto de se terem feito “mais investimentos na energia convencional do que nas renováveis” tendo-se notado, desde 2014, “algum relaxamento” em novos investimentos, no sector das energias renováveis.

Para Antão Fortes, Cabo Verde é um mercado relativamente pequeno e, por isso, qualquer novo projecto pode alterar os números em matéria de produção e ganhos.

Contudo, reconhece que em 2014 houve uma “grande iniciativa” da parte do Governo em querer “explorar mais” aquilo que seriam os benefícios das renováveis.

“É preciso criar todas as condições esclarecedoras para o investidor, sobretudo o externo que traz o seu capital (para o país)”, precisou Antão Fortes, acrescentando que “muitos bons passos estão sendo dados neste momento no quadro de um projecto financiado pela União Europeia, que é para se definir o plano director do sector eléctrico”.

O Administrador-delegado da Cabeólica afirmou-se igualmente convencido de que este plano director sirva para clarificar “alguns dos parâmetros de como o processo de novos investimentos vai acontecer no domínio das energias renováveis”.

“Para que o privado invista ele precisa de saber claramente com que linha se vai coser, ou seja, como é que fará o seu investimento, qual é o retorno que vai ter e qual o mecanismo que vai ser utilizado para este fim”, indicou o responsável da Cabeólica, para quem ao privado interessa-lhe também saber que tipo de energia se vai priorizar, isto é, se será eólica, solar, convencional e até nucleares, que o país não dispõe ainda.

Na sua perspectiva, tudo isso “bem clarificado” constitui “mais um atractivo para o investimento externo e nacional”.

Solicitado a trocar por miúdos a expressão “não se sabe com que linha se vai coser”, Antão Fortes disse que para grandes projectos vão ser feitos concursos, o que, de acordo com as suas palavras, haverá um caderno de encargos, onde se define qual é a potência que se quer e que energia se vai comprar.

“Desde que se abalize o que, efectivamente, se pretende, haverá interessados em fazer o investimento necessário”, sublinhou, reiterando que é necessário que tudo fique claro como é que o processo será executado.

O Governo anterior estipulou que até 2020 o país estaria coberto a cem por cento por energias renováveis, o que pressupõe que até agora, conforme notou Antão Fortes, “muita coisa já devia estar a decorrer para que, efectivamente, este objectivo fosse alcançado”.

Entretanto, considera que existe uma “abertura” da parte do executivo de Ulissess Correia e Silva na maximização das energias renováveis, “mas deixa de haver uma meta tão restritiva até 2020”.

Instado se sempre acreditou que seria possível cobrir o país a cem por cento com energias renováveis no horizonte de 2020, disse que não.

“Não por razões tecnológicas, mas sim por motivos económico-financeiros. Haveria que se fazer grandes investimentos em pouco tempo para se garantir que em 2020 houvesse energias renováveis a cem por cento”, explicou, adiantando que se estaria a falar em energia eólica, solar e provavelmente bombagem hídrica e outras formas para se ter a garantia de estabilidade nas redes.

Neste momento, a Cabeólica tem uma capacidade instalada de 25,5 mega watts, o que corresponde a um investimento global de cerca de 60 milhões de euros, amortizáveis em 20 anos.

“Quando iniciámos, os mais cépticos não acreditaram que era possível penetrações acima dos 20 por cento de eólica”, lembrou Fortes que adiantou que nas ilhas do Sal e São Vicente a penetração de energia eólica já chegou a atingir os 55 por cento.

Perguntado se a energia eléctrica fica mais barata quando é produzida a partir de fontes das  renováveis, esclareceu que se trata de uma questão que depende muito das conjunturas, ou seja, dos preços do petróleo no mercado internacional.

“Até 2015, o preço era muito competitivo. A partir desse ano, com a queda substancial que houve, o petróleo voltou novamente a ser mais interessante do que a renovável. Agora, começa a haver o equilíbrio porque a nível internacional o barril de petróleo está a atingir os 60 dólares, precisou Antão Fortes.

Conforme explicou, quando se regista o aumento do preço do petróleo no mercado externo, isto torna-se “mais vantajoso” para as energias renováveis.

segunda, 13 novembro 2017 09:50

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