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Cabo Verde encomenda estudo aos franceses da Vinci

Empresa francesa que gere 35 aeroportos em 7 países espalhados por três continentes compromete-se a elaborar estudo sobre gestão aeroportuária em Cabo Verde. Vinci é a 5ª maior empresa na área da gestão aeroportuária e Cabo Verde surge “como uma oportunidade interessante de investimento”, disse o Director de Desenvolvimento de Negócios daquela empresa francesa.

 

O Governo e a Vinci assinaram, ontem, um memorando de entendimento tendo em vista a realização de um estudo sobre qual o melhor modelo de negócio para a gestão dos aeroportos nacionais. A apresentação ao governo deverá ocorrer dentro de 60 dias.

“É essencial que mudemos a governação das empresas estratégicas do país”, disse Olavo Correia referindo-se ao modelo actual de gestão de empresas como a ASA, TACV, ENAPOR e ELECTRA.

No caso específico da gestão aeroportuária, o ministro que tutela as Finanças declarou que Cabo Verde “precisa de escala e de mercado” para que se “consiga desenvolver o país e se alcancem os 7% de crescimento”. Por isso, sublinhou o ministro, com esta parceria com a Vinci abre-se uma possibilidade de “diálogo para podermos ter uma proposta sobre o modelo de governação dos aeroportos em Cabo Verde”.

José Luís Arnaut, presidente da Assembleia Geral da ANA, empresa portuguesa que foi parcialmente adquirida pela Vinci em 2013, destacou que aquela empresa é a “quinta maior concessionária de aeroportos a nível mundial” e que trabalha com um total de 209 companhia aéreas das quais 85 fazem operações de charter e a que se juntam um total de 200 tour operators.

Exemplificando com o caso português, José  Luís Arnaut procurou demonstrar os benefícios da compra, ainda que parcial, da ANA, empresa até então pública que fazia a gestão dos aeroportos portugueses, pela Vinci:  Portugal passou a contar com 302 rotas contra as 277 que tinha em 2013, o tráfico de passageiros passou de 22 milhões para 44 e, só pelo aeroporto de Lisboa, passaram em 2016 22 milhões de pessoas. Arnaut frisou igualmente que a atracção das companhias aéreas low cost é essencial para a gestão de qualquer aeroporto.

Da parte da Vinci, Benoit Trochu, director de desenvolvimento de negócios, assumiu que Cabo Verde foi identificado “como uma oportunidade interessante de investimento”.

 

Proposta em dois meses

No final da cerimónia, o ministro das Finanças afirmou que o objectivo do governo é “alterar a forma como vimos gerindo as empresas públicas em Cabo Verde”. Tudo porque, como defendeu, “a forma como têm sido geridas tem sido um obstáculo ao desenvolvimento da economia cabo-verdiana”.

Apontado o dedo à gestão anterior das várias empresas públicas, o ministro das Finanças apelou a que estas “criem valor para a sociedade cabo-verdiana e não que retirem valor”.

“Temos de estabelecer parcerias com quem tem capacidade, tem o mercado, tem o know how para se poderem amplificar as oportunidades para a economia cabo-verdiana. É isso que estamos a fazer”, acrescentou o ministro.

A proposta a ser apresentada dentro de 60 dias tem “a ver apenas com o modelo de governação da ASA e aeroportos. Se a proposta for boa, depois, o governo estabelecerá os passos seguintes. Nós temos as condições para fazermos isso no mais curto espaço de tempo”, explicou Olavo Correia.

No entanto, a Vinci não está sozinha nesta ‘corrida’ uma vez que Olavo Correia afirmou que “há outros estudos que estão a decorrer com o apoio do Banco Africano de Desenvolvimento e o governo, em função dos elementos que estiverem em cima da mesa decidirá autonomamente”.

José Luís Arnaut explicou que a presença das duas empresas – ANA e Vinci – em Cabo Verde teve por objectivo trazer “a nossa experiência, o nosso know how e aquela que é a nossa expertise relativamente ao desenvolvimento dos aeroportos de Cabo Verde.

 

Um gigante da administração aeroportuária

Quinta maior empresa a nível mundial na área da gestão aeroportuária a Vinci teve, no ano passado uma receita líquida de 2,4 mil milhões de euros devido à sua presença em mais de 110 países onde conta com mais de 180 mil trabalhadores envolvidos em cerca de 3 mil unidades de negócio.

A gestão aeroportuária é apenas um dos ramos de actividade da Vinci que tem interesses também na concessão de auto-estradas e de caminhos-de-ferro.

Na área da aviação, como já foi referido, a empresa está presente em 7 países onde gere um total de 35 aeroportos internacionais.

O grande destaque, no entanto, vai mesmo para o volume de receitas que o negócio aeronáutico gerou à companhia. Só no ano passado foram mais de mil milhões de euros que entraram nos cofres da empresa provenientes da gestão dos aeroportos que tem dispersos por três continentes e por onde passaram, no total, 132,3 milhões de passageiros.

Empresa de gestão aeroportuária a Vinci elabora planos de gestão daquelas infraestruturas e que passam pelo desenvolvimento do tráfego, o desenvolvimento das receitas não aeroportuárias, ou seja a concessão ou subconcessão das lojas dos aeroportos, entre outras áreas.  

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 831 de 31 de Outubro de 2017. 

sexta, 03 novembro 2017 14:37

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