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«Privatizações podem ser 'uma faca de dois gumes'» – Paulino Dias

Paulino Dias Paulino Dias

O economista Paulino Dias considera que a privatização de empresas participadas pelo Estado pode ser “uma faca de dois gumes”, explicando que mal conduzida pode ser “um desastre”, mas bem feita trará “ganhos evidentes”.

 

O economista comentava assim o anúncio do Governo de reestruturar, privatizar ou concessionar 23 empresas participadas pelo Estado até 2021, pretendendo com isso arrecadar cerca de 90 milhões de euros.

Entre as empresas que o Governo cabo-verdiano pretende privatizar está a companhia aérea TACV, cujo decreto para venda do negócio internacional já foi aprovado.

Na lista constam ainda empresas ligadas aos sectores da água e energia (Electra), telecomunicações (NOSi e CV Telecom), portos (ENAPOR), aeroportos (ASA), produção e comercialização de medicamentos (Emprofac), imobiliária (IFH), estaleiros navais (CABNAVE), correios, Escola de Hotelaria e Turismo, seguro (Promotora).

A opinião do economista foi expressa na sua página na rede social Facebook.

Se as privatizações forem bem feitas, com inteligência, trará “ganhos evidentes” para todos, desde clientes, trabalhadores, contribuintes, investidores, cidadãos, Estado e as gerações futuras, defendeu.

Paulino Dias disse que não tem “nada contra as privatizações”, explicando que tem defendido que lá onde os privados podem ser mais eficientes, não se deve “ter pruridos quanto ao seu envolvimento”.

“Sem contar que a maior parte das empresas da lista têm sido autênticos sorvedouros de dinheiro público, penalizando duplamente os cabo-verdianos, através dos nossos impostos que são utilizados para tapar buracos (via injecções do Tesouro) e através do custo elevado de serviços, muitas vezes ineficientes”, salientou.

O também professor universitário considerou que essas empresas têm sido utilizadas “como autênticos cabides de emprego para os partidos no poder, “gerando situações absolutamente aberrantes”.

Por isso, Paulino Dias considera que há riscos que devem ser levados em conta, nomeadamente os contra os consumidores/cidadãos, os trabalhadores e os interesses do Estado, “enquanto accionista cedente de posições”, de soberania e de sustentabilidade para as gerações futuras.

“Não é avisado escamotear esses riscos e procurar dourar-nos a pílula”, alertou o também presidente da empresa PD Consult, indicando que isso deve ser feito, por exemplo, com avaliação independente do valor das empresas.

Mas também com concursos transparentes, competitivos, com termos de referências bem estruturados, contratos cuidadosamente trabalhados, com apoio de especialistas.

O economista pede ainda que se prevê ou se incentiva a participação de empresas ou investidores cabo-verdianos no processo, com linha de crédito ou pulverização de parte das acções na bolsa.

Paulino Dias entende que é preciso rever e reforçar o sistema regulatório, rever os procedimentos de nomeação dos órgãos sociais das empresas, “para lhes conferir maior independência”, bem como ter um sistema judicial eficiente e célere, para, entre outros, poder proteger o consumidor “de possíveis abusos monopolistas”.

Com as privatizações, o executivo de Ulisses Correia Silva traçou alguns objectivos, como aumento da eficiência, produtividade e competitividade da economia e das empresas, criar novas oportunidades de negócio, atrair o sector privado, modernizar o tecido empresarial, reduzir o peso do Estado e da dívida pública na economia e defesa do património do Estado.

Paulino Dias é hoje convidado do programa Panorama 3.0, emitido pela Rádio Morabeza, excepcionalmente às 17h00.

sexta, 11 agosto 2017 09:14

2 Comentários

  • Rogério Spencer 14-08-2017 Reportar

    Bom, vamos lá ver uma coisa: o Expresso das Ilhas, pelos vistos, já escolheu o seu lado: oposição light. Sim porque, o Governo, um governo de centro direita, que faz anuncio de uma lista de empresas privatizáveis, vem logo o Expresso e o que faz? Entrevista um economista de esquerda, que fez uma pós-graduação com um trabalho sobre sobre as cooperativas em Santo Antão para falar sobre algo que indiscutivelmente não domina, não acredita e não entende. Ou seja, alguém posicionado ideologicamente do lado oposto a tudo quanto seja iniciativa privada, embora tenha feito rios de dinheiro vendendo ao governo do Paicv planos, business plans, modelos de gestão financeira e outros produtos feitos sob medida de quem não acredita no mercado. Neste sentido, o Expresso deveria ser um pouco mais plural, entrevistanto pessoas que entendem de economia, mas com a visão de mercado, de sociedade livre, de livre iniciativa, ao invés de apostar no medo, na possibilidade de a coisa não der certo, para depois dizer: eu avisei! Agora ao Paulino Dias (Forest) para os mais próximos. Meu caro, engano seu que as privatizações são uma faca de dois gumes. Ou você não acredita na racionalidade económica por ignorancia ou não acredita por mera ideologia. A iniciativa privada é a única forma mais eficaz de geração de riqueza, emprego e bem-estar social em qualquer sociedade e sobre isto não outra consideração fazer-se. A livre iniciativa não gera desemprego como querem apregoar para manter no aparelho do Estado administradores e amigos a trabalhar para o partido e em seu fortalecimento. É claro que, na busca da eficiência e eficácia económicas só os melhores são primeiramente escolhidos para as vagas, com os melhores salários e paulatinamente a economia incorpora os restantes. Por isso, mesmo que alguns percam, temporariamente suas vagas, desde que a sociedade como um todo ganhe, está-se na trajectória do bem-estar economico e social.Ninguém de bom-senso promete emprego para todos. Até aqui, qualquer economista sabe que não se está na presença de dois gumes. É, afinal, o que faz o Paulino na sua empresa. Emprega os melhores, dentro das categorias essenciais e com a experiência adquirida os restantes são absorvidos pela concorrência que paga salários adqueados aos perfis necessários. Forest ignora o facto de com a privatização a CV Telecom contratou mais Engenheiros, Programadores, Economistas, Administradores, mas, por outro lado, contratou memos serventes, auxiliares, atendentes? PD ignora que a Enacol contratou mais gente qualificada que antes da privatização? Onde está a faca de dois gumes? Olhe, que nem estou a entrar na racionalidade economica ainda, apenas facilitar a vida ao PD. Se for entrar pela Teoria da Firma, creio que o PD ou endoice, ou então jamais fala asneiras sobre a economia. PD domina sim, o senso comum em economia, e com isto tem passado a ideia de que é economista experiente, coisa que está por comprovar. Por isso, não vou perder tempo com este frete que o Expresso faz a este cidadão. Se o PD desejar discutir a Teoria Economica, aconselho escrever para uma revista especializada da Economia, lá estaremos para desmontar uma-a-uma, todas as friviolidades deste Paulino. Por enquanto, não merece crédito algum o que este rapaz tira para fora.

  • antonio 11-08-2017 Reportar

    Ser Pobre e miserável é treva!! Ver 3 ministros e um Gestor, a sorrir de orelha a orelha, todos debruçados em cima de um loiro da Islandia, porque entregaram a sua companhia aérea para gestão, sem custos nenhuns para quem recebe de bandeja um contrato e um mercado. Sou dos que defende que a TACV era para ter sido provatizada à muito tempo e vivi de perto todo o trabalho que a ex-Ministra Sara Lopes, discreta, mas estudiosa e conhecedora do sector, sobretudo com uma grande capacidade de ouvir e aprender, fez para que assim fosse. Aliás, a estratégia que está a ser implementada é a que ela gizou e apresentou ao Governo de José Maria Neves, que preferiu embarcar na conversa balofa da Cristina Duarte e do JPS, diga de passagem com total apoio da Cristina Fontes e do Adão Rocha (cérebro do JMN) e da Janira Almada. Ela sempre defendeu: é urgente mudar o modelo de negocios na TACV e noutros sectores. Eu próprio economista e gestor de formação confesso que só comecei a estudar essas matérias depois de trabalhar com ela. O que ela defendia fazia todo o sentido e ela rodeou-se de especialistas muito competentes com os quais pude participar em Conferencias via Skype que ela programava sempre para os técnicos aprenderem mais sobre as novas tendências no sector da aviação e da economia maritima. Ela defendia a separação do Handling e fê-lo enquanto a Cristina Duarte andava no BAD e sem tempo para estragar o trabalho dos outros, a separação da TACV doméstico que deveria ser aberta à participação de outras companhias aéreas e de trabalhadores e privados nacionais; a TACV Internacional que poderia manter ou também privatizar o negocio da manutenção. Ela mandou estudar cada um desses segmentos e os estudos demonstravam muita consistência. Ela mandou preparar toda a legislação para transformar a ASA e a Enapor em Concessionárias aeroportuárias e portuárias e preparou toda a legislação da subconcessão, com total rigor, para além de ter conseguido financiamento do Banco Mundial para o reforço da regulação que considerava crucial num ambiente de retirada do Estado da Gestão directa de empresas estratégicas. Mas o JMN envolvido e gasto nas guerras internas não soube dar atenção ao trabalho estratégico volumoso que essa humilde e determinada senhora vinha fazendo. Entregou o ouro ao bandido. Ulisses encontrou tudo estudado. Papinha feita: até os contactos com Icelandair e SATA e outros que não foram retomados. Por isso, bem-feito para o PAICV que agora chora lagrimas de crocodilo. Preferiram confiar em fanfarões que gritavam mais alto. Eu até hoje estou pasmo como foi possivel não dar o apoio político devido a todo esse trabalho. Faço voto que dê certo, só Deus sabe o quanto, embora tenho apreensões porque vejo muito deslunbramento e sei que não será fácil. Deu-se apenas um primeiro passo importante. Mas tudo o que terá de ser feito no futuro requer acompanhamento apertado, cuidadoso, para que ao invés de recuperarmos a nossa companhia de bandeira nao nos limetemos a entregar o nosso mercado ao outro. Tenho espirito aberto, comecei a compreender melhor este sector desde 2013, aprendi muito com a Dra. Sara Lopes. Raras vezes vi uma pessoas tão dedicada e tão estudiosa e humilde em mais de 30 anos de trabalho. Gostei de ver a inteligência do Ministro das Finanças em chamá-la. Ela é sim uma pessoa de grande utilidade para Cabo Verde. Gostava de vê-la por cá a ajudar a pensar e a fazer com a humildade que a caracteriza. Não sou o unico a dizer isso. Mas termino como comecei: estou a torcer que dê certo. Tiro o chapeú ao UCS e ao Olavo, porque sei que eles é que decidem, pela coragem e determinação em fazer o que devia ser feito há mais tempo, poupando tanto desgaste a todos nós. Mas volto a alertar: os Islandeses não vão fazer a nossa estratégia nem fazer de Cabo Verde um Hub pelos nossos lindos olhos. Terá tudo de ser devidamente negociado, amarrado e supervisionado. Controlado. Atenção pois Sr. PM e Sr. MF. Nada de deslumbramentos e não ajoelhem perante os parceiros. Parceiros levantam a cabeça e olham-se olhos nos olhos para recordarem e selarem os compromissos firmados. Fica a lição para o PAICV e boa sorte para a TACV.

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