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Empresa espanhola coloca Cabo Verde no mapa da produção de acessórios de pesca

Abriu portas há um ano e já é uma referência na indústria nacional. De capital espanhol, A Poutada é uma empresa exportadora, de dimensão internacional, que quer tirar partido da posição geoestratégica das ilhas. 

A Poutada nasceu na Galiza, em Espanha. Com os anos, tornou-se uma das marcas de topo na produção e comercialização de acessórios de pesca. Instalada em Cabo Verde desde Março de 2016, tem uma produção média diária de 100 mil anzóis, 300 palangres e 200 ‘cachaloteras’, garantindo emprego a 200 mulheres, número que pode aumentar – até duplicar – a médio prazo, caso se concretizem os investimentos previstos.

Na hora de expandir o negócio, o grupo espanhol escolheu São Vicente. Porquê? Francisco Pérez Sobrido, um dos administradores da fábrica de Mindelo, esclarece-nos.

“Primeira razão, a posição estratégica. Está muito perto de África,  da  América e da Europa. As principais zonas de mercado estão nestas áreas e isso para nós é muito bom”.

A proximidade cultural – “outro referente comum” – também pesou na decisão, assim como os custos laborais, relativamente baixos, quando comparados com os valores salariais praticados na Europa.

“Há uma situação que nos favorece. Há uma demanda de trabalho importante e nós temos  uma oferta de trabalho importante”, sintetiza.

“Por exemplo, estamos a fazer umas linhas de palangres para a Nova Zelândia. Em Espanha era impossível, devido aos custos laborais. Aqui os custos são mais económicos e permitem-nos  produzir e transportar estes produtos para esses países”, destaca.

Colocando o investimento inicial na casa dos 600 mil euros, o responsável espanhol prefere referir-se àquilo a que chama de “investimentos não tangíveis”, nos quais inclui a qualificação da mão-de-obra. O retorno deve ser rápido, estima.

“Estamos muito contentes com o investimento feito. Já criámos uma sociedade, já alugámos um armazém e temos o compromisso do Governo para aquisição de um armazém na zona  portuária”, revela Pérez Sobrido.

Os planos do grupo espanhol passam por conseguir fazer chegar ao mercado soluções integradas, que satisfaçam todas as necessidades das frotas pesqueiras que operam na região.

Empresa exportadora, que acrescenta valor à matéria-prima, reexportando o produto final, A Poutada tem trabalhado com as autoridades para a resolução de constrangimentos que persistem ao nível aduaneiro.

“Não faz sentido que uma mercadoria que trazemos para aqui, que trabalhamos aqui e que se  exporta a 100 por cento tenha algum tipo de direito aduaneiro, porque isto não acontece em nenhum sitio do mundo. Felizmente esta situação foi corrigida”, exemplifica. 

Como é natural, os dados do Instituto Nacional de Estatística não detalham o contributo concreto da empresa espanhola para a balança comercial cabo-verdiana, mas uma comparação simples das estatísticas de comércio externo permite perceber que alguma coisa mudou desde Março do ano passado. Olhemos para um produto em particular: anzóis. Em 2015, foram reexportadas duas toneladas de anzóis. Em 2016, esse número subiu para as 16 toneladas. Contas feitas, um aumento de 700% em doze meses.

 

“Taxas e taxinhas”

A importância estratégica da fábrica de acessórios de pesca e do modelo de negócio que a unidade representa foram sublinhados, na última semana, pelo Primeiro-Ministro, ao visitar as instalações, no âmbito da I Semana do Sector Privado.

Da iniciativa governamental resultou a promessa de, durante o Verão, ser apresentada a política industrial do país. Reivindicação antiga dos industriais nacionais, a que o Expresso das Ilhas tem dado voz.

“Isto envolve, seguramente, não só questões de natureza fiscal  mas também apoio à exportação, o regime de apoio à formação, que muitas vezes são custos assumidos directamente pelas empresas, e criar um ambiente favorável”, disse o chefe do executivo.

Formação profissional, transportes, fiscalidade e para-fiscalidade ou, nas palavras do Primeiro-Ministro, “taxas e taxinhas”. Deverão ser estes os pilares da política industrial, ainda por conhecer, mas prometida aos empresários.

“Esta é das tais reformas que levam tempo, porque exige alterações profundas”, explicou Correia e Silva.

 

Uma empresa galega

A Poutada começou a sua actividade no início da década de 70 do século passado, na localidade espanhola de Santa Eugénia de Riveira, conhecida pelo seu porto, um dos mais importantes no sector pesqueiro espanhol.

De pequeno negócio familiar, abastecedor do mercado local, transformou-se numa referência internacional no fornecimento de acessórios de pesca.

Além da pesca comercial, o grupo espanhol apostou nos últimos anos no lazer e tem conquistado espaço no segmento da náutica de recreio.  

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 804 de 26 de Abril de 2017.

domingo, 30 abril 2017 06:00

1 comentário

  • eduardo monteiro 30-04-2017 Reportar

    Votos de sucesso,

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