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África regista tímida recuperação após queda económica

O crescimento económico na África Subsariana está a acontecer de forma tímida, em 2017, após registar o pior declínio em duas décadas em 2016. Cabo Verde, Comores, Ilhas Maurício, Madagáscar e Seychelles também continuarão a ter crescimento moderado, anunciou hoje o Banco Mundial.

 

De acordo com o novo Africa’s Pulse ("A Pulsação de África"), uma análise bianual da situação das economias Africanas, efectuada pelo Banco Mundial (BM), as economias da África Subsariana estão a demonstrar sinais de recuperação, apesar de o crescimento regional, projectado para alcançar 2,9% em 2017, permanecer fraco.

Uma situação justificada pelo facto de os países exportadores de petróleo continuarem a ser prejudicados pelo ambiente de baixo preço dos produtos básicos.

“O desempenho do ano passado foi marcado pelo colapso dos preços dos produtos básicos e pelo crescimento económico lento”, lê-se no comunicado do Banco Mundial.

Por outro lado, escreve a instituição financeira, o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) deverá permanecer elevado entre os países que não dependem da exportação de produtos básicos, sustentados pela procura interna.

“Actualmente, metade da população da África Subsariana vive em países que têm demonstrado capacidade de recuperação e têm mantido as suas taxas de crescimento”, acrescenta.

As maiores economias do continente, nomeadamente a África do Sul, Angola e Nigéria, segundo o mesmo documento, estão a recuperar após a acentuada desaceleração ocorrida em 2016, “mas o restabelecimento tem sido lento, tendo em vista o aumento do sentimento proteccionista em todo o mundo e uma restrição do financiamento global acima da expectativa”.

De acordo com a análise, no lado doméstico, os riscos para a actual recuperação derivam da ausência de reformas, das crescentes ameaças à segurança e da volatilidade política diante das eleições em alguns países.

O estudo efectuado pelo BM indica que o ambiente de baixo crescimento económico ocorre num momento em que o continente precisa com urgência de reformas para alavancar o investimento e enfrentar a pobreza.

“Os países precisam de adoptar os tão necessários gastos de investimento e, ao mesmo tempo, evitar a elevação da dívida a níveis insustentáveis”, alerta.

Albert G. Zeufack, economista-chefe do Banco Mundial para a Região de África, diz que à medida que os países caminham para o ajuste fiscal, é preciso preservar as condições correctas para o investimento de modo a que os países da África Subsariana alcancem uma recuperação mais robusta.

“Precisamos implementar reformas que aumentem a produtividade dos trabalhadores Africanos, para além de criar um ambiente macroeconómico estável. Empregos melhores e mais produtivos são providenciais para o combate à pobreza no continente”, recomenda.

Já o crescimento do PIB nos países cujas economias não dependem dos produtos básicos, de acordo com o estudo, foi beneficiado pelos investimentos em infra-estrutura, por sectores de serviços resilientes e pela recuperação da produção agrícola. Aqui, Cabo Verde, Comores, Ilhas Maurício, Madagáscar e Seychelles também continuarão a ter crescimento moderado.

Entretanto, o BM afirma que o crescimento agregado do continente deverá acelerar-se em 2018-19 para 3,6%, reflectindo uma recuperação nas maiores economias. Tal crescimento continuará reduzido para os exportadores de petróleo, ao passo que os exportadores de metais deverão sentir um aumento moderado.

Nesse ambiente, a promoção do investimento público e privado é apontado como prioridade. “A região sofreu uma desaceleração no aumento do investimento – de quase 8% em 2014 para 0,6% em 2015”.

O relatório recomenda a implementação urgente de reformas, de modo a aprimorar as instituições que promovam o crescimento do sector privado, desenvolvam os mercados de capital locais, melhorem a infra-estrutura e fortaleçam a mobilização de recursos internos.

 

quarta, 19 abril 2017 16:29

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