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Gracelino Barbosa: O campeão cabo-verdiano que viajou sozinho para a Tailândia

Sozinho, sem apoio técnico ou médico e a depender da boa-vontade nas selecções de Portugal e Espanha, Gracelino Barbosa já soma duas medalhas de ouro no campeonato do mundo que decorre na Tailândia. Venceu nos 100 metros livres e 110 metros barreiras. Amanhã volta a entrar em prova. A Rádio Morabeza falou com ele.

 



Com estas duas vitórias sentes-te mais confiante para a terceira participação nesta competição?

Claro e acho que fizeram muito bem em colocar  esta modalidade na última prova, porque comecei no mais difícil - 100 metros livres - onde foi uma  experiência, porque nem treinei para tal, mas tive sucesso na mesma, graças a um trabalho bem feito com o meu treinador. Acho que todas as palavras que possa usar hoje são poucas para descrever a alegria que sinto neste momento.

 

E está tudo a postos  para a defesa do título na prova desta quinta-feira?

Digo sempre que quando vamos para a guerra temos que estar preparados. Apesar das condições em que vim, digo que estou preparado. Tenho que estar preparado para o tipo de batalha que tenho. Vim correr, é para isso que cá estou e é o que tenho que fazer.

 

Em que condições é que foste para a Tailândia?

Este ano foi mais complicado para mim, porque tive que procurar outros meios para sobreviver porque o patrocínio terminou. A Caixa Económica cancelou o patrocínio depois dos jogos do Rio 2016. Graças a Deus já retomaram.

 

A participação nestas competições exige uma grande logística e recursos financeiros. Conseguiste as condições necessárias?

Pergunta difícil. Não é como quero, claro. Vir sozinho, participar numa prova desta, vendo outros países com o staff completo [preparadores físicos, treinadores, corpo desportivo], sentes-te um pouco em baixo , mas  não deixo que isso me atrapalhe.

Eu  vim para o Campeonato do Mundo, tenho que estar concentrado neste ambiente, mesmo sabendo que estou sozinho, tenho que tentar estar, psicologicamente forte, porque se eu for a baixo vai tudo o resto, também. Mas claro, era melhor se tivesse comigo o meu treinador, pessoas do comité ou pessoas ligadas ao desporto. Por exemplo, em caso de lesão ou se me acontecer alguma coisa não tenho a quem recorrer.

Mas tento estar ao lado dos grandes, de selecções de países onde já participei  em competições, como Portugal e Espanha. Sempre que tenho alguma necessidade recorro a eles para alguma massagem ou outra situação que não consigo resolver sozinho. Esta é a minha luta.

 


Não estás acompanhado de um staff por falta de condições financeiras para a deslocação e permanência na Tailândia?  

Acho que esta é uma pergunta a que só o Comité pode responder. Já cá estou, agradeço por estar aqui. Se é para não vir, prefiro vir sozinho. Claro que desejava ter a minha equipa técnica comigo. 

 

Nos últimos dias reacendeu o debate sobre a atribuição do passaporte diplomático aos atletas internacionais cabo-verdianos. Esta também é uma reivindicação tua? 

Claro. É uma necessidade de todos os atletas que estão na alta competição, porque nos dá facilidade para entrar em muitos países.

Espero que assim como já se resolveu para o meu companheiro Matchu, também se resolverá para os outros atletas  que precisam.

 

quarta, 17 maio 2017 15:10

2 Comentários

  • Cidadão 18-05-2017 Reportar

    Parabéns Gracelino. Eu, e, acredito que a maioria dos cabo-verdianos têm orgulho de si, da sua força, da coragem e da sua dedicação. Infelizmente neste país existe o hábito de valorizar coisas mesquinhas e desvalorizar aquilo que faz crescer o nome de Cabo Verde. É uma vergonha um atleta da sua envergadura, participar numa alta competição sem apoio, financeiro e técnico. Infelizmente em cabo verde tudo é politizado, e os nossos políticos são uns cambadas de mentirosos que estão sentados a gastar o dinheiro do povo, e não dão atenção aquilo que realmente é importante. Força sempre, nenhuma ajuda do homem é maior do aquilo que Deus lhe dá.

  • Maria Jose 18-05-2017 Reportar

    Plenamente de acordo com Gracelindo e com o jornalista, á excepcao do passaporte diplomático. Nenhum atleta de Portugal ou da Espanha ou mesmo dos EUA possui um passaporte diplomático. É preciso ir mais a fundo e nao confundir as coisas. Pergunta ao Matchu se ele tem um passaporte diplomático espanhosl nao obstante ter decidido pela nacionalidade espanhola e passar a representar a Espanha. A resposta é nao. Nao e nao. Que temos que criar condicoes melhores estou plenamente de acordo. Inclusive envolvimento das autoridades nacionais na busca de vistos de longa duracao para os nossos atletas (esperando que esses nao fujam durante as missoes).

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