Expresso das Ilhas

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No ano em que cumpre a sua vigésima terceira edição, o Festival Internacional de Teatro do Mindelo apresenta-se ao público com alma nova e ambição renovada. Há [muitas] novidades a caminho.

 

Este é o ano de relançamento do Mindelact. Depois de anos de indefinição – em 2015, o evento esteve mesmo para ser cancelado – o festival quer voltar a ser uma certeza no calendário artístico nacional e encontrar a sustentabilidade financeira que lhe tem faltado.

A primeira novidade é a mudança de mês. O teatro despede-se de Setembro e muda-se para Novembro, de 3 a 11. A chuva que habitualmente nos visita no final do verão tem condicionado a programação e, duas décadas depois, foi finalmente decidida a mudança há muito pensada.

“É um grande desafio para nós, porque é a primeira vez em vinte anos que o festival não vai acontecer em Setembro. Há quem diga que este ano vai chover em Novembro, vamos ver se é assim”, comenta o presidente da Associação Mindelact, João Branco.

“O facto de passarmos para Novembro vai permitir ter dois meses [Setembro e Outubro] para resolver os problemas de última hora”, refere.

Após três anos com um papel mais discreto, o encenador, nome maior do teatro nacional, regressou em Março à liderança de uma casa que ajudou a fundar e que conhece como ninguém. Está agora acompanhado na direcção por mais oito elementos, num total de nove dirigentes (ao contrário dos antigos seis). Equilibrar as contas é um dos objectivos do mandato.

“O festival termina no sábado e queremos, na segunda-feira, pagar tudo a todos”, ambiciona.

Antecipar e prever. Dois conceitos que João Branco quer implementar no dia-a-dia da Associação.

“Qualquer aluno do primeiro ano de gestão percebe que muitos problemas se minimizam se as coisas forem tratadas com antecedência, nomeadamente do ponto de vista dos custos. Comprar uma  passagem aérea com quatro meses de antecedência implica que o preço dessa passagem seja quase um terço do valor de uma passagem comprada uma semana antes”.

 

3 A’s

Arte, Alma e Afecto: os três a’s que servem de inspiração ao Mindelact 2017, que terá a sua imagem (re)construída em torno de um coração (este, da imagem).

A organização promete uma programação de “altíssima qualidade”, ao nível do melhor que já vimos em palco ao longo das duas últimas décadas. A São Vicente deve chegar perto de uma centena de artistas, de vinte companhias, de países como Angola, Argentina, Brasil, Cabo Verde, Espanha, Inglaterra, Japão, Moçambique, Portugal, República Checa, Senegal e São Tomé e Príncipe.

Dois meses antes da abertura, já em Setembro, será lançado um sistema de reservas online para os palcos 1 e 2, os únicos que têm entrada paga. João Branco estabelece como meta esgotar todos os lugares pagos disponíveis até 3 de Novembro.

Devolver o festival à ilha é outra ambição.

“Uma forte aposta que estamos a fazer neste momento é numa componente da programação completamente popular e gratuita, o chamado teatro na praça. Todos os dias, às seis da tarde, vamos ter espectáculos nas praças da cidade”, anuncia João Branco.

“Virão grupos de Portugal, Brasil e também de Cabo Verde que estão a preparar espectáculos específicos de rua para essa componente da programação”, revela.

O emblemático Festival OFF também sofre alterações, regressando ao espírito fundador: peças de 15 a 20 minutos, produzidas exclusivamente por grupos nacionais.

O essencial da programação já está fechado e os espectáculos têm sido revelados paulatinamente nas redes sociais e site da Associação Mindelact (finalmente actualizado). Na última semana ficámos a saber da estreia em Cabo Verde de um dos mais criativos grupos portugueses, os Peripécia Teatro, com “Vincent, Van e Gogh”.


Em Novembro no Mindelact

Angel

Kobane é uma cidade síria cercada pelas forças do Estado Islâmico. Perante tanques e metralhadoras, os habitantes têm apenas a sua determinação e velhas espingardas. Contra todas as expectativas, a cidade resiste. No centro da luta, a filha de um fazendeiro, chamada Rehana, antiga estudante de direito, entregue à resistência contra o terror.

Aclamada pela crítica internacional, premiada em sete ocasiões, inclusive no festival de Edimburgo, o maior do mundo, “Angel”, de Henry Naylor, é uma peça irrepetível, uma das mais extraordinárias produções que já passaram pelo palco do Mindelact.

 

Romeu ma Julieta-Uma Tragédia Crioula

Resultado de uma co-produção entre o próprio festival Mindelact e a SP Escola de Teatro do Brasil, a peça é encenada por Fabiano Muniz e conta com um elenco 100% cabo-verdiano — que vai ser escolhido, através de casting, no mês de Setembro.

A mais famosa tragédia de todos os tempos, que conta o amor impossível entre Romeu e Julieta, devido à mortal rivalidade das respectivas famílias, voltará, assim, aos palcos crioulos, vinte anos depois de uma primeira versão que marcou várias gerações. Desta vez, todo o texto será em cabo-verdiano e em verso, num trabalho de tradução e adaptação realizado pelo dramaturgo cabo-verdiano Emanuel Ribeiro. A música original contará com a colaboração de vários nomes sonantes do panorama hip-hop das ilhas.


IKIRU

Do Japão, um espectáculo surpreendente. Tadashi Endo traz ao palco do Mindelact 2017 uma homenagem a Pina Bausch, que morreu em 2009. Endo e Bausch partilhavam a ambição de trazer ao mundo a sua paixão pela arte e um desejo por mais humanidade. Num espectáculo denso, com intensidade crescente, o artista japonês assume um personagem feminino e centra a atenção nos movimentos do seu corpo, nas suas mãos e num painel metálico que o acompanha e com o qual constrói sons e jogos de cores e sombras.

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 819 de 09 de Agosto de 2017

sábado, 12 agosto 2017 06:43

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