Expresso das Ilhas

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“No brilho de uma luz… ABRACADABRA!… aparece o mágico. Junto ao público, o encantamento que brota da simplicidade, num jogo lúcido onde a mágica é a verdadeira protagonista”. Assim começa por se apresentar o show de magia que acontece este sábado, pelas 17 horas, no Palácio da Cultura Ildo Lobo. Ady, o ilusionista em palco, promete surpresas e muito humor para toda a família.

 

Magia não faz parte, com frequência, das actividades de entretenimento a que o público cabo-verdiano tem acesso. De facto, não são muitos por estas bandas aqueles que se dedicam à difícil arte do ilusionismo. Actualmente, o nome que imediatamente ocorre é o do mágico mindelense Corsa Fortes. Em tempos passados, destacou-se António Barros Barbosa, “Antoninho” entre amigos e parentes e de nome artístico, “Karan”.

A este leque restrito dos que dominam os truques que todos tentam desvendar junta-se o jovem Adilson Duarte Dias, o mágico Ady, que desde criança descobriu-se encantado com os shows de magia que assistia pela televisão.

“Fui uma criança muito curiosa e que queria sempre imitar aquilo que via na televisão, e foi aí que comecei por tentar imitar os mágicos que via. Sem muito sucesso”, conta ele, hoje com 26 anos, sobre a origem da sua ligação à magia.

O caminho para esta actividade performativa fez-se aos ziguezagues, com desvios para a capoeira, o circo e depois o balé. No Circ’Afri era um dos principais elementos, assumindo vários papéis, de acrobata a palhaço passando por cuspidor de fogo. A experiência de circo continua hoje a ser-lhe muito útil nos seus espectáculos de magia.

Em 2014 acabou por chegar a um ponto fulcral deste percurso: foi um dos 15 participantes de uma formação orientada por um mágico profissional vindo de França, promovida pelo Centro Cultural Francês da Praia (agora extinto).

“Eu levei muito a sério e acho que me saí bem. Desde então tenho tentado dar seguimento ao que aprendi. Hoje sinto que descobri uma paixão que pretendo levar adiante”.

E por isso segue dedicado a aprender mais sobre esta actividade que leva já muitos séculos, pesquisando e procurando adquirir materiais e livros.

“Viajei para as Canárias e a minha preocupação era sempre de encontrar livros sobre magia e ilusionismo. Eu aprendo muito rápido. Treino sim, mas não muito porque eu tenho essa vantagem de aprender muito rapidamente a fazer os truques”.

O empenho do jovem mágico confirma-se nas oportunidades que vem agarrando de mostrar em público aquilo que aprendeu e continua a aprender. Tem apresentado o seu show em eventos culturais promovidos pelas Câmaras Municipais, nomeadamente nas ilhas do Fogo e da Brava e também na cidade da Praia.

O balanço que faz destas apresentações é positivo. “As pessoas gostam. Têm sempre muita curiosidade, participam e reagem bem”.

E isto é o que Ady espera que se repita naquele que será o seu primeiro grande show, o primeiro espectáculo a solo. Um espectáculo em que a magia será servida acompanhada de humor e onde, tirando partido da sua experiência de circo, mistura “técnicas do ilusionismo com a linguagem da palhaçaria”.

Voltado para qualquer tipo de público, Ady espera ver na plateia toda a família – pais e filhos – a quem promete um show onde valores como a amizade e a cooperação terão o seu espaço em meio aos truques com cartas, lenços e outros objectos. Levitação, desaparecimento e adivinhação também vão fazer parte dos números de magia que prometem surpreender e divertir.

E se falhar um truque? “Quando falho, o público não se dá conta, nem se apercebe. Mas aí é que está a essência da magia. O mágico tem que saber iludir o tempo todo, não só no truque”, explica Ady, com segurança de quem entende bem do seu metier

“A verdadeira magia não está no truque e sim na forma como se apresenta o truque. É normal falhar, mas tem que saber dar a volta e de forma que ninguém se aperceba. A conversa, o olhar…tudo. Antes de começar a lançar as cartas na mesa tens que saber envolver o público”, exemplifica deixando perceber a paixão que sente pela actividade que abraçou sem medo de poder não ter muito público para ela.

A sua perspectiva é de que o público se cria. “No mundo todo magia é uma actividade que tem um retorno, que tem um público. Então porque não apostar nisso aqui em Cabo Verde?”

 “Magia é entretenimento e as pessoas querem ir e ver algo diferente, e por isso quero sempre superar-me e trazer sempre algo de diferente e mais grandioso. Quem sabe um dia eu seja o melhor mágico de Cabo Verde, chegar depois ao resto de África e, porque não, chegar mais longe. Vou tentar estar um dia nos festivais de magia que se fazem no exterior e levar o nome de Cabo Verde até onde me for possível ir”.

Ady assume assim, sem medos, a ambição de fazer desta que tem sido descrita como “a arte de contrariar as leis da natureza” algo que os cabo-verdianos possam ter como alternativa aos já habituais espectáculos de música, dança e teatro.

Para isso está a esmerar-se para oferecer no próximo sábado um bom espectáculo. “Um entretenimento diferente, divertido, para variar um pouco … principalmente para as crianças que, normalmente, têm raras ofertas de entretenimento para os seus tempos livres”.  

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 819 de 09 de Agosto de 2017

sábado, 12 agosto 2017 12:29

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