Expresso das Ilhas

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Josimar Gonçalves quer ser o «Rei da Morna»

O jovem cantor mindelense que anima as noites na Cidade da Praia acaba de lançar o seu primeiro single, “Mar”, para anunciar a chegada do seu disco de estreia que estará no mercado no próximo ano (2018). Josimar Gonçalves, que já foi técnico de som do grupo Cabo Som, quer ser uma das vozes de referência na morna. Mas antes de dar o grande salto no mundo da música, Josimar vai participar na 33ª edição do Festival Baía das Gatas que decorre de 10 a 13 de Agosto, em São Vicente.  

 

 

Já lançaste o teu primeiro single?

Lancei no domingo, 30 de Julho, intitulado “Mar”, que é uma morna da autoria de Epifânio Tavares (Fany), filho do músico e compositor Ano Nobo, de São Domingos.  

 

Por que escolhe este tema “Mar”?   

Porque muitas pessoas pedem-me para cantar morna e também porque queria dar continuidade de voz masculina na morna. Depois do Bana, dar essa continuidade é uma honra para mim.  

 

A morna é um estilo musical que aprecias muito?

Sim, desde os meus 12 anos comecei a ouvir morna e foi aí que fiz as minhas raízes. Sempre gostei mais de tocar a música tradicional, não que não toque música comercial, mas gosto mais do tradicional. 

 

Já estás no estúdio a fazer as gravações dos temas para o teu primeiro álbum …

Sim, e neste momento já fizemos o primeiro single. A seguir a isso vou a São Vicente participar no Festival Baía das Gatas que acontece nos dias 11 a 13 de Agosto. Quando voltar vou trabalhar as outras nove músicas. Neste disco não haverá só morna. Quero trazer coladeira, batuque, funaná, tabanca e, em princípio, terá um talulu, que é um outro estilo musical.

 

Qual o significado desse disco para ti?  

Posso dizer que é o meu esforço desde há muito tempo, pois tenho tentado ultrapassar as dificuldades para chegar aonde quero. Também vou aproveitar para agradecer aqueles que sempre acreditaram e mim e me apoiaram.  

 

Quando é que pretendes lançar esse disco?

A minha previsão é o mês de Fevereiro de 2018. Sou rigoroso com o meu trabalho, o pessoal que trabalha comigo já sabe como é que sou. Até dizem que sou precipitado em colocar a data.

 

Mas antes do álbum vais lançar outros singles?

De momento, estou focado neste single e na minha participação no Festival de Baía das Gatas. Sair da Cidade da Praia para me apresentar no “Encontro de Novas Vozes” em São Vicente, para mim está a ser muito… nem estou a dormir de ansiedade.  

 

De regresso ao Baía das Gatas


É a primeira vez que participas no Festival Baía das Gatas?

Não, será a minha segunda participação no Baía das Gatas. A primeira vez neste festival foi em 2010, em que participei numa homenagem ao músico Biús e cantei com a Daisy Pinto “Leila”, uma composição do Biús. Foi uma música estar naquele momento e naquela altura no meio de uma das maiores bandas conhecidas que é o Djam Band dos Estados Unidos da América. Depois desse festival é que a minha vida musical começou a “andar”. E nesta edição vou estar naquele palco juntamente com músicos como Dino d`Santiago, Sílvia Medina e Khaly Angel, o que é um grande prazer além de ser a minha segunda vez naquele palco.

 

Que vais levar para esse festival?   

 Quero fazer a mesma coisa que fiz em 2010, vou homenagear o meu grande ídolo que é o Biús e vou cantar duas músicas dele, desta vez do princípio ao fim e sozinho.

 

Além do Biús, tens outra referência no mundo da música?

Tenho duas grandes referências no mundo da música, primeiro é Tito Paris e depois é o Biús. Além deles, gosto de Boy G. Mendes, Ildo Lobo e Nancy Vieira. Desde criança que aprendi a cantar e a tocar guitarra com o Tito Paris.  

 

Depois do festival, o que tens agendado?

Já tenho um show marcado também em São Vicente para o dia 17 de Agosto, no espaço ZeroPointArt Gallery. Em princípio será o primeiro lançamento acústico do meu single, depois quero apresentar este tema na Casa da Morna II, ali será um lançamento oficial acompanhado de uma banda. Depois tenho que planear a apresentação do meu single na Cidade da Praia.

 

De técnico de som a vocalista  

Primeiro aprendeste a tocar guitarra ou a cantar?


Posso dizer que primeiro comecei a tocar guitarra, depois comecei a cantar e hoje estou aqui.

 

Mas quando é que começaste a cantar?

Em 2008, foi a primeira vez que cantei morna numa roda de amigos. Lembro-me ainda de ter actuado na casa da Bia mas conhecida por “Mãe”, em Madeiralzinho (São Vicente). Tocava e o pessoal sempre cantava e um belo dia saiu-me uma morna e todos ficaram espantados, aí a Bia disse-me que tinha gostado da música e que devia continuar a cantar. E desde daquele dia sentávamos naquela roda e eu é que cantava. Cada dia cantava uma música diferente.

    

E depois disso?   

Depois cantei pela primeira vez num recinto em 2009, por isso que digo que a minha carreira musical surgiu de uma forma espontânea. Em 2010 participei no Festival da Baía das Gatas em São Vicente e foi tudo muito rápido. Posso dizer que foi graças ao meu pai, que ele fazia parte do grupo musical Cabo Som, em São Vicente, de que era técnico de som. E foi aí que comecei a interessar-me pela música tradicional, fazia som do grupo e passava a noite a ouvi-los a tocar. O meu pai era vocalista do grupo e um dia alguém foi-lhe dizer que cantava muito bem, mas como ele não sabia, ele respondeu dizendo que eu era apenas técnico de som. Chegado a casa não me disse nada mas, à noite, durante a actuação do grupo ele anunciou: “hoje temos uma voz nova que ouvi dizer que anda a cantar muito bem por aqui”. Ele pediu-me para cantar e tocar. Peguei na guitarra e cantei uma música de Nhelas Spencer. Depois disso passei a cantar com a banda. Deixei de ser técnico de som e passei a ser vocalista da banda. Com o tempo, o meu pai cedeu-me o seu lugar no grupo.   

 

E ficaste na banda durante quanto tempo?

Dois anos, porque como tinha dito, sou uma pessoa muito rigorosa com o meu trabalho.

 

Tens estado a actuar em alguns espaços como restaurantes. Foi por causa da música que vieste instalar na Capital do País?  

Foi justamente por causa da situação de vida. O que ganhamos aqui é superior àquilo que conseguimos em São Vicente. Vim para a Praia numa quinta-feira e toquei quinta, sexta, sábado e domingo e regressei a São Vicente na segunda-feira e disse à minha mulher que tínhamos que mudar para a Praia. Então viemos para à Praia. No início as coisas foram difíceis, embora fosse muito solicitado para cantar em vários lugares.  

 

Isse mudança foi quando?

Há três anos.  

 

Como foi esse processo?

No início foi difícil, mas agora … se conseguir tocar sexta e sábado todas as semanas, conseguimos viver tranquilamente cá, mais a mais com a ajuda da minha mulher.

 

E tens estado a tocar todas as semanas?  

Sim, as vezes há semanas que toco quinta, sexta e sábado, e há outras que só actuo no sábado. Neste momento tenho estado a tocar mais fora da Cidade da Praia, mais na Cidade Velha e na Quinta da Montanha, em Rui Vaz. Na Cidade da Praia já toquei em todos os lugares que têm música ao vivo.

 

Como é tocar nesses sítios?

Conforme o ambiente assim é a música. Gosto mais quando encontro um público de música tradicional, porque ter aquele prazer de cantar, tocar e ver as pessoas a dançar é tudo.

 

Primeiro disco


Falando agora do teu disco que está no “forno”, como é que será em termos de temas musicais?

O meu disco terá dez temas. Em princípio terá uma ou duas músicas minhas, os outros são de George Tavares, Epifânio Tavares e outros.

 

Quais são teus planos para o futuro, no mundo da música?   

Neste momento estou focado neste disco. Quando voltar de São Vicente quero pegar no segundo single que será uma música muito mais mexida. Quando começar a fazer as outras músicas não vou parar. A minha ideia é trabalhar tudo em casa e depois levar ao estúdio. Fica muito mais fácil, levo menos tempo e a vantagem é que posso tirar um dinheirinho e investir em equipamentos. Há muitas pessoas que me perguntam se só vivo da música e digo sempre que sim.

 

Mas dá para viver da música?  

Dá sim, tenho é que ter muito jogo, muita cabeça e evitar certas coisas. Há muitos artistas em Cabo Verde que ganham muito dinheiro, mas não sabem lidar com isso. Já disse a muitas pessoas que ainda não sou rico nem quero ser, só quero viver a minha vida.

 

 Tens outra paixão para além da música?

Além da música, gosto do desporto, mais concretamente, futsal, podem-me chamar no sono, desde que seja para o futsal, eu vou. 

quinta, 10 agosto 2017 16:02

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