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Presidente do IPC reitera elegibilidade do Campo de Tarrafal a Património Mundial

" Património Cultural e Turismo Sustentável"  foi o lema escolhido para assinalar este ano o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, data criada com o fim de promover os monumentos e sítios históricos e valorizar o património. A efeméride, que se comemorou terça-feira, também serve para alertar para a necessidade da sua conservação e protecção.

 

Entre vários outras iniciativas para assinalar a data, o ex-Campo de Concentração de Chão Bom, Tarrafal, recebeu ontem uma mesa redonda com a participação de alguns ex-prisioneiros políticos e ainda um sarau com declamação de poesia por um grupo de jovens do concelho.

O Campo acolhe neste momento o projecto artístico “A Glimmer of Freedom”, uma exposição multidisciplinar que faz dialogar a memória e o património que o sítio encerra com as histórias e os desafios do momento presente, em que uma população de cerca de 100 pessoas vive no espaço envolvente.

Para Charles Akibodé, presidente do Instituto do Património Cultural, “se há um sítio classificado a ser património mundial esse sitio é o Campo de Tarrafal”.

Discursando na inauguração da referida exposição, a 08 de Abril passado, Akibodé defendeu que devem ser concentrados esforços nessa classificação do “Campo da Morte Lenta”, como é também denominada a ex-prisão.

“Hoje, a nível mundial, existem 1037 sítios classificados como patrimónios históricos, e cada vez mais a Comissão [da UNESCO] trabalha para retirar classificação. Inscrever o Campo de Tarrafal como Património é um dever de memória, não só para Cabo Verde mas para o mundo”.

Aquele dirigente do Ministério da Cultura considerou a ocupação artística do espaço, através do projecto “A Glimmer of Freedom” como um exemplo de que “há outras formas de explicar [a história] ” para além de permitir um uso do espaço que o transforma. “Em vez de um museu estático, estes artistas estão a transformá-lo num museu dinâmico e esta é a forma certa de reutilizar o espaço de memória”.

O responsável do IPC considerou ainda a  realização da mostra e dos eventos a elas associados como o pontapé de saída para se alavancar o dossier de candidatura do Campo de Chão Bom a Património Histórico da Humanidade.

No próximo dia 01 de Maio assinalam-se os 43 anos da libertação dos últimos prisioneiros de Chão Bom, ocorrida logo após o 25 de Abril no mesmo ano. A curadoria do "A Glimmer of Freedom" promoverá na ocasião mais uma actividade para o assinalar. Mais sobre este projecto na edição impressa de hoje do Expresso das Ilhas.

Criado em 1982 pelo Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios, uma associação de profissionais da conservação do património, o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios foi aprovado pela UNESCO em 1983.

quarta, 19 abril 2017 10:55

1 comentário

  • Silvino Silva 19-04-2017 Reportar

    Pode ser até o Campo de Concentração do Tarrafal venha a ser património mundial. Mas, a verdade é que por este mundo fora onde houve ditaduras ( a ditadura em Cabo Verde acabou em 1991 ) houve prisões para opositores. Todos vão ser património mundial ou abrir-se-á uma excepção para o Tarrafal ?

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