Expresso das Ilhas

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Karnaval d’Intentason

 

Vlú, live na Bói d’Amparo, Hotel Porto Grande, Saturday night: “Nha sonho era ba um dia té Hollywood, fazé um filme onde k’boses tud t’entrá; ma kom Hollywood ta fká um gzinha longe, um ta propô  pa no bem  fazel li grinhasin”. O Carnaval é o blockbuster da arte Mindelense: tal como o cinema Americano, é uma fusão de arte erudita, arte popular e saber técnico; representa um enorme investimento em capital; goza de uma audiência transnacional alargada; a sua produção constitui um dos principais veículos para a vocação artística e exibicionista local; e as suas estrelas e promotores são referências sociais. Hollywood.cv, com Óscares na 4ª feira e tudo.

 

Motivason. Tal como Hollywood, o Mindelo é uma cidade de vocação artística ao nível popular; uma vocação de cariz eminentemente moderno, que transforma ativamente as suas tradições e é completamente aberta a invenções e importações. É aqui que nasceram as nossas experiências cinemáticas e publicações culturais; é aqui que um festival de teatro encontra o suporte popular para desabrochar enquanto referência regional; e é aqui, naturalmente, que rola o Carnaval mais icónico, mais técnica e artisticamente sofisticado do país, um evento em franca internacionalização.

Com todo o papo de economia criativa, a motivação do lucro é a última das determinantes do Carnaval do Mindelo. É certo que o movimento gerado pela quadra traz ganhos a quase todos os sectores da economia local, mas o Carnaval não é movimentado pelo empreendedorismo: os operadores que dele beneficiam não investem significativamente no Carnaval, para além de alguns patrocínios bastante reduzidos; os prémios em dinheiro atribuídos às categorias vencedoras são estritamente simbólicos e não cobrem as despesas dos participantes com plumas; todo o esforço, criatividade, mão-de-obra e a maior parte dos recursos financeiros saem da pele dos foliões, das suas famílias e redes sociais, sem qualquer perspetiva de lucro. A troco de quê?

Ao contrário de Hollywood, a motivason de quem investe neste blockbuster não é troco, é glamour; é fantasia, prazer, reconhecimento social e, muito particularmente, gratificação artística. No Carnaval, a motivação criativa presente em todos os momentos da produção é tal que as pessoas estão dispostas a dar e a pagar o que não têm para a exprimir. Não se trata apenas dos foliões que investem na sua própria produção, mas também da quantidade de artistas, artesãos e ativistas que dedicam o seu tempo, pró-bono, á organização do evento, ao desenho e produção das fantasias, carros alegóricos e coreografias dos desfiles – tudo por amor à arte, amor à escola, amor à zona e pela possibilidade de construir, ao longo do processo, uma imagem psicológica e socialmente perfeita do seu Eu. Tão perfeita por algumas horas que, segundo a mesma composição do artista Vlú – uma referência incontornável da música carnavalesca e do Carnaval Mindelense – “Atê Marilyn Monroe era kapaz d’fka xei d’inveja”.

Outra importante motivason provém, realisticamente, das oportunidades de promoção social que a participação no processo carnavalesco oferece. Carnaval à parte, o status per se é um elemento central da vivência Mindelense; mas a sociedade é bastante móvel porque a construção do status não é sociologicamente profunda. O sanvicentino dá enorme importância às dinâmicas sociais que o rodeiam, mas o status não é construído apenas com as ferramentas tradicionais de proeminência genealógica, política ou financeira; tal como em Hollywood, o alargamento das redes sociais no Mindelo também se consegue com talento artístico, beleza, exibicionismo e determinação. Para aqueles que detêm estes requisitos e estão  interessados na mobilidade social, o Carnaval representa uma janela de oportunidade.

A geografia social das Escolas é marcada pela da cidade; engloba elementos como a territorialidade, a política e a dicotomia centro/periferia; os grupos definem-se a si e aos outros com etiquetas como “maltas de zona”, “gente de fralda”, e “pessoal de morada”; são feitas referências constantes á procedência geográfica e social dos grupos, de determinadas alas dentro destes e dos participantes individuais; importantes redes de capital estão profundamente ligadas ao conceito de bairro, e comerciantes e empresários assumem muitas vezes um patrocínio pessoal das escolas da sua zona; e sobre os grupos com maior protagonismo social paira uma eterna suspeita de tráfico de influência, lobbies e partidarização de benesses.

Neste contexto, as implicações de desfilar aqui ou ali, nesta ou naquela ala, com este ou aquele traje, deste ou daquele preço são imensas. A oportunidade de ensaiar, desfilar, e ser vista a par com os privilegiados do bairro ou da cidade  faz muito boa gente endividar-se, prostituir-se e passar os mais gravosos calotes, os olhos postos no eventual rendimento social do processo. De acordo com uma amiga minha, “Um vestido de 25 contos pode parecer caro para a malta daqui; mas se a questão é a integração na sociedade, esse vestido é muito mais barato do que passar mil anos a estudar e a trabalhar para subir de nível”. Portanto, sair em qualquer um dos maiores grupos confere status, principalmente na zona, pela representação de glamour e de capacidade financeira; desfilar nos do top do ranking social confere status a nível global e abre a possibilidade de aceder a novos patamares de convívio com a elite. 

Asosiason. Já havia referido um facto que me surpreendeu na montagem do Carnaval do Mindelo: quem ganha dinheiro não investe e quem investe não ganha. A maioria dos que investem têm fracos rendimentos mas conseguem, anualmente, mobilizar o suficiente para financiar a si e ao seu grupo; não apenas os grupos de competição, mas os grupos de zona, dos mais diversos níveis de organização, que não podem contar com qualquer recurso fora da zona. O que suporta esta capacidade de financiamento, sem paralelo em qualquer outra circunstância da vida Mindelense? A meu ver, a mais forte dinâmica cívica e associativa existente na sociedade Cabo-verdiana contemporânea.

Dificilmente vemos em Cabo Verde aquilo que se vê em cada esquina dos EUA: gente comum organizada e engajada em atos de transformação social, produção artística e mobilização de fundos, cuja finalidade não é o ganho pessoal mas o empowerment comunitário. A ilha de São Vicente é senhora de uma honrosa história associativa, com experiências e organizações na área do desporto, das artes, da publicação e da produção de eventos. Pouco desta experiência sobreviveu à Independência, que instituiu de imediato um contexto adverso ao associativismo; contexto esse que a democratização política ainda não logrou sanear. O resultado é que, apesar da proliferação de organizações de carácter nominalmente associativo, estas surgem apenas na perspetiva de transferências de recursos e só se sentem justificadas enquanto recipientes.

Domingo é dia de Carnaval de zona: um rol de grupos informais descem ao centro da cidade para sambar. Vêm vestidos com tudo, desde trajes confecionadas especialmente para o evento, até aos restos de outros grupos em outros carnavais e pastiches impromptu perfeitamente hilários. Alguns chegam a reproduzir na íntegra a constituição das grandes escolas, e são inclusivamente patrocinados por pastelarias e oficinas de bairro: apresentam-se com as suas próprias baterias; constroem pequenos carros alegóricos, por vezes puxados á mão; saem com duas ou três alas reduzidas e um grande número de crianças; e apresentam várias figuras de destaque, vestidas com aprumo e representando com toda a dignidade o seu papel. Em cada detalhe destas formações é patente uma forte dinâmica cívica e associativa: na capacidade de angariação de bases populares forte, na liderança de vontades e na mobilização de recursos para a sua participação no evento.

Ao nível dos maiores grupos, esta dinâmica associativa é altamente organizada, com uma capacidade de mobilização de vontades e recursos deveras surpreendente; e isto é demonstrável, porque todos os anos estes grupos, contando fundamentalmente consigo próprios, poem na rua o sofisticado e caríssimo Carnaval Mindelense. O que é que separa este brilhante momento associativo dos fracassos  morais e operacionais que caracterizam o associativismo no resto do panorama Cabo-verdiano, inclusive no Mindelo? O que há de tão particular na estrutura psicossocial do Carnaval para a cidade, e que faz com que o esforço cívico de produzir e assistir ao Carnaval não só se renove anualmente, mas cresça?

Intentason. O Mindelo é tradicionalmente uma cidade de tendências emocionais subversivas: o seu espírito é irrequieto, o seu humor é cáustico e a sociedade tem por hábito cultuar os seus loucos, acordando-lhes muitas vezes a dignidade de estrelas.  Para além de glamour e fantasia, o Carnaval é uma institucionalização temporária da desordem, uma quadra na qual as regras normais da existência não se aplicam. Arte, fantasia, glamour, sensualidade descortinada, txoldra sem limites, cacos à vontade e a sanção generalizada da desordem são elementos bastos para ligar o Carnaval tão solidamente á psique da cidade e para o sedear entre as suas mais veneradas tradições.

Outra intentason é a tendência dos citadinos para o exibicionismo social, financeiro e sexual.  Existe uma diferença abissal entre o exibicionismo criativo, que move a competição pela qualidade artística, e o exibicionismo narcisista, motivado por vaidades carnais e sociais; mas o Carnaval acomoda organicamente os dois. E o efeito desestabilizador desta segunda feição de exibicionismo sobre orçamentos, relações e rotinas estabelecidas pode ser devastador.  “Oiá, tud one tem divorse!”, são as palavras ponderadas de uma veterana ativista do Carnaval Mindelense, que na sua qualidade de dirigente de Escola de Samba já viu muita relação dançar no rescaldo do Carnaval, porque mesmo a cosmopolita e complacente sociedade Mindelense tem fronteiras que são vulneráveis ao fulgor da sua feira de vaidades preferida.

 

As Economias do Carnaval

 

A marcação da viagem para este trabalho em São Vicente não foi fácil: garantir uma reserva nos TACV exigiu um esforço épico; não encontramos alojamento até ao último momento porque todos os hotéis e pensões do Mindelo estavam lotados; e não havia um serviço de rent-a-car que ainda tivesse uma viatura disponível para aluguer. Se contabilizarmos as receitas dos concertos, bailes, restaurantes, bares, discotecas, salões, comércio, e das costureiras e operários assalariados que participam na construção das fantasias e dos carros alegóricos, torna-se evidente que muitos negócios em São Vicente lucram com a indústria do Carnaval.

Mas qual é o total do investimento neste evento? Cada escola desfila com centenas de foliões; escolas como o Samba Tropical e Os Cruzeiros do Norte são capazes de desfilar com perto de 1000 participantes. A componente mais onerosa do desfile são as fantasias e a maioria é financiada individualmente, pelos próprios foliões: uma fantasia básica custa entre 10 000 e 12 000 escudos, o valor de um salário mínimo na ilha mais desempregada do país; os trajes das figuras de destaque chegam a custar 40, 50, 100 mil escudos; os dos reis e rainhas, 300, por vezes 400 contos. Mais despesas técnicas com som, ensaios, alugueis de salas, artistas e carros alegóricos, a factura de um desfile dos grupos de primeira linha pode chegar, conservadoramente, aos 15 000 contos

De onde saem os fundos que suportam este investimento? Façamos as contas: habitualmente, a Câmara Municipal de São Vicente apoia cada Escola com 1000 contos por ano. Este ano seis grupos beneficiam de apoio municipal: por ordem alfabética, Cruzeiros do Norte, Flores do Mindelo, Monte Sossego, Samba Tropical, Sonhos sem Limites e Vindos do Oriente. O montante é substancial para a CMSV mas, mesmo assim, o patrocínio municipal não cobre as despesas de cada grupo com os carros alegóricos. Uma Escola com muita simpatia pública, redes sociais sólidas e uma massa associativa dinâmica consegue angariar outros 3000 contos em patrocínios comerciais e receitas próprias de rifas, festas e eventos; ou seja um total, dependendo da escola, de entre 3000 e 5000 contos – para cobrir uma produção que ultrapassa os 15 000 contos.

Cabo Verde tem um problema generalizado de crédito á economia: mesmo antes de se formalizar o impacto da crise financeira e da gestão orçamental sobre o crédito a privados, os pequenos e médios empresários nacionais queixavam-se da dificuldade extrema em financiar os seus negócios, e as maiores empresas financiavam-se lá fora. Contudo – tomando como base hipotética o orçamento de 15 000 contos por escola – a descapitalizada economia Mindelense é capaz de gerar anualmente a quantia de 90 000 para financiar o Carnaval. À exceção dos fundos públicos municipais – pois as escolas queixam-se unanimemente que o Ministério da Cultura recusa-se a reconhecer de forma concreta o Carnaval Mindelense – e de uma ou outra empresa de porte nacional, estes fundos proveem essencialmente de vontades e iniciativas privadas locais.

Esta base popular sólida sobre a qual assenta o Carnaval merece uma atenção especial se pretendemos perceber o que move a sociedade e a economia Mindelense. Todos os Cabo-verdianos queixam-se de obstáculos incontornáveis na mobilização de capital para investir em negócios; mas a capacidade privada e associativa de mobilização de recursos para sair no Carnaval do Mindelo não tem paralelo na experiência Cabo-verdiana contemporânea. Por um lado, é legítimo questionar as prioridades sociais que estão patentes neste esforço financeiro sem retorno, numa região economicamente asfixiada; por outro lado, fica demonstrado que as economias criativas têm uma sólida base de competências no Mindelo, que engajam a vontade popular e que eventos como o Carnaval podem, de facto, tornar-se pilares da economia regional, caso consigam definir um modelo de sustentabilidade.

No Brasil o jogo do bicho é alegadamente um dos financiadores das escolas de samba; ao Carnaval Mindelense ainda ninguém acusou de ser financiado pelo crime organizado; mas, parece haver consenso social de que grande parte do financiamento das fantasias individuais – mais uma vez, a componente mais onerosa da produção – provém da prostituição informal. O que significaria a sustentabilidade para o Carnaval Mindelense? Significaria, em primeiro lugar, que nenhum investimento individual ou coletivo no evento fosse financiado com calote, prostituição ou contravenção.

No Rio de Janeiro, a gestão profissionalizada das Escolas impõe-lhes a sustentabilidade como objetivo. Por um lado as escolas – individualmente e através da sua Liga, que é a organização que negoceia todos os direitos conjuntos, inclusive os direitos de transmissão da Rede Globo – têm uma base sólida e previsível de fundos, próprios, públicos e comercias, que lhe permite uma gestão orçamental adequada e uma produção devidamente calendarizada. Mas é importante referir que as escolas Cariocas não se transformaram em empresas, coisa que muitas das nossas sensibilidades tradicionais resistem em fazer; elas mantêm o seu estatuto de associações de promoção cultural e social, e é enquanto tal que dialogam com os seus filiados e parceiros. A diferença é que profissionalizaram uma parte importante das suas operações para poder resistir á competição comercial que se instalou na economia do evento, e garantir a sua sustentabilidade nesse contexto.

Pelo que observei, a componente artística das principais produções – a composição musical, o design, a confecção, direção de som, etc. – já se encontra altamente profissionalizada; mas as estruturas organizativas ainda são predominantemente voluntárias e amadoras. Algumas escolas – especificamente aquelas cujas direções têm experiência técnica nas áreas de gestão e marketing, já encaram a sustentabilidade das suas atividades como o desafio principal no upgrade da dimensão e da qualidade do Carnaval Mindelense; e chegam a explorar as oportunidades comerciais ligadas à sua imagem, marcas, etc. Mas a maioria ainda subsiste exclusivamente com donativos municipais e fundos próprios, sem buscar outras vias de sustentabilidade para a sua atividade.

O Carnaval Mindelense veio ao mundo com financiamento privado a fundo perdido; entusiastas e foliões concebiam e financiavam os seus desfiles gratia amor et artis; e qualquer eventual apoio financeiro estava estritamente ligado às suas redes pessoais. Nesse tempo não se falava em indústrias criativas ou economias do Carnaval; e apesar de o Carnaval ter sempre movimentado pequenos negócios locais – o comércio, as confecções, as oficinas, os eventos – o fenómeno atual movimenta outra dimensão de negócios, e é justo que lhes seja imputada uma participação no seu financiamento. O que isso significaria exatamente, não sei. Fala-se de economia do Carnaval? Então qual deve ser a participação TACV, ASA, restaurantes, comerciantes e hotéis no suporte das economias criativas, nas ilhas onde são elas que suportam os seus negócios? Qual deve ser o papel dos decisores públicos na mediação desse suporte?

 

segunda, 10 março 2014 00:00

7 Comentários

  • Neves 14-03-2014 Reportar

    Bom eu não preciso escrever muito para dizer o que acho sobre o Carnaval. Basta ver o estado em que ficaram os andores que desfilaram na Praia, isto é todos abandonados na rua, mais concretamente na praia da Gamboa!!! Então, os grupos pedem por patrocinios, apoios, etc., para depois deitar o dinheiro investido na praia? e no outro ano voltam a pedir?
    Sinceramente acho que o Carnaval vai no contra-senso económico...

  • Anastácio Lopes 14-03-2014 Reportar

    Em 1º lugar, começo por felicitar a colunista pelo artigo, o qual estou, em parte, em sintonia. Viu-se que, na sua curta estadia em Mindelo, a mesma esforçou-se para falar do Carnaval de S. Vicente que é o 1º e o melhor de Cabo Verde. Quanto à isso não há dúvida nesta matéria, pelo que depreendi, para si também.
    Em 2º lugar, para dizer-lhe que nós em S. Vicente, já estamos acostumados com essa questão da prostituição, atendendo que, todas as vezes que aparece alguém em S. Vicente, principalmente, vindo do outro lado, para fazer um trabalho sobre qualquer evento, introduz sempre com algum exagero a questão da prostituição, como se tratasse de uma grande inovação em Cabo Verde e, em particular, S. Vicente ou mesmo do mundo.Já agora, pergunto-lhe: afinal, veio a S. Vicente para fazer um trabalho sobre o Carnaval em si ou veio para abordar a questão sobre a prostituição? Escreveu "parece haver consenso social de grande parte do financiamento das fantasias individuais...provém da prostituição informal." Que consenso a esse respeito? Não me percebi bem! Só pode estar a brincar!? Onde é que foi buscar essa ideia de "consenso"? Por acaso falou com a maior parte da população da ilha para poder utilizar os termos "parece" e "consenso"? Há algum estudo nesse sentido? Se falou, se fez um estudo, na verdade, estamos perante um fenómeno raro jamais surgido em Cabo Verde ou no mundo! Sendo assim, o Estado de Cabo Verde deverá aproveitar, sem perda de tempo, essa inteligência rara, antes que o outro aproveita-a primeiro. Minha senhora, não é por estar aqui alguns dias, à conversa com alguns amigos que vai querer que o resto embarca nessa suposição sua.
    Então, não lhe informaram que as próprias Direcções dos Grupos financiam trajes de foliões com menos posses? Também, não lhe informaram que pais, mães, tios, tias, irmãos, irmãs, primos, primas, amigos chegados, empresas, etc. custeiam trajes para permitir muitos foliões participar no Carnaval de S. Vicente? Devia ou deve saber que, nesse tipo de evento, em S. Vicente uns ajudam os outros, pois, o sanvicentino é muito solidário nesse aspecto. É por isso que qualquer evento realizado em S. Vicente ganha força, porque, quando se engaja é mesmo a sério e, muitas vezes, sem interesse material.
    Para finalizar, levanto a seguinte questão: se há alguma pessoa que recorre à prostituição para a permitir financiar seu traje carnavalesco, onde é que está o problema? Não vejo nenhum mal nisso, é claro, desde que não esteja a prejudicar ninguém! Em Cabo Verde está na moda, ou melhor, temos a mania de tratar parte por todo. É que, basta alguém fazer uma coisa para, de imediato, alastrar, falsamente, a todo o canto, que toda gente deste mundo está a fazer a mesma coisa. Pois é minha senhora, é no "parece" e "parece" que os rótulos vão ficando e no fim, "parece" passa ser "é". Isso é difamação. É o cúmulo! E, principalmente, quando a intenção é atingir a imagem de um local, de uma pessoa, etc. Há um espírito deliberado nesta terra para generalizações, baseadas em meras suposições, isto é, formados em sentimentos superficiais, sem fundamentos, em conversas de cafés. Digo, repito que o Carnaval de S. Vicente não tem nada com a prostituição trazida à baila no artigo (se ela existe, de facto, é sem expressão), tem sim, com esse grande espírito de entrega de quase toda a população sanvicentina em querer fazer e bem, à custa de seu trabalho sério e honesto. Esta é que é verdade pura, o resto não passa de conversa vã, blá-blá-blá.
    Viva o Carnaval de S. Vicente! Viva a liberdade cultural! Viva Cabo Verde!

  • Rogério Spencer 13-03-2014 Reportar

    Pois é meu caro J. Mattos começa até a ficar chato, tu e eu termos nos concordar sempre, tal é a falta de debates de ideias neste nosso Cabo Verde. Quando não é para falar asneiras, repetir chavões marxistas, leninistas e castristas, a nossa dita ‘inteligência’ crioula, limita-se ao “enorme” esforço intelectual de apenas clicar um ‘gosto’ nos posts do Zé Maria e do Jorge Fonseca no Face Book. A coisa virou tão tacanha que, p.e. ‘as reflexões filosóficas, econômicas, literárias, exotéricas e ilusionistas do ilustre pensador de Assomada – Pedra Barro’, por exemplo, por mais ridículas e insensatas que são, às vezes até ofensivas, em poucos instantes, são fenômenos de popularidade nas redes sociais, para depois repiscadas por alguma imprensa mais ridícula, para consolidar o pensamento do ‘líder’ na sociedade. Olha a briga, que não é briga, entre Zé Maria e Jorge Fonseca sobre os poderes do Presidente da República. Que é que venha a ser isso agora? Como gostas de dizer: que diabos é esse agora? Parece reedição das antigas intrigas paicevistas, e se o PR decide entrar nessa cantilena, temos aí um perigo! Não é o parecer do nosso ilustre Professor Brito que obrigará o Zé Maria a respeitar a Constituição. É a pressão da sociedade, dos intelectuais, dos liberais e dos partidos democráticos, nomeadamente. Mas o que se vê....Ante a isso, ninguém sabe o que pensa o MpD do modelo de sociedade que ele inscreveu na Constituição, que, como se sabe, é rejeitado pelo Paicv. Em vez de falar as pessoas, olhos nos olhos, lideres do MpD se limitam a escrever ‘suas reflexões no Expresso’. Ora, como sabes, de reflexões, essas ‘coisas daí’ têm muito pouco. Exprimidas, saem na pior das hipóteses, deixe isso pra lá. É pois, neste ambiente que somos, de facto, e diria até, assumidamente ‘reacionários e fascistas’. Fazer o quê?. Quanto à economia, bom esse é daqueles erros de formação que a gente ganha umas vezes por hábito, outras por gosto e outras ainda por insatisfação. Brasil, porquê? Ora o Paicv quer uma espécie de “capitalismos lulista” em Cabo Verde e o MpD nada faz. Um capitalismo freado, domesticado, cabresteado, sujeito não às regras de uma sociedade plural, mas sim aos dogmas marxistas... do Paicv. Noutro dia Casimiro de Pina falava, da volta (se é que alguma vez esteve ausente), e sem que ninguém desse conta, do ‘centralismo democrático’ ao Paicv. Ora, do Paicv para sociedade, como sabes é um passo.

  • John Mattos 12-03-2014 Reportar

    Oh Rogério, o debate nao vai acontecer, porque tu e eu, devemos ser uns tipos esquisitos, uns monstros da idade da Pedra;

    A nossa elite, como ja disse repetidas vezes nao tem preparaçao intelectual à altura para debater o que quer que seja!

    Ja reparaste, que mesmo os mais habilitidados, como este senhora, que escreve como uma deusa, como ja disse, estao limitadissimos quando se metem a equacionar os conceitos?

    Mas onde é que que essa gente estudou? Ja viste que as referências culturais dessa intelectualidade, é toda marxista?

    Classes, para aqui, transformaçao para ali, relaçoes de produçao para acola, processo historico nesse interim, inimigos do povo, aparelho partidario, enfim... todo o discurso dessa gente, traz sempre conceitos marxistas, que utilizam sem saber que estao a ser marxistas.

    Mesmo naqueles que têm um pensamento liberal e que defendem constituiçoes liberais e democraticas!

    E' de facto, aflitivo! Eu fico a pensar ca com os meus botoes, "mas como é que conseguem?"

    Como é que esta senhora, que escreve tao bem e têm ideias claras e distintas, tem um vocabulario salpicado de conceitos marxistas? Melhor, "progressistas",pois ela gosta de dizer com "vaidade" que é uma "mulher progressista".

    E tu Rogério? Tu deves ser um "fascista", um "reaccionario", como gostam de me chamar.

    Mas c'os diabos, Rogerio, porque é que estamos tao isolados neste debate? Porque é que estou de acordo com quase tudo o que escreves, porque ou ja o escrevi, ou podia escrever a mesma coisa?!

    Reparaste, que escrevi "quase". Sim, é que pela primeira vez encontrei uma falha no teu pensamento politico-economico.

    Sim, essa tua "admiraçao" pela cultura economica francesa! Também comparar Rio com Paris e o Carnaval brasileiro com Louvre, foi muito puxado.

    Mas olha que economia em França é um palavrao e as aparências iludem!!!! Mas também nao é dificil ser melhor do que o Brasil!!!

  • Rogério Spencer 11-03-2014 Reportar

    Eu gosto tanto do que escreve (ou escrevia) a minha conterrânea Rosário, que, de há uns tempos a esta parte, sou obrigado a discordar de grande parte das coisas que ela escreve. É claro que de tempos em tempos ela se refere "ao processo histórico" coisa que eu 'odio'; fala em luta de "classes", coisa que não 'suporto ler', mas enfim... Claro está, todo mundo gosta de Carnaval (e que não gosta não deve impor o seu 'não gosto' a outras pessoas); claro também, que apesar do barulho em torno do Carnaval, minha opinião, é que Carnaval não é, nem cultura nem economia. É sim, um grande divertimento que pode ou não incentivado pelo Poder Público. Só que eu acho que este País tem milhares de outras prioridades a enfrentar e vencer e estamos a legar um fardo enorme às gerações futuras. O País não cresce; a economia estagna; o desemprego aumenta; a dívida públca aumenta de tal sorte que o que o País cria em um ano, não chega para pagar as suas obrigações de curto prazo; a classe média é dizimada pelo Leão (Impostos); a sociedade é refém de um regime autocrático; país governado por semi-analfabetos; a imprensa é servil; os empresários têm medo de criar riqueza e emprego com medo de serem 'punidos pela administração fiscal'; despedir e contratar trabalhadores em Cabo Verde é a mesma coisa, isto é, são rostos do 'capitalismo selvagem' o ensino superior não anda; o Estado, o Governo e o partido do Governo são omnipresentes e omnipotentes na sociedade (respira-se o o ar que o Paicv deixa respirar), enfim... Dizer que o Carnaval movimenta milhões em passagens áreas, marítimas, taxis, dormidas e estadias em geral em hotéis e pensões 'é fazer pouco da Economia'. Isto é, é comparar o que não deveria ser feito com o que deve e não é feito. E isto não são "custos de oportunidades", mas inversão de prioridades. Isto é, como a Economia como um todo está instagnada, os ditos "milhões até parecem muito". Mas isto acontece porque o sector produtivo e dos serviços da Economia estão muito abaixo do esperado. Ninguém ficou mais rico por conta do Carnaval; ninguém conseguiu poupar e gerar renda por conta do Carnaval; ninguém ganhou bolsas de estudos com recursos do Carnaval. Desde que o Brasil faz Carnaval, a importância do Carnaval no PIB do Brasil é insignificante. Rio de Janeiro (Estado) que coloca milhões nas ruas da Cidade Maravilhosa, só coloca algumas centenas nos lindos museus, teatros e similares. Rio de Janeiro, hoje, no seu auge, recebe em torno de dois a dois milhões de vistantes/ano. O Museu de Louvre em Paris, sozinho, recebe mais de vinte milhões de visitantes pagantes ao ano. O que dá certo em Paris e o que dá errado no Rio de Janeiro? Não é dificil imaginar. Contudo o que deu errado no Rio de Janeiro é aplicado e adornado em Cabo Verde. Do que deu certo é Paris, ninguém quer falar. Sobretudo por o Ministro da Cultura de Cabo Verde passa suas férias na Bahia com a 'tribo dele' e não vem ao Velho Mundo para ver como as coisas são feitas. Mas volto a essa e outras questões se o debate acontecer.

  • burkan pires 10-03-2014 Reportar

    São Vicente é coração de Cabo Verde a maior ilha do país povo sabe e maravilhoso, o maior carnaval de Cabo Verde.

  • Eduardo Oliveira 08-03-2014 Reportar

    Hoje estou triste. Sou um velho folião, agora aposentado. Quero dizer que quando novo festejava - pelo menos - um dia de Carnaval e um S.Braz. Nem era o Carnaval d'Intintaçon do Toni Marques que veio depois para ser "a música de fundo" de um Carnaval com e sem sês intintaçon. E nunca mais mudou.
    Cara Rosário,
    Mas hoje estou triste porque, como os alupekistas, você travestiu o nosso Carnaval. Nem travestido nunca o ponho um chapéu alto chamado K

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