É num contexto de crise económica e de altos níveis de desemprego, muito acima da média nacional, que o MpD realiza jornadas parlamentares em São Vicente. Para analisar as razões desta perda de postos de trabalho galopante, mas também para comentar outras questões da política nacional, como as estratégias de investimento ou a regionalização, o Expresso das Ilhas falou com o deputado Humberto Cardoso, eleito pelo círculo eleitoral da ilha de Monte Cara.
Quando em finais do século XVIII Thomas Malthus expôs a sua teoria da população, as suas previsões eram tão nefastas que a emergente disciplina económica rapidamente passou a ser chamada “the dismal science”. Segundo Malthus, a população humana tende a crescer de forma muito mais acelerada do que a superfície arável. O resultado inevitável: uma população que se multiplica automaticamente para nivelar qualquer recurso disponível, cuja maioria vive permanentemente á beira da sobrevivência, e onde o equilíbrio demográfico entre a procura e a oferta alimentar é reposto ciclicamente por epidemias e fomes.
No ano passado, fui convidado pela Associação Cabo-Verdiana de Lisboa para expressar o meu sentimento relativamente ao 25 de Abril de 1974 – palestra publicadaem Cabo Verde -, estando eu, nessa altura, em Lisboa no fim da especialização em Pediatria e Saúde Pública. O convite trazia água no bico, sabendo-se do activismo nacionalista como simpatizante do então PAIGC de um jovem nado e criado no Estado Novo, embora descrente deste, desde tenra idade, pelo contacto tido com os deportados políticos, Dr. Camões, Tenente Pélico Neto e outros desterrados em S.Nicolau.
Segundo os dados recolhidos junto dos Centros Hospitalares do país, em 2011 foram parar aos hospitais com sequelas provocadas por aborto 1697 mulheres. Isto, num país onde a interrupção voluntária da gravidez foi legalizada com a aprovação da Lei n.º 9/III/86 de 31 de Dezembro, e no Decreto n.º 7/87 de 14 de Fevereiro, que regulamenta a mencionada lei. O legislador nacional optou por despenalizar a interrupção da gravidez nas primeiras semanas de gestação – até doze semanas -, em estabelecimento hospitalar devidamente credenciado e sob assistência médica (artigo 2º da Lei n.º 9/III/86). Ademais, após as 12 primeiras semanas de gestação, a lei também permite a interrupção da gravidez por motivos de preservação da saúde física e psíquica da mulher e do feto, nomeadamente lesão grave, risco de morte, possibilidade de contágio de enfermidade e graves defeitos físicos ou mentais (artigo 3º da Lei n.º 9/III/86).
A Polícia Judiciária completou no dia 12, vinte anos de existência. Para assinalar a data, Expresso das ilhas conversou com o director central da PJ, Carlos Reis, que destaca os ganhos obtidos e sublinha as dores de crescimento, nomeadamente a falta de promoção e de efectivos para responder à demanda actual. Apesar dos meios insuficientes, a PJ continua firme e garante que não vai dar trégua à criminalidade. Reis considera a operação “Lancha Voadora”, no qual foram gastos cerca de mil contos na investigação, como um marco na história da PJ. Falou do tal parecer do catedrático português e vai avisando ao governo que o orçamento que é disponibilizado “gota a gota” constitui um entrave no trabalho da corporação. O director central assegurou que a PJ sonha com muito mais, e que, face às necessidades da corporação, é preciso repensar a forma como colocar as peças no tabuleiro de xadrez.
O Banco de Cabo Verde acaba de publicar os dados da Balança de Pagamentos do primeiro trimestre de 2013. Pela primeira vez em muitos anos, a balança de operações correntes apresenta um saldo positivo, ainda que modesto, da ordem dos 700 mil contos, comparados com os saldos negativos do primeiro trimestre de 2012 (-3,8 milhões de contos) e do quarto trimestre de 2012 (-5 milhões de contos).
Volta e meia o sr. Primeiro-ministro traz à ribalta a ideia de um pacto de regime. Diligências são feitas para se assegurar o máximo de atenção dos órgãos de comunicação social. Convites são enviados aos partidos políticos, confissões religiosas, sindicatos e patronato para um encontro com o chefe do governo. A ideia de Consenso ganha uma nova vida e passa a ser o foco das conversas e o tema central das declarações públicas de dirigentes políticos. Normalmente o ciclo termina com o governo a declarar que irá prosseguir com a sua “agenda de transformação” e a distanciar-se dos outros por supostamente estarem a propor medidas de austeridade penalizadoras da população. Em Novembro de 2011, no fim de mais um exercício de busca de consenso, chegou a apontar o dedo ao governador do Banco de Cabo Verde por ter alegadamente vindo a público “ensinar a missa ao vigário”.