Expresso das Ilhas

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Expresso das Ilhas - Actualidades
segunda, 23 janeiro 2017 06:00 Publicado em Opinião

Depois de 2016 que foi um ano improvável tudo aponta que 2017 será um ano de incertezas. No calendário começou há duas semanas, na realidade vai começar a delinear-se a partir de 20 de Janeiro com a tomada de posse de Donald Trump no cargo de presidente dos Estados Unidos da América. A vitória inesperada do sim no referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia e posteriormente a vitória de Trump sobre Hillary Clinton contra todas as previsões provocaram uma desorientação geral. A perspectiva de ter um presidente na Casa Branca diferente de qualquer outro que alguma vez exerceu tal cargo num tempo em que tanto no mundo depende da América é fonte de muita ansiedade em todos os continentes.

Muito do que antes se tomava como garantido nas relações internacionais e em termos comerciais e de segurança das nações de repente já não parece tão certo. A nível nacional a dificuldade em fazer previsões, em antecipar acontecimentos e em reconhecer sentimentos e paixões fortes de parte significativa da população puseram em estado de crise os mídias, observadores diversos, empresas de sondagem e as elites. Aperceberam-se do golfo profundo que as separava do homem e da mulher comuns. Nas instâncias supranacionais e em particular na União Europeia deu-se conta de que as populações nos estados nacionais ressentem-se do poder emanado de Bruxelas e que estão ávidas de reivindicar para si outra vez o poder de decidir o seu próprio governo, quais sãos as prioridades a seguir e qual o caminho a percorrer até à prosperidade. Não é à toa que slogans como resgatar glórias passadas ou imaginadas, proteger-se de fluxos de refugiados, precaver-se contra imigrantes e repor valores antigos e cristãos têm sido altamente mobilizadores  em vários países da Europa mas também no Estados Unidos, no Brasil, no resto da América Latina e mesmo em África. Por todo o lado propõe-se fazer o respectivo país grande outra vez.

A emergência de Trump na cena mundial já se mostrou transformacional e ele ainda não tomou as rédeas do Poder. Parafraseando Marx tudo o que parecia sólido esvaiu-se no ar. Mudaram as relações entre  os Estados Unidos, a China e a Rússia. Aparentemente há uma aproximação com a Rússia, não obstante a invasão da Crimeia e a intervenção russa na Ucrânia e na Síria, enquanto com a China parece que se entrou em rota de colisão seja em termos de comércio seja em termos de liberdade de circulação no Mar da China. Com a Europa e com a Aliança Atlântica, a NATO,  o que era tido como inabalável na contenção da Rússia já não parece tão certo na sequência das declarações de Trump. Incerteza também passou a germinar na relação dos EUA com o Japão e a Coreia do Sul criando ansiedade e abrindo caminho para futuros focos de tensão no Extremo Oriente e no Pacífico. Para alguns observadores o bombardeamento cruel que aconteceu em Alepo, na Síria, perante a quase indiferença geral pode já estar a antecipar o que virá a seguir se se concretizar o desengajamento do mundo por parte dos Estados Unidos como prometeu Donald Trump.

Muito do improvável que está a acontecer deve-se à globalização e suas consequências no desemprego, no aumento da desigualdade social, na estagnação dos rendimentos da esmagadora maioria da população e no problema dos refugiados e dos migrantes particularmente nos países mais desenvolvidos. O facto da mesma globalização ter tirado da miséria muitas centenas de milhões de pessoas, ter criado uma classe média significativa em países como a China, a Índia, o Brasil, a África do Sul e a Turquia e ter inundado os países desenvolvidos de produtos e crédito barato não conseguiu diminuir a hostilidade de vários sectores da população nos EUA e na Europa que reclamam por medidas proteccionistas, pelo regresso das indústrias deslocalizadas e pela construção de barreiras contra os migrantes. A vitória de Trump e a possibilidade de vitória de outros dirigentes populistas e da extrema-direita na França, na Holanda e na Itália ao longo do novo ano criam dúvidas sobre qual será a dinâmica da economia mundial em 2017 se se concretizarem os impulsos proteccionistas. Uma não reeleição de Angela Merkel em Setembro agravaria ainda mais a situação internacional. Ninguém consegue prever o que acontecerá ao euro se os cenários de vitória dos populistas se materializarem e quais serão as consequências globais de um agravamento no diferendo comercial entre os Estados Unidos e a China que já está a desenhar-se no horizonte.

Para Cabo Verde, uma pequena economia aberta e dependente de fluxos diversos que vêm principalmente da Europa em particular do turismo, as incertezas para o ano 2017 não auguram nada de bom. O crescimento da economia vai depender bastante da procura externa e dos investimentos desses países que se puder canalizar para aqui. A cooperação tanto com os Estados Unidos como com a Europa cada vez mais tem uma componente de segurança. No caso do progressivo desengajamento do mundo por parte de Donald Trump e de uma reorientação da Europa para conter a Rússia não se sabe se Cabo Verde continuará a merecer a mesma atenção que actualmente tem. O facto de também estar em jogo o futuro do euro não é boa notícia. Até agora o acordo cambial tem sido uma âncora para nossa estabilidade macroeconómica. Já sabemos que 2017 é um ano de incertezas. Vamos esperar que nos surpreenda pela positiva preparando-nos para o pior, mas na expectativa do melhor.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 790 de 18 de Janeiro de 2016.

segunda, 23 janeiro 2017 06:00 Publicado em Eitec

O gigante das redes sociais anunciou um novo projecto que pretende promover a literacia noticiosa e diminuir a proliferação de notícias falsas que se espalham na rede.

O Facebook vai lançar um novo projecto jornalístico – o Facebook Journalism Project – que tentará combater a proliferação de notícias falsas. O objectivo passa por contribuir para um “ecossistema noticioso saudável”, segundo fez saber Fidji Simo, director de produto, noticia publico.pt.

De acordo com a mesma fonte, a rede social líder foi muito criticada por causa da divulgação de notícias falsas, que se suspeita terem contribuído para o resultado das eleições presidenciais americanas, em Novembro de 2016, que deram a vitória a Donald Trump.

Nessa altura, o fundador Mark Zuckerberg desmistificou o assunto dizendo ser “altamente improvável” que tal ocorresse. Mas a pressão exercida pela opinião pública obrigou-o a tomar uma posição. Na sua página oficial, Zuckerberg disse estar a “levar o assunto muito a sério”, tendo perfeita noção de que os problemas são “complexos quer a nível técnico quer a nível filosófico”.

Foram realizadas algumas acções de combate às notícias fraudulentas que passavam por dar mais capacidade aos mecanismos de detecção deste tipo de textos, mais facilidade em denunciá-los e verificação independente da veracidade do que é noticiado, com recurso a ajuda externa, entre outras medidas.

O projecto de jornalismo do Facebook está assente em três áreas específicas de actuação. Primeiro, a empresa quer colaborar no desenvolvimento de produtos noticiosos com novos formatos narrativos. Serão disponibilizadas ferramentas e formação, incluindo cursos de e-learning de produtos Facebook e serviços para jornalistas e para todas as pessoas que acedam à rede. Por último, está previsto que a empresa colabore com educadores, jornalistas e parceiros externos para promover literacia noticiosa e “apetrechar as pessoas com o conhecimento de que precisam para se tornarem leitores informados na era digital”, refere o blogue da rede social.

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 790 de 18 de Janeiro de 2016.

 

domingo, 22 janeiro 2017 20:07 Publicado em Mundo

A primeira-ministra britânica, Theresa May será recebida na sexta-feira, pelo novo presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump.  

domingo, 22 janeiro 2017 15:22 Publicado em Mundo

O chefe da diplomacia alemã afirmou hoje que a eleição de Donald Trump marca o fim de uma era e que Berlim irá avançar prontamente para salvaguardar "uma cooperação transatlântica estreita e confiante".

domingo, 22 janeiro 2017 06:00 Publicado em Política

Empresário e político português, Ângelo Correia esteve em Cabo Verde, no âmbito das comemorações do dia 13 de Janeiro - Dia da Liberdade e da Democracia - para a conferência: “O Processo da Qualificação da Democracia: Dinâmicas e Constrangimentos”. Antigo Ministro da Administração Interna, ex-deputado, e actualmente professor convidado da área de estudos estratégicos do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, da Universidade de Lisboa, Ângelo Correia falou com o Expresso das Ilhas sobre democracia, poder e a necessidade de haver sociedades exigentes e melhor informadas.

Num mundo em mudança a que estamos a assistir exigir-se-ia também uma transformação radical na política?

Estamos a assistir a um período dos mais estranhos e difíceis de perceber para onde vamos. António Gramsci dizia uma coisa espantosa: morreu uma velha ideia de democracia, que já percebemos que morreu, mas ainda não descobrimos qual é a nova. No mundo, chamado mais civilizado ou mais desenvolvido, assistiu-se a um fenómeno extremamente interessante, mas ao mesmo tempo dilacerante que reduz claramente o poder dos estados e transfere os grandes poderes soberanos dos estados para entidades ou supranacionais ou dirigidas pela chamada mão invisível. Isto é, caminhamos num sentido em que perdemos a noção da sede e da face do poder. Sabemos que aquilo que existe nos estados – o poder – tem sido substancialmente esvaziado. Simplesmente é um esvaziamento que não é auditável, nem sequer legitimado por qualquer voto popular. Simultaneamente, onde existe o voto popular, o exercício da política tout court, há um divórcio destas questões. Isto é, os estados estão cada vez mais confrontados quando têm de decidir sobre questões menores, guardando as grandes decisões, as grandes orientações da história para poderes não visíveis e não auditáveis. Isso é muito visível na Europa, onde estamos a perceber a diferença entre poder e política. Onde há poder, não há audição política. Onde há política e o seu exercício quotidiano pelos cidadãos, pelos eleitores, o poder é insuficiente por parte de quem decide. Estamos aqui com uma dicotomia que não se resolveu ainda, mas parece apontar no sentido de cada vez mais as populações, os votantes, os cidadãos dos estados, estarem cada vez com menos poder porque os estados têm cada vez menos poder. Isso não significa que tenham fenecido os rituais democráticos, muito pelo contrário, os rituais democráticos cada vez são mais visíveis, cada vez se exige maior transparência, mais capacidade de exercício, só que ela é exercida, em parte, sobre os não poderes. O jogo democrático exerce-se pelos partidos políticos, mas com alguma ausência de legitimação social, sobretudo ausência das grandes finalidades. Desapareceram as grandes causas, desapareceram as grandes ideologias, que são também os fenómenos agregadores. E hoje em dia quando se desagrega as razões que legitimavam a unidade das pessoas elas sentem-se cada vez mais individuais, perdemos os laços da comunidade e caminhamos todos para uma certa solidão. Cada um tem objectivos, cada um tem de se desenrascar por si próprio, mas todos os mecanismos de solidariedade estão a esbater-se.

 

O próprio Estado social.

O próprio Estado social. A questão que se põe no seu interior é: como é que essa grande criação começa agora a ser posta em causa por ausência de recursos. Isto é, o estado social não tem apenas um problema de responsabilidade demográfica, pelo envelhecimento geral das populações, mas também tem uma quase legitimação ideológica – num período em que não há ideologias – que é o facto de não haver razão para que essa solidariedade se processe em termos funcionais. Estamos num contexto onde as dificuldades são enormes porque se multiplicam os efeitos de: primeiro, uma luta claramente na globalização para uma nova ordem internacional que apela não aos estados nação tradicionais, mas aos super estados ou à evanescência dos grandes poderes para entidades desconhecidas. Segundo, a deslegitimação que está a ser introduzida para o estado social, ou seja, para a solidariedade entre gerações e entre pessoas. Terceiro, para a solidão individual. Quarto, para o individualismo, onde cada pessoa é quase obrigada a procurar as suas próprias soluções.

 

E quando falha, tem à frente uma sociedade que, em vez de ser solidária, o considera um perdedor.

É isso. No fundo, estamos confrontados com a nossa infinita inferioridade, a nossa infinita solidão e a incapacidade de resolver os problemas.

 

Devemos tornar mais complexa a democracia, como defendem alguns dos pensadores contemporâneos? E pergunto-lhe isto porque quando pensamos na democracia pensamos na capacidade de voto, mas a democracia é muito mais do que votar.

É o que se passa hoje, nós votamos, mas não podemos votar na alteração da dívida nacional, não podemos votar sobre a taxa de juro ou os mecanismos de funcionamento do sistema bancário português, porque são decisões que já não estão em nós. Nós podemos votar, mas votamos, por um lado, no foguetório, em segundo votamos naquilo que mesmo não sendo foguetório não tem a densidade e a relevância dos macro problemas. Isto é, há um cerceamento real do exercício democrático porque o casamento histórico entre o poder e a política, hoje em dia, está em litígio, está em separação. Hoje a política remanesce nos estados, só que numa esfera que não se identifica com real esfera do verdadeiro poder. Quando olhamos hoje o mundo, o que percebemos é, por um lado, a indefinição, por outro, a incerteza, a angústia, o medo. O medo volta quando não há instituições fortes, quando não há capacidades para resolver as questões, quando os cidadãos começam a perceber o logro em exercer os seus mecanismos democráticos em espaços nos quais não se exerce poder. Quando isto tudo acontece, vivemos uma situação de complexidade e de angústia. O mundo actual é um mundo de psicofármacos, em grande parte, porque é um mundo onde as pessoas não conseguem acompanhar uma dinâmica que as ultrapassou e foi além delas sem elas quererem. A globalização produziu isto. A globalização produziu coisas notáveis, produziu, por exemplo, milhões de pessoas na Índia, na China, mesmo em África, que passaram de um estatuto de penúria completa para terem alguma capacidade de existência, chegando mesmo a ascender a classe média. Mas na Europa não assistimos a isso. Se porventura a União Europeia tivesse funcionado de outro modo, talvez conseguisse colmatar essa debilidade, mas a Europa também não é um poder, as próprias eleições para o Parlamento Europeu não configuram um verdadeiro poder. Demos saltos lógicos, que sendo lógicos no documento que os consagrava não são lógicos no percurso humano e funcional que daí decorre. Tudo isto demonstra-nos que estamos numa situação em que da esperança no futuro que tínhamos há uns anos passámos a ter medo do futuro. Uma democracia de medo é sempre uma democracia perigosa.

 

Geralmente atrai os populismos, que no fundo são a tradução dessa ideia de nós contra os outros.

Ora bem. Aquilo que eu chamaria a anti política, porque desenvolve um conjunto de ideias contra o exercício normal da política, porque no fundo percebe as reacções de quem exerce o seu voto sem que daí veja qualquer tipo de solução. Quando as pessoas começam a persentir que o exercício contínuo do voto não traz conclusões para aquilo que é a sua vida quotidiana desenvolvem-se nessas sociedades mecanismos de anti política, isto é, ou nacionalismo extremo ou um populismo exacerbado. Ou seja, ou se considera que tem de haver um regresso ao Estado-nação na forma antiga – fechado, anquilosado, tapado, fugindo dos outros, que é um pronúncio daquilo que é a relação humana em relação aos outros também, isto é, voltamos à noção grega do xénos phóbos, o medo do estrangeiro. Ou então aceleramos pela outra via, de encontrar pessoas que, de repente, quais salvadores da pátria independentemente das regras que existam para além deles, pensam que vão resolver os problemas com ardis, ou com promessas que nada resolvem. Todo o populismo hoje em dia que se absorve e se nota na Europa é um populismo estéril e temporal, marcadamente temporal e sem soluções de continuidade. Logo, não servem, como os nacionalismos extremos também não servem. As respostas que a anti política está a dar à política não são as respostas necessárias. Temos de voltar a encontrar formas de casar o poder e a política. Há quem o pense fazer: todo o neoliberalismo, toda a nova ordem internacional, o que os movimentos procuram é, no fundo, criar um poder mundial, mas um poder mundial não escrutinável, o poder dos grandes não escrutinável. Ora, se esse é o modelo, não é o meu. Mas não sendo o meu nem o de muita gente, para a grande maioria de cidadãos não há forma de encontrarmos outras alternativas ainda.

 

O senhor tem uma larga experiência, tanto política como humana, como consegue explicar que um discurso simplista não seja derrotado? Como é que este discurso que apenas fala de nós contra eles, nem propor quaisquer soluções, consegue passar?

Porque é o primeiro discurso reactivo que dá uma resposta a um problema. É o primeiro discurso que não tem base na lógica, nem no pensamento, nem na ética, mas que aparentemente resolve o problema. Se eu tenho um problema com os outros fecho-me, não os encaro, são estrangeiros, e como são estrangeiros metem medo. Ora, um mundo que atravessou tantas fases de relação, de convivência, de repente fechar-se? Para já, é uma redefinição de fronteiras que já não existem. O mundo do capital, que está sentado numa cadeira em Paris, que joga de noite na bolsa de Tóquio, ou da China, de manhã joga na bolsa de Frankfurt, e à tarde na de Nova Iorque, ou de São Paulo, mostra que os capitais já não têm pátria. A circulação já se faz sem fronteiras. As próprias pessoas, por razões profissionais, culturais, de lazer, etc., não querem muitas fronteiras. Schengen, por exemplo, é uma enorme conquista europeia, que espero um dia que possa chegar a Cabo Verde. Seria interessantíssimo um país africano estar também nesse espaço de continuidade da Europa. Vamos cortar as amarras a tudo aquilo que são os movimentos que já se processaram, e que beneficiaram o mundo? Acho que isto é irreversível, agora atingiu uma irreversibilidade de uma maneira que é injusta, porque não acautelou a questão principal que é o poder. Enquanto não se tiver resolvido esse problema, se é que se resolve, acho que vamos estar sempre em conflito permanente. Por isso acho que os próximos anos ainda são anos de desconstrução.

 

Ou seja, vamos continuar a levar com políticos que vão degladiar-se para mostrar quem representa melhor o mal-estar dos cidadãos?

O populismo por vezes é isso. Proclamar o que disse é legítimo, possível e desejável se houver dentro do espaço da construção a possibilidade de o exercer. Quando não há e apenas se lança a mão a quimeras, mitos, ardis, para justificarem serem melhores do que os outros estamos no caminho transitório.

 

Mas podemos afirmar que a democracia está em perigo ou isso seria alarmismo?

Eu diria de outra maneira: a democracia, como estamos a exercê-la, está reduzida. Não está em perigo porque cada vez mais o ritual democrático se espalha, o ritual democrático é importante, mas por trás de um ritual tem de haver uma essência e essa é a questão que está em perigo.