Expresso das Ilhas

Switch to desktop Register Login

Expresso das Ilhas - Actualidades
terça, 27 junho 2017 09:54 Publicado em Mundo

O Procurador-Geral da República do Brasil apresentou na noite de segunda-feira ao Supremo Tribunal Federal uma denúncia contra o Presidente Michel Temer e o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) pelo crime de corrupção passiva.

terça, 27 junho 2017 09:50 Publicado em Economia

Especialistas de África reúnem-se na 33.ª reunião do Comité Inter-governamental de Peritos até quinta-feira, na cidade camaronesa de Douala. O encontro decorre sob o lema "Made in África Central: do círculo vicioso ao círculo virtuoso".

terça, 27 junho 2017 09:12 Publicado em Política

A Inforpress vai “provavelmente” conhecer em Agosto um novo modelo de gestão, anunciou segunda-feira o ministro Abraão Vicente que reconhece “algum atraso” na efectivação da separação da agência de notícias da RTC.

terça, 27 junho 2017 07:45 Publicado em Cultura

Os portugueses Valter Hugo Mãe e Afonso Cruz, o angolano José Eduardo Agualusa e o moçambicano Mia Couto são alguns dos escritores convidados do primeiro festival literário Morabeza, previsto para Outubro, na cidade da Praia.

terça, 27 junho 2017 07:42 Publicado em Economia

O novo chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) para Cabo Verde perspectivou ontem, na cidade da Praia, que o bom desempenho da economia cabo-verdiana deverá manter-se em 2017, estimando um crescimento próximo dos 4%.

terça, 27 junho 2017 07:37 Publicado em Mundo

A Coreia do Norte criticou hoje a política "América primeiro" do Presidente norte-americano, Donald Trump, num despacho publicado pela agência de notícias oficial, qualificando-a como "nazismo" do século XXI.

terça, 27 junho 2017 06:00 Publicado em Cultura

I am not a colored man. I am from the white race. I was born in Portugal, ‘Sweet’ Daddy Grace, Carlos Marcelino da Graça, de seu verdadeiro nome, foi um dos muitos cabo-verdianos que se recusaram a ser confundidos com os afro-americanos.

Estes jornais chamam-me de Negro. Não sou um Negro, e mais: nenhum Negro neste país é capaz de fazer o que eu estou a fazer.

Mas a igreja que Grace fundou em 1919, The United House of Prayer for all People (qualquer coisa como a Casa da Oração Unida para Todos) vivia sobretudo da fé dos afro-americanos, com os quais Daddy Grace nunca se quis identificar.

Em 1934, durante uma audiência de julgamento, quando lhe perguntaram se se considerava como fazendo parte da raça negra, Grace respondeu, Considero-me apenas humano.

Para um pastor evangélico a questão racial, de facto, nunca poderia colocar-se. Grace declarou nunca ter sentido na pele as leis segregacionistas de Jim Crow, o que não deixa de ser estranho. Dizia-se amado tanto pelos brancos como pelos negros. E tal como o meu avô Francisco ‘Nênê’, o pastor considerava-se também português de nacionalidade. Estava profundamente convicto de que pertencia à raça branca, talvez por continuar a raciocinar de acordo com as velhas categorias da sua Brava natal.

A tez morena e os cabelos compridos até aos ombros, o bigode penteado à escovinha, capa de veludo azul sobre as costas e as unhas de cinco centímetros pintadas de verde, vermelho e azul, compunham a sua flamboyant figura. Tinha tiradas extraordinárias, em público: se Moisés voltasse, afirmava, apontando para o peito, ele haveria de seguir este homem; ou se pecarem contra Deus eu posso absolver-vos, mas se pecarem contra mim, nem Deus vos poderá salvar.

A sua vida extraordinária chegou-me misturada com as memórias da passagem do meu tio-avô David pela América. Nas reuniões de família era comum viajarmos nestas histórias dos parentes emigrados, contadas pela minha mãe. A aventura americana do meu avô Francisco ‘Nênê’ e do irmão David estimulavam a minha imaginação, assim como a sua fotografia, tirada em São Vicente, em 1918. Nela, vemos um homem novo, de cabelo curto, olhos claros, nariz pequeno e lábios finos, que embarcara em 1907, aos dezassete anos, num Three Master como boy de câmara. Tempos depois ele e o irmão chegavam de malas na mão a New Bedford, sob o alpendre da casa da tia Maria Cardoso.

Francisco ‘Nênê’ foi soldador, manobrador de máquinas e por fim arpoador num baleeiro da Nova Inglaterra. David foi aventureiro com ocupações duvidosas. Há quem afirme mesmo que terá ganho a vida de forma pouco clara em apostas, corridas, boxe, cavalos, lotarias viciadas, por Massachusettes, Rhode Island e Connecticut. Pelas docas de New Bedford e Nantucket e nos bares à volta de Fox Point, em Providence, falava-se, na altura, que andaria metido com um grupo de contrabandistas portugueses de Provincetown, liderado por um capitão de nome ‘Manny’ Zora. À noite, juntamente com o irmão Francisco ‘Nênê’ e Jack Barreto, um amigo de Fajã de Baixo, em São Nicolau, treinam boxe, num clube italiano, por cima de uma garagem, na Acushnet Avenue. David torna-se rei de brigas de bar. Dorme, amiúde, ao frio nas esquadras de New Bedford à espera que Francisco e Jack paguem a fiança. Viaja depois para a Califórnia. Não faz fortuna, mas volta de lá wiseguy, malandro, ousado, homem de expedientes pouco claros.

‘Nênê’ era mais ajuizado. Amava São Nicolau aonde regressava de dois em dois anos e depois de lhe terem nascido os três filhos caiou a casa de Faiel e investiu em terras de regadio e de sequeiro, espalhadas entre o Cabeçalinho e o Morro Braz. No porto de New Bedford embarcou camas, mesas, cadeiras de mogno, cristaleiras finas, e no final dos anos vinte trouxe o primeiro gramofone para São Nicolau, que ficou instalado na sala, entre as fotos do Titanic e do Lusitânia. A minha mãe contava que durante uma das travessias do Atlântico, segundo relatou outro dos ‘americanos’ que tinha horta pegada à nossa, na Gombeza da Silva, quando ele regressava para casar, ouviram algo a bater no casco do Ernestina, como um pedaço de madeira solta. Havia o perigo sério de poder danificar o leme e deixá-los à deriva. No porão estavam doze caixas de artigos de loiça e mobiliário para a casa. Quando viu que ninguém de entre os tripulantes ou os passageiros se voluntariava para ir ver o que se passava, despiu a camisa, atou uma corda à cintura e mergulhou no mar, resolvendo o problema em dois tempos. Mas ao chegar sentou-se e chorou como um menino durante um bom bocado.

Costumava descer a cavalo das Pombas para a vila da Ribeira Brava. No tempo das azáguas calçava botas de borracha, vestia uma capa de oleado preta sobre o overall e ficava, sorridente, à chuva ante a curiosidade da mulher e dos filhos. Uma tarde, aos 49 anos, caiu da mula pelo caminho e perdeu a fala. Morreu horas depois. O irmão David é que não perdeu tempo, forjou a documentação e apresentou-se ao banco americano como o único herdeiro, ficando com todas as suas economias. Nho Chico Tomásia foi testemunha da sacanice, como contou à minha avó Clara.

O tio David era um homem gordo, de mãos pequenas e dedos polpudos. A minha mãe lembra-se ainda de vê-lo subir a estrada do Caleijão montado numa mula com um chapéu de abas largas e polainas lustrosas. O tio Dav, como ela ainda o trata, conheceu Marcelino quando este casou com uma rapariga da família Lomba, também da ilha Brava. Costumava passar lá por casa e levava doces para os dois filhos do casal, Irene e Norman. Durante uns anos ele não teve notícias do Marcelino. Certo dia, contava nos bares da Vila, ao caminhar pelo centro de New Bedford, reparou numa reunião de pessoas num salão, do outro lado da rua, uma espécie de comunhão em festa, com música de orquestra, um lugar cheio de negros americanos. Lá no fundo um homem falava de pé para as pessoas que o escutavam, com muita atenção. A voz pareceu-lhe familiar. Mas só quando se aproximou é que ele viu que era mesmo o Marcelino da Brava, que agora se chamava Grace, e que lhe fez um enorme sorriso.

Quando Francisco ‘Nênê’ e David chegaram à América, nos primórdios do século XX, Carlos Marcelino da Graça já se havia juntado à família, em South Water Street, em New Bedford.

O tio David tê-lo-á conhecido em Cape Cod, na apanha de cranberries. Mas a agricultura não era bem o caminho para quem estava destinado a ser o ‘intermediário de Deus na Terra’.

Seguiu-se um périplo pelos Estados Unidos, México, Egipto, Jerusalém e Portugal. Carlos Marcelino da Graça deu lugar a Charles M. Grace, numa metamorfose que já havia começado quando abandonou a segunda mulher Jennie e os filhos. Começou então a pregar e a abrir locais de culto, um pouco por toda a América. O ‘chamamento de Deus’ dá-se logo a partir de 1919, quando abre a sua primeira Casa da Oração, de matriz pentecostal, em West Wareham, Massachusetts. Segue-se outra em New Bedford, na Kempton Street, onde o tio David tê-lo-á encontrado naquela noite.

O aumento do número de fiéis e das Casas de Oração terá trazido trabalho extra ao tio David e aos restantes colaboradores de Charles M. Grace. Por esta altura, a Grande Migração levava milhões de afro-americanos do Sul a instalarem-se em cidades do Norte: Chicago, Cinccinati, Washington, Baltimore, Nova Iorque, Minneapolis, onde havia mais empregos e maior tolerância racial. E são estes trabalhadores negros, a maior parte analfabetos, que vão beber a esperança nas palavras ‘divinas’ dos líderes religiosos negros dos anos vinte, como Father Devine.

Ao contrário do excêntrico Daddy Grace, as imagens da época mostram como Father Devine tinha a aparência sóbria e pontificadora de um badiu do Tarrafal, em dia de festa de Nho Santo Amaro. Era um homem de baixa estatura, pescoço taurino e calva larga. Nas fotografias surge sempre de fato bem cortado e colete com gravatas às riscas e lenço na lapela. Passava o tempo em confraternização com os fiéis e em almoços e jantares de angariação de fundos para a sua igreja. Por vezes, não resistia a juntar a sua voz esganiçada a gospels apoteóticos. Bairros negros como o Harlem eram os feudos da sua Mission e a chegada de novos pastores, como Charles Grace, só podia representar uma ameaça.

As curas ‘milagrosas’ protagonizadas por Grace, em 1926, em Savannah, na Georgia, aumentaram ainda mais o número de fiéis. O tio David e os restantes auxiliaries da Casa da Oração esfalfavam-se na preparação de novos encontros em tendas e organizando autênticos acontecimentos públicos. Os ‘baptismos’ colectivos decorriam normalmente em piscinas, junto às Casas de Oração, ou em lagos, rios, benzidos previamente pelo pastor. Nas cidades recorriam ao ‘chuveiro divino’ das bocas-de-incêndio dos passeios. Numa das fotografias, tirada em Augusta, Georgia, pode ver-se uma multidão em volta de uma piscina e o pastor Grace, vestido de negro, com a água pela cintura e seis fiéis trajados de branco, touca incluída, aguardando a sua vez para serem baptizados pelo ‘Cristo Negro.’

Um incidente em Seversville, na Carolina do Norte, poderia ter ensombrado para sempre a carreira de Grace. Durante um desses baptismos, num rio, o pastor reparou que um dos fiéis havia perdido o pé e se debatia, aflito, para se manter à tona da água. Tentou retirá-lo por duas vezes, sem sucesso, até que já cansado nadou para a margem e o homem acabou por se afogar. Grace retomou a sua tarefa e continuou a baptizar a multidão que o aguardava.

Mais tarde, comentaria, Acho que até foi bom para o homem. Foi um bom dia para ter morrido, não acha? Ele estava a contribuir para a glória dos céus e deve ter tido uma morte maravilhosa…

O homem que o tio David conheceu na juventude ocupava agora, magnânimo, a Montanha Sagrada, o emblemático trono na sala de culto da Casa da Oração. Dali Grace proferia, por vezes, palavras em português e mesmo em crioulo, por entre a música dos trombones e o êxtase dos mais fervorosos. O pastor considerava um sinal de verdadeira comunhão com Deus o acto de falar línguas estranhas (to speak in tongues…). E não terá sido difícil para o tio David verificar como o velho amigo Marcelino da Brava se tornara na máscara que usava e como deixara de ser personagem dupla para assumir de vez o papel que julgava que a História lhe reservara. Escusado será perguntar se alguma vez terá dado conta do que lhe estava a acontecer.

God does not answer your prayers when you use your own language. God wants us to speak His language, not your language.

De acordo com as histórias da minha mãe e outras que fui ouvindo, ao longo do tempo, o tio David era aquilo a que se pode chamar um homem do terreno. Fazia parte da equipa que se encarregava da preparação da chegada de Daddy Grace às cidades (Daddy Grace is in town, come everyone!). Fiscalizavam as bandas de música que iriam publicitar a chegada do pastor e o Cadillac ou o Packard de luxo de onde ele iria acenar para o povo pelas esquinas. Tratavam ainda da distribuição do merchandise ‘benzido’ por Grace: lenços de assoar com a efígie de Grace, a Grace Magazine, a Pasta de Dentes Grace, o sabão Daddy Grace Allwater Soap.

People can even be cured by touching a piece of paper I throw away.

O intermediário de Deus na Terra.

Never mind God. Salvation is by Grace only, Grace has given God a vacation…         

No final dos anos trinta, o bairro de Harlem tornara-se na maior comunidade negra dos Estados Unidos e aqui iria dar-se o inevitável embate entre Grace e Father Divine. Para além do Harlem dos teatros, do jazz de Duke Ellington e de Louis Armstrong, do Cotton Club e do movimento Renaissance, havia o Harlem da violência, dos miseráveis, das famílias e empregos pulverizados com o crash de 1929. Divine decide instalar aqui a sua sede, Number One Heaven.

Segundo os jornais da época, Grace ficou ofendido por Divine se ter autoproclamado Deus. Mandou os seus colaboradores informarem-se sobre a situação do imóvel onde Divine tinha a sua sede e descobre que os proprietários, um dos bancos da Baixa da Manhattan, estão interessados em vendê-lo. Sem perder tempo, o pastor faz de imediato um depósito de dois mil dólares junto do banco, como sinal para a compra do edifício. O salão, com capacidade para quinhentas pessoas sentadas, é o ideal para a sua Casa da Oração.

O desfecho é uma das histórias mais faladas da guerra entre líderes religiosos negros, alimentada pelos jornais. Após fechar a compra do edifício de quatro andares, junto do Union Square Bank, Daddy Grace convocou os jornais para lhes dizer que decidira despejar Father Divine e instalar ali a sede da Casa da Oração. Quanto a Divine, Grace respondeu, I will not drive him out of Harlem, I will just let him stay. Poor fellow…I will give him peace and pity. 

A‘guerra santa’ entre ambos fez delirar a imprensa, que a terá mesmo instigado. Grace concluiu o negócio e antes de viajar para a sua casa de férias em Cuba, enviou uma mensagem a Father Divine, através dos jornais, Vai lá agora explicar ao teu rebanho como é que Deus Todo-Poderoso pode ser despejado da sua própria casa.

A compra de Number One Heaven revelou a Grace outra realidade que lhe agradou sobremaneira: o poder passava igualmente pela aquisição de bens imobiliários. Entre os vários edifícios que o pastor cabo-verdiano compraria, nos anos seguintes - num total de quarenta e um imóveis, com o dinheiro dos fiéis que ele ‘administrava’ - estavam uma mansão de vinte quartos em Newark, o Savoy Theater, o edifício de apartamentos El Dorado, em Manhattan, o Riole Theater, em Detroit, uma mansão com cinquenta e quatro divisões, em forma de castelo francês. No final dos anos cinquenta Grace adquiriu aquela que era vista como a cereja no topo do bolo: a mansão de Berkeley Square, em Los Angeles, a sua última residência, com oitenta e cinco quartos.

O tio David nunca terá chegado a conhecer a fazenda do Brasil ou a casa nos arredores de Havana. Mas durante os meses de Julho, Agosto e Setembro acompanhava Grace nas suas digressões entre Nova Iorque e a Florida. Estas incluíam as cidades de Buffalo, New Heaven, Nova Iorque, Filadélfia, Wilmington, Baltimore, Washington DC, Newport News, Norfolk, Winston-Salem, Charlotte, Columbia, Augusta, Savannah e Miami.

No início dos anos trinta, Minnie Lee Campbell, uma jovem escanzelada e fiel devota da Casa da Oração, abalou a imagem pública do Rei da Glória, ao acusar Grace de tentativa de violação. Tudo aconteceu depois de este lhe ter dado boleia para Filadélfia, disse ela em tribunal. Minnie, que ao que parece também fazia limpezas em casa de Grace, acusou-o, igualmente, de assédio sexual nos dias que se seguiram à tentativa de violação. Mais tarde, relatou, numa voz trémula, que apenas cedera a ter relações sexuais com o pastor em troca da promessa de um emprego como pianista na casa da Casa da Oração de Baltimore.

Nos registos consta que Grace gostava muito de a ouvir tocar os salmos.

Da complicada relação resultara um filho, mas Grace, do alto do seu olímpico glamour, recusava-se a reconhecê-lo. John Hero, o seu motorista particular, confirmou a total inocência do patrão e as Casas de Oração fizeram questão de enviar declarações aos repórteres afirmando, É tudo mentira. Daddy Grace é puro.

No plano familiar as coisas não lhe corriam melhor. Aos desentendimentos com a filha Irene, juntou-se a morte do filho Norman, num acidente de viação. Enquanto decorria o funeral de Norman, em New Bedford, Grace continuou tranquilo no seu trabalho de evangelização em Charlotte. O seu segundo filho, Marcelino, o único com quem Grace ainda mantinha algum contacto, deu entrada numa instituição psiquiátrica para iniciar o tratamento contra a esquizofrenia. Três anos depois, Marcelino fugiu do hospital e durante mais de uma década ninguém soube dele.

Foi um Daddy Grace velho e cansado que, ao preparar-se para deitar, na noite de 7 de Janeiro de 1960, na mansão de Berkley Square, sentiu-se ligeiramente indisposto. O quarto pareceu-lhe imenso e os móveis desfocados, as imagens dos quadros nas paredes afectuosamente melancólicas.

Depois de o mordomo lhe trazer um copo com água-de-açúcar o pastor sentou-se na cama e deu uma longa mirada à sua imagem no espelho. De seguida pediu-lhe que trouxesse o gravador de bobines e dispensou-o com um gesto largo; pegou no microfone e começou a gravar o sermão “You must be born again”.

No dia seguinte, Grace sofreu um ataque cardíaco e quatro dias depois estava morto, aos oitenta anos. Durante o funeral os fiéis puderam ouvir, através de altifalantes, as suas últimas palavras, aconselhando-os, My little bit, your little bit… we jealous, oh, bad business children! 

O seu corpo iniciou então uma última digressão no comboio Sunset Limited, desde Los Angeles até New Bedford, em Massachusettes. O féretro parou em cinco cidades para que os fiéis pudessem despedir-se dele.

Quando se deram estes derradeiros acontecimentos, o tio Dav já havia regressado definitivamente a São Nicolau, onde viria a morrer, de cancro na próstata, aos setenta anos, na sua casa do Caleijão. Tal como Grace, também não assistiu à luta pelo poder dentro da House of Prayer nem aos processos movidos pelos familiares contra o testamento do Rei da Glória, nem à acção interposta pelo departamento de finanças norte-americano, que foi ao património da Casa da Oração Unida para Todos buscar quase dois milhões de dólares de dívidas ao fisco, sonegados durante anos.  

 

Dady Graça

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 812 de 21 de Junho de 2017.

terça, 27 junho 2017 06:00 Publicado em Opinião

O texto que se segue refere-se à apresentação, feita por mim, da mais recente obra de Casimiro de Pina que teve lugar na sua ilha natal e que contou com uma grande assistência da qual se destacava o Sr. Primeiro-ministro para além de ministros, Presidentes de Câmara e outras entidades oficiais. O Sr. Presidente da República também esteve presente, na qualidade de coapresentador.

O texto da apresentação, em referência, foi subdividido em duas partes. Neste número publica-se a última, depois de ter sido publicada na anterior edição deste jornal a primeira parte.

Desde a Revolução Francesa, com a destruição provocada pelo radicalismo democrático jacobino, e o subsequente imperialismo de Napoleão Bonaparte, viu-se que a Liberdade não sobrevive sem determinados freios e contrapesos institucionais, capazes de conter a “tentação totalitária”, tantas vezes referida, num aviso solene, neste livro de Casimiro de Pina.

Se acompanharmos José Adelino Maltez, que cita Sartori, veremos, e passo a citar, “que existe uma diferença clara entre o liberalismo anglo-saxónico, defensor do “possível” e as democracias igualitárias latinas, defensoras do “ideal”. Estas últimas são cerebrais e intelectualistas, estando marcadas por princípios apriorísticos e pelo perfeccionismo utópico, considerando a igualdade como meio para atingir a liberdade, dotada de uma estrutura mental racionalista, dogmática e definitiva bem como uma conceção conflitual onde a realidade é que se deve render à razão. Pelo contrário, o liberalismo anglo-saxónico é pragmático, defende o crescimento gradual e a experiência, considera que a liberdade é um meio de atingir a igualdade, dotada de uma estrutura mental empírica, um espírito antidogmático que procede por ensaios bem como uma concepção legalista onde a razão se deve adaptar às realidades.” Fim de citação.

Na nossa realidade doméstica estas duas visões coexistem, chegando mesmo a dividir o espaço político, com opções socialistas mais ou menos encapotadas.

Desse ponto de vista, a abordagem de Casimiro de Pina acaba por representar uma contribuição fundamental para a clarificação do campo político cabo-verdiano, relativamente pouco explorado do ponto de vista teórico.

Este, todavia, longe de ser uma mera divagação no céu dos conceitos, é um livro de FILOSOFIA POLÍTICA PRÁTICA, um livro preocupado e moralmente comprometido, na tentativa de melhorar o curso dos acontecimentos e reforçar a boa governação e a qualidade das instituições. É, pois, um livro Aristotélico!

Questões relacionadas com o papel do Estado, na sua relação com a sociedade, a problemática da pobreza, a construção da prosperidade e os seus fundamentos culturais, as potenciais ameaças à democracia e ao Estado de direito democrático são abordadas no livro com a maestria que se reconhece ao Casimiro de Pina.

Ao longo do livro, o autor, em vários momentos, levanta-se contra o Estado-tutor, posicionando-se claramente a favor dos direitos das minorias e da liberdade individual, sempre em consonância com as regras da convivência democrática e do respeito pelos direitos básicos do cidadão.

Casimiro de Pina, referindo-se à pobreza, diz no seu livro, contrariando, aliás, certos preconceitos ideológicos, que “(…) A desigualdade não é um mal; é uma virtude. O mal é a pobreza. Esta é que deve ser extirpada. Enquanto a pobreza é sinal de atraso, a desigualdade é fonte de progresso.”

E ilustra a sua reflexão profunda, dizendo que nem todos têm a qualidade de Ronaldinho Gaúcho, Bill Gates ou Jennifer Lopez.

Se quiséssemos eliminar a desigualdade, teríamos que abolir essas pessoas talentosas e, logo, instituir a…DITADURA! 

O autor conclui afirmando que, nos países em que a liberdade foi abolida, “as desigualdades entretanto se mantiveram”. Os países do chamado “socialismo real” constituem um exemplo gritante deste ponto.

Aliás, em diálogo com o pensador alemão Dahrendorf, Casimiro diz-nos algo importante:

“Como escreveu Ralf Dahrendorf, n’O Conflito Social Moderno, a esperança num mundo melhor “baseia-se no facto de se saber que alguns indivíduos, grupos ou países possuem aquilo a que os outros aspiram. O mínimo que se poderá dizer é que as desigualdades existentes acrescentam um elemento de realidade à esperança, fundamentando assim a exigência da mudança”.

Como acrescenta Casimiro, “Sem esse incentivo, resultante da diferença de riqueza e condições, não haveria qualquer esperança. Sem padrões de comparação, o progresso seria um mito. Sonho vago. Vã utopia. Só haveria imobilismo e a pasmaceira da economia primitiva de mera subsistência, como nalgumas aldeias bucólicas de África ou dos desertos da Arábia. É assim na economia, nas artes plásticas e na literatura. A excelência do mestre é que desperta o interesse do discípulo dedicado”.

Não gostaria de terminar sem antes me referir à capa do livro que é muito apelativa em termos de imagem, e que homenageia algumas das referências intelectuais do autor.

Falo de Eugénio Tavares, o enorme compositor cabo-verdiano, poeta e, ainda, um dos melhores pensadores políticos liberais de Cabo Verde, no sentido anglo-saxónico – tanto numa perspetiva de filosofia jurídica, como numa perspetiva de filosofia política, dizia, Eugénio Tavares aparece ladeado por Hannah Arendt, antinazi, de origem judaica, filósofa de grande actualidade, apesar de ter falecido em 1975, e Alexis de Tocqueville, escritor notável que viveu no século dezanove e que se mostrou sempre preocupado com a relação da realidade sociopolítica com o ideal de liberdade.

Embora não fazendo parte da capa, é de justiça mencionar nomes importantes que vêm acompanhando, desde há mais de uma década, o percurso intelectual de Casimiro de Pina, como João Carlos Espada, Olavo de Carvalho, Jean-François Revel, Thomas Sowell, Adam Smith, Hayek, Montesquieu, José Guilherme Merquior, Leo Strauss e os fundadores da República Americana, tais como Hamilton, James Madison, George Washington, etc..

 Naturalmente, muito ainda fica por dizer. Afinal, o que me foi pedido foi a minha apreciação do livro como leitora.

Sei que, apesar de conhecerem o intelectual Casimiro de Pina, não deixarão de se surpreender com a densidade e profundidade na abordagem de questões complexas, que o autor consegue trazer até nós com a simplicidade dos génios.

Sociedade Civil, Estado de Direito, Economia e Governo Representativo – Repensando a Tradição Liberal-Conservadora é um livro delicioso. Por isso desejo a todas e a todos uma boa e proveitosa leitura.

 

*Deputada Nacional


Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 812 de 21 de Junho de 2017.

segunda, 26 junho 2017 16:25 Publicado em Mundo

O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, pediu hoje unidade aos guineenses e admitiu, pela primeira vez, convocar eleições caso não seja encontrada uma solução para o impasse político em que o país vive.

segunda, 26 junho 2017 15:31 Publicado em Política

O ministro da Cultura defendeu hoje uma "verba obrigatória" para a Cidade Velha no Orçamento de Estado, considerando "constrangedor ter que fazer lóbi" para preservar e investir no único Património da Humanidade de Cabo Verde.

segunda, 26 junho 2017 15:07 Publicado em Economia

Depois de a Binter ter cancelado os voos para São Nicolau alegando redução das dimensões da pista, a ASA, responsável pela gestão aeroportuária nacional, afirma que a companhia estava informada de que a pista do aerodromo de Preguiça, em São Nicolau, tinha apenas 23 metros de largura em vez dos 30 necessários para a companhia aérea operar.

segunda, 26 junho 2017 14:58 Publicado em Política

O PAICV pediu, hoje, o aumento dos investimentos públicos nos sectores agrícola e pecuário e um novo impulso ao funcionamento do mercado. O partido quer que seja aumentado a terra arável, a água disponível e o capital humano.

segunda, 26 junho 2017 12:31 Publicado em Sociedade

A Comissão de Coordenação do Álcool e outras Drogas realizou hoje, cidade da Praia, um workshop sobre a prevenção ao uso do álcool e outras drogas no seio das famílias. O evento acontece no âmbito do Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas, sob o lema “escuta primeiro com enfoque nas crianças e nos adolescentes”.

segunda, 26 junho 2017 10:21 Publicado em Cultura

O cantor e produtor de eventos Gylito Semedo está a assinalar os seus 18 anos de carreira na música. Um novo disco está a caminho.

segunda, 26 junho 2017 09:44 Publicado em Economia

Perto de 100 mil turistas chineses podem visitar Cabo Verde «a partir do momento em que melhorar as suas infraestruturas turísticas», afirmou o vice-presidente do Conselho de Promoção do Comércio Internacional da China (CCPIT), Zhang Wei.

segunda, 26 junho 2017 09:39 Publicado em Sociedade

A sustentabilidade continua a ser o maior desafio da escola de Deficientes Visuais “Manuel Júlio”, na cidade da Praia, assim como o lar que acolhe os internos de outras ilhas e concelhos da ilha de Santiago, apontou ontem a ADEVIC.

segunda, 26 junho 2017 08:56 Publicado em Mundo

O naufrágio de um barco de turismo em Guatapé, na Colômbia, no domingo, causou seis mortos e 31 desaparecidos, segundo um novo balanço apresentado pelo Presidente Juan Manuel Santos.

segunda, 26 junho 2017 08:25 Publicado em Desporto

O segundo jogo das meias-finais do campeonato nacional de futebol entre Ultramarina e Mindelense foi adiado para terça-feira, porque parte da equipa são-vicentina não conseguiu chegar a tempo à ilha de São Nicolau.

segunda, 26 junho 2017 08:08 Publicado em Mundo

Um painel de discussão de alto nível em Londres marca este 26 de Junho, o Dia Internacional das Nações Unidas de Apoio às Vítimas da Tortura.

segunda, 26 junho 2017 06:00 Publicado em Eitec

Com a descoberta, a NASA amplia para 50 o número de planetas que poderiam abrigar alguma espécie de vida

A Agência Aeroespacial dos Estados Unidos (NASA) anunciou esta segunda-feira a descoberta de dez planetas semelhantes à Terra.

Eles fazem parte de um catálogo de “exoplanetas”, como são chamados os planetas que orbitam em outros sistemas, fora da órbita do Sol.

O documento tem como base dados do telescópio espacial Kepler. A nova versão do catálogo traz 219 novos “potenciais” planetas, incluindo os dez com características semelhantes à Terra.

O catálogo, segundo a NASA, mostra indícios da existência dos planetas, mas ainda é preciso mais dados para uma acurada classificação. Mesmo assim, no caso dos dez possíveis planetas similares à Terra, os cientistas apontam características interessantes, tais como o tamanho de suas superfícies, a maneira como orbitam ao redor de suas estrelas e a presença de água e de uma parte rochosa líquida que poderia agrupar na superfície de um planeta rochoso.

O documento reúne quatro anos de pesquisas baseadas nos dados recebidos pelo telescópio Kepler. Esta é a oitava versão do catálogo e agora a NASA aponta a possibilidade de existência de 4.034 candidatos a exoplanetas. Deste total, 2.335 já tiveram a confirmação de serem planetas reais.

Com os dez novos exoplanetas adiccionados ao catálogo, a NASA amplia para 50 o número de planetas que teriam condições semelhantes ao modelo terrestre e poderiam abrigar alguma espécie de vida.

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 812 de 21 de Junho de 2017.

segunda, 26 junho 2017 06:00 Publicado em Opinião

Na segunda-feira, dia 19 de Junho, o Governo e os parceiros sociais, os sindicatos e o patronato chegaram a um compromisso para assinar em Julho um acordo tripartido para mais crescimento, mais emprego, mais rendimento e para um esforço maior na luta contra a pobreza. A convergência de posições pode vir a revelar-se de maior importância se conseguir traduzir-se em vontade para fazer as reformas profundas que o país carece, em confiança na possibilidade de vida para além da ajuda externa e em paz social indispensável para se trabalhar o presente de forma a que o futuro seja de todos. Na encruzilhada em que Cabo Verde se encontra neste momento, a braços com incertezas internacionais, com uma excessiva dívida pública e um crescimento económico ainda insuficiente, é fundamental uma atitude geral marcada pela perseverança, produtividade e solidariedade para se atingir os objectivos de prosperidade desejada.

Tal acordo só peca por ser tardio. De há muito que se devia ter concluído que, a exemplo de vários países, alguns insulares como Cabo Verde, só com uma dinâmica económica suportada por investimento privado nacional e estrangeiro e por uma população profissionalmente qualificada e orientada para exportação de bens e serviços incluindo o turismo se pode almejar uma melhoria significativa e sustentável nos rendimentos e na qualidade de vida das populações. O crescimento rápido verificado ao longo dos anos 90, na sequência das reformas económicas, demonstrou claramente isso. Um crescimento similar posterior nos anos entre 2005 e 2008 devido ao impacto do investimento externo na economia veio confirmá-lo. Infelizmente, as melhores ilações não foram retiradas dessas experiências e rapidamente se perderam oportunidades, num caso, para explorar o potencial oferecido pela industrialização voltada para exportação e, no outro caso, para construir uma base mais alargada para o turismo.

Como sempre, por um lado, pensava-se que se tinha todo o tempo do mundo para tomar decisões e, por outro, caia-se na tentação de querer ganhar à cabeça e deixar-se apanhar por rendas fáceis. Tal atitude para além dos seus malefícios evidentes ainda não contribui para o espírito de pertença a uma causa comum que é o desenvolvimento do país e para a solidariedade que é essencial para garantir que todos beneficiem dos avanços conseguidos. Em ambiente de jogo de soma nula não há cooperação para se conseguir o bem comum mas sim competição nociva em que uns procuram ganhar subtraindo aos outros. Não estranha que seguindo por esse caminho se acabe simplesmente por aumentar a dívida, por ver grande parte da economia implodir ou regredir para a informalidade enquanto o tecido social ameaça desfazer-se em crescentes incivilidades e violência. As pessoas acotovelam-se cada vez mais à volta dos recursos públicos do Estado e dos que giram em torno dos investimentos externos no turismo.

Como sugerimos no editorial de 5 de Maio de 2017 o país precisa gerar alguns “consensos necessários” para poder encontrar o seu caminho de volta para a cooperação e para a produtividade, condições necessárias para  a restauração da confiança, para maior civismo e para maior solidariedade. Mas o pacto para o crescimento e emprego que foi proposto não devia ficar pelos interesses representados no Conselho de Concertação Social que tendem a fixar-se mais nas políticas de rendimentos e preço, de emprego, formação profissional e segurança social. Pelas suas implicações em todos os aspectos da vida do país, a sua discussão e aprovação devia ser mais abrangente e verificar-se numa sede mais alargada.

O Conselho Económico Social e Ambiental previsto na Constituição como órgão auxiliar da república parece ser a sede própria para isso. É o órgão máximo de concertação social no país e é nele que os interesses das ilhas expressos através do Conselho de Assuntos Regionais são contemplados, a vontade de participação das comunidades emigradas via Conselho das Comunidades pode ser acomodada e outros grupos sociais e profissionais como organizações de consumidores, ONGs, activistas ambientais, profissionais liberais também encontram representação adequada. Impõe-se simplesmente que passe a funcionar. A sua lei de organização e funcionamento já existe desde Setembro de 2014 e convinha que a Assembleia Nacional começasse por eleger o seu presidente.

No mesmo sentido com os mandatos parlamentares e nas assembleias autárquicas renovados nas eleições do ano passado seria da maior importância que a eleição dos dois representantes para cada ilha para constituir o Conselho de Assuntos Regionais se verificasse. Curioso que com tanta paixão aflorando aqui e acolá à volta da situação vivida em algumas ilhas e os muitos debates sobre a regionalização não há um esforço concertado para se instalar esse conselho. Com as suas competências, designadamente de parecer obrigatório sobre os orçamentos do Estado, sobre leis das autarquias e finanças locais e sobre a divisão administrativa do país o seu funcionamento regular poderia contribuir positivamente para uma maior racionalidade dos recursos no país e ajudar a dissipar tensões entre as populações das diferentes ilhas que não servem a ninguém e que pelo contrário só alimentam o ressentimento e a desconfiança.

 Os ganhos conseguidos na última reunião do Conselho de Concertação Social devem ser ampliados para poderem afectar globalmente o país de forma positiva. O Conselho Económico Social e Ambiental é a sede própria para isso. Há que pô-lo de pé e a funcionar o mais breve possível.  

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 812 de 21 de Junho de 2017.

domingo, 25 junho 2017 11:37 Publicado em Mundo

Equipas de resgate encontraram 15 cadáveres sob toneladas de escombros e rochas na sequência de um deslizamento de terras no sábado, na província de Sichuan, no sudoeste da China, numa altura em que mais de 110 permanecem desaparecidas.

domingo, 25 junho 2017 10:18 Publicado em Mundo

Mais de 400 pessoas foram desalojadas preventivamente hoje de madrugada devido a um incêndio florestal em Moguer, Huelva (sul de Espanha), perto do parque natural de Doñana, revelou hoje o El País, citando autoridades de socorro da Andaluzia.

domingo, 25 junho 2017 10:05 Publicado em Sociedade

O presidente da Cruz Vermelha de Cabo Verde disse este sábado que a instituição vai passar a actuar nas áreas de catástrofes energéticas e primeiros-socorros, tendo em conta a mudança climática e seus últimos efeitos verificados no arquipélago.

Mário Moreira fez este anúncio em declarações à Rádio Nacional, no âmbito do encontro dos membros do Conselho Superior da Cruz Vermelha, que está a decorreu na ilha do Sal durante dois dias, 23 e 24.

“O plano insere-se em primeiro lugar nas áreas de catástrofes energéticos e primeiros socorros, como áreas prioritárias da intervenção da Cruz Vermelha, isto porque temos vindo a constatar a mudança climática a nível mundial e temos verificado alguns efeitos em Cabo Verde, nomeadamente com a passagem do furação Fred, a erupção vulcânica, chuvas inundações e nestes últimos dias tivemos um incêndio de grandes proporções em Santo Antão”, apontou.

Para este responsável, tudo isso demonstra que a instituição deve de facto recentrar a sua vertente de intervenção, baixando a guarda a nível dos projectos sociais para os parceiros  tradicionais, e avançar nestes domínios que considera muito mais difíceis para qualquer organização no país.

Neste sentido, a nível de catástrofes e emergências, a Cruz Vermelha de Cabo Verde propõe a construção de cinco bases logísticas, sendo uma delas na ilha do Sal que cobrirá também ilha da Boa Vista.

Mário Moreira avançou que estão a aproveitar a estadia na ilha para lançar o desafio ao presidente da Câmara Municipal, Júlio Lopes, e à Empresa Nacional de Aeroportos e Segurança Aérea (ASA), no sentido de associarem com a Cruz Vermelha na mobilização e construção de uma base logística na ilha do Sal para a intervenção, marcação e preparação em caso de catástrofe.

“Estivemos com o presidente do conselho de administração da ASA para lançar o desafio e pedir para, em parceria com Cruz Vermelha, ajudar na criação da base e aquisição de experiências, principalmente na formação e equipamentos complementares”, indicou.

As outras bases logísticas para a intervenção em caso de catástrofes, segundo a fonte, deverão ficar nas ilhas de São Vicente, Santiago Norte e Fogo.

O encontro dos membros do Conselho Superior da Cruz Vermelha, para além de debruçar sobre as medidas de casos de catástrofes no país, vai analisar também o desempenho da instituição no ano 2014 a 2017, tendo em vista a próxima assembleia geral a ser realizada em Setembro ou Outubro deste ano.

domingo, 25 junho 2017 06:00 Publicado em Sociedade

Em Cabo Verde, o sector agrícola representa menos de 10% do PIB. A dependência do país das ajudas externas e das chuvas sempre incertas levam a que este seja um sector cujo desenvolvimento é não só determinante como imprescindível. Mais do que uma agricultura que garanta quantidade de alimentos é também fundamental garantir a segurança daquilo que os cabo-verdianos consomem. A segurança passa não apenas por ter um prato mais verde à mesa, mas que este seja livre de substâncias nocivas. E se não resulta grande coisa afirmar que o verde é o novo preto pode-se bem dizer que, no que a modas alimentares diz respeito, o orgânico é o novo verde.

Numa manhã de sábado na Cidade da Praia, uma das rotinas a que a maioria dos/as chefes de família se dedicam é dirigirem-se ao Mercado do Plateau, ou a qualquer outra superfície comercial, para comprar as verduras que irão abastecer a despensa familiar para a semana que vai se iniciar. Até cerca de dois meses atrás este era também o ritual de Marisa Fernandes e do marido, pais de três crianças dos 4 aos 9 anos.

Preocupados com a saúde da família e simpatizando cada vez mais com a onda vegetariana e vegana a que muitos dos seus amigos vinham aderindo, tinham, há já mais de um ano, aumentado a porção de frutas e vegetais e diminuído a de carnes (eliminando completamente a vermelha) na cesta de compras semanal da família. Mas as preocupações não acabaram.

“No Facebook estão sempre a aparecer notícias sobre alimentos modificados ou cheios de agro-tóxicos. Não em Cabo Verde, mas… quando passamos a ter morangos à vontade aqui em Santiago algumas pessoas começaram a falar que poderiam estar a por alguma coisa nos adubos ou algo assim para que eles fossem tão grandes e vermelhos. O meu marido disse que eram só boatos mas… Fiquei a saber de uma pessoa que tinha uma horta urbana biológica e passamos a comprar grande parte das nossas frutas e legumes com esse fornecedor”.

O fornecedor de Marisa tem uma horta peri-urbana, nos arredores da Cidade da Praia, e entrega-lhe todas as manhãs de sábado uma caixa com alface, tomates, cenoura, beterraba, batata-doce, couves, cebola, pepinos, pimentão, morangos (quando há), entre outros legumes e frutas.

“Pago um pouco mais caro do que o fazia no mercado, mas fico mais descansada por saber a origem desses produtos, que são orgânicos e sem pesticidas”, afirma.

Quisemos conhecer a propriedade do fornecedor de Marisa e saber junto deste algumas informações, como o volume da sua produção mensal e anual, o seu método de cultivo, a sua rede de distribuição, entre outras informações mas até à conclusão desta peça não foi possível o contacto.

O que pudemos apurar, tanto junto do Ministério da Agricultura e Ambiente como junto da Agência de Regulação de produtos Farmacêuticos e Alimentares (ARFA), é que não existe ainda em Cabo Verde certificação de produtos agrícolas biológicos e/ou orgânicos. Essa classificação é portanto uma questão de confiança entre fornecedores e clientes.

 

Biológico/Orgânico… informal

Celestino Tavares, técnico de Protecção Vegetal do Ministério da Agricultura e Ambiente, confirma que já há agricultores que garantem que a sua produção é 100% orgânica.

“Bem, a nossa agricultura de sequeiro é quase toda ela biológica já que praticamente não se faz uso de adubos químicos e pesticidas. Mas não temos ainda um quadro legal para esses produtos e sem quadro legal não se pode falar em certificação”, explica ao mesmo tempo que vai lembrando que o Instituto Nacional para Gestão da Qualidade já estabelece algumas normas de qualificação também para a agricultura.

Entretanto, um estudo da FAO de 2012 recomenda um quadro legal para a agricultura biológica no país. Um passo que deverá ser dado em breve se se considerar os esforços que Cabo Verde vem desenvolvendo nos últimos anos no que toca à Segurança Alimentar.

Mas afinal o grosso da população cabo-verdiana que não consome produtos biológicos, está a colocar a sua saúde em risco? Pelas informações colhidas junto do MAA e da ARFA, em princípio, não.

Em todo o mundo o uso de adubos químicos e de pesticidas na produção agrícola é um facto comum. Entretanto, as autoridades regulam o tipo de fertilizantes e de pesticidas que podem ser usados e em que quantidade, de modo a que a saúde das populações não seja perigada.

Cabo Verde não foge à regra e, através do Decreto-lei nº 26/97, procede à gestão do uso de pesticidas para fins agrícolas. Nas alfândegas portuárias e aeroportuárias existem inspectores técnicos fitossanitários do MAA que procedem ao controlo dos produtos que entram no país a partir de uma lista indicativa de produtos autorizados.

Contudo, porque há casos de produtos que entram de forma ilegal no país (embora não se saiba em que quantidade), porque há produtores a adquirirem pesticidas para outros fins (nomeadamente, contra insectos domésticos) em lojas chinesas e a transformá-los para uso nas plantações, e porque mesmo os pesticidas e fertilizantes autorizados podem ser mal usados, os técnicos do MAA fazem também a inspecção periódica junto dos produtores agrícolas.

Patrícia Miranda Alfama, uma das administradoras da ARFA, explica que a intervenção da agência chega numa outra fase, quando os produtos alimentares já estão no mercado. Esta supervisão é feita periodicamente em todos os concelhos do país.

Entretanto, várias pessoas queixam-se de terem notado, no momento de efectuar a compra de vegetais, que estes chegam ao mercado com vestígios nítidos de pesticidas. Tal desleixo dos fornecedores não significa que o alimento fica descartado para consumo mas apenas que deverá ser muito bem lavado.

Não acredita? Saiba que Cabo Verde integra o PERVEMAC – um projecto de Cooperação em Investigação e Desenvolvimento sobre a incidência de resíduos de Produtos Fitofarmacêuticos (pesticidas) e Micotoxinas nos Produtos Vegetais consumidos no âmbito geográfico da Macaronésia, financiado a 100% com fundos da União Europeia – e que em 2014-2015 efectuou um estudo cujos resultados mostram que é baixa a presença de produtos nocivos na produção vegetal nacional.

“Esta presença de produtos nocivos é um pouco maior nos produtos vegetais importados mas, assim como nos produtos nacionais, é uma quantidade tolerável. Ou seja, não chegam nem ultrapassam os limites estabelecidos”, assegura a técnica da ARFA explicando que esse limite máximo é determinado a nível mundial pelo Codex Alimentarius (uma colectânea de padrões reconhecidos internacionalmente, códigos de conduta, orientações e outras recomendações relativas a alimentos, produção de alimentos e segurança alimentar).

“Portanto, o uso normal de pesticidas não põe em causa a saúde pública”, garante, pondo ênfase na palavra normal.

Fora ou dentro do normal são expressões que dificilmente se podem aplicar quando o pesticida em causa é o DDT, a sigla pela qual é conhecido o diclorodifeniltricloroetano, apresentado como “o primeiro pesticida moderno” e largamente usado durante e após a Segunda Guerra Mundial para o combate aos mosquitos vectores da malária e do tifo.

A descoberta das propriedades insecticidas do diclorodifeniltricloroetano ou DDT renderam o prémio Nobel de Fisiologia ou Medicina ao químico suíço Paul Hermann Müller em 1948. Seria a bióloga norte-americana Rachel Carson, em inícios da década de 1960, a alertar o mundo para os perigos provenientes do uso deste tóxico. A factura pela eficiência a curto prazo e pelo baixo preço do produto era alta e pagava-se com vidas: cancro, dificuldades do sistema reprodutor e mortandade de espécies animais por intoxicação estão entre os males causados.

As descobertas da bióloga não lhe renderam o Nobel mas, aliada a outros estudos, levaram à retirada do DDT do mercado de muitos países na década de 1970. Ora foi exactamente nessa época que Cabo Verde deitou mão ao pesticida e, na ânsia de vencer o paludismo e a praga de gafanhotos, pulverizou com ele as ilhas.

 

DDT de Santo Antão a Brava

As nossas fontes confirmam que durante as décadas de 60, 70 e 80 as autoridades cabo-verdianas, provavelmente ainda sem noção do perigo, espalharam DDT pelas ilhas.

A história quase que se toma por um mito urbano, com algumas versões a falarem de um misterioso desaparecimento do stock do pesticida de um armazém onde terá sido depositado após a sua proibição.

A entrada do tóxico no país terá sido através das muitas ofertas que Cabo Verde recebia nessa época, especialmente as ajudas ao desenvolvimento na pós-independência. Só em finais de 80 é que seria dada a ordem de retirada de circulação do produto, o que só por si não é garantia de fim de perigo.

É que o DDT é um poluente orgânico persistente (POP), ou seja, décadas depois do seu uso é ainda possível encontrar vestígios nos vegetais, no solo e nos produtos de origem animal (carnes, ovos, leite…) e, por conseguinte, pode o ser humano estar em contacto com o mesmo. Daí a associação que alguns fazem entre o seu uso e o aumento actual de casos de cancro na população cabo-verdiana, inclusive indivíduos na casa dos 40.

Para saber se tal associação terá razão de ser ouvimos o doutor Henrique Vera-Cruz, da Associação Cabo-verdiana de Luta Contra o Cancro.

“É uma relação presumível mas que não posso garantir”, começa por esclarecer o médico, confirmando que o DDT de facto deixa vestígios até no solo por longos anos, elucidando contudo que é também natural que hoje existam mais casos de cancro diagnosticados já que nas décadas passadas não só os meios de diagnósticos eram escassos como a esperança de vida era menor (sobretudo devido a doenças infecto-contagiosas). Ou seja, as pessoas morriam antes de poderem desenvolver ou ser-lhes diagnosticados um cancro.

O médico corrobora que houve o uso intenso do DDT no país no combate aos gafanhotos e conta que um estudo de uma universidade da Áustria, que terá sido efectuado por volta de 1986, terá detectado excesso de derivados tóxicos nos alimentos, gorduras animais, leite e outros produtos analisados o que, segundo o especialista que conduziu a pesquisa “fazia prever o aumento de número de cancros no futuro”.

“Nunca tive acesso directo ao estudo; essa a informação foi-me fornecida verbalmente pelo médico especialista que conduziu o estudo e que o enviou as autoridades nacionais”, revela o médico.

Terá sido na sequência desse estudo que o DDT passou a ser banido e acabaria por ser proibido em Cabo Verde. O Ministério da Saúde terá efectuado a recolha do produto e encarcerado os lotes ainda existentes nuns armazéns.

Patrícia Miranda Alfama também atesta o uso do DDT nos anos 60/70 e 80. No entanto reitera que o pesticida não faz há muito parte da lista de produtos autorizados e avança que está-se actualmente a efectuar novas análises “para verificar se ainda há traços” nos alimentos, no solo e nos produtos alimentares de origem animal.

Apesar dos resultados animadores das análises do PERVEMAC I, a segunda fase do projecto (PERVEMAC II) prevê um inquérito a nível nacional aos hábitos alimentares e também uma pesquisa a nível biológico: recolha de material biológico das pessoas, isto é sangue e urina, para analisar dentro de outros parâmetros a presença de pesticidas.

“Nessa fase as análises vão também incluir o vinho e o próprio solo, para testar a presença e quantidade de pesticidas e metais pesados”, anuncia.

Entretanto, Celestino Tavares, do MAA, lembra os resultados de um estudo de 2012 financiado pela FAO que deu positivo para DDT em amostras extraídas numa das ilhas do arquipélago, mas que também nesse caso era em níveis inferiores aos limites estabelecidos.

Ou seja, pelos resultados de diferentes estudos até agora efectuados no país os cabo-verdianos não têm grandes motivos de preocupação quanto à presença de substâncias tóxicas nos frutos e vegetais produzidos no país.

Nem mesmo os morangos, como mais acima temia Marisa Fernandes. Aliás, segundo uma técnica agrária do MAA, os morangos nacionais são praticamente biológicos já que é uma espécie em que dificilmente se recorre a fertilizantes químicos e a pesticidas. O seu tamanho generoso e a sua suculência (no pico da época da fruta) devem-se somente à abundância da água das barragens e à boa adaptação da espécie ao microclima existente nas áreas onde é plantado.

Entretanto, o país continua a aumentar as políticas para o sector e as frentes de controlo de modo a garantir uma cada vez maior segurança alimentar. Para além da Estratégia Nacional de Segurança Alimentar (ENSA) e do Programa Nacional de Segurança Alimentar (PNSA), projectos como o PERVEMAC II, cujo arranque aconteceu no início deste mês na Cidade da Praia e a resolução aprovada na semana passada em Conselho de Ministros, que cria o Comité Nacional de Gestão de Pesticidas (CNGP), respondendo a uma directriz da CILSS, vêm se não debelar por completo pelo menos minorar os receios dos cabo-verdianos quanto áquilo que levam às suas mesas.  

 

Segurança Alimentar I: Hortas urbanas, uma moda necessária

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 812 de 21 de Junho de 2017.


domingo, 25 junho 2017 06:00 Publicado em Economia

O acordo para a construção de um hospital privado no Ilhéu de Santa Maria, na Praia, foi assinado no passado fim-de-semana durante o encontro, entre a China e empresários da CPLP.

domingo, 25 junho 2017 06:00 Publicado em Política

Através do Programa de Requalificação, Reabilitação e Acessibilidades (PRRA), o Governo de Cabo Verde financia a construção e reabilitação de 11,3 km de estradas nos oito municípios do interior da ilha de Santiago. A assinatura dos contratos entre as câmaras municipais e os empreiteiros teve lugar, esta terça-feira, 20 de Junho, nos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Santa Catarina.

De acordo com o PRRA, vão ser reabilitados cinco estradas – num total de 6, 5 km de extensão – nos concelhos de Ribeira Grande, Santa Catarina, Santa Cruz, São Domingos e São Lourenço dos Órgãos, enquanto os municípios de São Miguel, São Salvador do Mundo e Tarrafal serão contemplados com a construção de três estradas – 4,8 km de extensão.

Concebido pelo ministério das Infraestruturas, Ordenamento do Território e Habitação, o PRRA está orçado em 75 mil contos. No entanto, o valor máximo do projecto para cada concelho não ascende os dez mil contos. “Obras que até um determinado montante, em média 9 ou 10 mil contos, serão realizadas localmente com participação de empresários e empreiteiros locais”, explica Ulisses Correia e Silva, sem esconder que este acto representa o cumprimento da medida de política anunciada: “Colocar foco no desenvolvimento e na economia locais.”

Segundo o chefe do governo, perante esta medida, muitos empreiteiros cujo alvará estava fora da utilização devido à falta de obras voltaram ao activo. “Começa a haver mercado e reanima a pequena economia local. Isto gera emprego, rendimento e mais dinheiro circula dentro do concelho”, afirma o primeiro-ministro, deixando a certeza de que esta perspectiva de fomentar o desenvolvimento local vai ter continuidade. 

Conforme Ulisses Correia e Silva, este acto demonstra uma forte parceria com as câmaras municipais, numa lógia de complementaridade e com resultados positivos. “É muito mais eficiente a aplicação dos recursos e muito mais eficaz a produção de resultados”, sublinha.

Avançou ainda o primeiro-ministro que já há um levantamento, a nível nacional, de localidades com potencial agrícola para que se possa proceder á construção de estradas de acesso ao mercado. Com isto, defendeu Ulisses Correia e Silva, viabiliza-se a produção dos agricultores e zonas encravadas com elevado potencial turístico, promovendo o desenvolvimento da economia dos concelhos/ilhas, com repercussão na criação de emprego e de rendimento.

 

Oito estradas para oito municípios

Ao todo são 11,3 km de estradas em que cada um dos oito concelhos do interior de Santiago vai beneficiar da reabilitação ou construção de pelo menos uma. Com uma largura de quatro metros em calçada de pedra basáltica, as estradas terão uma faixa de rodagem e uma única via.

O presidente da Associação dos Municípios de Santiago e da Câmara de Ribeira Grande de Santiago, Manuel de Pina, classificou de “histórico” o acto do governo. “Em oito anos na presidência da câmara nunca assistimos um acto desta natureza”, revela o edil ribeiragrandense, sem esconder a satisfação.

“Isto está a acontecer em todo o território nacional com este ou com outro projecto. Em todo o território nacional projecto desta natureza está a ser feito com engajamento e parceria efectiva e leal entre governo de Cabo Verde e câmaras municipais”, diz Manuel de Pina.

Mais ainda concorreu para sua satisfação o projecto de reabilitação da estrada que liga Ponta Achada a Achadinha, numa extensão de 1,5 km, na localidade de Santana, segundo este autarca, uma reivindicação antiga. 

Para o município de São Miguel, segundo o seu edil Herménio Fernandes, o programa para além de melhorar a acessibilidade na localidade de Cutelo Gomes, vai também permitir uma melhor integração entre as bacias hidrográficas da ribeira de Flamengos e da ribeira de São Miguel.

Trata-se de um troço de estrada muito aguardado pela população de São Miguel, que no entender do autarca micaelense vai favorecer a realização das potencialidades deste local. “É uma ribeira que do ponto de vista económico tem potencialidades que podem alavancar com a execução desta infraestrutura”, enaltece Herménio Fernandes, sem esquecer o reflexo na melhoria da qualidade de vida da população.

Aliado ao desencravamento das localidades está o intuito de promover o escoamento dos produtos, visando, em última instância, o desenvolvimento da economia local. Para o autarca de São Miguel, o PRRA casa-se muito bem com a “prioridade” da sua governação.    

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 812 de 21 de Junho de 2017.

domingo, 25 junho 2017 06:00 Publicado em Exclusivo

O Professor Doutor Juan Mozzicafreddo do ISCTE-IUL (Lisboa) é um dos docentes do 1º Mestrado em Governação e Administração que está a decorrer no Instituto Superior de Ciências Jurídicas e Sociais, onde lecciona o 2º módulo sobre Teoria da Administração. Nesta entrevista ao Expresso das Ilhas, Mozzicafreddo aborda vários temas da sua especialidade, entre os quais, a modernização, reforma, mudanças e desafios actuais da Administração Pública.

Nos dias que cá esteve ouviu falar o crioulo?

Sim, no táxi, na recepção e no ISCJS. Entendo muito pouco, mas percebi que é falado por toda a gente. Quando falam devagar alguma coisa percebo. Acho que é uma língua já estabelecida, formatada, mas não sei como se escreve. Parece-me que em algumas palavras tem muita semelhança com o português. Já no tom e na musicalidade, não. Só nas palavras e nos conceitos.

 

Diz que o bilinguismo funciona bem a nível da administração pública, mas a nível político é mais complicado. Como assim?

Tomemos a Bélgica onde vivi alguns anos. Em termos políticos, a parte francófona da Bélgica tem uma filosofia mais próxima da Europa do Sul, portanto da França, Espanha e Itália. Já a Flandres tem uma filosofia mais próxima dos anglo-saxónicos. A parte Norte é mais pragmática e a francófona mais política. Portanto, há uma luta que parece linguística entre o francês e o flamengo, mas na sua essência é uma luta política, porque em termos administrativos não tem nenhum significado.      

 

E relativamente a Cabo Verde?

Em termos linguística é no fundo quase natural. As pessoas passam rapidamente do crioulo para o português e vice-versa. Comigo não, porque as pessoas são simpáticas e sabem que não falo crioulo. Mas não se coíbem de falar à minha frente, pois também não me importo nada. Vejo que há uma boa convivência entre as duas línguas, mas a nível político não sei. A nível político a pessoa que fala bem o português pode ter outro estatuto social, e outro estatuto pressupõe sempre outras opções políticas. É como acontece na Bélgica: a opção pragmática é muito mais próxima da economia de mercado; a opção política pelo francês é mais próxima do serviço público e do Estado interventivo. Em Cabo Verde reparo que as duas línguas têm raízes políticas, linguísticas e culturais diferentes. Aí há que trabalhar bem para não criar muita resistência.

 

Chamou-lhe atenção algum aspecto da estrutura da nossa administração pública?

Não tive tempo para isso, mas apanhei a estrutura das pessoas, que também é importante. Indirectamente apanhei alguma coisa da estrutura administrativa, porque as pessoas falam. Do ponto de vista das pessoas, acho que o cabo-verdiano é um povo muito aberto, muito tolerante e diria mesmo generoso. E uma nota: não me tratam por diferente, embora seja português. Em Maputo tive uma experiência muito negativa, porque ali tratavam-me como um ser inferior, com raiva mesmo. Já em Cabo Verde senti-me em casa. Em termos de funcionamento, só posso falar da cidade da Praia, onde tinha já estado há dois anos. Não é que estivesse mal, mas a cidade vai melhorando, está menos cinzenta, com melhores ruas e estradas asfaltadas, melhores sinaléticas e mais rotundas. E nota-se que há ainda muita construção, o que quer dizer que a cidade ainda não se estabilizou e durante muito tempo vai continuar neste ritmo. Relativamente à administração pública soube que há uma certa falta de um atendimento regularizado.

 

Quais são os passos que Cabo Verde deve dar para adaptar a sua administração pública aos novos tempos?

Em Portugal o que há são etapas antes do 25 de Abril de 1974 que não trabalhei, nem conheço. Ocupei-me no livro que escrevi sobre esta matéria do período que vai de 1974 até 2010, portanto antes da chegada da Troika. Irei depois escrever a segunda parte do meu livro em que me ocuparei do período que vai de 2010 até os dias de hoje. Em relação a Cabo Verde, não estou autorizado a falar, mas acho que deverá ter quatro etapas importantes. A primeira etapa é a anterior à independência. Calculo que há muito coisa importante sobre a Administração Pública (AP) quer do período colonial, quer do período pós-independência. É interessante ver até que ponto o Estado de Cabo Verde herdou parte da AP colonial e parte da dita AP clássica. Aqui já temos duas etapas: a anterior e a pós-independência. A terceira etapa seria o estabelecimento do partido-Estado em Cabo Verde e a quarta seria o processo de modernização da AP cabo-verdiana. Em traços muito gerais, parece-me que em Cabo Verde há uma relativa tolerância das posições partidárias.

 

Entretanto, Parlamento cabo-verdiano chumbou há cerca de dois meses a proposta de lei do governo que define o regime de incompatibilidades entre o exercício de cargos públicos e o de cargos partidários executivos. Qual é a sua leitura?

Acho que aqui há três coisas importantes a perceber. A primeira é que o país progride incrementalmente e não se deve cortar com o que os governos anteriores fizeram. Ou seja, como Cabo Verde já tem um sistema democrático estabilizado, deve seguir uma política de incrementalismo, avançando pouco a pouco e não destruindo o que o governo anterior fez. Primeiro porque é uma falta de respeito por quem vota. Mesmo que quem votou em A perca e ganhe B, temos sempre que reconhecer que há uma parte da população que prefere que seja A e não B e portanto há que haver algum respeito pelos eleitores; mas também há que trazer alguma inovação, porque senão não há mudança. Ou seja, as medidas tomadas por um governo anterior, devem ser melhoradas e não abolidas. Ponto dois, quando se toma uma medida de despartidarização, tem que ser algo que abranja vários partidos no Parlamento. Depois deve-se ter em atenção que quando se cria uma entidade para o recrutamento [em Portugal, CRESAP, Comissão de Recrutamento e Selecção da Administração Pública] de pessoal de topo para a AP, em sendo possível não devem ser nomeados pelo governo, mas sim pelo Parlamento, para que a escolha seja relativamente consensual, sob pena de o próximo governo fazer tudo ao contrário. Ou seja, os partidos têm que ser mais pragmáticos a negociar. É que quem for nomeado pelo Parlamento, depois responde no Parlamento. Portanto, uma nomeação via Parlamento é muito mais neutra e consensual que através do governo. Eu defendo um processo por etapas e não reformas absolutas. Penso que seria bom que existisse uma comissão de recrutamento para quadros dirigentes da AP e seria preferível que fosse nomeada pelo Parlamento. Também seria igualmente bom que o Executivo nomeasse uma comissão que definisse os critérios baseados em experiência profissional e experiência académica, experiência no sector privado e público, etc. A própria comissão tem que preencher os requisitos necessários para poder avaliar os candidatos.  A terceira questão tem a ver com a confiança ou não confiança da comissão. Esta comissão é técnica, na medida em que não é eleita, portanto não é soberana. A comissão avalia a competência técnico-profissional e de liderança dos dois, três, quatro ou cinco melhores candidatos para o cargo. Então o governo escolhe um dos candidatos, não pode escolher todos porque precisa só de um. Agora, o governo escolhe o mais competente ou o mais leal? Bom, à partida são todos competentes porque já foram avaliados pela comissão. Daí que o governo, na sua escolha alia a competência à lealdade do candidato que vai escolher, porque o governo tem que cumprir o seu programa. Portanto, o governo não vai escolher alguém competente que não seja leal à política que quer implementar. Daí que a confiança e a competência têm que estar equilibradas e não se pode criticar o governo se de entre os candidatos competentes, escolher aquele que seja mais leal.     

 

A portuguesa CRESAP, criada para diminuir a influência dos partidos no Estado, não conseguiu, segundo analistas, evitar o favorecimento aos dirigentes da cor do Governo. O que é que Cabo Verde tem que fazer diferente?

Na verdade o actual governo português escolheu mais técnicos avaliados pela CRESAP que o governo do PSD ou o anterior. Mas a escolha baseou-se na legalidade da confiança, porque escolheu o mais leal de entre os melhores tecnicamente. Deste ponto de vista é legítimo. Agora, o problema da CRESAP em Portugal, e espero que em Cabo Verde não se faça o mesmo, foi não fazer ao mesmo tempo o recrutamento dos dirigentes superiores, dos dirigentes intermédios e dos funcionários de base. Portanto, três níveis, com diferentes comissões. Isto porque para despartidarizar não se começa pelo topo, porque o funcionário do topo pode passar de um partido para outro. O problema é o intermédio e a base. A base é neste aspecto fundamental porque em primeiro lugar contacta com as pessoas. A primeira impressão de alguém que vai à administração pública é causada pelo modo como é atendida. Se o funcionário chega tarde, se durante o atendimento levanta-se para ir fumar um cigarro, ou não sabe onde estão os processos, o utente fica com muito má impressão da administração pública. Eu costumo dizer que a administração pública é uma caixa na qual entra confiança e pode sair desconfiança. Portanto, é uma caixa intermediária que faz a ponte entre os Estado, o governo e a sociedade, ou seja, o contribuinte. É uma plataforma de transferência de confiança ou de desconfiança. Quanto mais célere, quanto mais profissional e quanto menos politizada for a AP, tanto maior será a sua eficiência. E em função desta eficiência você irá confiar mais no governo vigente. Pelo contrário, se a AP for ineficiente, você alarga esta desconfiança a todo o sistema. Portanto, a base da AP pública é fundamental, os dirigentes intermédios são também importantes e se não forem recrutados pela competência inquinam o sistema. É claro que sempre existe um mínimo de lealdade política, mas é possível controlá-la com competência e formação.

 

Como enquadra a morosidade da justiça no contexto da administração pública?

Isso é mais complicado. A morosidade da justiça tem a ver com duas coisas. Primeiro, os processos jurídicos são muito mais complexos que os processos administrativos, porque envolvem interesses muito complicados e pode haver ocultação. Se você vai pedir um formulário para a reforma não há nenhuma ocultação: és reformado ou não. Mas já a justiça criminal ou financeira é muito mais complicado. Este é um primeiro problema. O segundo problema é a competência da base, que por vezes também não é muito competente para deslindar rapidamente. Terceiro problema, na justiça há recursos permanentes e uma série de expedientes que retardam um processo que poderia ser tecnicamente rápido. O quarto problema é a qualificação, porque questões económicas, financeiras ou imobiliárias são muito complexas e requerem funcionários muito bem qualificados. Na proposta que apresentei para passar a administração para serviço público sugeri a criação de um núcleo de funcionários indispensáveis que sejam versados em questões de finanças, economia, de eutanásia, de ambiente e de jurisdição internacional. Ou seja, um cluster de funcionários altamente qualificados. Isso tem de ser também aplicado à justiça. Uma justiça que queira analisar os off-shore se não tiver gente qualificada em finanças internacional, nunca mais chegará lá. Há morosidade na justiça, mas há também nos hospitais, por outras razões. Por exemplo, em Portugal a morosidade deve-se a dois factores: ao aumento dos pacientes e à diminuição de profissionais…

 

…Voltando à administração pública. Qual deve ser a sua relação com a sociedade?

A administração pública é complicada porque não é gerida como uma empresa privada. Pode ser mais eficiente do que é, mas nunca será uma empresa privada, nem pode sê-la. Primeiro porque a AP é paga pelo Orçamento do Estado, portanto não tem fundos próprios como as empresas privadas. Segundo, porque a AP deve cumprir os preceitos legais do Estado de Direito. As empresas também devem ser legais, mas apenas isso; mais nada é-lhes exigida. Já a AP deve observar a igualdade de oportunidades, a não discriminação, etc. Portanto a AP para ter uma boa relação com o Estado, com a sociedade e com o mercado ela deve ser eficiente quanto basta. E o que é ser eficiente quanto basta? Para já é muito difícil ser-se eficiente na AP. Como se quantifica a eficiência de um médico? Quanto tempo deve dedicar a um paciente: 10 minutos, 14 minutos ou meia hora? Ou terei que assistir a um paciente o tempo necessário até ele ficar bom? Qual é a eficiência de um consultor ou de um psicólogo? Qual é a minha eficiência como docente em relação ao aluno que está a aprender? Posso despejar a matéria rapidamente. Sou eficiente, mas o aluno aprendeu alguma coisa? Nada. Portanto, a questão da eficiência é muito relativa. Segundo, a AP tem que cumprir sempre a lei em todos os seus objectivos, nomeadamente a igualdade de oportunidades e a não discriminação. Outro aspecto da AP: ela não pode descontinuar aquilo que já está feito. Por exemplo, constrói-se uma ponte e ela cai daqui a 30 anos. É necessário consertá-la. Também não posso fechar a minha universidade porque quero; e o aluno o que é que faz? Portanto, um Estado de Direito deve ser previsível no cumprimento da lei. Por outro lado, a AP tem uma relação importante com o Estado, porque a AP é uma instituição do Estado e todas suas componentes, seja a saúde, a educação, a segurança social, emprego, obras públicas, etc., têm que funcionar bem para que o Estado se legitime como sistema, o que é também válido também para os partidos. O papel da AP é muitíssimo complicado. É criticado por todos; primeiro devido à alegada ou efectiva partidarização; depois pela sua pouca eficiência. Mas para ser mais eficiente tem que haver um bom recrutamento. Há ainda algo importante: a qualificação do funcionário do topo à base tem que ser adequada à função que ele exerce. Não é necessário ter uma pessoa licenciada para fazer o horário da escola. Para isso basta uma pessoa que saiba trabalhar com Excel para fazer esse plano. Portanto, não é necessário ter na AP só doutores ou funcionários do topo para que ela seja mais eficiente. O que define um bom funcionário é a sua adequação à função que ele exerce numa engrenagem.

 

Para que cargos é necessário qualificação e para quais é mais importante confiança política?

Confiança política para cargos de soberania. O Presidente da República, o Primeiro-ministro, os presidentes das câmaras são eleitos pelo povo e têm que responder perante os seus eleitores. Para altos cargos na AP é necessário criar estruturas, ou agências ou comissões, sejam elas independentes ou semi-independentes, mas que sejam baseadas na qualidade plural da avaliação da competência. E os candidatos que forem escolhidos para ocupar os cargos de directores-gerais ou presidentes disto ou daquilo, têm que ser os melhores em termos profissionais. E quem são os melhores? Para isso há que definir o perfil do que é ser bom. Como disse anteriormente, o primeiro-ministro, ou o secretário de Estado têm o direito de escolher dentro da competência o candidato mais leal.

 

Acha que um Estado totalmente despartidarizado, formado só por tecnocratas, pode funcionar?

Não funciona, não é possível. Resumindo numa única frase: a administração pública tem que ser eficiente e o Estado tem que ser democrático. O Estado não pode ser tecnocrata e o Estado não pode ser sempre eficiente, tem é que ser eficaz. Por isso o Estado totalmente tecnocrata não é bom, tal como o Estado burocrático e lento que desperdiça recursos também não é bom. Então temos que encontrar o equilíbrio entre uma coisa e outra. É claro que não é um exercício fácil. Por vezes tendemos por um Estado que está em todas as partes, mas não está em nenhuma, e o interesse público não funciona. Também não pode ser. Portanto, o Estado deve preservar o interesse público e o que é o interesse público? É a igualdade de oportunidades, não discriminação, a legalidade, etc. Mas os valores mudam; hoje em dia não maltratamos os animais, mas há trinta anos podíamos tranquilamente matar o nosso cão. Há trinta anos também não nos preocupávamos com o ambiente. Portanto muita coisa mudou nesse lapso de tempo. A relação de trabalho é um aspecto, a sensibilidade social é outro e o atendimento ao utente é outro.

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 812 de 21 de Junho de 2017.

domingo, 25 junho 2017 06:00 Publicado em Cultura

Há discos que ouço, gosto e… por algum motivo desencontramo-nos. Contudo, o interessante é que nunca me saem da memória, fazendo-se sempre lembrar, por este ou aquele motivo.

Esta semana reencontrei-me com um destes discos – que por ironia do destino chama-se… Reencontro.

E que sensação reconfortante quando assim acontece.

O álbum Reencontro foi gravado em 1995. Seu autor, Carlos Germano – conhecido entre os amigos e posteriormente no mundo artístico por Djurumani.

Nasceu na bela ilha de S. Nicolau, mas vive em Portugal desde 1976.

Escolhendo a guitarra como instrumento de suporte, Djurumani impõe-se sobretudo pela sua forte voz. Encorpada e poderosa, à imagem de grande parte dos músicos Cabo-verdianos, também agrega a saudade.

Contudo, a esse lado mais melancólico, junta-se a alegria festeira de um cantor de “paródias”   e serenatas …ou como o próprio músico se define “um cantor para amigos”.

Reencontro é um álbum denso, onde uma interessante selecção de temas, vai desde homenagens à ilha natal do músico, até a clássicos dos nossos famosos compositores. È o caso da coladeira “Galo Bedjo” de B.Leza, tema que aparece em algumas compilações de labels internacionais de renome, como é o caso de Putumayo presents: Cape Verde da famosa Putumayo. Também noutra conceituada label, a World Music Network é gravado o tema Grito Maguado, para o disco Rough Guide to the music of Cape Verde.Dois interessantes temas que chamaram a atenção dos produtores internacionais, mais atentos.

Mais temas como “Tchitcha pari bo fidjo nha Xica cutchi midjo” ou “Pomba” fazem de Reencontro um álbum de audição frequente, com o simbólico pormenor de ter sido lançado pelo autor quando comemorava os seus 50 anos. Nós ouvintes, agradecemos a prenda.

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 812 de 21 de Junho de 2017.

sábado, 24 junho 2017 16:50 Publicado em Economia

O voo da Binter de/para São Nicolau este sábado foi cancelado devido à redução da pista da ilha de 30 para 23 metros, informa a companhia aérea, cujos ATR estão certificados para operação em pistas de 30 metros.

Expresso das Ilhas

Top Desktop version