Expresso das Ilhas

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Expresso das Ilhas - Actualidades
segunda, 21 agosto 2017 16:04 Publicado em Sociedade

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) vai apoiar Cabo Verde a combater a praga de lagarta-de-cartucho-de-milho, garantiu hoje o ministro da agricultura.

segunda, 21 agosto 2017 15:26 Publicado em Mundo

A missão de observadores da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) às eleições gerais angolanas de 23 de agosto recebeu hoje alguns esclarecimentos da Comissão Nacional Eleitoral sobre preocupações levantadas por partidos concorrentes ao escrutínio.

segunda, 21 agosto 2017 15:24 Publicado em Desporto

O kitsurfista cabo-verdiano Matchú Lopes venceu este domingo a penúltima etapa do circuito mundial de Kit surf da Global Kitesurfing Associaton-GKA, na categoria free style, realizada em Fehmarn, Alemanha. O atleta está a uma vitória de revalidar o título mundial.

segunda, 21 agosto 2017 14:51 Publicado em Eitec

Um eclipse do sol é sempre um fenómeno que atrai multidões e este vai ser visível em Cabo Verde.

segunda, 21 agosto 2017 12:36 Publicado em Sociedade

São Vicente registou, até à passada quinta-feira, 5 casos de paludismo importados. Quanto ao dengue e zika, ainda não foi feito qualquer diagnóstico este ano, confirmou sexta-feira o delegado de saúde local. Esta é a época de propagação das doenças vectoriais. As autoridades sanitárias recordam cuidados a ter. 

segunda, 21 agosto 2017 11:58 Publicado em Desporto

O austríaco Wilhelm Steinitz (1836-1900), campeão do mundo durante 28 anos (1866-1894) é considerado o criador da Escola Clássica do Xadrez, distinguindo-se por lances profundamente lógicos que visavam a realização de planos inovadores: exploração de erros microscópicos (peões isolados, casas fracas, peças sobrecarregadas), paralisia progressiva das peças do adversário, bloqueio central antes de atacar nas alas, etc.)

Mestre da defensiva, mais que da ofensiva, grande especialista em aberturas fechadas, Steinitz é considerado o “pai” do Gambito da Dama, além de ter contribuído para o aperfeiçoamento de inúmeras outras aberturas, entre elas: Gambito Evans, Gambito do Rei, Giuoco Piano, Abertura Escocesa, Abertura Ponziani, Ruy Lopez, Abertura Vienense, Defesa Francesa, Defesa Holandesa e Defesa Petrof. Na sua juventude jogava em estilo romântico, sintetizou e renovou completamente a teoria da sua época, sendo ainda um dos maiores finalistas de todos os tempos.

Foi, talvez, o pensador mais original e profundo de toda a história do jogo dos dois reis. Apesar disso, quando o peso da idade já se fazia sentir, perdeu o título de Campeão do Mundo em 1894 e morreu em extrema pobreza alguns anos depois.

Steinitz foi um jogador excêntrico e cultivava o mau hábito de cuspir nos adversários para desmoralizá-los. Era considerado pela imprensa o jogador mais impopular do mundo! Com uma altura de 1,5 m, com deficiência no andar, míope, com artrite e uma enfermi-dade pulmonar, facilmente irritável e foi qualificado por seus contemporâneos como megalómano. Steinitz terminou os seus dias, a 12 de Agosto de 1900, num asilo mental, na ilha de Ward, próximo de Nova Iorque sem ter realizado o seu último sonho – defrontar o próprio Criador. “Estou disposto a jogar contra Deus, oferecendo-lhe um peão de vantagem”. Não sabemos se a partida foi disputada, nem qual o seu desfecho. Real, factual é a partida conhecida como “The Battle of Hastings” (A Batalha de Hastings) que Steinitz jogou com von Bardeleben e cujos lances finais propomos ao leitor. “Uma autêntica jóia do xadrez”, “uma das mais belas combinações de toda a história do xadrez”, são alguns dos superlativos que acumulou esta partida disputada em Hastings, em 1895, contra Von Bardeleben. Steinitz recebeu pela sua magnífica prestação o Prémio de Beleza do mais importante torneio do século XIX. Apesar de ter perdido o título no ano anterior a favor de Emanuel Lasker, o Morphy de Viena, como era conhecido, mostrou, nesta partida, que um rei do xadrez nunca perde a majestade.     

 

Wilhelm Steinitz 

vs 

Curt von Bardeleben

“The Battle of Hastings”

Hastings (1895),
Greco Gambit (C54) 1-0 

 

Posição após 25.Th7+ e as pretas abandonam

 

Steinitz que nunca deixava os seus créditos por mãos alheias apressou-se logo a mostrar à plateia o mate em 10 lance que só podia ser evitado com perda ruinosa de material 25...…Rg8 26. Tg7+ Rh8 27. Dh4+ Rxg7 28. Dh7+Rf8 29. Dh8+ Re7 30. Dg7+ Re8 31. Dg8+ Re7 32. Df7+ Rd8 33. Df8+ De8 34. Cf7+ Rd7 35. Dd6# mate.

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 820 de 16 de Agosto de 2016. 

 

 

 

 

segunda, 21 agosto 2017 09:54 Publicado em Economia

Preços das importações desceram em Julho ao contrário do valor das exportações que aumentou no mesmo período. Mas nem tudo são boas notícias. Em termos homólogos, importar é hoje 7% mais caro que em 2016.

segunda, 21 agosto 2017 08:56 Publicado em Desporto

A comissão de gestão da Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF) realiza esta manhã a sua primeira reunião com o secretário-geral, no sentido de tomar o pulso da situação do organismo e preparar a passagem dos dossiers.

segunda, 21 agosto 2017 08:29 Publicado em Mundo

O Presidente do governo espanhol defendeu hoje, num artigo publicado nos jornais La Vanguardia e El Periódico que os espanhóis devem estar unidos "na dor e na resposta" à "ameaça terrorista" para "recuperar a liberdade".

segunda, 21 agosto 2017 07:51 Publicado em Sociedade

O Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA), através do Programa de Promoção de Oportunidades Socioeconómicas Rurais (POSER), lança hoje, na Praia, o “Projecto de Adaptação da Agricultura Familiar às Mudanças Climáticas”.

segunda, 21 agosto 2017 07:45 Publicado em Mundo

Os candidatos às eleições gerais angolanas de quarta-feira terminam hoje um mês de campanha, com milhares de quilómetros percorridos, uma breve aparição de José Eduardo dos Santos e as possíveis coligações em destaque.

segunda, 21 agosto 2017 07:40 Publicado em Desporto

O Sporting da Praia está mais perto de conquistar o título de campeão de Cabo Verde em futebol, após vencer, ontem, no terreno da Ultramarina de São Nicolau por 2-1, em jogo da primeira mão da final.

segunda, 21 agosto 2017 06:07 Publicado em Opinião

A problemática da habitação voltou ao centro das atenções do Governo. No debate sobre o estado da Nação o Primeiro Ministro na sua intervenção inicial comprometeu-se com o valor de 945 mil contos para eliminar as barracas de do bairro da Boa Esperança na Boa Vista e com 2 milhões de contos para acabar com as barracas de Alto S. João, Alto de Santa Cruz e Terra Boa na ilha do Sal. Ainda na mesma intervenção o PM voltou a referir-se a 14 milhões de dólares conseguidos da China e que seriam dedicados à habitação social. Na semana passada, o ministro das Finanças e o PCA do BCA assinaram um acordo em que o Estado assumia pagamentos devidos ao BCA e o banco disponibilizava uma linha de crédito no valor de 15 milhões de contos, uma parte para financiar a habitação e outra para apoiar empresas em particular as start-ups. Tudo indica que o governo resolveu enfrentar um problema dos mais graves que aflige o país e cujo impacto socioeconómico já não se pode ignorar. A questão que se coloca agora é saber qual a melhor visão e estratégia para evitar os erros do passado e ao mesmo tempo lançar as bases seguras para resolução possível do problema da habitação.

Num passado recente pretendeu-se que a solução podia ser encontrada no programa Casa para Todos que com uma linha de crédito de 200 milhões de euros disponibilizada por bancos comerciais com aval do Estado português iria construir 8 mil casas e a partir da venda das mesmas prosseguir a construção de mais fogos. O Novo Banco criado na mesma ocasião teria um papel central no suporte financeiro para a compra das casas. Sabe-se o que realmente passou. Construíram-se realmente cerca de 3 mil casas, foram vendidas muito poucas e a grande maioria das actualmente ocupadas estão em situação de renda resolúvel e de caracter social. O Novo Banco praticamente faliu e foi fechado por resolução do Banco Central. Também contrariamente ao que acontece na generalidade dos casos em que há obras com investimento público de grande envergadura não se verificou o arrastamento da economia nacional – a economia nesses anos praticamente estagnou – nem foi beneficiado o sector privado nacional da construção civil. Isso porque, apesar do surto de construção que se verificou com a utilização da linha de crédito, na forma como foi negociada as sociedades empreiteiras tinham que ser maioritariamente portuguesas e uma percentagem elevadas dos materiais deveria ser comprada em Portugal. Uma solução que não cometa os mesmos erros terá que ir por outras vias.

A oferta habitacional em Cabo Verde para ser adequada deve poder responder não só ao crescimento da população como também às necessidades de mobilidade de mão-de-obra do campo para cidade e de uma ilha para outra. Nos últimos tempos o fluxo migratório interno tem-se dirigido particularmente para a ilha do Sal e da Boa Vista. Décadas atrás, S. Vicente era o destino de muitos que procuravam nos serviços e na indústria os meios para o seu sustento. Praia, a capital do país, com o crescimento da máquina do Estado e actividades dela dependente cresceu extraordinariamente ao longo dos 42 anos de independência, atraindo população do interior de Santiago e das outras ilhas. O resultado desses fluxos migratórios não planeados vê-se na expansão caótica da Praia, nos bairros precários de S.Vicente e nas barracas da Ilha do Sal e da Boa Vista. Claramente que as autoridades não anteciparam o fluxo migratório e muito menos se prepararam adequadamente para lhe dar resposta em termos de ordenamento urbano, saneamento básico, segurança, comunicações, energia e água.

Para piorar as coisas, de forma generalizada alimentou-se o sonho da casa própria quando era evidente, que para o país realizar melhor o seu potencial de crescimento, as pessoas teriam que poder mover-se para onde surgissem oportunidades de trabalho e sinais de uma maior dinâmica económica. E não deveriam ficar presas onde não havia uma perspectiva de trabalho gratificante só porque havia uma mensalidade a pagar ao banco pela casa que até foram incentivadas a construir no quadro de uma política de apoio à habitação própria. De facto, não parece que alguma vez houve uma discussão sistemática sobre o que mais convinha a Cabo Verde: habitação própria ou arrendamento. Num país que ainda está por identificar os seus principais motores de crescimento económico e de criação sustentada de emprego, optar por promover habitação própria em detrimento de arrendamento só podia levar ao fenómeno terrível das barracas e ao caos urbano nas principais cidades. Entretanto, com as opções feitas e na falta de políticas claras, não se tem um vibrante sector privado a construir, nem há um mercado de arrendamento e muitas pessoas deixam a casa para irem residir noutra ilha ou numa cidade porque no seu lugar de origem não há economia que as suporte. O dilema de manter a casa e ao mesmo tempo viver precariamente junto do local de trabalho não é resolvido, entre outras razões, porque se vê que políticas públicas de desencravamento, de ligação energia, água e comunicação valorizam a casa, mas não criam as condições económicas que fariam o dono regressar. Tem casa própria, mas vive mal noutra ilha por razões de incoerência nas políticas públicas.

Em Portugal dias atrás voltaram a criar uma secretaria de Estado da Habitação. A dinâmica económica exige políticas que vão ao encontro das necessidades de mobilidade de mão-de-obra no sentido de maior eficiência e também de criação de ambientes propícios à inovação. Uma política de promoção do arrendamento com as três vertentes de facilidade de financiamento, enquadramento fiscal e seguro das rendas vai ser posta em movimento pelo governo português. A par disso pretende-se uma intervenção pública na oferta da habitação que se aproxime dos níveis europeus de cerca de 12% e que em países como a França vai aos 15% e na Holanda atinge os 31% da oferta habitacional do país.

Quando se equaciona outra vez o problema da habitação em Cabo Verde, deve-se ter em devida conta, por um lado, o facto evidente dos fluxos migratórios no país e, por outro, as “chagas sociais” criadas nos centros urbanos das várias ilhas por décadas de políticas inadequadas no sector. Soluções devem ser encontradas que permitam às pessoas ter habitação condigna sem rendas pesadas, que promovam investimento privado na habitação para arrendamento, que desenvolvam o sector da construção civil e mantenham as actividades económicas locais competitivas e sustentáveis a prazo. A via a seguir é a de optimizar e tornar mais abrangentes os ganhos e não a de deixar o país com um peso ainda maior da dívida pública e sem solução à vista.   

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 820 de 16 de Agosto de 2016. 

domingo, 20 agosto 2017 19:03 Publicado em Mundo

A célula terrorista responsável pelos atentados em Espanha preparava “um ou vários atentados” bombistas em Barcelona, com 120 botijas de gás encontradas numa casa em Alcanar, 200 quilómetros a sudoeste da capital catalã, anunciou hoje a polícia.

Nessa casa, danificada por uma explosão acidental na quarta-feira, “estavam a ser preparados os explosivos para cometer um ou vários atentados na cidade de Barcelona”, declarou o chefe da Polícia da Catalunha, o major Josep Luis Trapero.

O responsável precisou que aí foram encontrados vestígios de TATP, “tipo de explosivo utilizado pelo Daesh”, acrónimo árabe do grupo extremista Estado Islâmico, que reivindicou os atentados perpetrados quinta-feira em Barcelona e sexta-feira na estância balnear de Cambrils, que fizeram 14 mortos e 135 feridos, 17 dos quais estão entre a vida e a morte e 28 em estado grave.

Dos 12 suspeitos que integravam a célula terrorista, só um se encontra em fuga, ignorando a polícia a sua identidade e se se encontra ainda em Espanha, confirmou Trapero.

Horas antes, as operações ‘stop’ nas estradas do país foram intensificadas, nomeadamente na província de Girona, fronteiriça com França, referiu uma porta-voz da polícia.

Apesar do suspeito estar a monte, o responsável pela pasta do Interior no governo regional catalão afirmou que a célula estava “neutralizada”.

“A capacidade de acção desta célula foi neutralizada graças ao trabalho da polícia”, declarou Joaquim Forn.

Há um imã entre os 12 suspeitos, indicou Trapero, após buscas efectuadas no sábado à residência deste em Ripol, pequena cidade no norte da Catalunha onde habitavam vários membros da célula.

Segundo a mesma fonte, nenhum dos 12 – incluindo o imã – tem antecedentes ligados ao terrorismo.

De acordo com os investigadores, a explosão acidental ocorrida na casa de Alcanar na quarta-feira obrigou a célula a agir precipitadamente, utilizando veículos para matar em Barcelona e Cambrils.

O chefe da Polícia catalã estimou também que os 14 mortos nos atentados estarão todos identificados até às primeiras horas de segunda-feira.

Até agora, os especialistas do Instituto de Medicina Legal identificaram 12 das 14 vítimas mortais – embora as famílias de três delas não tenham ainda sido notificadas.

O responsável máximo dos Mossos d’Esquadra acrescentou que os especialistas forenses e policiais estão actualmente a retirar amostras de ADN das duas vítimas restantes, prevendo-se que os resultados estejam prontos durante a próxima madrugada.

“Se tudo correr bem, às primeiras horas de segunda-feira, comunicá-los-emos às autoridades judiciais e aos familiares, ficando plenamente identificados e notificados os 14 falecidos”, disse Trapero.

 

 

domingo, 20 agosto 2017 08:41 Publicado em Desporto

A equipa directiva da Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF) presidida por Vítor Osório foi destituída este sábado em assembleia-geral extraordinária, tendo sido criada uma comissão de gestão que trabalhará até à eleição da nova direcção.

Das 11 associações que participaram da assembleia-geral nove votaram pela destituição da equipa de Vítor Osório e duas associações, Sal e Santo Antão Norte, abstiveram-se.

Para presidir a comissão de gestão foi indicado o presidente da Associação Regional de Santiago Sul, Mário Donnay Avelino que será coadjuvado pelo presidente da Associação Regional do Fogo, Pedro Pires.

A comissão integra ainda mais três vogais e, segundo Mário Donnay Avelino, a aposta será na melhoria das acções e do relacionamento e num “trabalho firme” para dar continuidade a acções previstas no âmbito do plano de actividades de federação.

“Temos o campeonato sub-17, o campeonato feminino, o campeonato nacional, compromissos internacionais e vamos trabalhar porque o país não pode parar”, disse aquele dirigente à Inforpress.

Mário Donnay Avelino adiantou que a comissão vai reunir-se “brevemente” com a direcção destituída para saber “em que pés andam as actividades” e prosseguir com o trabalho para cumprir “todos os compromissos”.

Quanto à polémica gerada à volta do campeonato nacional, Mário Donnay Avelino garantiu que o problema já está ultrapassado e que os jogos vão ser realizados normalmente para o fecho da época.

A FCF marcou para este domingo, no Estádio Municipal Orlando Rodrigues, em São Nicolau, o jogo da primeira mão da final entre a Ultramarina e  o Sporting da Praia.

 

domingo, 20 agosto 2017 06:50 Publicado em Sociedade

Os telemóveis e, em particular, os smartphones fazem hoje parte da vida da maioria dos cabo-verdianos. Com procura garantida e fáceis de transportar são também objectos altamente comerciáveis. Onde há oportunidades e facilidades, brotam negócios, e assim, a par com os comercializados pelas lojas ditas “formais”, a compra e venda surge a cada esquina pela mão de vendedores ambulantes ou nos mercados tipo Sucupira. Entre telemóveis novos, velhos, recuperados, contrafeitos, roubados, em peças, fazem-se compras, vendas, trocas, retomas. É um negócio emaranhado, complexo onde os circuitos nem sempre são claros e onde as vozes dos vendedores se calam… quando se tenta conhecer um pouco mais deste emaranhado comercial.

sábado, 19 agosto 2017 21:29 Publicado em Desporto

As associações regionais de futebol voltam a reunir-se no dia 30 de Setembro para eleger a nova direcção da Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF) que substituirá a equipa de Victor Osório destituída hoje em assembleia-geral extraordinária.

 

A comissão de gestão hoje criada, presidida pelo presidente da Associação Regional de Santiago-Sul, Mário Donnay Avelino, dirigirá a FCF até a realização das eleições antecipadas.

O professor e jornalista José Mário Correia é o primeiro a perfilar-se na corrida à liderança do órgão máximo do futebol cabo-verdiano.

José Mário Correia adianta que conta com um núcleo de apoio que integra dirigentes associativos, atletas, antigos internacionais de futebol, antigos presidentes da FCF, comunidade social e outras entidades com interesses em matéria de desportos.

Esse núcleo de apoio, segundo adiantou à Inforpress, vai estar no terreno, já a partir desta segunda-feira, 21, a preparar o processo de candidatura alternativa à comissão de gestão.

José Mário Correia, autor do livro “Nas Rotas dos Tubarões Azuis – 40 anos de História da Selecção Nacional”, quer levar para a FCF uma presidência descentralizadora e que decida com base em discussões feitas por um colégio, ou seja, grupo de pessoas que entendem o futebol.

“Acho que a ideia de centralizar todas decisões no presidente resultou naquilo que tivemos, isto é, uma direcção com muita dificuldade de organizar campeonatos nacionais, de lidar com  os atletas, com os clubes e com as associações e com a própria selecção nacional”, disse.

A sua “grande proposta”, precisou, é a criar de um “colégio dos notáveis”, ou seja, um grupo de pessoas que paralelamente à própria direcção de federação  vai permanentemente reflectir o futebol nacional.

“Será um colégio constituído não só por pessoas que tem ligação com o futebol, mas também pessoas que já tiveram sucesso no futebol, no basquete, no andebol, na literatura. Vai também envolver associações de interesse social e de área académica. Ou seja, um grupo de pessoas com diferentes sensibilidades para devolver à selecção nacional a linha da frente com que habituou os cabo-verdianos”, salientou.

Segundo José Mário Correia já se fala em outros candidatos para o cargo de presidente da FCF, nomeadamente a do actual presidente da Associação Regional de Santiago-Sul e actual presidente da comissão de gestão, Mário Donnay Avelino, e de Celestino Mascarenhas, ambos ex-candidatos nas eleições anteriores e o ex-director-geral dos Desportos, Gerson Melo.

 

sábado, 19 agosto 2017 16:55 Publicado em Economia

O Conselho de Ministros aprovou sexta-feira, 18, o projecto de resolução que aprova directivas de investimentos no sector do ambiente para o período 2017/2021, no montante de um milhão de contos, a distribuir aos 22 municípios.

Em declarações à imprensa hoje, o ministro da Presidência do Conselho de Ministros avançou que com este projecto o Governo está a cumprir o compromisso que tinha com os autarcas de fazer a alteração da lei em que 60 por cento (%) dos recursos do Fundo do Ambiente seriam distribuídos aos 22 municípios do país, “de forma justa”, e que em concertação seria definido o plano de investimento ao longo da legislatura.

Segundo Fernando Elísio Freire, o dinheiro a ser distribuído aos 22 municípios deve ser investido em projectos de protecção ambiental, de inserção e requalificação ambiental.

“Os municípios que recebiam antes zero do orçamento do Fundo do Ambiente irão receber um milhão de contos nos próximos quatro anos. É um investimento muito forte do Governo na política de descentralização e para a melhoria do ambiente das ilhas”, disse.

Ainda segundo o ministro da Presidência do Conselho de Ministros, a nível nacional, também, será investido cerca de um milhão de contos, sendo que 341 mil contos serão destinados para conservação de espécies e habitats, 178 mil contos para a prevenção e combate à poluição, 98 mil contos para a informação, formação, educação e comunicação, e 360 mil contos para o saneamento e resíduo sólidos urbanos.

sábado, 19 agosto 2017 15:53 Publicado em Mundo

José Eduardo dos Santos apareceu hoje, pela primeira vez em campanha, ao lado do cabeça-de-lista do MPLA às eleições gerais angolanas de quarta-feira, para transmitir a sua convicção na sucessão de João Lourenço na liderança de Angola.


Numa intervenção de poucos minutos, cerca da 11h15, e depois de ambos entrarem lado a lado no comício que hoje encerra os grandes actos de massa da campanha eleitoral do MPLA, José Eduardo dos Santos, chefe de Estado e presidente do partido, justificou a presença com o objectivo de "reiterar" o "apoio pessoal" a João Lourenço, a convicção na vitória eleitoral e apelando ao voto.

"Será eleito o próximo Presidente da República de Angola", afirmou José Eduardo dos Santos, sobre João Lourenço, numa breve intervenção e não ficando na tribuna para assistir ao discurso que se seguiu do cabeça-de-lista e candidato à sua sucessão.

"É grande a responsabilidade que me colocam sobre os ombros", disse, por seu turno, João Lourenço, na mesma intervenção, perante dezenas de milhares de pessoas, dirigindo-se ao chefe de Estado, desde 1979, e presidente do MPLA.

"Digam ao nosso líder que estamos com ele para sempre", ouvia-se, pouco depois, pela voz do speaker de serviço, incentivado o público presente na zona do Camama, arredores de Luanda

Após meses de especulações sobre a sucessão, o chefe de Estado e presidente do partido anunciou a 03 de Fevereiro de 2017, em reunião do Comité Central do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), que não seria recandidato ao cargo nas eleições gerais deste ano, que entretanto convocou para 23 de Agosto, deixando assim o poder ao fim de 38 anos.

Nessa reunião, José Eduardo dos Santos anunciou que tinham sido aprovados pelo partido os nomes dos generais e ministros João Lourenço, para cabeça-de-lista do partido e concorrendo assim ao cargo de Presidente da República, e Bornito de Sousa, como número dois e candidato à eleição para vice-Presidente.

"A nossa marca de campanha estará no boletim de voto, como foi no passado: é a bandeira do MPLA e a cara do nosso candidato a Presidente da República. Estes símbolos devem ter uma grande divulgação no seio do povo, rumo à nossa vitória", declarou ainda José Eduardo dos Santos, referindo-se a João Lourenço, também vice-presidente do partido, então oficializado como cabeça-de-lista.

Na pré-campanha que João Lourenço iniciou de seguida, ainda em Fevereiro e com ponto de partida no Lubango, província da Huíla, José Eduardo dos Santos não marcou presença em qualquer acto com o candidato do MPLA, o mesmo acontecendo na campanha eleitoral que já decorre desde 23 de Julho.

sábado, 19 agosto 2017 15:32 Publicado em Política

O especialista em cirurgia geral Dr. Morris Makar reconheceu hoje, na Cidade da Praia, que o sucesso do seu trabalho em Cabo Verde, onde exerceu durante 34 anos, “dependeu muito” da equipa com quem trabalhou.

 

Morris Makar fez esta consideração na cerimónia de homenagem realizada hoje pelo Governo de Cabo Verde, que lhe atribuiu o galardão com Segundo Grau da Medalha de Mérito Profissional pelo “excelente trabalho” prestado em Cabo Verde, nas últimas três décadas.

“Cheguei a Cabo Verde para prestar serviço durante um ano e acabei por ficar por trinta e quatro anos. Era um país que eu não conhecia, mas acabei por me apaixonar pelas gentes desta terra e pela sua simpatia”, disse.

Na hora de despedia, Morris Makar, que se referiu às lembranças que leva deste povo, manifestou a sua disponibilidade em ajudar o país “no que for preciso” seja como voluntário, como cabo-verdiano ou como egípcio.

Na ocasião, o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, agradeceu ao especialista pelo trabalho desempenhando neste país, enquanto médico, e transmitiu a “gratidão e o reconhecimento” do povo cabo-verdiano.

“A nós orgulha-nos ter uma pessoa como o doutor Morris a trabalhar connosco, além de fazer de tudo e entregasse pelo seu trabalho”, realçou.

Para o ministro da Saúde, Arlindo do Rosário, a homenagem hoje cumprida tem como objectivo “honrar o médico” que chegou a Cabo Verde e cumpriu “os bons ofícios” de médico cirurgião com “muita competência, humanismo e amizade”.

“Morris Makar chegou numa época em que o país precisava de recursos humanos no sector, mas de 1983 até 2017, Cabo Verde mudou para melhor como país em todas as áreas de desenvolvimento humano. O sector da Saúde também mudou e hoje dispomos de uma capacidade de resposta médico-cirúrgica muito superior e em todas as áreas”, lembrou.

Morris Haroun Makar Bashier nasceu na Cidade do Cairo, Egipto, em 1951. É licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina Ain Shams e especialista em cirurgia geral pela Universidade do Cairo (Egipto).

Em Cabo Verde, trabalhou no Hospital Dr. Agostinho Neto, na ilha de Santiago, prestando também serviços nos Hospitais Dr. Batista de Sousa e São Francisco de Assis, nas ilhas de São Vicente e do Fogo, respectivamente.

 

 

sábado, 19 agosto 2017 11:57 Publicado em Sociedade

Criado há cerca de oito meses por cabo-verdianos em Portugal o grupo Ubuntu.CV integra elementos de várias comunidades da diáspora com o fim de apoiar os doentes evacuados de Cabo Verde. Uma campanha para  apadrinhamento está em curso a partir das redes sociais.

sábado, 19 agosto 2017 06:50 Publicado em Exclusivo

O embaixador da União Europeia em Cabo Verde acaba o mandato no dia 1 de Setembro. Nestes cinco anos no arquipélago deu-se o impulso à Parceria Especial, assinou-se o acordo da Parceria para a Mobilidade, continuou-se a financiar a ajuda pública ao desenvolvimento, houve remessas extraordinárias para fazer face a catástrofes naturais. José Manuel Pinto Teixeira nunca foi um homem de consensos nem nunca fugiu a falar do que achava que devia falar, por isso mesmo criou polémicas e alimentou algumas inimizades. Na hora da saída, e neste balanço de mandato feito ao Expresso das Ilhas, mais uma vez, não foge a controvérsias.

sábado, 19 agosto 2017 06:03 Publicado em Economia

O fornecedor de soluções islandês Loftleidir Icelandic assinou um contrato de gestão com a TACV Cabo Verde Airlines. Um dos objectivos por trás do acordo é reforçar a TACV para que possa contribuir para o potencial de Cabo Verde como destino turístico durante todo o ano. O governo de Cabo Verde espera também aproveitar a posição geográfica de Cabo Verde para desenvolver um centro de conexão aeronáutico, um hub, ligando quatro continentes.

sexta, 18 agosto 2017 18:14 Publicado em Economia

O Governo assinou hoje com a Caixa Económica um acordo de pagamento das bonificações ao crédito que estavam em dívida desde 2010. Ao todo estavam em divida 990 mil contos.

sexta, 18 agosto 2017 16:46 Publicado em Opinião

Por estes dias temos lido e ouvido opiniões, curiosamente, balizadas na “normalidade” enquanto conditio sine qua non para o reconhecimento de direitos. Argumentando, num extremo, que a homossexualidade é uma anomalia, um desvio de personalidade, quiçá de carácter. Opiniões mais ponderadas, outras mais emocionadas, outras falaciosas e desprovidas de qualquer sentido ético e estético, outras desprendidas e reais. Porém todas legitimadas em crenças individuais. Felizmente, pois o Estado é de Direito e GARANTE todas as Liberdades à tod*s os Cidadãos. Inclusive a de expressão. Mas nunca devem ter a procedência de quem tenha responsabilidades deontológicas e públicas na Nação, para justificar preconceitos e violências e limitar o acesso a direitos civis e liberdades fundamentais.

O tal inalienável direito à liberdade de expressão é um direito que não deve ser negado a ninguém. Ponto! Outra coisa diferente é dar entrevistas ou usar de redes sociais alguém que está, por questões profissionais, sujeito a um código deontológico que o “obriga” a respeitar determinadas boas práticas específicas, que mais não sejam de figura profissional, politica e pública. E temos lido, a conta disso, muitos a ultrapassar os limites das suas qualificações e competências. Ou seja, sem serem psiquiatras e a tentarem definir a homossexualidade e a transexualidade (erradamente) do seu prisma, com o intuito de cercear direitos.

Estes que têm - por argumentos individuais e subjetivos, e que teimosamente querem fazer parecer de científicos ou como doutrinações de Deus - considerado a homossexualidade como uma “anomalia”, e que por isso deverá ser corrigida, devem saber que desde 1973 a Associação Americana de Psiquiatria (APA[1]) retirou a homossexualidade do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM[2]), determinando o fim da participação médica na estigmatização da homossexualidade. Gradualmente muitos países foram aceitando a autoridade científica nesta matéria, e começou a dar-se a normalização da questão. Em 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) também removeu a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças (ICD).

Como consequência, os debates sobre a homossexualidade saíram da esfera da medicina e psiquiatria para a área da moral e da política. As instituições religiosas, políticas, governamentais, militares, de comunicação social e educativas deixaram de ter um racional científico para esta discriminação. Portanto, não sendo mais considerada uma doença, agora eram as proibições bíblicas contra a homossexualidade que teimam em não considerar a comunidade LGBTI[3] como cidadãos funcionais e produtivos na sociedade. Procurando justificar, desta forma, a sua homofobia, lesbofobia e a sua transfobia.

Ora, quem nos dias de hoje, teima em argumentar apelidando os LGBTI de anormais ou de contra-natura, estão completamente desatualizados, ignorando o estado da arte sobre este tema. Com o único propósito de castrar e estigmatizar numa base meramente subjetiva. E devem estar cientes que a estigmatização e diferenciação negativa de Seres Humanos, do ponto de vista pessoal, não é salutar e nem de bom-tom.

A palavra homofobia é um neologismo formado por dois radicais gregos (homo=igual + phobia=medo), criada pelo psicólogo norte-americano George Weinberg, em 1971. E está corretíssima e bem empregue. Fobia, neste caso, é o ódio, aversão irreprimível, repugnância ou repulsão existente, e que é tão visceral e obtuso que a conclusão que se chega é se os homofóbicos terão medo (irracionalidade) que a homossexualidade seja transmissível/contagiante. Nesse concreto, o preconceito que algumas pessoas ou grupos nutrem contra os LGBTI, é (este sim) uma doença, e por isso deveria ser sujeita a tratamento psicológico. Pois esta patologia pode ir de uma manifestação de repulsa, a casos de abusos, ameaças, assédios e bullyng, como também ao cometimento de um crime por raiva e ódio.

Pela forma como algumas pessoas expõe o seu pré-conceito como (fora da) normalidade, deveriam, também, saber indicar qual a “anomalia” na vida dos homossexuais? Que critérios de diagnóstico e fundamentos científicos dispõem para estes casos de “desvios de personalidade” ou de “desvio no campo da sexualidade”? Deverão os LGBTI fazer terapia de reconversão? Para mudar o quê exatamente? Os seus argumentos deverão poder comprovar também qual o sofrimento que a tal de anomalia infringe nos LGBTI.

Ora, o sofrimento está sim nos jovens e adolescentes que não puderam descobrir e conhecer a si próprios por causa do medo do bullyng e da repressão a que são sujeitos nas escolas, nas igrejas, nas suas famílias e comunidades, por causa do medo de passarem por situações de humilhação e de discriminação por existirem pessoas tão homofóbicas, ignorantes e más. Pois, como se depreende, para a grande maioria dos LGBTI não existe uma história de felicidade e de integração, e sim de sofrimento provocado pelo outro, derivados da homolesbotransfobia.

O que não é normal[4] é uma pessoa achar-se na legitimidade de pôr em causa as regras deontológicas e científicas em vigor na classe médica do mundo inteiro. Aliás, habitualmente, as ordens dos médicos têm um mandato legal, público, para certificar que os seus profissionais agem de acordo com as regras deontológicas e científicas em vigor e que, por isso, também não difundam falsidades científicas e ideias sobre saúde contrárias às legis artis e prejudiciais, consequentemente, para as respectivas comunidades. E aqui não se trata, normalmente (lá está), de uma opção da Ordem, mas sim de uma obrigação. 

Daí que, hoje, não se reconhece legitimidade cientifica a ninguém - nem mesmo a médicos psicólogos e psiquiatras - de qualificar a homossexualidade como uma anomalia, um distúrbio psicológico ou de personalidade, uma doença ou enfermidade. Pois são termos médicos, e que não se aplicam para o caso nem da homossexualidade, nem da transexualidade e nem da intersexualidade. Vai contra a evolução e percurso do conceito científico, e quem teima em fazê-lo apenas mostra ser de uma tremenda desonestidade intelectual para com a medicina e para com a história.

Tais posições e opiniões, escudando-se na subjetividade das religiões que professam e em falácias médicas, fazem com que sejam esses sim a ostentar e a orientar para práticas nada saudáveis de postura humanas e sociais. Pois cerceiam a educação, alimentam a ignorância e impedem a evolução de um Povo. Sim, porque, embora o objetivo seja castrar o direito de ser de uma parte da comunidade e de os segregar, estão atentando, de facto, contra todo o desenvolvimento de um País. É castrador e tão limitativo um ser humano pensar que o seu direito de crença religiosa ou de expressão deve superar o Direito de Ser de outro ser humano.

Os fundamentalistas de “direitos exclusivos” deveriam ter presente, também, que a sua comunidade religiosa não são grupos monolíticos, e por isso ninguém deve se arvorar achando que representa a sua congregação. As comunidades religiosas, individualmente, são muito diversas. Recentemente, a 30 de Julho de 2017, uma das principais lideranças católicas no Brasil, um Bispo, Dom António Carlos Cruz Santos, afirmou que “a homossexualidade é um dom de Deus”. A Doutrina Racionalista Cristã, por sua vez, afirma que a homossexualidade é um atributo da evolução do espírito, e que a condição transexual e/ou transgénero são um atavismo ou reminiscência evolutiva num espírito encarnado.

É bom lembrar que a reivindicação da comunidade homossexual, no mundo inteiro, não é pelo sacramento do casamento, mas sim pelo direito ao casamento CIVIL (aquele que é dissolvido pelo divórcio). Lembrar também que antes da igreja católica se constituir como tal, e tratar o casamento como um sacramento, o casamento já existia como um direito civil e casais do mesmo sexo já casavam. Com a entrada da igreja na questão, constata-se que o casamento passou a ser um acordo comercial que funcionava em termos de “dotes”. A filha era trocada por gado, por propriedades, etc. Como sempre o único beneficiário eram os homens, pois, muitas vezes, a mulher era entregue contra a sua vontade.

Os direitos das mulheres foram vedados por séculos, eram (ainda são) enterrados no “lugar da mulher”. Até há bem pouco tempo atrás defendia-se que as mulheres não tinham cérebro para votar. Quanto mais serem médicas, deputadas, ministras, ou escreverem artigos de opinião para jornais, etc… Quão moderno não é? Quão contemporâneo e compreensivo, não acham? Pois, imagina, «sabíamos que era só uma questão de tempo: que a onda que ´foi´ avançando pelo mundo fora, primeiro sub-repticiamente, depois procurando impor-se abertamente como algo absolutamente normal, mais cedo ou mais tarde chegaria até nós».[5]  E, 'à semelhança do que aconteceu em outras paragens, derrubou a última barreira e se instalou na sociedade cabo-verdiana como algo natural, por ser normal.´ Terão sido «lobby´s a coberto de direitos humanos e da anti-discriminação»[6] que impuseram à sociedade e à comunidade das nações a ideia de que homens e mulheres, negros e brancos deveriam ter os mesmos direitos e acessos? Cito adaptando, e passo a ironia.

Hoje é um absurdo pensar-se o contrário de mulher poder votar e poder ser médica. Mas na altura não era “norma”. E qual foi o mal ao mundo que adveio do facto de se reconhecer às mulheres e aos negros os seus direitos? Portanto, neste quesito ninguém clama por normalidade. Pois, a seguir por padrões, muitos jamais terão sido “normais” (basta analisar a história do mundo).

Agora coloquemo-nos no lugar dos outros! Daqueles cujos Direitos Naturais e Humanos lhes são vedados por causa de uma condição biológica, natural. Se mantiver o discurso e crença, então é porque não existe diferença com os homens que disseram às mulheres no passado que não poderiam participar na vida cívica no seu todo e nem terem uma profissão. Quanta inverdade, falta de entendimento e de tolerância!

Há que pensar de forma sinérgica: um grupo de seres humanos segregados no seu Direito de Ser e de acessos[7], são Cidadãos frustrados, sem voz, sem expressão, tristes, coagidos, e que não contribuem nem participam com a sua inteligência de forma plena para o crescimento e desenvolvimento do seu país, e consequentemente para o seu desenvolvimento per capita, e de quem a nação não usufrui plenamente pois os mantêm marginalizados para não terem visibilidade. Alimentando medos, frustrações, insuficiente desenvolvimento, e contribuindo desta forma para, sim, aumentar a taxa de suicídios.

Portanto, a segregação não afeta apenas a comunidade LGBTI nos seus direitos, atinge a coletividade no seu todo. Pensemos nisso!

É completamente desonesto e de uma agressiva demagogia a ideia que muitos têm alimentado que é “preciso” defender uma "liberdade de expressão" entendida como a liberdade de um discurso discriminatório que atente gratuitamente contra a dignidade de indivíduos ou grupos. No fundo esta ideia vai contra a liberdade de ser e de dizer, pois pressupõe castrar o semelhante. Preconceito disfarçado de opinião continua a ser preconceito, e é aí que reside a diferença entre a liberdade de expressão e a responsabilidade de/na expressão.

O princípio básico civilizacional da humanidade é o respeito mútuo baseado em direitos e liberdades iguais, e que nos faz iguais nas nossas diferenças. Não tendo, ninguém, o direito de agredir ao outro a não ser em legítima defesa, não pode haver agressão derivada apenas da mera existência plena do outro. Pois, é justamente esse sentimento de ameaça pelo que considera o outro, é que é uma anomalia. Alimentá-lo e legitima-lo é a negação e desrespeito por toda uma história de luta pela igualdade de raças e de género, e por tudo o que a humanidade já sofreu (e ainda sofre) contra o racismo, o machismo e a misoginia.

Tenhamos tento, tenhamos consciência humana e histórica. Se hoje[8] somos, nós Cabo-Verdianos, um povo livre da escravatura e ciente dos nossos Direitos contra o racismo, é porque alguém foi assassinado e sofreu para garantir aos negros e às mulheres esta liberdade e este respeito. Respeitemos isso para não fazermos ao próximo o que fizeram a nós.

Entendamos, de uma vez por todas, que o reconhecimento dos Direitos Civis e Humanos dos LGBTI não prejudica em nada os Direitos dos Heterossexuais. E que o facto da comunidade LGBTI ter os seus Direitos consagrados, reconhecidos e respeitados não significa que a restante sociedade civil passará a ser LGBTI. Não se trata de uma doença contagiosa. Não é uma opção, é sim uma condição biológica e natural que não belisca em nada a condição, também natural, dos heterossexuais.

Importa não ter medo do Conhecimento para se poder quebrar preconceitos, comportamentos e discursos de repúdio que, de alguma forma, promovem violência nas pessoas. Porque cada piada, escárnio ou sarcasmo, aparentemente inócuas, fazem parte de um sistema de exclusão, de repúdio e de ódio. O humor é importante mas para gozar com o preconceito e não o oposto.

E por favor, “Normal ou não normal” é a programação da máquina de lavar lá de casa. Das máquinas bem mais antigas e obsoletas, diga-se de passagem.



[1] American Psychiatric Association - APA

[2] Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – DSM. A maior referência da atualidade.

[3] Pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Intersexo. Embora na língua inglesa esta expressão seja mais vasta e inclusiva, abrangendo (quase) todas as expressões de géneros existentes: LGBTQQUAAP – Lesbian, Bisexual, Transgendered, Queer, Questioning, Intersex, Asexual, Alies, Pansexual.

[4] Normalidade e norma (preceito, procedimento, padrão) são construções sociais e subjetivas, variando em hábitos, práticas, grupos, culturas, situações, conjunturas, etc. Logo não deveria servir como referência para análises deste tipo.

[5] Pinheiro, Odette, “Normal ou não normal”. Edição 816. Expresso das ilhas. 19 de julho 2017.

[6] id.

[7] Sim porque uma criança impedida de brincar e de jogar futebol por ser efeminada; ou um adolescente que não vai ao cinema ou ao recreio no intervalo porque será gozado pelos colegas; ou um profissional cuja chefia direta não atribui determinadas responsabilidades para que este profissional “não prejudique” a imagem da empresa, por ser efeminado ou LGBT – é não ter acessos iguais.  

[8] Ainda há países onde a escravatura e o racismo persistem em diversas formas.

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Expresso das Ilhas

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