Expresso das Ilhas

Switch to desktop Register Login

Expresso das Ilhas - Actualidades
segunda, 20 fevereiro 2017 16:13 Publicado em Mundo

As autoridades estão a realizar, esta segunda-feira, buscas à sede de campanha do partido de extrema-direita Frente Nacional.

segunda, 20 fevereiro 2017 15:33 Publicado em Política

O primeiro-ministro português, António Costa, enalteceu hoje a cimeira entre Portugal e Cabo Verde e declarou que o aumento do apoio financeiro a Cabo Verde representa um "momento de viragem" na economia portuguesa.

segunda, 20 fevereiro 2017 15:31 Publicado em Política

António Costa, primeiro-ministro português, confirmou hoje ter recebido uma proposta de Cabo Verde sobre a dívida de 200 milhões de euros relativa ao Programa Casa para Todos, mostrando-se convicto que será encontrada uma solução que satisfaça todos.

segunda, 20 fevereiro 2017 15:16 Publicado em Política

O Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV) alertou hoje, no Parlamento, para aquilo que classifica de "fortes sinais" de degradação do tecido social do país e acusa o governo de incumprimento das promessas feitas para melhoria da situação socio-económica das famílias cabo-verdianas.

segunda, 20 fevereiro 2017 14:33 Publicado em Economia

Companhia aérea anunciou, hoje, na sua página do Facebook, e no seu site, que irá iniciar as ligações para a Boa Vista, à partida do Sal e Praia. Operação deverá começar a 3 de Março. 

segunda, 20 fevereiro 2017 14:07 Publicado em Mundo

O vice-presidente norte-americano, Mike Pence, assegurou hoje em Bruxelas que a administração de Donald Trump tem o "forte compromisso" de prosseguir a cooperação com a União Europeia, porque Estados Unidos e Europa "partilham os mesmos valores".

segunda, 20 fevereiro 2017 13:07 Publicado em Economia

A comunicação social privada em Cabo Verde tem problemas financeiros crónicos. O tema volta a debate, numa altura em que fecham órgãos privados. O exemplo mais recente é a suspensão da edição impressa do jornal A Semana, propriedade da Nova Editora, e há 26 anos no mercado (sendo por isso o mais antigo jornal cabo-verdiano).

segunda, 20 fevereiro 2017 12:46 Publicado em Política

O grupo parlamentar do Movimento para a Democracia (MpD) acusou o anterior governo, sustentado pelo PAICV, de sufocar as tesourarias dos municípios. A posição foi defendida esta manhã pelo deputado João Gomes, no período antes da ordem do dia, na abertura da sessão plenária de Fevereiro.

segunda, 20 fevereiro 2017 11:11 Publicado em Sociedade

Um indivíduo de 89 anos de nacionalidade alemã perdeu a vida,  domingo, quando praticava natação na praia de beach rotxa, na ilha do Maio.

segunda, 20 fevereiro 2017 10:30 Publicado em Mundo

A câmara alta do parlamento britânico, a Câmara dos Lordes, inicia hoje a discussão sobre o projecto de lei que visa iniciar a saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

segunda, 20 fevereiro 2017 10:08 Publicado em Mundo

Domingos Simões Pereira, responsabilizou domingo o Presidente da República, José Mário Vaz, pela instabilidade política no país e propôs como alternativa eleições antecipadas.

segunda, 20 fevereiro 2017 09:52 Publicado em Mundo

Os Estados Unidos "não querem apoderar-se" das reservas petrolíferas iraquianas disse hoje em Bagdad o novo secretário norte-americano da Defesa, Jim Mattis.

segunda, 20 fevereiro 2017 09:45 Publicado em Desporto

A nova direcção da Federação Cabo-verdiana de Ténis (FCT) quer levar a modalidade à maioria das ilhas do país e apostar na sua efectiva internacionalização. A posição foi manifestada na noite de sexta-feira pelo novo presidente da FCF, José Almada Dias durante o acto de tomada de posse do mais recente corpo directivo da modalidade desportiva.

segunda, 20 fevereiro 2017 09:41 Publicado em Cultura

No âmbito da 5ª edição do Atlantic Music Expo (AME-CV) que acontece de 10 a 13 de Abril, o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas renovou o protocolo de parceira com a CVTelecom.

segunda, 20 fevereiro 2017 09:21 Publicado em Desporto

Foi mais um fim-de-semana de futebol em Cabo Verde. Fica aqui o resumo dos principais resultados.

segunda, 20 fevereiro 2017 08:24 Publicado em Sociedade

A comunidade cabo-verdiana em Portugal “vai assumir um novo desafio político” e iniciar o seu “assalto ao poder” através do lançamento, em Março, de uma cooperativa e de um movimento social na Amadora, disse um responsável dos projectos.

segunda, 20 fevereiro 2017 08:19 Publicado em Desporto

A presidente do Comité Olímpico Cabo-verdiano (COC), Filomena Fortes, foi eleita, este Domingo, em Bamako (Mali), vice-presidente da Zona II, da Associação de Comités Olímpicos Africanos (ACNOA).

segunda, 20 fevereiro 2017 08:00 Publicado em Opinião

Várias são as razões por que o Estado é hoje foco de tanta atenção. Entre elas está o facto de depois das falhas dos clusters em fazer o take-off prometido e o quase colapso de sectores da economia como a construção civil não se ter por onde escolher para  assegurar rendimento estável e seguro. Os hotéis e o turismo praticamente ainda só absorvem mão-de-obra pouca qualificada não deixando aos mais qualificados e os com ensino superior uma outra solução que não um lugar no Estado. Outrossim, a actual conjuntura de passagem de um governo para outro de partido diferente ao fim de 15 anos abre novas oportunidades de acesso a posições no Estado à medida que os vencedores substituem os vencidos em posições-chave de orientação política do país.

A dança das cadeiras que propicia é motivo de fascínio mas também de frustração e ressentimento. Na competição por lugares esgrimem-se argumentos de partidarização e da despartidarização como se o principal problema da administração pública fosse essa e não as queixas de falta de profissionalismo, as deficiências no serviço aos utentes e a postura de sobranceria da administração pública que particularmente prejudica o ambiente de negócios. Aliás, a questão da partidarização só toma a dimensão já conhecida devido ao papel que o Estado se atribui de gestor dos recursos do país e de dinamizador principal em todos os sectores. Sabe-se que é abusando dessa posição que cai em favoritismos, na criação de clientelas e em tentativas de controlo da população mais vulnerável numa perspectiva claramente partidária.

Os efeitos do controlo da administração pela força política vencedora das eleições teria menos impacto num contexto outro em que houvesse uma estrutura produtiva nacional expressiva, uma classe empresarial mais assertiva, menos desemprego e pobreza e uma sociedade civil autónoma. São esses os factores que, de facto, em todas as democracias, independentemente do modelo adoptado na relação entre o poder político e a administração pública, impede o Estado de ser sequestrado por interesses puramente partidários. Em Cabo Verde, é evidente a centralidade do papel do Estado em todos os aspectos da vida económica, social e cultural. Inicialmente tal centralidade foi consequência da opção inicial pós-independência de estatização da economia no quadro de um modelo de desenvolvimento baseado na reciclagem da ajuda externa. A incapacidade de decisivamente se afastar do modelo de reciclagem nas décadas seguintes, de diversificar a economia e de ganhar capacidade de exportação de bens e serviços permitiu que o Estado conservasse essa centralidade e se mantivesse numa posição cimeira no topo da proverbial cadeia alimentar com todos os sectores da economia e franjas importantes da população na sua dependência.

Mudar o Estado para deixar de promover activamente o assistencialismo e a dependência e encontrar-lhe um novo papel no processo de dinamização da economia que seja de incentivo à iniciativa privada e não de bloqueador ou condicionante do desenvolvimento é o grande desafio que se coloca hoje. Pelas tentativas de reformas fracassadas no passado sabe-se que não será tarefa fácil. A inércia é grande e os interesses no status quo são muitos. É só perguntar quais das 100 medidas propostas com pompa e circunstância pelo governo anterior foram implementadas e quantas tiveram um efeito real e durável nos utentes em termos de custo e tempo e contribuíram para a melhoria do ambiente de negócios como prometido.

O cidadão comum, pela comunicação social, constata no dia-a-dia o frenesim dos anúncios de estudos, de investimentos, de ajuda externa seguidos de encontros de socialização, workshops, mesas redondas e fóruns. A impressão porém é que são eventos que muitas vezes não resultam da estratégia do Estado, mas sim de impulsos vindos de outras entidades ou partes da agenda das mesmas já com financiamento assegurado. Por isso é que parecem esgotar-se em si próprios sem ter continuidade ficando por realizar iniciativas realmente prioritárias por falta de fundos. A aparente dificuldade do Estado em alocar fundos próprios no tempo certo retira muita da eficiência e eficácia que podia ter na implementação das suas políticas. Custa, por exemplo, compreender que as forças armadas tenham sido prejudicadas no cumprimento da sua missão por causa de meios de comunicação VHF que afinal custam cerca de vinte mil contos e recentemente foram doados pelo AFRICOM americano.

A falta de efectividade do Estado em muito do que faz, soma-se ainda à dificuldade em ver-se como agente económico de grande importância enquanto comprador de bens e serviços no mercado local. Os industriais entrevistados por este jornal na semana passada dão conta dessa omissão e dos prejuízos que incorrem por causa disso. O mesmo dizem outros privados, por exemplo, no domínio das tecnologias de informação e comunicação que lamentam a ausência de uma estratégia de compra de serviços dinamizadora de empresas nacionais no sector. A assinalar uma mudança de política nesta matéria foi a decisão muito positiva do actual governo em promover o aprovisionamento de bens e serviços nas ilhas onde estão sediados serviços do Estado e em privilegiar operadores locais para obras municipais. Realmente, para ter maior impacto na economia nacional deve-se constituir toda essa compra de bens e serviços na “procura sofisticada” de que fala Michael Porter.

Em conclusão, há que ir além da problemática de partidarização. O Estado precisa de ser retirado do papel dominador que teve no modelo de reciclagem de ajuda. Há que adequá-lo para um outro papel que é o de promotor da autonomia e da iniciativa das pessoas com vista a aumentar a produtividade e a competitividade do país e criar as condições para a prosperidade e a felicidade de todos.  

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 794 de 15 de Fevereiro de 2017.

segunda, 20 fevereiro 2017 06:00 Publicado em Opinião

Na véspera do dia mundial da rádio 12 de Fevereiro de 2017, Zito Azevedo, uma referência na história da radio cabo-verdiana deixou o mundo dos vivos. O famoso locutor e produtor da Rádio Clube Mindelo e Rádio Barlavento calou-se para sempre. A notícia da sua morte desencadeou nas redes sociais, centenas de comentários evocativos e lembranças daqueles que o conheceram, ouviram os seus programas radiofónicos, o viram arbitrar no Estádio da Fontinha em Mindelo ou o ouviram cantar, porque ele era um grande cantor de bela voz, que interpretava fielmente as Mornas da Ilha Brava. No entanto, no dia seguinte, Dia Mundial da Rádio (13 de Fevereiro), de entre a catadupa de programas evocativos da efeméride, nenhuma referência ao desaparecimento deste personagem, um pioneiro da rádio que foi contemporâneo de Evandro de Matos, Telmo Vieira e tantos outros a quem devemos o que a rádio é hoje: um meio de comunicação com história e tradição! A eles, todos nós os mais antigos, Carlos Gonçalves, António Pedro Rocha, Fernando Carrilho, Santos Nascimento, Carlos Afonso, John Matos, entre outros, devemos o que somos hoje…

Neste Dia Mundial da Rádio, muitos outros pioneiros, para não dizer todos, não foram lembrados, mas não se trata de esquecimento; trata-se, sim, de uma cultura que se instalou entre nós que não valoriza nem assume o passado como exemplo para o presente e projecção do futuro. Para que fique um marco, uma evocação, para os jovens profissionais de hoje e de amanhã, passo a apresentar uma resenha biográfica deste grande homem:

Foi um personagem que marcou a rádio em Cabo Verde nos anos 1950/60 até inícios dos anos 1970. Para além de locutor de bela voz clara e perfeita dicção, era um grande animador de programas em directo, produtor/apresentador dos célebres programas Revista Sonora e Onda do Desporto na Rádio Barlavento. Também foi um afamado apresentador de espectáculos, tendo ficado nos anais, a apresentação que ele fez do primeiro concerto do conjunto Voz de Cabo Verde em Janeiro de 1968, no Éden Park e, claro, os concertos realizados nos anos seguintes.

De seu nome completo José Manuel Faria de Azevedo, nasceu em Leiria, Portugal, a 1 de Junho de 1934. Chegou a Cabo Verde em 1943, onde passou a viver com os pais em Mindelo, Ilha de S. Vicente; recém-chegado, prosseguiu os estudos, a partir da 3ª classe, na Escola Camões e depois no Liceu Gil Eanes (Mindelo), do 1.º ao 5.º, e 6.º no Liceu Alexandre Herculano, Porto, Portugal. O pai era proprietário da Ourivesaria Azevedo na rua do mercado que vai para a Câmara Municipal. Hoje já não existe. Cresceu, portanto, na cidade do Mindelo, onde estudou, se fez homem e onde viveu até meados dos anos 1970. Era casado com uma crioula da Brava, os seus filhos nasceram em Cabo Verde. Zito era pois um “menino de São Cente” na plenitude, que vicissitudes da «revolução» obrigaram a ir viver em Portugal, terra que o viu nascer, mas onde sofreu até o final da vida as saudades da Rua de Lisboa ou do Porto Grande que o viram crescer. O seu amor por São Cent está à vista no seu blog Arrozcatum que manteve desde 2008, onde publicou até o passado dia 22 de Janeiro o 10.009.º post intitulado “A ameaça…” numa referência aos tempos sombrios que poderão estar para vir! Na maioria destas publicações no ciberespaço defendeu causas e deu asas ao seu imenso manancial de saber nas mais diversas áreas! Vale a pena deixar aqui aos leitores o 10.008º post, intitulado «Regresso» (leia-se do hospital): “Exactamente trinta dias depois, regressei ao meu cantinho... Está tudo como devia estar, já o locatário, como se sabe, está bem diferente, infelizmente, para pior... Mas, como creio já ter escrito algures, posso ser, agora, fisicamente incapacitado mas continuarei a lutar para ser mentalmente activo...” Que força de vontade, que coragem! Quem diria que poucas semanas depois já não estaria entre nós?

Sobre a sua vida profissional é o próprio Zito Azevedo quem a conta: “Fiz Rádio pela primeira vez aos 15 anos, no programa «As Lições do Xiquinho» com  Henrique de Albuquerque na Rádio Clube Mindelo (1950) onde vim  a ser locutor, produtor, realizador.” Na rádio da Rua de Lisboa produziu e apresentou diversos programas: Histórias da Nossa História, Outras Terras Outras Gentes, Rádio-Cinema. “Cheguei a Director de Programação!..” Exclama e passa a descrever a sua vida de cantor: “Em 1969, acompanhado do conjunto de Marino Silva gravei cinco mornas na antiga Emissora Nacional para o programa Ouvindo as Estrelas. (Tenho cópias melhoradas desta gravação)! Com Os Centauros (conjunto) gravei um disco de mornas, editado pela Casa do Leão e outras aparições em público inclusive acompanhado pela Voz de Cabo Verde.”

Foi na época, produtor de rádio independente com a sua empresa Produções Onda, conforme explica: “realizei e produzi para a Rádio Barlavento “Onda do Desporto” e “Revista Sonora”... De sociedade com Abílio Alves e Abel Pires Ferreira, fiz a produção e realização de uma emissão de rádio independente (na Radio Barlavento), das 22 às 24 horas – “Encontro às Dez” – Música, publicidade, animação concursos interactivos... Também era noticiarista (3 vezes por semana)! Orientei as primeiras emissões de Frequência Modulada da Rádio Barlavento...”

Estas declarações, foram por ele enviadas por e-mail em 2012 para eu poder fazer uma curta biografia para o livro em que estou a trabalhar Kab Verd Band AZ. Não satisfeito, solicito mais informações e ele responde: “As Produções Onda foi uma produtora de rádio (julgo que a primeira) e era de minha propriedade: eu produzia, realizava, montava e gravava tudo em estúdio que tinha em minha casa, onde era produzida também a publicidade para o  Encontro às Dez.” Enviei-lhe entretanto o texto que escrevi para ele ver e corrigir; e respondeu: “Neste caso podem omitir-se os nomes e dizer que se tratava de «uma parceria», em vez de sociedade... Essas duas horas de emissão eram «compradas» à Radio Barlavento e nós cobrávamos pela publicidade emitida durante a emissão... Devo adiantar que dava lucro...!” E terminava assim o e-mail: “Um forte abraço e votos de felicidades para um trabalho de tanto fôlego... Zito”.

Eu não imaginava que um dia, esses dados também serviriam para esta crónica sobre este vulto da rádio cabo-verdiana. Obrigado Zito por tudo o que aprendemos contigo, foste um homem simples, quem melhor do que tu, para traçar o teu retrato? “Antigo (82 anos), mas activo, amigo do meu amigo, coração de manteiga, amante do belo, bom garfo, conversador, não fumo, mas adoro um bom Gin&Tonic...!” Que mais poderias ter/ser para que valesse a pena a tua recordação?

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 794 de 15 de Fevereiro de 2017.

domingo, 19 fevereiro 2017 22:42 Publicado em Política

Acompanhada em palco por mais 67 membros que compõem os órgãos nacionais, a líder do PAICV, Janira Hopffer Almada, encerrou, este domingo, o XV Congresso do partido. Eleito com 93% dos votos expressos, o Conselho Nacional apresenta uma lista renovada, da qual estão ausentes nomes sonantes como Cristina Fontes Lima, ou Felisberto Vieira e Júlio Correia - líderes do chamado Grupo de Reflexão.

domingo, 19 fevereiro 2017 14:55 Publicado em Sociedade

Em vésperas da visita oficial do primeiro-ministro de Portugal a Cabo Verde, a comunidade cabo-verdiana pede aos dois governos que se concertem numa revisão das leis da imigração, que facilite a nacionalidade dos filhos dos emigrantes nascidos em Portugal.

domingo, 19 fevereiro 2017 06:00 Publicado em Economia

Cabo Verde é considerado pelos amantes da pesca desportiva como um dos melhores spots do mundo para a prática da modalidade. O triângulo São Vicente, Santo Antão e São Nicolau destaca-se na pesca do marlin, com exemplares que atingem várias centenas de quilos. Que potencial oferece São Vicente num segmento turístico com muito para oferecer?

A pesca desportiva é um produto turístico em ascensão a nível mundial e consiste na captura de peixe, não para consumo ou comércio, mas pelo prazer de pescar. Depois de pescados, pesados e marcados, os exemplares são geralmente devolvidos vivos ao seu habitat natural. Muitos peixes são capturados várias vezes ao longo da vida.

A pesca desportiva é um dos segmentos da chamada pesca recreativa, um sector com potencial turístico, grande margem de crescimento e que tem capacidade de gerar fluxos turísticos constantes e, consequentemente, benefícios económicos.

De acordo com um estudo publicado em 2010, coordenado por Andrés Cisneros-Montemayor, da Universidade de British Columbia, em Vancouver, no Canadá, estima-se que a pesca por recreação empregue cerca de um milhão de pessoas em todo o mundo, num mercado que valerá perto 40 mil milhões de dólares e com tendência para crescer. Aliás, o autor acredita que a falta de estatísticas em muitos países signifique que os números pecam por defeito.

O turismo de pesca tem sido aproveitado como opção de desenvolvimento em determinadas regiões, sobretudo pela capacidade de criação de postos de trabalho e promoção de oportunidades para as comunidades locais, além da dimensão ecológica, com a salvaguarda dos recursos naturais. Perto de nós, os Açores têm usado a pesca desportiva como uma das suas imagens de marca.

Em Cabo Verde este tipo de pesca pode ser praticado durante o ano inteiro, mas a estação principal para a pesca do marlin começa agora e prolonga-se até Novembro. No mar de Cabo Verde também é possível encontrar outros peixes apreciados pelos amantes da pesca desportiva, como atum, serra ou tubarão.

De acordo com os operadores, o arquipélago tem capacidade para atrair desportistas de mundo inteiro, sobretudo aqueles que viajam milhares de quilómetros para pescar marlin. Para que a oportunidade seja aproveitada, é preciso um melhor planeamento e a organização do segmento turístico, de modo a garantir a sustentabilidade dos investimentos e um maior retorno para a economia local.

Silvestre Évora, conhecido advogado de São Vicente, amante de pesca desportiva e dono de uma pequena embarcação, recorda que foi com o objectivo de aumentar o proveito da modalidade que, em 2009, foi fundado o Sport Fishing Club do Mindelo, do qual é presidente.

“Ousaria dizer que o Sport Fishing Club do Mindelo surge num momento crucial para a internacionalização de Cabo Verde  como destino para a prática da pesca desportiva. A sede onde estamos instalados foi construída de raiz em 2012/13 e a partir daí os barcos de pesca desportiva que se encontravam dispersos juntaram-se e criámos esta infra-estrutura, que permite programar a actividade em conjunto e atrair pessoas”, defende.

“Em 2015 fizemos o primeiro campeonato  internacional da pesca desportiva, que decorreu entre São Vicente e Santo Antão, associados a uma congénere da Holanda, que trouxe mais de vinte pescadores”, exemplifica.

No Mindelo existem cerca de 25 embarcações de pesca desportiva. Números não oficiais, recolhidos junto dos donos desses barcos, apontam para mais de 1000 turistas recebidos anualmente. Gente do mar que procura os encantos das águas em redor de São Vicente e que chega com dinheiro nos bolsos, disponível para o gastar.

Cada turista pode deixar entre 700, 800 ou 1000 contos na economia local, entre alojamento, refeições, aluguer de barco e tripulação.

Silvestre Évora é ainda mais generoso nas contas e acredita que todos os anos se alcance um proveito total 1,5 milhões de euros. Números que podem crescer substancialmente se a pesca desportiva merecer mais atenção por parte das autoridades.

“Posso dizer que, quando decidimos criar a associação, apresentámos um projecto para beneficiação de toda esta baía. Entregámos o projecto às autoridades competentes – AMP, ENAPORT – mas até hoje ninguém nos disse nem A nem B”, lamenta.

“Diria que faltam acções concretas”, resume.

Na mesma linha de pensamento, o capitão Giorgio Assolari, há 16 anos dedicando-se à pesca desportiva em Cabo Verde, chama a atenção para a urgência da criação de condições que permitam consolidar a ilha como um destino para os amantes da modalidade. Mais hotéis e mais oferta turística parecem ser fundamentais. 

“Em São Vicente não temos estruturas turísticas como resorts, que atraem grande número de turistas”, lembra.

“É difícil os turistas ficarem uma semana em São Vicente, porque a ilha tem hotéis, pensões, mas não oferece estruturas de recreio para férias em família, como existem, por exemplo, na ilha do Sal”, aponta.

Os amantes da pesca desportiva chegam ao país vindos maioritariamente da França, Alemanha, Austrália, Polónia, Holanda, Canadá, Itália e Suíça. Cabo Verde concorre com outros destinos mundiais – como Açores e Espanha – na atracção de turistas.

Giorgio Assolari garante que o país fica em desvantagem com os destinos concorrentes, não pelas questões naturais, mas sim pela logística envolvente.

“Em 6 ou 7 dias de férias, uma pessoa perde 2 ou 3 dias só em viagens, coisa que não acontece noutros pontos”, acrescenta.


Prioridade e incentivos

A proposta de classificação do turismo de pesca como um importante segmento do sector turístico nacional e a sua definição como prioridade política é uma necessidade unanimemente reconhecida por todos os operadores.

Há 20 anos, Berno Niebuhr deixou a Alemanha para se dedicar à pesca desportiva em Cabo Verde. Agora, pede a criação de um pacote fiscal específico. 

“Atraímos muitos turistas que vêm exclusivamente a Cabo Verde para  a prática da  pesca desportiva. Em alguns países, os governos criam incentivos, sobretudo fiscais, para os operadores”, expõe, ao defender uma política fiscal mais justa.

“Cada um  tem que pagar o seu imposto, para exercer a sua actividade,  mas aqui o preço é muito alto e torna o país menos competitivo em relação a outros destinos, uma vez que temos que pagar às finanças, à capitania e mais uma taxa aqui, outra ali. Acho que deviam criar um pacote para regulamentar o sector e que criasse alguns incentivos”, clarifica.

A especialização e promoção de São Vicente como destino de turismo de pesca têm como objectivo último o aumento da oferta turística nacional e a diversificação dessa mesma oferta. Assumir e promover os desportos náuticos no seu conjunto é, para Silvestre Évora, uma aposta acertada que deve merecer a atenção e envolvimento de todos.

Os promotores e a associação que os representa esperam que “o governo, juntamente com os responsáveis desportivos, analise os estrangulamentos  existentes e ajude a ultrapassar esses constrangimentos,  seja a nível das infra-estruturas, seja a nível das questões  fiscais”.

“Com o desenvolvimento da prática desses desportos é Cabo Verde que desenvolve”, recorda.

Parece consensual que as actividades turísticas de lazer constituem um importante instrumento no processo de desenvolvimento económico e social dos países costeiros. À frente do clube de pesca desportiva, Silvestre Évora reforça a necessidade de serem criadas as condições base para que a oferta no ramo dos desportos náuticos e de recreio, em particular a pesca desportiva, sejam capazes de acompanhar a procura de um público que, tendo poder de compra, é também exigente quanto à qualidade do serviço oferecido.

“Temos condições naturais para poder promover campeonatos internacionais da pesca desportiva, de remo, de mergulho. Há muita gente por esse mundo fora que procura lugares que ofereçam condições para a prática desses desportos”, conclui, em jeito de alerta, para que Cabo Verde não perca a oportunidade.

 Com Lourdes Fortes

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 794 de 15 de Fevereiro de 2017.

domingo, 19 fevereiro 2017 06:00 Publicado em Exclusivo

Estas entrevistas foram realizadas em 2004, na cidade da Praia, no âmbito de uma investigação académica. Apesar do desaparecimento físico dos dois ex-presidentes, a actualidade, a exemplaridade e o impacto das suas intervenções justificam, por si sós, esta publicação, passados 13 anos após a sua realização e 26 anos depois das primeiras eleições do Presidente da República de Cabo Verde por sufrágio universal e directo. Agradece-se aos familiares de ambos que foram previamente contactados por não terem apresentado reservas quanto à publicação e partilha destas memórias.

Aristides Pereira nasceu em Novembro de 1923, na pacata localidade de Fundo das Figueiras, na ilha da Boa Vista, e morreu em Setembro de 2011, aos 87 anos de idade. Foi o primeiro Presidente da República de Cabo Verde (1975-1991), por meio de um regime monopartidário, numa altura em que o chefe de Estado era escolhido pelo Parlamento de entre os deputados eleitos.

Acreditando no seu dever cívico, submeteu-se ao jogo democrático, tendo porém sido derrotado nas primeiras eleições presidenciais livres e directas em 1991, quando conseguiu apenas 26,1% dos votos. Tinha sido, anteriormente, Secretário-Geral do PAICV (1981-1990), Secretário-Geral do PAIGC (1973-1981) e Secretário-Geral Adjunto do PAIGC (1964-1973), partidos em que foi membro fundador.

Retirado da política e recuperado das derrotas eleitorais dos princípios de noventa, encontrámos um Aristides Pereira com elevado sentido de humor, gracejador até, atento e preocupado com o desenrolar dos acontecimentos do país que ajudou a construir.

Aristides Pereira reconheceu que, depois de quinze anos de partido único, a decisão de se enveredar pelo multipartidarismo foi a consequência lógica de um “processo mais alargado, que é o desenvolvimento do país.” No entanto, apesar dos avanços verificados durante os anos de democracia, considerou que Cabo Verde deveria estar “num caminho mais positivo”. Neste sentido, afirmou que para aprofundar a democracia seria necessário investir na educação cívica dos cidadãos.

O antigo presidente assegurou que a participação cívica em Cabo Verde é ainda fraca, porque as pessoas estão demasiado preocupadas com os seus problemas pessoais e “têm um problema em aceitar o colectivo”. No entanto, argumentou que não existem barreiras à participação política, o que faltaria, no seu entender, é a espontaneidade das pessoas para a participação. Por conseguinte, garantiu que para motivar as pessoas a participarem seria preciso investir na educação.

Eurídice Monteiro – Como foi o processo de abertura política em Cabo Verde?

Aristides Pereira – Eu penso que, para descrever o processo de abertura política em Cabo Verde, temos que recuar um bocadinho (risos). Temos que ir à forma como Cabo Verde se tornou independente. Como todos sabem, foi o PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde) que conquistou a independência de Cabo Verde. Cabo Verde tornou-se independente depois de longos anos de negociações na Guiné-Bissau e em Cabo Verde e de luta armada na Guiné-Bissau. A luta armada foi na Guiné-Bissau, porque aí as condições eram mais favoráveis para esse tipo de luta. Em Cabo Verde, havia esse pressuposto, mas implicava condições que não tínhamos na altura. Primeiro, tinha-se que começar por uma mobilização da população e isso na Guiné era mais fácil, visto que a Guiné é um país continental. Era muito mais fácil mobilizar a população na Guiné do que em Cabo Verde. Na altura, a repressão era grande e o facto de Cabo Verde ser um arquipélago não permitia o desenvolvimento das acções de mobilização. Estávamos automaticamente presos... Avançamos com a luta na Guiné e chegamos a um ponto de domínio total do PAIGC e desespero total dos colonialistas. Em 1973, assassinaram Amílcar Cabral, que era o nosso líder, mas mesmo com a morte de Cabral conseguimos proclamar a independência da Guiné. Deu-se o 25 de Abril e, dessa data a Julho de 1975, fizemos acordos no sentido da libertação de Cabo Verde. O Governo português deixou de ser administrador de Cabo Verde e constituímos um Governo de Transição. Este Governo de Transição foi formado por portugueses e cabo-verdianos. Esse período de transição decorreu de Dezembro de 1974 a Julho de 1975. Concordamos que para proclamar a independência de Cabo Verde era necessário fazer uma consulta popular, ou seja, o povo de Cabo Verde tinha que dizer o que queria: quer continuar ligado a Portugal ou quer a sua independência? A consulta popular (sic) foi realizada no mês de Junho [Recorda-se que 30 de Junho de 1975 foi a data da realização das eleições para a Assembleia Constituinte, tendo as listas eleitorais sido preenchidas apenas por candidatos sancionados pelo PAIGC.] O povo cabo-verdiano manifestou-se em mais de 90% que queria a independência. As organizações internacionais assistiram todo o processo e o Governo português aceitou conceder a independência de Cabo Verde. Assim, a 5 de Julho de 1975, proclamámos a independência de Cabo Verde. Repara bem como é que o PAIGC chega ao poder em Cabo Verde. PAIGC lutou pela independência de Cabo Verde; fez-se as eleições e o PAIGC saiu vencedor. Tomamos o poder e percebemos que a situação de Cabo Verde não era fácil. Aceitamos esse desafio. Com a cisão da Guiné e Cabo Verde [na sequência do golpe militar de 14 de Novembro de 1980 na Guiné-Bissau], o PAIGC passou a ser designado por PAICV (Partido Africano da Independência de Cabo Verde). Construímos o Estado cabo-verdiano e construímos o país a partir do nada. Foi extremamente difícil construir o país. Não havia tempo para pensar em sistemas democráticos e outros partidos. Não havia sociedade civil. Não existia Estado, não existiam instituições e não existia nada. Desta forma, nós concentrámos todas as nossas forças para dignificar o Estado e criar instituições que dessem vida ao Estado. E isso absorvia todas as nossas energias e não há dúvida que não existia nem tempo e nem condições para pensar em eleições democráticas. De maneira que avançamos com o “célebre” partido único (riso)... Conseguimos lançar os alicerces do Estado, conseguimos dar a vida ao país, construímos os edifícios da administração. Nos cinco primeiros anos do Estado de Cabo Verde, não tivemos tempo para mais nada. Antes não tínhamos Assembleia, não tínhamos nada. Tivemos que construir tudo. No 10º ano e no 15º ano do sistema de partido único, começa-se a sentir a sociedade civil. A sociedade civil começa a aparecer nessa altura. Não havia outro caminho naquela altura. Depois de satisfazer as necessidades básicas do país é que a sociedade civil emergiu. Sentimos que havia alguma exigência por parte da sociedade civil. E, então, aceitamos fazer algumas reformas. Avançamos com a liberalização económica, que era fundamental. A partir daí sentimos que havia um movimento da sociedade no sentido da abertura política. Percebemos que era preciso prosseguir com a reforma política, que precisávamos de outras correntes políticas. Procurámos pormo-nos à frente desse movimento e conduzirmos Cabo Verde à democracia. Primeiro era preciso legislar, mas tudo isso leva o seu tempo. No Congresso do PAICV de 1988, prevemos a abertura política. No Congresso, as teses que nós apresentámos sobre a abertura política foram reprovadas. Houve um grupo que se opôs. E é interessante que esse grupo que se opôs era constituído por jovens. Face a essa oposição as coisas tiveram que continuar como estavam. A sociedade civil não parou, havia cada vez mais pressão neste sentido. Essa situação levou-nos a convocar um conselho nacional extraordinário para tomar certas decisões. E foi assim que tomamos a decisão de eliminar o artigo 4º da Constituição e concretizar, assim, a abertura política. Assim, chegámos ao multipartidarismo. Essa medida política foi consequência de um processo mais alargado, que é o desenvolvimento do país.

 

Para si, como é que a democracia em Cabo Verde tem vindo a consolidar-se?

Eu penso que a democracia em Cabo Verde tem vindo a desenvolver-se, sobretudo, quando a comparamos com as democracias no resto da África. Considero que a democracia em Cabo Verde está em bom caminho, mas considero que já tinha obrigação de estar num caminho mais positivo. Nas eleições autárquicas [de 2004], percebi que em Cabo Verde não há lugar para determinados comportamentos. O facto de ter havido alternâncias leva a concluir que a democracia neste país está num bom caminho. Talvez fosse mais perigoso se o MpD continuasse no poder. Portanto, o facto de ter havido uma alternância em 1991 e outra em 2001 levou o país a uma melhoria do nível da sua democracia. Um partido não pode estar só no poder, pode estar na oposição... Eu admiro muito o Presidente da República [Pedro Pires]. Ele foi Primeiro-Ministro no sistema de partido único; foi extremamente maltratado nas eleições de 1991, mas ergueu-se e, hoje, é Presidente de Cabo Verde. Basta dizer que lhe fizeram enterro três vezes (risos); o povo não queria ouvir falar nele, mas as coisas mudaram... A política é algo que não me atrai, fui lá parar. Eu fiz política sem ser política [pensá-la como sendo política]. Entregaram-me a responsabilidade e procurei dar conta do recado. Na campanha de 1991, muita gente me disse que não valia a pena candidatar-me, que ia perder; mas eu candidatei-me, porque havia gente que apostava em mim e que estava à espera da minha candidatura. Eu estava a concorrer para cumprir um dever cívico. Tive pouco impacto na altura (risos), mas isso não importa. Depois de saber os resultados das eleições, libertei-me...

 

Que avaliação faz do atual estado da democracia em Cabo Verde?

Nós estamos num bom caminho. Considero que nós estamos a assistir a uma bipolarização em Cabo Verde que, em vez de se dissipar, está a afirmar-se cada vez mais. Em Cabo Verde, há dois grandes partidos. Mas, se você for ver os programas desses dois partidos, não constata nenhuma diferença. Quanto a mim, estamos a aproximarmo-nos do modelo vigente nos EUA. Repara que nos EUA, praticamente, existem dois partidos: republicanos e democratas. E qualquer outro partido que apareça é esmagado e desaparece. Ora, é isso que acontece em Cabo Verde.

 

Em seu entender, o que é preciso fazer para aprofundar a democracia em Cabo Verde?

Eu penso que é preciso investir na educação cívica dos cidadãos. Isso é feito nas escolas, na família, nas organizações da sociedade civil... Dar mais consistência ao nosso sistema. Com isso, teremos o nosso sistema democrático mais consolidado.

 

Que avaliação faz dos diferentes modos de participação em Cabo Verde?

Ainda está fraca. As pessoas estão preocupadas com os seus problemas pessoais e têm um problema em aceitar o colectivo. O homem cabo-verdiano preocupa-se muito com a sua sobrevivência e, muitas vezes, esquece o colectivo. Enquanto as necessidades básicas não forem satisfeitas os indivíduos tendem a não participar na esfera pública.

 

Acha que em Cabo Verde existem barreiras à participação política?

Eu acho que não. Eu acho que o que falta é a espontaneidade das pessoas para a participação.

 

O que pode motivar as pessoas a participarem na política?

É através da educação.

 

Acha que pode-se falar em igualdade democrática neste país?

Isso é muito difícil até porque nós temos uma mentalidade profundamente marcada pela religião. A religião católica prevê a existência de desigualdades (por exemplo: desigualdade entre homens e mulheres). Quer dizer, com essa mentalidade, é extremamente difícil pensar em igualdade democrática.

 

De que modo descreve o funcionamento dessas instituições democráticas em Cabo Verde?

Somos um país com 29 anos e 29 anos [em 2004], na vida de um país é como um ano na vida de uma criança... As instituições cabo-verdianas estão em desenvolvimento, mas ainda não atingiram a maturidade.

 

Acha que o sistema judicial funciona bem ou mal?

Eu acho que está a funcionar dentro dos seus limites. Funciona com base nas condições que o país proporciona.

 

Que avaliação faz da actividade de fiscalização da oposição?

A oposição não tem um espírito democrático. Há o espírito de indicar os erros do Governo [PAICV, na altura] e mostrar que ela [a oposição, MpD] é a alternativa para o país. A actividade da oposição está a melhorar mas, ainda, é algo que é um pouco nebuloso.

 

As organizações da sociedade civil (sindicatos, associações não governamentais, outros tipos de associações) têm algum controlo na fiscalização das operações políticas?

Funcionam, mas apresentam grandes fraquezas. Os trabalhadores sindicalizados, por causa da ignorância e por causa da situação do próprio país, não estão em situação de dar o devido valor ao sindicato. Os trabalhadores não têm consciência do que o sindicato pode ou não pode fazer e do que o país pode oferecer.

 

Acha que existe alguma forma de manipulação às forças de seguranças?

É evidente que existe algum controlo do poder político sobre as forças de segurança. Mas, manipulação depende de quem está no poder. Estou crente que há uma consciência nos políticos da necessidade de não manipular esses órgãos que estão ao serviço do Estado.

 

Como é que define a relação entre os meios de comunicação social e o poder político?

Precisamos de dar tempo ao tempo. Só agora é que os meios de comunicação social estão a amadurecer. Só agora é que começamos a ter jornalistas com uma certa formação. Antes os jornalistas eram simples amadores, mas agora já temos muitos jornalistas com curso superior. Tudo isso é algo que está em gestação. Temos que esperar para ver. O país é muito novo para ter tudo. Estou convencido de que estamos a fazer uma evolução num bom sentido. Há uma certa dependência dos meios de comunicação em relação ao poder político, porque os principais meios de comunicação que nós temos são do Estado e dependem do Estado. Já temos algumas rádios privadas e alguns jornais privados e, por isso, estamos a evoluir.

 

Que avaliação faz da experiência eleitoral em Cabo Verde?

Eu acho que é uma experiência boa. Temos que melhorar e dar mais fiabilidade ao sistema. Desde 1991 a esta data, o processo eleitoral tem evoluído. Praticamente desde 1991, não houve reclamações plausíveis. Estamos a caminhar num bom caminho. A confiança da população no processo eleitoral está a aumentar.

 

Em Cabo Verde tem havido oscilações nas taxas de abstenção e de participação eleitoral. Em seu entender, que factores explicam a predisposição de alguns cidadãos para o exercício do voto e a de outros para a abstenção?

A abstenção está relacionada com a educação cívica. Há gente que não vota, porque não quer, porque não se importa com a questão pública, prefere ir à praia do que ir votar – sem pensar no valor do voto. Penso que com a educação cívica a taxa de participação pode aumentar. Portanto, considero que quanto maior é a educação cívica maior será a vontade de participar nas actividades públicas e, por conseguinte, maior será a vontade de exercer o direito do voto. E quanto menor é a educação cívica menor é a vontade de votar. Portanto, o factor comum é a educação cívica. A educação cívica é o factor principal.

 

O sistema eleitoral adotado em Cabo Verde é adequado ou não?

Até agora não há nada que me leve a pensar que o sistema eleitoral não é adequado. Há quem diga que este sistema prejudica os pequenos partidos, mas eu acho que esse sistema corresponde às nossas necessidades. Um país pequeno como Cabo Verde para sobreviver não precisa de muitos partidos. Há uma tendência natural para a bipolarização em Cabo Verde e penso que pouco se pode fazer contra isso.

 

Será que o número de mandatos afetos a cada círculo eleitoral é determinado de forma democrática?

Acho que é determinado de forma democrática. Mas a questão democrática não é a mais importante, uma vez que somos um arquipélago temos que ter em conta as especificidades de cada ilha. O critério da representatividade é mais importante do que o critério da proporcionalidade. Num país democrático, temos que dar oportunidade às pessoas, independentemente do espaço geográfico onde estão inseridos. Sim, considero que os mandatos são distribuídos de forma democrática...

 

Entrevistado por Eurídice Monteiro (Praia, 2.4.2004)

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 794 de 15 de Fevereiro de 2017.


domingo, 19 fevereiro 2017 06:00 Publicado em Desporto

Após ter-me sagrado campeão regional absoluto de São Vicente em Dezembro de 2009, tive que suportar um “jejum” de um ano sem competir, dada a ausência de torneios que deveriam estar ao encargo da Associação de Xadrez de São Vicente.

Eis que em Dezembro de 2010, recebi uma convocatória do capitão da equipa “Pinéu Chess”, Francisco Carapinha, actual presidente da Federação Cabo-verdiana de Xadrez e presidente da AXSV na altura, para jogar um match amigável contra a equipa da Alliance Française, talvez com o intuito de “acordar” o xadrez mindelense, que, na verdade, só veio a despertar oficialmente do “sono” em Julho de 2011 com a organização do torneio comemorativo do 88º aniversário do G.S. Castilho, para depois voltar a cair em esquecimento um ano mais tarde e prolongado até os dias de hoje.

Voltando a centrar-me no título deste artigo, o match com a equipa francesa foi agendado e teve lugar no clube de xadrez da associação Française.

Calhou-me como adversário o ex-presidente da Câmara Municipal de São Vicente, João Faria, que segundo se conta, era um assíduo competidor nos torneios locais antes de afirmar-se devidamente na política.

 

Éder Pereira vs João Faria Gambito da Dama  Mindelo, 07-12-10

1.d4 d5 2.c4 c5 (era a primeira vez que me tinham respondido com 2…c5 numa partida clássica. Pela minha experiência em partidas com menor tempo reflexão, as brancas ganham quase sempre iniciativa nesta variante, o máximo que as negras conseguem, é igualar as possibilidades jogando para empate. Não me lembrava dos lances teóricos a seguir, pelo que despendi alguns minutos tentando perceber a posição e encontrar uma variante satisfatória para as brancas.)

 3.cxd5 Dxd5 (este foi sem dúvida uma má opção, pois após 4.Cc3,ganha-se um tempo sob a Dama e as brancas ganham rapidamente iniciativa. Melhor teria sido 3…Cf6, desenvolvendo uma peça e pressionando o peão d5. A minha preocupação após 3…Dxd5, era que depois de 4.Cc3, as pretas poderia capturar de Dama em d4, dando origem a um jogo simétrico. Aprofundei-me nos cálculos para ver se valia a pena responder com 4.Cc3. Então: 4.Cc3, Dxd4; 5.Dxd4, cxd4; 6.Cb5, Ca6; 7.Cf3,Cf6; 8. Cbxd4, com uma vantagem ínfima das brancas, devido ao mau posicionamento do cavalo preto em a6. Responder com 8.Bf4 parece lógico. Desenvolve-se mais uma peça para o centro e liberta-se a coluna C para a torre. Mas as pretas jogavam depois 8…Bd7 e 9…Tc8 ou 8…Ce4! Este último, com a intenção de prosseguir com 9...e5 sacrificando o peão, mas ameaçando Bb4+, causando sérios problemas para o exército branco. Concluí, após mais algumas análises, que poderia entrar na variante em causa.)

4.Nc3 Dc6? (esta não é de longe a melhor casa para a Dama. Hoje, revendo esta partida, a primeira coisa que vi instantaneamente, foi que Dama encontra-se agora na mesma diagonal do Rei (c6-d8), pelo que responder com 5.e4, ameaçando Bb5, seria fortíssimo. Ganhava-se tempo, espaço e controlo central. Mas a partida prosseguiu de forma diferente.)

5.d5 Df6? (outro mau lance! Obstrui-se a melhor casa para o cavalo g8) 6.g3 Nd7 7.Nf3 a6 8.a4 h6 9.Bg2 e5 10.O-O Bd6 11.Nd2 (com o intuito de passar o cavalo d2-c4 e eventualmente o de c4-e4 para pressionar em d6) Qe7 12.Nc4 Ngf6 (12…f5 seria outra possibilidade, mas a meu ver, inferior) 13.e4 b6 14.f4 (preparando para destruir o centro das pretas) Bb7 15.Ra3 (Bobby Fischer era um dos poucos que aplicava este lance em posições fechadas. O lance tem duplo sentido: manter-se na linha 3 com propósito de ocupar, no futuro, uma das colunas d, e, f (dobrando as torres), ou ocupar a casa b3, controlando esta coluna. Era essa a minha intenção.) b5? (talvez tenha sido um grave descuido do meu oponente. Agora as pretas estão posicionalmente perdidas!) 16.axb5 axb5 (16…0-0 teria sido melhor) 17.Nxb5 Bb8 18.Rxa8 Bxa8 19.d6 (não foi a melhor continuação. 19. Da4 era mais forte. A ideia por detrás desse avanço de peão era obrigar a Dama a ir para uma má casa, já que 19…De6 permitia 20.Cc7+ Bxc7, 21.dxc7, Dc6; 22. Cd6+ Re7, 23.Cf5+ Re6…dava origem a uma posição que exigia muita táctica, onde qualquer deslize, o feitiço poderia virar-se contra o feiticeiro. Não resultava 23. c = D+, Txc8; 24. Cxc8+, Dxc8) Qd8 (com este lance, as pretas facilitam irremediavelmente as coisas para as brancas) 20.fxe5 Nxe4 21.Qg4 (21.e6 seria fatal! Se 21…fxe6; 22.Dh5+, com mate no lance seguinte. E se 21…0-0;22.e7 com “forquilha”) O-O 22.Bxh6 Ng5 23.Bxg5 f6 24.Bxa8 fxg5 25.Bd5+, as pretas abandonam devido ao mate inevitável.

 

                                 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 794 de 15 de Fevereiro de 2017.

domingo, 19 fevereiro 2017 06:00 Publicado em Exclusivo

Estas entrevistas foram realizadas em 2004, na cidade da Praia, no âmbito de uma investigação académica. Apesar do desaparecimento físico dos dois ex-presidentes, a actualidade, a exemplaridade e o impacto das suas intervenções justificam, por si sós, esta publicação, passados 13 anos após a sua realização e 26 anos depois das primeiras eleições do Presidente da República de Cabo Verde por sufrágio universal e directo. Agradece-se aos familiares de ambos que foram previamente contactados por não terem apresentado reservas quanto à publicação e partilha destas memórias.

António Mascarenhas Monteiro nasceu em Fevereiro de 1944, no pequeno porto de Ribeira da Barca, na ilha de Santiago, e morreu em Setembro de 2016, aos 72 anos de idade. Foi Presidente da República de Cabo Verde entre 1991 e 2001, tendo sido o primeiro no país a ser eleito através de eleições directas, pluralistas e democráticas, tendo conquistado 72,1% dos sufrágios validamente expressos nas eleições de 17 de Fevereiro de 1991 e reconquistado a posição nas eleições de 1996. Anteriormente, durante a I República, tinha desempenhado as funções de Presidente do Supremo Tribunal de Justiça.

Nesta entrevista, pode-se constatar a sofisticação intelectual e o elevado sentido de Estado deste cidadão atento mas reservado, considerado por muitos como um estadista exemplar e digno merecedor do reconhecimento de todos os cabo-verdianos. Ciente do poder de influência das suas palavras, transcrevemos a sua entrevista para as partilhar com o grande público, principalmente com as gerações mais jovens, de modo a permitir um conhecimento mais profundo do seu pensamento, da sua dimensão humanista e do seu sentido cívico.

António Mascarenhas Monteiro defendeu que o processo de transição política em Cabo Verde havia decorrido normalmente, “foi um processo correcto”. No seu entender, os marcos fundamentais do processo de democratização de Cabo Verde foram a eliminação do artigo 4º da Constituição, a abertura ao multipartidarismo (possibilidade de criação de partidos políticos), a criação de condições para a realização das eleições (leis eleitorais) e as eleições.

Para o nosso entrevistado, as primeiras eleições multipartidárias foram livres e transparentes, sendo de destacar o facto do então partido no poder (PAICV) ter tido “a grande dignidade de aceitar os resultados das eleições”. António Mascarenhas Monteiro considerou que a democracia em Cabo Verde já se tinha vindo a consolidar, pois no país haviam já ocorrido alternâncias políticas. No entanto, reconhecia que, a nível dos partidos políticos, a linguagem nem sempre pareceria a mais apropriada.

 

Eurídice Monteiro – Como descreve o processo de abertura política em Cabo Verde?

Mascarenhas Monteiro – Eu penso que foi um processo que decorreu normalmente. Até se não me engano, a abertura política teve lugar em 1990 quando o então partido no poder, PAICV, decidiu revogar o artigo 4º da Constituição, abrindo o país ao multipartidarismo. O artigo 4º dizia que o PAICV “é a força dirigente da sociedade e do Estado” (Constituição, 1980). Bom, em 1990, ocorreu uma revisão constitucional que eliminou esse artigo e incluiu um artigo que previa a criação de partidos políticos. A seguir foram elaboradas leis eleitorais para o Presidente da República e para a Assembleia Nacional. E, como sabe, a 13 de Janeiro de 1991 tiveram lugar as primeiras eleições legislativas democráticas, a 17 de Fevereiro as presidenciais e em Dezembro foram realizadas as primeiras eleições autárquicas. Portanto, foram esses, em termos muito sumários, os grandes passos no sentido da abertura política. É claro que temos algumas referências em 1988, mas nessa altura eram discussões a nível partidário que contou para o processo de abertura política. Institucionalmente os marcos fundamentais, marcos históricos, são esses: a eliminação do artigo 4º da Constituição, a abertura ao multipartidarismo (possibilidade de criação de partidos políticos), a criação de condições para a realização das primeiras eleições multipartidárias (leis eleitorais) e depois as eleições.

 

Para si, como é que a democracia em Cabo Verde tem vindo a consolidar-se?

A democracia cabo-verdiana é citada em muitas partes como uma democracia exemplar. O processo de democratização de Cabo Verde foi um processo correto, sem problemas maiores e sem violência. Mesmo as primeiras eleições, em que o PAICV ainda estava no poder, foram eleições livres e transparentes e tiveram a grande dignidade de aceitar os resultados das eleições. Perderam as legislativas, perderam as presidenciais e perderam as autárquicas, mas aceitaram os resultados. Em 1995-1996, tivemos novamente eleições legislativas e presidenciais e voltaram a perder. Em 2001, tivemos novamente alternância no poder. A primeira alternância foi em 1991 e a segunda foi em 2000 nas autárquicas e 2001 nas presidenciais e legislativas. Eu acho que a democracia cabo-verdiana é uma democracia que está a consolidar-se a olhos vistos, porque a democracia não é um processo acabado... A democracia é um processo progressivo... A democracia vai-se consolidando através do tempo... Como sabe, mesmo as democracias mais avançadas têm as suas falhas. A nossa também tem, mas vai-se aperfeiçoando. Eu creio que Cabo Verde nessa matéria é um exemplo em África e é o que todos autores reconhecem, sobretudo, autores estrangeiros que se debruçam sobre a nossa democracia. É evidente que a nível dos partidos políticos, por vezes, a linguagem nem sempre é a melhor, uma vez que o tipo de linguagem que eles adoptam depende da posição em que eles se encontram. Um partido quando está na oposição é crítico, diz que a democracia está em perigo [...]. Eu acho que todos os ingredientes de uma verdadeira democracia, de um Estado de direito democrático, estão presentes em Cabo Verde.

 

Que avaliação faz do actual estado da democracia em Cabo Verde?

Eu penso que o estado da democracia em Cabo Verde é de se louvar, porque uma democracia tão jovem não podia ser mais perfeita [...]. Penso que ainda não temos tempo suficiente para fazer melhor. A democracia em Cabo Verde foi interiorizada pelo povo cabo-verdiano... O povo cabo-verdiano já não sabe viver senão em democracia. De facto o povo cabo-verdiano atribui muito valor à democracia, valoriza a democracia, de modo que eu penso que a democracia em Cabo Verde está de boa saúde e está a progredir.

 

Em seu entender, como é que Cabo Verde pode tornar-se mais democrático, ou seja, o que pode significar falar-se em aprofundamento da democracia num país como Cabo Verde?

O aprofundamento da democracia política depende dos políticos, do povo; mas também depende do nível de educação do povo que a pratica. Penso que essa rede de escolarização que estamos a conhecer será o principal factor do aprofundamento da democracia. É evidente que para o aprofundamento da democracia o desenvolvimento educacional tem que estar acompanhado do desenvolvimento sócio-cultural e económico. O factor económico é também relevante, porque na miséria ninguém tem vontade de exercer os seus direitos de cidadania, ninguém tem vontade de exercer um simples direito de voto. Portanto, o que é necessário para aprofundar a democracia é o desenvolvimento económico, aperfeiçoá-lo; desenvolver mais económico e culturalmente o país. Esses são os aspectos mais importantes.

 

De forma geral, que avaliação faz dos diferentes modos de participação política em Cabo Verde?

Aqui está a pôr um problema que está intimamente ligado com aquilo que acabei de dizer. O esforço na melhoria do nível de educação é indispensável. Quanto mais instruída for uma pessoa melhor é a sua possibilidade e maior é a sua vontade de participar. Está a ver... Entre um analfabeto e uma pessoa letrada existe uma grande diferença. A pessoa que tem instrucção pode escrever, pode emitir a sua opinião; ao passo que um analfabeto nem sabe escrever, por vezes até tem dificuldades em exprimir a sua opinião, fica até inibido. De forma que esses dois aspectos estão correlacionados, porque a própria criação de associações exige vontade de participação (uma coisa também que registou um aumento exponencial depois dos anos noventa... antes de 1991 existiam poucas associações e hoje existem centenas, senão milhares de associações em Cabo Verde). Com a democratização, os cidadãos passaram a conhecer certos direitos, passaram a saber que têm direitos, direitos que até desconheciam. A própria democracia propicia o aumento do conhecimento dos direitos dos cidadãos. Portanto, há uma interligação entre todos esses fenómenos. De forma que hoje se escreve muito mais do que antigamente, até porque hoje existem mais jornais... Hoje temos mais pessoas a escreverem nos jornais do que há 10 anos. Pronto, isso é fruto também da própria democracia. A democracia oferece condições ao exercício da cidadania. Em termos gerais, faço uma avaliação positiva, porque não é só a nível dos jornais que houve uma melhoria, basta ver também a quantidade de livros e ensaios publicados [...]. Para comparar esses dados, basta ver quantos livros foram publicados nos anos oitenta e quantos é que foram publicados de 1991 a 2004... Houve uma grande explosão de obras editadas que, quanto a mim, foi propiciada pela democracia. Até porque no regime de partido único as pessoas tinham relutância em escrever, porque havia coisas que não podiam ser ditas, havia problemas tabus... Agora não! Todos os cidadãos sabem que podem escrever tudo, que podem criticar tudo e que não são chamados à pedra por causa disso, a não ser se insultar ou caluniar – isso já não faz parte da democracia... Portanto, acho que a avaliação é positiva quanto à participação dos cidadãos, não só na vida política/pública como na vida da sociedade.

 

Acha que em Cabo Verde existem algumas barreiras à participação política?

Bom, eu não acredito, porque a Constituição é muito liberal no sentido de conceber amplos direitos aos cidadãos. Podem surgir algumas dificuldades aqui ou acolá. Dificuldades que, por vezes, nem são institucionais. Podem surgir dificuldades no exercício de um direito, porque um funcionário resolveu cercear direitos. Isso pode acontecer. E inclusivamente, de vez em quando, há queixas de violação de direitos humanos [...]. Mas não existem barreiras institucionais, porque a Constituição de Cabo Verde é uma Constituição muito extensa, é uma Constituição que regulamenta pormenorizadamente os direitos, de forma que, a nível legal, não existem barreiras. Agora, na prática quotidiana, pode-se encontrar barreiras. Mas, encontrando barreiras, o cidadão não fica desprotegido, porque tem os Tribunais, pode recorrer. Temos não só os Tribunais comuns, como o próprio Tribunal Constitucional [na altura, o STJ fazia as vezes do TC]. De vez em quando, há cidadãos que apresentam queixas até contra o Estado, contra instituições, contra os aparelhos do Estado. O próprio Governo pode, por vezes, constituir barreiras à realização de um direito, mas aí o cidadão pode defender-se, pois tem os Tribunais que constitucionalmente são independentes. Portanto, existe a separação de poderes. Se o Governo limitar o exercício de um direito meu, constitucionalmente previsto, dirijo-me aos Tribunais.

 

Para si, o que pode motivar as pessoas a participarem na política?

Eu penso que a motivação está intimamente ligada à liberdade. Eu sei que posso participar sem sofrer consequências, sei que posso criticar sem ser perseguido, sei que a participação pode ser um fator de progresso para o meu país, portanto, participo. É normal num clima de democracia, a própria democracia convidar as pessoas a participarem. É um aliciante. Mostra às pessoas que têm condições para uma participação mais activa. Com a escolarização tudo está a mudar. Um jovem com 12º ano, independentemente da sua má ou boa preparação, já tem alguma abertura no espírito. Tenta defender os seus direitos e tenta participar, por vezes, até participa para defender os seus próprios interesses. Há associações de âmbito muito específico, que defendem até interesses que são particulares. Temos associações de âmbito local, para defender os interesses dos moradores de uma determina localidade. É só abrir o Boletim Oficial para ver a quantidade de associações que existem e que estão a surgir. Exemplo: Associação dos Amigos de Ponta Belém, Associação dos Amigos de Achadinha, etc. Portanto, há uma dinâmica que, quanto a mim, é muito positiva e muito louvável.

 

Face às diferenças existentes na sociedade cabo-verdiana, acha que pode-se falar em igualdade democrática neste país?

Sabe, a igualdade em qualquer parte do mundo é um objetivo a atingir. A igualdade absoluta não existe, porque é um objetivo a atingir. Se chegarmos a um país como a França, por exemplo, que tem uma democracia muito bem consolidada, constatamos que existem desigualdades sociais, económicas, etc. Desigualdades entre homens e mulheres... isto existe mesmo nos países mais avançados. Aqui, em contrapartida, a nível do Estado, por exemplo, não há diferença salarial entre homens e mulheres. Um médico e uma médica ganham a mesma coisa, um professor e uma professora ganham a mesma coisa, etc. Está a ver... De forma que em termos salariais, o problema nem se põe a nível do Estado. A nível particular não sei, não tenho a certeza e tenho impressão que a prática é igual. Não vejo um patrão a pagar mais a um electricista do que a uma electricista, sobretudo, se essa electricista faz tão bem o trabalho como o outro. Penso que pode haver diferenças, mas as diferenças não são, assim, muito acentuadas. Agora, a igualdade de oportunidade é algo muito difícil de atingir. Está a ver... Uma criança filha de um casal de técnicos superiores, à partida, tem vantagens sobre uma criança cuja mãe é peixeira e o pai é pescador. Para já, o ambiente cultural em que vivem são dois ambientes diferentes. Portanto, uma está em vantagens em relação à outra... A sociedade igualitária não existe. Mesmo nos países mais avançados, como nos países nórdicos, existem também desigualdades, sobretudo, desigualdades de oportunidades. O Estado deve, por vezes, fazer discriminação positiva... Por exemplo, nos EUA, era uma prática comum nos anos 60, no Governo de Kennedy. O quê que faziam? Os estudantes negros não tinham acessos às universidades, porque os pais não tinham dinheiro e porque não tinham média suficiente. Então, faziam a tal discriminação positiva. Em “x” universidades estabeleciam uma quota: por exemplo, 5% dos estudantes têm que ser negros ou originários de minorias étnicas. Está a ver, agora há mil e uma soluções para proporcionar igualdade de oportunidade, mas a igualdade nunca é absoluta. Porque eu mesmo tive colegas na escola primária que eram estudantes brilhantes, mas que não tiveram possibilidades de continuarem os estudos. Eu sou de Santa Catarina, já para fazer o liceu tive que vir para Praia. Dos meus colegas de Santa Catarina, dos que vieram para Praia, era uma dúzia. Claro que agora há liceus por todos os concelhos, há uma maior democratização. Portanto, a igualdade de oportunidade é algo que vai se tornando realidade, também, em Cabo Verde. Nós temos que ter sempre em conta o seguinte: em 1975, quando o país conquistou a independência, a desigualdade era muito mais profunda, sobretudo, a desigualdade entre homens e mulheres. Quando fiz o sétimo ano [equivalente a 12º ano], os rapazes constituíam uma maioria esmagadora, mas actualmente isso já não acontece. Hoje as raparigas recebem mais bolsas de estudo do que os rapazes. Situação bem diferente de um país como o Senegal, que é um país de maioria muçulmana, onde persiste a ideia de que as meninas devem ficar em casa, a fazer trabalho doméstico. Aqui o problema põe‑se não em termos tão acutilantes. Não existe igualdade democrática. Mesmo em casa a mulher é que fica com a maior parte do trabalho doméstico. A igualdade democrática é um problema de educação.

 

A democracia requer a existência de instituições independentes: sistema de representação, sistemas eleitorais, sistema de fiscalização, sociedade civil, meios de comunicação social, forças de segurança, entre outras. De que modo descreve o funcionamento dessas instituições em Cabo Verde?

Bom... Eu penso que o balanço que se pode fazer é um balanço global... Não vou falar especificamente dos Tribunais, do Governo, especificamente da Assembleia Nacional, que é um órgão de representação por excelência, ou do Presidente da República que é um órgão eleito directamente pelo povo. Aqui a avaliação que eu faço é uma avaliação global e positiva que é uma avaliação que incide sobre a democracia cabo-verdiana. Como eu disse anteriormente, a nossa democracia tem sido exemplar, tem funcionado dentro dos parâmetros da normalidade. De forma que a avaliação que eu faço, sem entrar em pormenores, é positiva. Não temos razões de queixas, sobretudo, quando olhamos para trás e constatamos que tem havido progressos. Em todos os sectores têm havido progressos. Portanto, acho que temos todas as razões para estarmos contentes. Claro que há críticas de um lado e doutro, sobre aquilo ou aqueloutro. Mas eu procuro fazer uma crítica objectiva. É claro que nenhum órgão funciona a 100%. Há sempre fases, o funcionamento nunca é óptimo. Mas, no global, o funcionamento das instituições democráticas em Cabo Verde é positivo. Em algumas delas pode ter havido num determinado momento uma quebra, mas não é uma quebra que me leva a fazer um julgamento, um juízo de valor negativo sobre todo o seu funcionamento. A nível do país, as instituições de execução (o Governo, os executivos municipais), de representação (o Parlamento e o Presidente da República, são os mais representativos) e de controlo (Tribunais)... eu considero que essas instituições funcionam de forma positiva [...].

 

Que avaliação faz da experiência eleitoral em Cabo Verde?

A experiência eleitoral também, a meu ver, é boa. É boa porque até agora não se conseguiu provar, em nenhuma das eleições, que houve fraude organizada. Tem havido alguns casos de fraude, mas são coisas não organizadas pelos concorrentes. Penso que isso não é suficiente para manchar o processo eleitoral cabo-verdiano. Aqueles que ganharam as eleições, ganharam-nas de uma forma transparente. É claro que as últimas eleições, sobretudo, as presidenciais [de 2001] foram muito contestadas. Por exemplo: no caso da Covoada, um dos simpatizantes pegou numa urna de votos e levou para sua casa. Isso não parece que é um caso de fraude organizada pelos candidatos. Até porque seria um caso muito perigoso a que ninguém mesmo se atreveria. São esses casos que, quanto a mim, não dão para avaliar no sentido negativo a experiência eleitoral em Cabo Verde. Mesmo havendo alguns casos de fraude, acredito que o processo eleitoral em Cabo Verde tem tido muita credibilidade.  

                         

Entrevistado por Eurídice Monteiro (Praia, 12.3.2004)

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 794 de 15 de Fevereiro de 2017.


domingo, 19 fevereiro 2017 06:00 Publicado em Cultura

O primeiro romance de temática cabo-verdiana é, sem dúvida, O Escravo, de Evaristo d’Almeida (Portugal, 1810? – 1856?), publicado em 1856 (na verdade, dado a conhecer ao grande público em 1989, quando saiu a segunda edição) cuja acção decorre em Santiago, na Vila da Praia.

Que se saiba, depois disso e até à publicação do romance Os Dois Irmãos (1998), de Germano Almeida (Boa Vista, 1945), a ilha de Santiago não foi objecto, enquanto locus central, de nenhuma outra obra literária de ficção. Em 2010 Germano Almeida voltou com A Morte do Ouvidor, um romance histórico sobre a elite da Ribeira Grande de Santiago dos anos setecentos.

Em 2015 apareceu o romance Papa por uma Noite, estreia em ficção de David Hopffer Almada (Santiago, 1945) e, mais recentemente, em finais de 2016, A Ponte de Kayetona, estreia de Eurydice (Eurídice Monteiro, Santiago, 1981). Em todas essas obras o espaço da acção é o interior da ilha de Santiago, designadamente, Santa Catarina, Ribeira Grande e Calheta de São Miguel.

É neste quadro que surge Múrcia, um romance de estreia de Eugénio Inocêncio, Dududa (Santo Antão, 1950), que traz uma dupla novidade: (i) as estórias acontecem na cidade da Praia, o seu locus central, daí o classificar como um romance urbano, e (ii) as estórias são ficcionadas ou contadas por um autor natural de uma outra ilha, no caso, Santo Antão, com uma mundividência diferente e com um outro olhar.

Economista e jornalista em Lisboa nos idos de oitenta, há muito afastado dessas lides, Eugénio Inocêncio lança-se no mundo das letras num género que, a priori, exige uma narrativa de uma certa complexidade na forma e no conteúdo.

Desaparecidos os romancistas da Geração da Claridade – Baltasar Lopes da Silva (São Nicolau, 1907 – 1989), que escreveu sobre São Nicolau e São Vicente; Manuel Lopes (São Nicolau, 1907 – 2005), que tratou Santo Antão; e Teixeira de Sousa (Fogo, 1919 – 2006), que escreveu sobre o Fogo e São Vicente – este género vem sendo mantido entre nós pelo escritor Germano Almeida desde a sua estreia em 1989, com O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo, de forma regular, quase toda ela sobre a ilha de São Vicente e também Boa Vista, sua ilha natal.

Ressalva-se o caso relativamente recente de António Gualberto do Rosário (São Nicolau, 1950), também ele economista, que se estreou em 2002 e já conta com três romances, todos sobre a sua ilha – Hora Minguada (2002), Ilha Imaculada (2004) e A Herança de Chaxiraxi (2012).

De referir ainda o médico Samuel Gonçalves (Fogo, 1945), que publicou Chinho e Colixo (2002) e O Curandeiro de Monte Piorro (2013), todos versando sobre a sua ilha do Fogo.

 

Múrcia

Múrcia é um romance urbano, actual e inovador que aborda temas não convencionais, ou mesmo tabus, não tratados antes na literatura cabo-verdiana. A homossexualidade, a relação dos cabo-verdianos com os outros povos do continente africano, a democracia e o desenvolvimento de Cabo Verde são tratados de uma forma arejada, diria mesmo, ousada.

Sugere-se aqui algumas pistas para a leitura do romance: título do livro, simbologia da capa, estrutura romanesca e enredo ou trama da obra.


Título do livro

Múrcia, tanto pode estar a referir-se a uma jovem Mulher, a personagem principal do romance, como a uma cidade espanhola, capital do município do mesmo nome e da comunidade autónoma da Região da Múrcia e, indirectamente, pelas características e semelhanças, remeter o leitor para a cidade capital de Cabo Verde, a própria ilha de Santiago ou estar a tipificar os seus habitantes.

 

Simbologia da capa

A composição da capa, com uma silhueta e contornos de uma Mulher nua, um Flamingo rosa e o Farol Maria Pia são elementos que prestam a uma interpretação e análise simbólicas e, em certa medida, psicanalítica.

O Farol o e o pescoço do Flamingo são fálicos. O Farol fixa o espaço geográfico, a cidade da Praia, e o Flamingo, que se encontrou só em Santiago vindo do lado leste do continente africano, deslocando-se contra natura, tendo-se perdido do seu bando, leva-nos a questionar se a sua escolha terá sido por mero acaso uma vez que existem outros animais com essa mesma simbologia.

O facto de ser um flamingo, que se alimenta de cabeça invertida, nidificar em colónias e executar rituais de acasalamento em grupo, ser do género rosa (cor culturalmente associada ao universo feminino), mais a silhueta dos contornos da mulher nua, todos esses elementos fazem alusão à sexualidade, ao binarismo de género, à homossexualidade.

 

Estrutura romanesca

O livro tem 222 páginas e está estruturado em XV capítulos enumerados sem título, antecedidos de um Prefácio, cuja função é introduzir o leitor na obra preparando-o para o que vai ler, mas também tem a função de o alertar para determinados aspectos que, no entender do autor, devem ser observados.

Nessa comunicação fora da obra, o autor propõe ao leitor o critério de poder saltar o capítulo IX, que “decorre no Farol da cidade, que ditou que a cidade seja o que é”, regressar a ele depois de concluir a história ou mesmo lê-lo antes do capítulo I, onde tudo começa. Contrariamente a todos os outros, que são relativamente curtos, este capítulo IX, que é central, é praticamente a metade da obra (pp. 60 a 162).

 

Enredo ou trama

“Na cidade africana da Praia proliferam as pessoas anónimas que, pelo seu carácter, facilmente emprestam a alma de onde nascem as personagens, vestidas para dominar-nos e dominar”.

É assim que, no Prefácio, o autor explica os caminhos que o levaram às suas personagens – N., Eduarda, N’Diaye, Noémia, Paulo, Marcelo, Tchibiliu, Sr. Óscar – e à Múrcia. “Sobre a memória destes amigos e amigas nasceram as personagens que me conduziram por estranhos caminhos e que elegeram rainha, entre tantos, Múrcia, uma deusa-menina”.

Um mistério abre a obra e dá o tom ao trama. Um jovem aparecera, dentro da mala de um carro, com um tiro na nuca, com particularidades que tornava o crime singular porque com a assinatura do assassino, desenhos feitos com uma lâmina afiada. Caso entregue a Paulo, agente da Polícia Judiciária, para desvendar.

Várias estórias individuais se cruzam e as personagens, o grupo do The Place, conduzem-nos pela geografia da cidade, dum extremo ao outro, da Avenida Cidade de Lisboa, subindo ao Ptateau pela Ponta Belém, voltando a descer pela rampa de S. Januário, indo até ao Farol da Ponta Temerosa, à Achada de Santo António e ao bairro do Palmarejo onde, num determinado apartamento, faz-nos voyeur.

A longa conversa do Sr. Óscar e Múrcia no Farol da cidade (capítulo IX) é um espaço para reflexões filosóficas, políticas e económicas sobre o carácter do ser humano, a realização pessoal e o sucesso individual, a totalidade e a sua socialização, a reforma do Estado excessivo: a alternância obrigatória, a origem da riqueza individual, a anatomia do sucesso individual, o valor-competitividade, a questão social, a questão de África.

Chegado ao fim do livro, fica-se com a percepção que, mais do que um entretecer de estórias sobre a realidade social, política e económica da sociedade praiense, este é um romance de reflexão, feito de ideias e de convicções e em defesa de causas, numa transposição da vida para um plano artístico.

                                 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 794 de 15 de Fevereiro de 2017.

sábado, 18 fevereiro 2017 23:04 Publicado em Política

A apresentação da Moção de Estratégia de Orientação Política Nacional do PAICV foi um dos pontos altos deste sábado, segundo dia do XV Congresso do partido, que termina amanhã, e que decorre sob o lema “Por um PAICV mais forte. Por um Cabo Verde mais justo”.

sábado, 18 fevereiro 2017 17:23 Publicado em Cultura

O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente anunciou esta sexta-feira que o seu ministério vai lançar, a 20 de Março, um "pacote especial" para as Indústrias Criativas, no quadro do "Programa Empreendedorismo Jovem".

sábado, 18 fevereiro 2017 14:08 Publicado em Cultura

Cinco troféus Palmeira e cinco diplomas de reconhecimento atribuídos é o balanço da primeira edição do Prémio Nacional de Publicidade que aconteceu na noite de ontem,17, na Cidade da Praia. A organização, satisfeita, anunciou uma segunda edição para 2018.

sábado, 18 fevereiro 2017 10:30 Publicado em Economia

A capitalização bolsista, na Bolsa de Valores de Cabo Verde (BVC) atingiu o valor de 67.783.635.796 escudos, depois de uma variação positiva de 8,5% face ao período homólogo, representando 41,6% do PIB. Os dados são do relatório de 2016 da BVC.

Expresso das Ilhas

Top Desktop version