Expresso das Ilhas

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Expresso das Ilhas - Actualidades
quinta, 19 outubro 2017 06:19 Publicado em Opinião

Cabo Verde, de um momento para o outro, vê-se misteriosamente coberto por uma espécie de nuvem densa de “pó di terra artificial” provocada simplesmente com o objetivo de cegar a nação, instigar o pânico geral, impedir o Governo de implementar as grandes medidas que vem tomando e inviabilizar os projetos que integram o seu programa, desde cedo assumidos como compromissos e não como simples promessas eleitorais.  

Ameaças de greve, algumas sem sentido porque não têm em vista o interesse dos trabalhadores, manifestações estranhas porque dificilmente enquadráveis num estado de direito democrático, enfim, Cabo Verde atravessa um momento especial, fértil para aqueles que se dedicam ao estudo do comportamento de grupos sociais, mas também suscetível de ampliar o acanhado espaço de análise política a que estamos habituados.

Matisse, pintor Francês de projeção mundial (acho que foi ele mesmo) chegou a dizer o seguinte:

“Acredito em Deus quando há trabalho. Quando não há ele desaparece”.

Eu não sei que Deus ele seguia ou acreditava. Mas isso não importa.

Como cristão que sou direi a mesma coisa mas de forma diferente:

Acredito em Deus quando há trabalho. Quando não há o diabo fica à solta.

A mentira, como todos sabemos, é a maior arma do diabo. Quem não se lembra da história da maçã?

Da mesma forma que o diabo enganou a Eva e o Adão, hoje, disfarçado de amigo do povo, ele, ele mesmo, o diabo, vem dizer que é o atual Governo o responsável pelo desemprego em Cabo Verde e também por todos os problemas herdados que, diga-se de passagem, este Governo encara naturalmente como desafios.

Ao Diabo não se pede compaixão, mas do povo espera-se justiça e compreensão.

Há dezasseis meses, quando o atual Executivo tomou posse, chegava a ser alarmante o número de desempregados que a anterior governação produziu, podendo caraterizar-se mesmo como calamitosa a situação vivida em S. Vicente, na altura. Acho que todos nos lembramos disso mas o Governo de Ulisses Correia e Silva não pretende nem precisa olhar para trás.

O Governo prometeu, e é isto que interessa, criar nos próximos cinco anos de mandato, quarenta e cinco mil empregos. E está no caminho certo. Vejamos alguns bons exemplos:

A ENAPOR funciona, pela primeira vez, com base num modelo de gestão empresarial profissional orientado para resultados visando toda a cadeia de negócios marítimo e portuário. Para além de projetos de grande alcance, como o PLANO ESTRATÉGICO PARA OS PORTOS DE CABO VERDE que aponta para o horizonte de 2030, a empresa vem tomando medidas ágeis, como a redução da taxa de transbordo de pescado, a redução da taxa de exportação de contentores, de entre outras iniciativas que começam a dar frutos e a contribuir para o aumento do emprego em S. Vicente. Na anterior gestão a ENAPOR funcionava com uma lista de apenas cento e cinquenta efetivos na estiva. Já com a atual Direção e uma nova política, a empresa conseguiu empregar mais de mil estivadores este ano, com tendência para que esse número cresça nos próximos tempos. Isto tudo só foi possível porque a empresa conseguiu atrair mais navios, circunstância que permitiu o extraordinário aumento registado de mão-de-obra portuária.

De assinalar que, com o financiamento da China, está em curso um estudo de viabilidade económica para a Zona Económica Especial Marítima centrada em S. Vicente, com capacidade para projetar a sua influência às outras ilhas do norte.

Deixando o setor da economia marítima e passando para o do ordenamento do território, queria chamar a atenção para o PROGRAMA DE REQUALIFICAÇÃO, REABILITAÇÃO E ACESSIBILIDADE que teve o seu início este ano e que durará três anos. Já foram assinados com as Câmaras Municipais do Sal e da Boavista contratos programas num valor superior a dois milhões de contos, com prazos de execução dos projetos fixados em 56 meses.

Novas habitações, em substituição de casas de tambor, adaptadas à realidade sociológica das camadas beneficiárias, serão construídas principalmente nas cidades mais atingidas pelo fenómeno de habitações espontâneas.

Encontram-se já em curso alguns projetos com alguma importância nos vários ministérios e muitos outros, os mais importantes, estão numa fase de preparação avançada, praticamente em vias de concretização.

Custa a acreditar, mas curiosamente é aí que reside todo o problema de instabilidade artificial que se pretende criar a todo o custo à volta deste Governo. Este é o momento e a oportunidade para aqueles que colocam os interesses pessoais ou de grupo à frente dos interesses de Cabo Verde. Urge, pois, desacreditar individualmente cada membro do Governo ou o Executivo no seu todo.

Não há muitos dias passava eu, por volta das oito da noite, junto ao edifício das Finanças. Estava à porta um carro cinzento, solitário, no estacionamento destinado ao ministério. Perguntei à pessoa que ia ao meu lado a quem pertencia esse jeep e, sem mais delongas, retorquiu: Claro que só pode ser do Sr. Ministro das Finanças. Ele normalmente chega antes das oito de manhã e sai sempre depois das oito da noite, com um ligeiro intervalo para o almoço. Ele tem a fama de ser o primeiro a chegar e o último a deixar o ministério. Aquele homem trabalha demais, dizia a pessoa que me acompanhava.

Pois é! Eles sabem que este Governo trabalha muito. Também não ignoram que Cabo Verde é um país cada vez mais credível, com maior capacidade de atração do investimento externo e de mobilização de recursos internos. Não é por acaso que no ano passado o país registou uma “taxa de crescimento quatro vezes superior à média do crescimento conseguido nos últimos sete anos da governação anterior”. Tudo indica que o país irá atingir este ano uma taxa de crescimento de 4%, com tendência para aumentar até ao final do mandato. Nessa altura Cabo verde poderá atingir uma taxa de 7 %.

Portanto, para eles, é agora ou nunca! Ou quebram neste momento o ambiente de otimismo e de esperança que este Governo transporta, ou estão tramados.

Mas os cabo-verdianos já viram este filme. Os próximos de belzebu tentaram fazer a mesma coisa com o Dr. Ulisses Correia e Silva quando foi eleito pela primeira vez presidente da Câmara da Praia. Com a inteligência, a determinação e a serenidade que se lhe reconhece ele venceu. Ulisses conseguiu colocar a Praia num patamar jamais visto.

O povo que votou Ulisses Correia e Silva e que o colocou à frente dos destinos de Cabo Verde como primeiro-ministro tem todas as razões para manter o otimismo e a esperança no homem que disse que a Praia tinha solução.

Hoje, mais do que nunca, não duvido que é preciso cortar o rabo ao Diabo se quisermos avançar.

Santo Antão, 8 de Outubro de 2017

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 828 de 11 de Outubro de 2017. 

quarta, 18 outubro 2017 17:08 Publicado em Sociedade

O presidente da plataforma das Organizações Não Governamentais (ONG), Jacinto Santos, disse hoje que, independentemente do figurino que se vier a encontrar, o país deve dar prioridade à regionalização económica.

quarta, 18 outubro 2017 17:05 Publicado em Mundo

O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, afirmou hoje que "não compactua" com actos que atentam contra a estabilidade do país e condenou o incidente registado na sede nacional do PAIGC.

quarta, 18 outubro 2017 14:29 Publicado em Mundo

Um grupo de jovens tomou hoje de assalto a sede nacional do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), na capital da Guiné-Bissau, tentando impedir os militantes de entrar, e as duas partes acabaram em confrontos.

quarta, 18 outubro 2017 13:21 Publicado em Sociedade

A Frescomar e os seus trabalhadores manifestaram-se hoje em frente a Câmara Municipal de São Vicente, alegando que a autarquia cortou a saída de esgoto da conserveira, sem aviso prévio. A Câmara nega a acusação e diz que apenas resolveu o problema de vazamento no Lazareto.

quarta, 18 outubro 2017 13:13 Publicado em Cultura

Comemora-se hoje, o Dia Nacional da Cultura e das Comunidades. Vrias actividades vão acontecer um pouco por todo o país para assinalar a data.  

quarta, 18 outubro 2017 12:59 Publicado em Mundo

Cerca de 70 pessoas estão desaparecidas depois do ataque terrorista que no sábado fez mais de 300 vítimas e deixou à volta de 400 feridos. O governo está a pedir aos cidadãos que façam doação de sangue nos hospitais.

quarta, 18 outubro 2017 12:01 Publicado em Cultura

A Companhia de Teatro Fladu Fla realiza de 19 a 25 de Outubro, o Festival Nacional do Teatro (Tearti), na Cidade da Praia. Este festival terá participação de grupos de teatro das outras ilhas e concelhos do país.   

quarta, 18 outubro 2017 10:34 Publicado em Cultura

O director regional da UNESCO em Dacar, Gwang-Chol Chang, recomendou ontem a Cabo Verde a ratificação de algumas convenções relacionadas com o património imaterial, numa altura que o país quer candidatar a morna a património da Humanidade.

quarta, 18 outubro 2017 09:16 Publicado em Mundo

A vice-presidente do governo espanhol confirmou hoje que Madrid admite suspender totalmente ou parcialmente a autonomia da Catalunha se os dirigentes separatistas não renunciarem à declaração de independência, num prazo de 24 horas.

quarta, 18 outubro 2017 08:38 Publicado em Desporto

Mário Semedo e Mário Avelino são os dois candidatos à presidência da Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF), nas eleições antecipadas de 28 de Outubro, anunciou ontem o presidente da comissão eleitoral, António Semedo.

quarta, 18 outubro 2017 07:58 Publicado em Mundo

O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, disse esta terça-feira, na cidade da Praia, que o país já não tem problemas políticos e que são os próprios guineenses que devem encontrar solução para os seus problemas.

quarta, 18 outubro 2017 07:20 Publicado em Sociedade

A subsecretária-geral das Nações Unidas, Fekitamoeloa Katoa Utoikamanu, disse ontem, na cidade da Praia, que não há tempo nem esforços para desperdiçar se se querem tornar realidade os objectivos de desenvolvimento sustentável em 2030.

quarta, 18 outubro 2017 06:16 Publicado em Opinião

A falta de dinheiro é uma dor a que nenhuma outra se compara

(François Rabelais) O dinheiro, enquanto mecanismo privilegiado de troca generalizada e criador de riqueza, constitui-se, sem qualquer margem de dúvida, num valor essencial, em contexto de modernidade, ao mesmo tempo que confere e reforça o poder social, o estatuto e o prestígio e a reputação dos indivíduos, no quadro da economia monetária diferenciada e das relações marcadas por profundas assimetrias e desigualdades de classe. Convenha-se, todavia, que nesse processo de acumulação de riqueza no qual o dinheiro se posiciona, dentro de uma escala convencional, como o maior de todos os valores, numa sociedade, à partida, estratificada onde os actores sociais criam relações de interdependência, ou estabelecem contactos e interacções sociais de reciprocidade, no quadro da construção da dita cultura do dinheiro (Fredric Jameson).

Com efeito, enquanto convenção social facilitadora de regulação da produção e do mercado e instrumento de poder e de maior “liberdade de movimentos e dependência e autonomia da personalidade”, parafraseando Georg Simmel, ensaísta prolífico e enciclopédico, o dinheiro transformou imensamente as relações sociais e mercantilizou-as (Nildo Viana), resultando do processo de diferenciação maior individualização dos sujeitos, em prol da afirmação da distinção social tão apregoada por Pierre Bourdieu. Daí que o dinheiro, cujo valor económico se revela inegável, na cultura moderna, aliado ao seu fetichismo intrínseco e, ainda, à importante função de mobilidade que consigo arrasta nas ditas sociedades de consumo, tenha sido, desde sempre, objecto de reflexão por parte de eminentes cientistas sociais à dimensão de Marx, Keynes ou Weber, com destaque especial para Simmel, cujo olhar próprio do social, em contraposição à perspetiva sistémica durkheimiana, ou marxista, se se quiser, lhe terá permitido, através, particularmente, da sua grande obra A Filosofia do Dinheiro, publicada no ano de 1900, compreender as consequências da invenção, introdução e difusão social desse poderoso meio de troca indireta de abrangência universal.

Todavia, salvaguardadas as devidas distâncias e proporções e independentemente das suas inegáveis vantagens, não é de estranhar que, numa economia de mercado de paradoxos como a cabo-verdiana, se manifestem, igualmente, certos comportamentos negativos, em confronto com a força esmagadora do dinheiro, em resultado do afrouxamento dos mecanismos de solidariedade e dos laços de coesão, na busca permanente e insaciável da satisfação plena dos desejos dos sujeitos e da sua felicidade.

Na ausência de uma economia competitiva que gere emprego, agravada pela persistência de acentuados índices de pobreza e, ainda, pela permanência de salários que não se compadecem, de forma alguma, com estilos de vida urbanos típicos de uma sociedade consumista onde prima a livre concorrência e perante a perspetiva de mau ano agrícola com impacto previsível sobre o êxodo rural, o poder aquisitivo das populações e o aprofundamento das desigualdades sociais, a gestão do orçamento familiar e a “corrida” ao dinheiro perfilam-se como potencial fonte de relações conflituais e, ao mesmo tempo, de pressão sobre os poderes públicos e as instituições nacionais competentes.

Em boa verdade, a repartição assimétrica da estrutura orçamental das várias categorias socioprofissionais, para além de se concentrar nas despesas correntes e obrigatórias (renda de casa, luz, água, alimentação, escola dos filhos, saúde, etc.), favorece o consumo conspícuo ou vistoso de famílias urbanas, que usam o dinheiro, enquanto mecanismo transmissor de poder social e de valor simbólico, na chamada “terapia das compras” (Furnham e Argyle) e em gastos considerados supérfluos, movidos pelo prazer, pelo divertimento e pelo recreio, socorrendo-se, por via de regra, do crédito bancário, em detrimento da poupança considerada uma “protecção contra o risco económico” (Dahlbach).

A gestão pouco rigorosa do orçamento de famílias cabo-verdianas, sobretudo das camadas mais jovens, assente em valores consumistas próprios de uma economia de mercado, é um factor de endividamento que, de forma cíclica e sob efeito do mimetismo, se vai reproduzindo e gerando mecanismos perversos de dependência dos chamados “gastadores de dinheiro”, mormente num contexto nacional de crise económica e financeira marcada, também, pela persistência da carga fiscal sobre os contribuintes e pela criação de impostos responsáveis, em última análise, pela aceleração do processo de degradação do poder de compra dos consumidores. De facto, hoje em dia, conflitos no seio de famílias endividadas e coagidas a fazer contas à vida multiplicam-se, e, na prática, intervêm como potencial fator de instabilidade do agregado, em razão direta da grandeza do sufoco financeiro e dos projetos de vida, na linha, aliás, do célebre adágio “casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”.

Diante da falta de dinheiro e da necessidade de se reduzirem, ao mínimo, os níveis de conflitualidade no seio de famílias endividadas, que penaliza, sobretudo, jovens que contraem empréstimos junto de instituições de crédito, impõe-se a adopção de estilos de vida próprios que se compatibilizem com os respetivos rendimentos e encargos familiares, mas, igualmente, estejam em sintonia com a construção paciente de uma cultura de poupança que, basicamente, reduza o consumo conspícuo ou ostentatório de bens e serviços, em função das normas sociais, dos valores do grupo ou da sua cultura e tendo em mira a segurança e a estabilidade.

No fundo, impõe-se, igualmente, na sociedade cabo-verdiana, onde, de resto, já são visíveis índices de troca, a mudança de atitudes perante o dinheiro, no âmbito de um processo de socialização económica que comece na família, regule e reoriente os gostos e os respetivos padrões de consumo, em razão do orçamento, das caraterísticas identitárias, dos valores e da experiência de cada um, e se lhe dê o devido valor enquanto, também, mecanismo de mobilidade social ascendente, sem que, todavia, se ostente o sucesso económico, se caia em tentações, ou se feche sobre si próprio, na perspetiva da satisfação das necessidades básicas e dos desejos, da confiança no futuro, do bem-estar e da felicidade.  

 

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 828 de 11 de Outubro de 2017. 

quarta, 18 outubro 2017 06:06 Publicado em Sociedade

O Presidente da República disse que não há desenvolvimento local sem actores locais capazes de exprimir os seus problemas, de construir soluções adequadas e de negociar com as autoridades centrais e parceiros internacionais as formas de as executar.

terça, 17 outubro 2017 17:20 Publicado em Sociedade

O pessoal operacional afecto à delegação do Ministério da Educação em Porto Novo, Santo Antão, ameaça entrar em greve no final deste mês, seguida de uma acção judicial no tribunal contra a tutela. Em causa, a não inscrição no INPS.

terça, 17 outubro 2017 14:56 Publicado em Cultura

No âmbito das celebrações do Dia Nacional da Cultura, que se assinala esta quarta-feira, 18, o Governo decidiu prestar tributo a uma geração de artistas e criadores.  

terça, 17 outubro 2017 11:54 Publicado em Sociedade

Mais de 700 efectivos da Polícia Nacional (PN) vão estar envolvidos na implementação do plano de segurança do IV Fórum de Desenvolvimento Económico Local, que começa hoje, na Praia. 

terça, 17 outubro 2017 11:26 Publicado em Desporto

Cabo Verde subiu três posições no “ranking” da FIFA, actualizado segunda-feira, apesar da derrota sofrida frente ao Senegal, em jogo de qualificação africana para o Mundial de futebol de 2018.

terça, 17 outubro 2017 11:11 Publicado em Mundo

Várias manifestações são esperadas hoje na Catalunha para protestar contra a prisão domiciliária de dois importantes responsáveis independentistas acusados de sedição, numa altura em que se agudiza a crise entre Madrid e os separatistas catalães.

terça, 17 outubro 2017 10:35 Publicado em Economia

Relatório elaborado pelo Instituto Nacional de Estatística mostra que a confiança dos consumidores atingiu um novo máximo este trimestre. Valores idênticos só no terceiro trimestre de 2005.

terça, 17 outubro 2017 10:13 Publicado em Cultura

A Harmonia divulgou esta segunda-feira a data da 10ª edição do Kriol Jazz Festival. 19, 20 e 21 de Abril.

terça, 17 outubro 2017 09:59 Publicado em Mundo

A situação na Catalunha é ambígua. A opinião é do especialista em relações internacionais, José Pedro Teixeira Fernandes, expressa à última edição do Panorama 3.0, da Rádio Morabeza.

terça, 17 outubro 2017 09:53 Publicado em Economia

Preços do turismo, diz o INE, diminuíram 1,5% relativamente ao trimestre anterior.

terça, 17 outubro 2017 08:26 Publicado em Política

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Filipe Tavares, disse ontem que Portugal cumpre a lei na emissão de vistos para estudantes cabo-verdianos, adiantando estar a trabalhar com a embaixada para ultrapassar as dificuldades.

terça, 17 outubro 2017 08:12 Publicado em Mundo

O governo português decretou três dias de luto nacional, a partir desta terça-feira, pelas 36 mortes ocorridas entre este domingo e esta segunda-feira nos mais de 500 incêndios que deflagraram por vários pontos do país.

terça, 17 outubro 2017 08:08 Publicado em Opinião

O início do novo ano político ficou marcado pelo caso dos manuais escolares que dominou o debate público tanto nos órgãos de comunicação social como nas redes sociais e em outros espaços informais. Os erros flagrantes, as dificuldades do ministério da Educação em se explicar e o protorganismo do primeiro-ministro ao longo do episódio garantiram que a atenção do país nele se fixasse até o momento em que as autoridades cederam e retiraram os manuais com promessa de uma nova edição revista. O incidente, na sequência de outros que têm deixado as pessoas algumas vezes perplexas e outras vezes apreensivas, acabou por criar uma certa inquietação. A alternância de governo em 2016 tinha alimentado a esperança que se ia fazer diferente, pôr fim ao ilusionismo e focalizar-se na criação de riqueza e prosperidade geral. Um caminho que exigiria mais eficiência na utilização dos recursos e maior eficácia em obter resultados. A inquietação vem da percepção de que se estará a perder tempo, recursos e oportunidades quando o país, por todas as razões já sobejamente conhecidas, pouco espaço tem para manobra.

Martin Wolf, o economista chefe do jornal Financial Times, num artigo recente, deixou claro que economias que não crescem são as em que a liderança se caracteriza em  insistir num  pensamento mágico, falha em criar incentivos que motivam as pessoas a criar riqueza, menospreza a importância das instituições em garantir esses incentivos e não reconhece a importância central do investimento privado nacional e estrangeiro na dinamização da economia. Ora, em Cabo Verde nos últimos anos viveu-se muito à custa do discurso mágico, os incentivos visaram mais aumentar a dependência do Estado, a segurança jurídica e institucional ficou muito aquém do desejável e ninguém procurou traçar uma estratégia de atracção de investimento externo, deixando-se levar pelo que era oferecido pelos operadores como aconteceu em sectores como o turismo, indústrias e transportes. Os resultados não podiam ser os melhores e depois de mais de cinco anos de crescimento médio à volta de 1% é que aparecem sinais de que poderá subir patamares superiores como o já verificado no crescimento do PIB em 2016 de 3,8% e a previsão do FMI para 2017 em 4%.

 Uma nota de aviso está porém presente nas projecções nos anos seguintes até 2022. Só se projecta que o crescimento passe para 4,1% do PIB em 2018 e aí se mantenha até 2022. Compreende-se que para as instituições de Bretton Woods não haja grandes expectativas de crescimento se se tiver em conta que o ambiente de negócios e a competitividade actual do país assim como foi avaliado pelo Forum Económico Mundial o situa no grupo dos piores entre os 138 países do relatório. Romper com este estado de coisas não é fácil, mas é o que se espera do actual governo para que o país atinja os níveis de crescimento económico necessários para realmente debelar o desemprego, combater a pobreza e manter viva a esperança da mobilidade social e prosperidade futura. Aliás, a promessa do crescimento de 7% para se poder criar os 45 mil postos de trabalho foi feita com essa convicção. Por isso que a reacção nem sempre satisfatória do governo em termos comunicacionais e mesmo de oportunidade perante percalços diversos tem trazido alguma inquietação. Há nas pessoas uma percepção profunda de que o país está numa encruzilhada e que para poder ultrapassá-la é fundamental uma liderança com visão e determinação e com capacidade para congregar vontades na consecução dos objectivos propostos. 

Mais do que nunca as pessoas querem ver eficácia na acção governativa mesmo quando não concordem totalmente com as políticas ou tenham uma perspectiva política partidária diferente. Por isso é que as críticas ou pontos de vista diferentes não devem ser considerados “barulho” por quem governa e que ninguém deve reclamar que seu partido é Cabo Verde como se os outros também não o fossem nesta república democrática e plural. É num ambiente de pluralismo em que os direitos da oposição são respeitados e que diferentes instituições do Estado cumprem na plenitude com as respectivas competências  que se tem maior probabilidade de acertar com o caminho certo. Parafraseando Martin Wolf, evita-se o pensamento mágico, os incentivos não são contaminados por interesses particulares e dão garantia de estabilidade e de previsibilidade e ainda constrói-se a confiança necessária para que nacionais e estrangeiros queiram investir e por essa via contribuir para a criação da riqueza.

A crise que atravessa as democracias modernas tem servido de munição para certos sectores de opinião que sempre tiraram grande satisfação em apontar falhas ao que chamam democracia formal. Os alvos preferidos são os partidos, o parlamentarismo, o sistema eleitoral proporcional e faz-se apologia dos mecanismos da democracia directa e de formas presidencialistas de governo. O apelo ao populismo e ao “sistema do homem forte” e do “chefe” não limitado por instituições e normas está sempre aí presente. Até se reclama que seria mais eficaz por não obrigar aos procedimentos constitucionais tidos como perda de tempo e limitativos de acções de governação. A realidade histórica porém demonstra que tais derivas desembocam invariavelmente em tirania, maior desigualdade social e mais pobreza.

 Os partidos podem ter muitos defeitos, mas são eles que cristalizam as alternativas dentro do sistema, quem no presente ou no futuro os eleitores podem exigir responsabilidade e quem pode fornecer referência ideológica, recursos organizacionais e suporte político activo a governantes e forças de oposição no jogo democrático essencial para levar o país para o melhor caminho. O caso já paradigmático de Donald Trump nos Estados Unidos demonstra como a eficácia da governação é negativamente afectada quando se governa sem o respaldo do partido e se procura refugiar ou em pretensas soluções tecnocráticas ou em esquemas de quero, posso e mando. Dá para pensar o que não vai bem em Cabo Verde e que leva a uma inquietação generalizada e à preocupação com alguma falta de eficácia do governo.  

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 828 de 11 de Outubro de 2017. 

terça, 17 outubro 2017 06:47 Publicado em Cultura

A Esquina do Tempo, que começou como Crónicas de Diazá em 2009, fez-se blogue em 2010, produziu Crónicas de Mindelo em 2014, apresenta agora Crónicas do Expresso das Ilhas. Um convite para revisitar a esquina do tempo inicial.

Para os meninos da minha infância da Chã de Cemitério, periferia da cidade do Mindelo, ilha de São Vicente – estou a falar dos anos sessenta – as pontinhas (esquinas ou pontas de esquina do nosso bairro) tiveram uma função importante de socialização, de iniciação na vida adulta e de transmissão de conhecimentos, sendo, portanto, suportes da nossa memória tanto colectiva como individual.

As nossas brincadeiras da infância ou da meninência estavam praticamente circunscritas a dois grandes largos. Um era o Largo John Miller, que se estendia da estrada, situada entre os clubes de ténis do Castilho e do Mindelo, até à Praça da Salina (Praça Estrela). Do outro lado da estrada ficava o nosso largo, sem qualquer placa ou nome oficial, mas delimitado por duas importantes referências naturais: a pontinha de Nhô Fonse, num extremo, e a pontinha de Nha Teresa, noutro, com as nossas casas no espaço circundante.

 Ao Largo John Miller íamos caçar pardais, aprender a andar de bicicleta, comprar bolachas na Padaria Jonas Whanon e fazer recados e pequenas compras na Mercearia Lizardo, do Nhô Ventura. Contudo, era no nosso largo que passávamos a maior parte do tempo. Ali, durante o dia, jogávamos à bola, saltávamos ao eixo, fazíamos as guerras-de-cavalo e o jogo de corrida-a-pau, passávamos calaca e andávamos à pancada e, à noite, reuníamo-nos para ouvir histórias contadas pelos mais velhos.

Era na ponta de esquina da Nha Teresa ou do Nhô Fonse, iluminada por um único poste público que dava uma luz amarelada e fraca, que, à noitinha, depois de comermos à pressa a nossa cachupa, nos reuníamos com os colegas e aprendíamos dos mais velhos, através das estórias do cinema, do maravilhoso e do fantástico. E tínhamos então gente boa a contar histórias, como Tchéta de Nhô Germano, Funhû de Nhô ‘Nton Bertôl, Lalela de Nha Liza e Lije de Nhô Fonse.

Outro grande contador de histórias, mas com uma predilecção sádica para nos aterrorizar com os casos das feiticeiras e das almas de outro mundo – da capotona, da catchorrona, do gongom, da canelinha e dos maçongues – era o César de Nhô Guste, aquele rapaz magricela, muito esperto, de sorriso franco e olhos arregalados, que emigrou cedo para a Terra-Longe que tem “gente-gentio”, na linguagem do poeta, que ficou por lá e de onde não voltará nunca mais.

O problema surgia quando éramos chamados para irmos para a cama e tínhamos de fazer o percurso de regresso a casa, com pouca luz ou às escuras, e as sombras dos montes de pedra, das charuteiras, dos tarrafes e das tamareiras, abanadas pelo vento, nos faziam evocar aquelas figuras.

Morríamos de medo e corríamos aos ziguezagues para as despistar, com esconjuros na boca!... Isso, sem falar ainda do facto de algumas das nossas casas, como a minha e a do André do Nhô Guste – mas este era destemido! – ficarem lá para as bandas do Cemitério de Inglês e do Cemitério Velho, ainda que desactivados há muito. O Cemitério Novo, o nosso dezoito-dois-oito pela data em que foi construído, 1888, ficava lá pelas bandas da Ribeira de Julião.

Dessas esquinas ficou-me o gosto pelas estórias, pelo desvendar de mistérios e pela busca de conhecimentos, o que havia de me levar ao estudo, à literatura e à etnologia de Cabo Verde.  

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 828 de 11 de Outubro de 2017. 

terça, 17 outubro 2017 06:47 Publicado em Eitec

Estudo da eMarketer mostra que os consumidores usam cada vez mais vários dispositivos em simultâneo.

Um estudo da eMarketer concluiu que nos Estados Unidos os adultos estão este ano, em média, 12 horas e um minuto por dia conectados aos media em geral. O tempo gasto com os media digitais, definição que inclui computador, tablets, telefones com internet, chega às 5h53m.

As pessoas tornaram-se mais eficientes no multitasking, ou seja, cada vez mais fazem várias coisas ao mesmo tempo, sobretudo devido aos dispositivos móveis como smartphones ou tablets, que usam durante mais de um quarto do tempo total dessas 12 horas.

A empresa de estudos de mercado conta cada minuto de consumo de media independentemente de ser em várias plataformas em simultâneo. Por isso, o tempo total de consumo de media continua a aumentar, mesmo que o número de horas do dia continue o mesmo. Por exemplo: uma hora passada a ver televisão ao mesmo tempo que se está a usar um smartphone conta como uma hora de utilização para cada meio.

Em 2017, um adulto norte-americano ocupou mais dois minutos por dia com os media do que no ano passado e mais 24 minutos do que em 2012.

multitasking que envolve plataformas móveis é o principal responsável pelo aumento do tempo com os media. Os consumidores passam cada vez mais tempo em dispositivos móveis que, mais do que telefones, são verdadeiros centros de entretenimento, que servem para ouvir música, ver vídeos curtos e filmes, e jogar jogos. O que prolonga à exaustão o consumo de media.

A atenção que uma pessoa consegue dispensar aos media tem, no entanto, limites e, também por isso, apesar do tempo estar a aumentar, a progressão está a desacelerar. O tempo gasto com dispositivos móveis que não sejam telefones, como é o caso dos tablets, vai crescer 12 minutos em 2017 e será compensado pelo declínio no tempo passado com computadores de secretária ou portáteis, jornais e revistas em papel, rádio e, sobretudo, televisão.

Apesar disso, a televisão continua a ser o meio tradicional mais utilizado pelos adultos norte-americanos, que passam à sua frente três horas e 58 minutos por dia – menos sete minutos que no ano passado e pela primeira vez em muitos anos abaixo da linha das quatro horas por dia. E também é muito menos do que a própria eMarketer chegou a estimar que fosse este ano (quatro horas e 19 minutos). A previsão é que em 2019 baixe para três horas e 19 minutos.

Especificamente sobre as redes sociais, a empresa diz que os adultos norte-americanos passam em média 51 minutos por dia dedicados a plataformas digitais como o Instagram ou o Snapchat.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 828 de 11 de Outubro de 2017. 

segunda, 16 outubro 2017 16:03 Publicado em Política

O governo espera implementar o novo sistema de transporte marítimo inter-ilhas no início de 2018. A informação foi avançada hoje à imprensa pelo ministro da Economia e Emprego, José Gonçalves, à saída de um encontro com os operadores Marítimos, em São Vicente. A tutela quer todos os armadores reunidos numa única entidade. 

Expresso das Ilhas

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